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domingo, 8 de novembro de 2020

O Terrorismo e a Cobardia

 

1. O Terrorismo

Esta semana lembrei-me da história do aristocrata polaco que descrevia aos seus amigos o saque que as tropas soviéticas haviam feito ao seu solar. A biblioteca queimada, obras de arte destruídas, tudo em nome do vandalismo da tropa fandanga. Tudo isso o nobre polaco entendia, pois também tinha sido soldado e esses desmandos não lhe eram estranhos.

Aquilo que o chocou e humilhou até às lágrimas foi o terror infligido pela pura maldade da ocupação soviética: uma estátua da Virgem Maria decapitada e com as mãos decepadas.

A destruição do sagrado pela tropa de choque do laicismo é agora feita nas escolas pelos autómatas a que chamam, para gáudio dos fingimentos, de “professores”, repetida pelos alunos nas ruas das cidades e no saque das Igrejas e na destruição dos lugares sagrados.

Samuel Patty, o professor decapitado em França por um muçulmano salafita, era um desses autómatas. Tinha mostrado na sua sala de aula os tais cartoons desinspirados que um cartoonista dinamarquês fez sobre o profeta Maomé, o profeta do Islão. Assim como para um católico a Virgem Maria é a imagem da pureza e da generosidade, a Mãe Divina de toda uma comunidade religiosa, também o Profeta é o elo de nobreza e virtude que une os pilares do Corão e, por conseguinte, a fibra moral das famílias e das comunidades islâmicas.

O laicismo que cortou os braços à virgem na Polónia foi o mesmo que desonrou o Profeta na Dinamarca. É o laicismo destructivo que pretende demolir tudo o que é sagrado e reduzir os Homens a um ideal e a riqueza do mosaico das Tradições pelo betão ateu. A morte de Samuel Patty é a morte do ideal iluminista, Ideal esse claramente insuficiente para os Povos que mantêm como seu direito inalienável a religião dos seus antepassados.

Esse laicismo radical cumpre-se na Revolução Universal, na imposição dos seus valores a todos os povos da Terra.

A sua morte é também a morte do multiculturalismo, a utopia que propõe criar, sobre os ombros de diferentes culturas, uma “super-cultura” cujos ideias sejam seguidos por todos. Uma “super-cultura” que mais não é do que a Boa Nova do Laicismo, propagada a todos os povos, uma espécie de Culto Imperial dos tempos modernos. Como dantes Roma permitia a liberdade de culto, desde que as religiões locais se vergassem ao culto dos imperadores romanos, também o laicismo permite a “liberdade religiosa”, desde que os valores laicos se lhe sobreponham.

Ironicamente, o terrorismo islâmico é um subproduto dessa cultura nascida a Ocidente. O Islão foi importado para a Europa em grandes quantidades com o fim de afogar o cristianismo, sob o disfarce de um diálogo interreligioso que pretendia confundir as diferenças entre cada religião e a sua fusão numa teologia de ecumenismo oco, numa religiosidade subserviente aos valores desse mesmo laicismo. Agora insurge-se o islamismo salafista na reacção mais radical aos “valores ocidentais” e escolhe como alvo não só o cristianismo mas também, irónicamente, o laicismo que ainda o protege.

2. A Cobardia

Que tipo de homem é que avança para matar outro, com uma faca na mão, quando este se encontra desarmado? Que honra se terá feito ao Profeta com a morte um pobre professor assustado? Que honra terá o Profeta ou o seu Deus recebido com a decapitação de uma senhora idosa numa Igreja em França? E do esfaqueamento de outras pessoas? E de tantas outras violências contra pessoas indefesas?

Só nos prova que o Islão destes “radicais” é um Islão de cobardes. Que um homem tenha a morte no olhar, compreendo. Agora que levante a mãe em fúria para quem não se sabe ou pode proteger? Isto é pior que terrorismo, é cobardia.

Que homem pode destruir um crucifixo, ou decapitar uma estátua da Virgem, ou desgraçar para sempre uma imagem com a Senhora segurando o Menino nos braços, a forma mais pura da ternura familiar? Que homem queima uma Igreja, onde se baptizam crianças, onde mães e pais acompanham os seus bebés e apresentam-nos perante Deus e os seus? Onde as famílias nascem no casamento e onde nos despedimos dos que partem nos funerais? Isto é pior que terrorismo, é cobardia.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O Choque bem-educadinho

A minoria de católicos que ainda se interessa "por temáticas em geral" acordou muito abismada.
O pânico foi geral, mas sempre muito controladinho, para não causar choque ou escândalo.
Era ver o cacarejar das colegiais: os bispos reuniram com os juristas católicos e lá pariram mais um lembrete, que todos estamos à espera de ignorar, perorando a legislação sobre aborto e adopção homossexual.
Amanhã vai ficar este grupo de gente nervosa muito impressionada com o facto de, num país onde 80% da população se diz apostólica e romana, ninguém querer saber da sua epifania moral.
Estou aflito por presenciar as lágrimas. 
Não se preocuparam quando o vendilhame político mandou ao ar a soberania, a indústria, a agricultura, a cultura. Que o estado se tornasse sorvedouro de receita e poleiro de interesses, nem lhes tirou o sono. E agora aparecem muito aflitas, porque o país não bate a bota com a perdigota. Resignem-se senhoras e senhoras, já perderam o país há mais de 60 anos. Pelo andar da carruagem, ainda perdem a nacionalidade.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Estado Confessional e a Monarquia Constitucional



Quando a propaganda Republicana afirma que a Monarquia Constitucional falhou em separar a Igreja e o Estado, fala com rara, quase inédita, razão. Infelizmente para eles, essa razão não caminha no sentido que pretendem.
A encíclica "Rerum Novarum", que dá corpo à Doutrina Social da Igreja, foi entregue pelo Papa Leão XIII à comunidade católica em 1891. O governo português, que de toda a herança dos tempos do Absolutismo manteve, oportunamente, o beneplácito régio (antigo costume jurídico que fazia depender de autorização régia a publicação e circulação de documentos pontifícios em Portugal), optou por reter o beneplácito necessário à publicação do documento até depois de 1892. O conteúdo de interesse social desse documento revolucionário, especialmente na sua atenção ao direito de associação dos trabalhadores, opunha-se à doutrina liberal e aos interesses económicos dos poderes que sustentavam o regime constitucional.
Da mesma maneira, em 1884, é lançada a "Humanum Genus" pelo mesmo Papa, contra as sociedades secretas, resolvendo o governo da Monarquia "Fidelíssima" não permitir a sua circulação de todo, admoestando aqueles que a divulgassem, como aconteceu com D. Tomaz Gomes de Almeida, bispo da Guarda. Era este o Estado Confessional deposto em 1910.
Não admira pois que a maioria do País Católico não tivesse levantado uma palha em prol da defunta e decadente Monarquia do trapo azul e branco. A República seria um Inimigo, mas um inimigo visível e de intenções claras e sobejamente conhecidas. Não valia a pena, de todo, para a hierarquia da Igreja Católica gastar energias a trocar este novo obstáculo pelo cancro parasitário da Monarquia Constitucional.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O Sol e a Serpente


Nossa Senhora da Conceição, Anónimo, Museu de Arte Sacra de São Paulo

«Estes dois abrigos-santuários do Douro (Santuários do Cachão da Rapa e Pala Pinta), serão representantes de dois níveis e dois cultos ontológicos e mitológicos: o nível ctónico, o reino da Serpente e o nível celeste, o Reino do Sol. Solidariamente, culto dos antepassados e seu saber oracular, concedido aos homens nessas salas secretas e culto do Sol, concedido ao ar livre, face ao céu; dois aspectos dum mitologema percorrendo outrora estas margens.
E que ainda se poderá testemunhar no mesmo período neolítico no sul deste território: nos dólmens da Abelhoa e Reguengos de Monsaraz, nos quais o Sol está gravado nesses monumentos votados aos antepassados e à força da vida; e ainda no dólmen do Carrapito, na Beira Alta, onde há figuras radiadas como sóis e uma linha ondulada, como serpente ou água, indicando assim dois caminhos diferentes de culto, levando à mesma finalidade salvífica.
O caminho da serpente, dos abismos,levando ao país dos mortos ou das Ilhas dos Viventes, seria aquele dominante na escatologia e história dos portugueses. E ainda perdurando nas Barcas de Gil Vicente e depois em Pessoa; as Barcas, conduzindo à Ilha Perdida, como ao Paraíso: sempre na rota do sol poente deste extremo finistérrico ocidental.
Depois, na história portuguesa, o iniciado da serpente será o primeiro Descobridor navegante aportando às ilhas atlânticas.
Rota da serpente, será ainda antes, a testemunhada no nosso período da ocupação romana, pela Pateira da Lameira, em Penamacor, onde o seu cenário infernal, com mortos na boca das trevas, Perseu combate a Medusa, tentando evitar olhá-la directamente, perigo mortal, mas só na imagem reflectida no seu próprio escudo. Depois desse perigo mortal, será do Mar Tenebroso para o Descobridor português, novo Perseu.
Vários itinerários paralelos se traçam nesses tempos, o infernal dessa Pateira e o celeste da lápide funerária de cárquere onde o morto ascende ao céu no dorso de um cavalo. Esta lápide e esse objecto votivo, testemunham uma diversidade escatológica de uma única reintegração procurada, em níveis aparentemente opostos.
E, tal ainda na própria essência do Sol, eles se conjugarão. Reintegração que se expressará nos Vedas, onde o Sol possui nomes de “resplandescente e negro”, o que traz o dia e a noite. Tal como essa concepção védica, haverá na nossa proto-história, a mesma união de contrários, como expressão da plenitude ontológica do astro-rei. Suprema união ao ctónico e celeste, que terá sua máxima expressão a nível nacional em Portugal e muito especificamente na sua história da religião e da política, em si implicando concepções teológicas e cosmológicas, no século XVII, quando o Reino proclamou a sua plena liberdade, pela Independência perante Castela, e elegendo sua Padroeira Nossa Senhora da Conceição, Rainha do Céu e da Terra tendo a seus pés a serpente e a lua, e ao alto doze estrelas como resplendor. O rei D. João IV, coroando-a com a coroa dos reis de Portugal. Eis um declarado acto político de teologia realizado pela soberania portuguesa; e único na Europa da Idade Moderna.»

Dalila Pereira da Costa, As Margens Sacralizadas do Douro Através de Vários Cultos

nota sobre a pintura:  Imaculada Conceição, coroada por 12 estrelas, é apresentada sob a forma de Virgem do Apocalipse: e comparada ao Sol (Electa ut sol) e à Lua (Pulchra ut luna). Os outros emblemas são originários do "Cântico dos Cânticos" e da "Ladainha Lauretana": a Imaculada é Fonte dos Jardins (Fons Hortorum) ou Poço de Águas Vivas (Puteus aquarum viventium), Exaltada como o Cedro (Cedrus exaltata), Rosa Mística (Rosa mystica), Torre de Marfim (Turris eburnea), Escada do Paraíso (Scala paradisii), Estrela da Manhã (Stella matutina). A esses atributos místicos, junta-se a figura da serpente infernal esmagada pela Virgem, vitoriosa sobre o pecado original. A Ordem dos Franciscanos é evocada pelos dois cordões monacais que emolduram a imagem da Virgem, cada um deles com três nós, simbolizando os votos perpétuos de castidade, pobreza e obediência. A obra, executada provavelmente em São Paulo no século XVIII, pertencia ao Convento de Santa Clara de Taubaté.
fonte: Wikipédia.

domingo, 9 de dezembro de 2012

The Demon of Evil


Dostoevsky warned that "great events could come upon us and catch us intellectually unprepared." This is precisely what has happened. And he predicted that "the world will be saved only after it has been possessed by the demon of evil." Whether it really will be saved we shall have to wait and see: this will depend on our conscience, on our spiritual lucidity, on our individual and combined efforts in the face of catastrophic circumstances. But it has already come to pass that the demon of evil, like a whirlwind, triumphantly circles all five continents of the earth... 

 Men Have Forgotten God
 by Aleksandr Solzhenitsyn

domingo, 28 de outubro de 2012

The Infant Jesus in a Baby Walker


“The Holy Family at Work. 92. From the Book of Hours of Catherine of Clèves, containing the prayers and litanies of the Mass in Latin, decorated with 157 lavishly colored and gilded illuminations by the Dutch artist, the Clèves Master, c. 1440, in Gothic style.”

domingo, 21 de agosto de 2011

Breivik como espelho da mediocridade

Carlos Velasco analisa aqui, e acerca disto, e eu só lhe posso dar toda a razão, a mediocridade académica que mais não é que o forninho intelectual de novos e diferenciados Breiviks:
No vídeo acima, ele faz de conta que está preocupado com o facto das crianças hoje aprenderem a ser terroristas na escola, e logo depois, prosseguindo este fingimento nada subtil, ensina toda a gente como matar com técnicas das quais nunca ouvi falar, e eu sou daqueles que têm os ouvidos e olhos atentos. A ideia de matar e, em especial, a "maneira de matar", dão um gozo enorme ao doente em questão, que o demonstra, sem o saber, com o brilho no seu olhar hipnotizado e na sua descrição, já na parte final do vídeo, da maneira como agonizaria uma vítima de uma das técnicas assassinas que ele divulga. Após este espectáculo ridículo, como forma de se gabar da sua "inteligência" e de um suposto domínio da arte da língua dupla, ele volta a provocar com uma mensagem alertando que nada daquilo deve ser tentado, depois de tentar a todos com o seu "poder de sedução". Quem, a não ser um psicopata, age assim?
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Que fique claro que deixo aqui o alerta: temos diante dos nossos olhos um idiota de maus instintos que se tornou um psicopata perigoso graças à educação contemporânea. Não duvido que dentro de algum tempo veremos o seu nome estampado nos jornais e revistas de todo o mundo, que provavelmente usarão a tragédia como desculpa para mais uma campanha de desarmamento, que, para variar, atingirá apenas quem deseja se defender deste tipo de doentes, que costumam atacar apenas quando têm a certeza de que não haverá resposta. Quanto a eles, conseguem sempre arranjar armas ou uma maneira engenhosa de matar. O pretexto? Já trataram de lhes ensinar...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Second Creation

“After having lovingly soothed those great wraths and after having calmed those furious tempests with her gaze alone, the Church raised a monument from a ruin, an institution from a custom, a principle from an event, a law from an experience; to say it in a word, order from chaos, harmony from confusion. Undoubtedly, all the instruments used for Her creation, like chaos itself, were taken from that chaos; Hers was only the enlivening and creating force. In that chaos there was, in embryonic form, everything that would be born and live, the Church, bereft of everything, possessed the being and the life, everything came into being and everything came alive when the world lent an attentive ear to her loving words and fixed its gaze on her resplendent beauty.

“No, men had not seen anything like it because they had not seen the first creation, neither will they see it again for there will not be three creations. One might say that God, regretting that He had not made man a witness of the first, allowed His Church a second creation just so man could behold it. ” — Donoso Cortes

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Does the Cosmic Census Bolster Atheists' Claims?
by Jennifer Fulwiler

What I see now is a universe that gives us an ever-present reminder of who and what God really is. The vastness of the universe is unfathomable; to try to contemplate every detail of every object in existence is an exercise in futility. The human mind has nowhere near that kind of capability, and that understanding should inspire us to humility about our own intellectual powers. And so it is when we contemplate God.

It’s a perfect plan, really: the smarter we get, the more we can know about the universe around us. Yet the more we study and measure and chart the heavens, the more we realize how incredibly tiny we are, how very much there is that we will never, ever know. We get a glimpse of the reality that the sum total of human learning cannot ever scratch the surface of what there is to know. We see that we are surrounded by an unfathomably wonderful creation; which points to an unfathomably wonderful Creator.

“As the heavens are higher than the earth, so are my ways higher than your ways, and my thoughts than your thoughts” (Isaiah 55:9).

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Pela Alma

Lisboa - 1 de Fevereiro, pelas 19h00, na Igreja da Encarnação, no Chiado, a Missa por alma de S.M. o Rei Dom Carlos e SA.R. o Príncipe Dom Luís Filipe.

Porto - 1 de Fevereiro será celebrada Missa, na Igreja dos Clérigos, pelas 19horas, em memória do Rei Dom Carlos e do Príncipe Real Dom Luís Filipe, sendo presidida pelo Reverendo Pe. Gonçalo Aranha, com a presença de Sua Alteza o Senhor Infante Dom Henrique, Duque de Coimbra, convidando todos os associados e simpatizantes a nela participar.

Agradecimentos às Reais Associações das duas cidades

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

1521 na História

O ano de 1521 tem vindo a ser apontado por alguma historiografia portuguesa como a data simbólica do fim do Modelo de Estado Medieval e o início da Idade Moderna em Portugal.

A data não podia ser mais apropriada quando contextualizada internacionalmente. Ligado ao evento da morte do Rei Venturoso, está outro que marca profundamente a mudança da dinâmica social europeia e a teoria política do Estado - em 1521, Martinho Lutero persiste nos seus dogmas heréticos, na Dieta de Würmz, retirando-se para Worzburg auxiliado e protegido pelos príncipes do norte da Alemanha.
Nesse mesmo ano começa a conversão ao protestantismo da Europa do Norte, com a subida ao trono de Gustav Vasa na Suécia.
Do ponto de vista da nossa política externa, também a balança muda para Portugal: Magalhães chega às Filipinas, onde falece numa escaramuça com os nativos - no entanto, a sua expedição de circum-navegação ao serviço do reino de Espanha continuará.
Na América Latina, Cortez esmaga os Aztecas com o auxílio das tribos que o apoiaram.

As razões para tal data são muito simples: o estado de graça até então vivido pelo reino de Portugal, pioneiro da exportação da parte de europeus das suas instituições jurídicas, sociais e políticas para outros pontos do mundo inexplorado até então, aproxima-se do fim. O estado português de Dom Manuel I ainda é muito semelhante ao estado medieval dos seus antepassados, e a administração colonial portuguesa mostra muitos desses sinais. É com a morte de Dom Manuel I, em 1521, que esse período áureo de inocência terminará, e o reinado seguinte terá de enfrentar, numa escala totalmente diferente, o crescimento da concorrência comercial e militar de outras potências europeias e asiáticas, o crescimento da burocracia de um império cada vez mais penoso de manter, toda uma nova complexidade a nível do contexto mundial que acabará por mudar o nosso país.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Human Shields

um exemplo de bondade
Egypt’s majority Muslim population stuck to its word Thursday night. What had been a promise of solidarity to the weary Coptic community, was honoured, when thousands of Muslims showed up at Coptic Christmas eve mass services in churches around the country and at candle light vigils held outside.
From the well-known to the unknown, Muslims had offered their bodies as “human shields” for last night’s mass, making a pledge to collectively fight the threat of Islamic militants and towards an Egypt free from sectarian strife.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Da Adoração do Dinheiro

THE EVERLASTING MAN by G.K. CHESTERTON

Why do men entertain this queer idea that what is sordid must always overthrow what is magnanimous; that there is some dim connection between brains and brutality, or that it does not matter if a man is dull so long as he is also mean? Why do they vaguely think of all chivalry as sentiment and all sentiment as weakness? They do it because they are, like all men, primarily inspired by religion. For them, as for all men the first fact is their notion of the nature of things; their idea about what world they are living in. And it is their faith that the only ultimate thing is fear and therefore that the very heart of the world is evil. They believe that death is stronger than life, and therefore dead things must be stronger than living things; whether those dead things are gold and iron and machinery or rocks and rivers and forces of nature. It may sound fanciful to say that men we meet at tea table es or talk to at garden-parties are secretly worshippers of Baal or Moloch. But this sort of commercial mind has its own cosmic vision and it is the vision of Carthage. It has in it the brutal blunder that was the ruin of Carthage. The Punic power fell, because there is in this materialism a mad indifference to real thought. By disbelieving in the soul, it comes to disbelieving in the mind. Being too practical to be moral it denies what every practical soldier calls the moral of an army. It fancies that money will fight when men will no longer fight. So it was with the Punic merchant princes. Their religion was a religion of despair, even when their practical fortunes were hopeful. How could they understand that the Romans could hope even when their fortunes were hope less? Their religion was a religion of force and fear; how could they understand that men can still despise fear even when they submit to force? Their philosophy of the world had weariness in its very heart; above all they were weary of warfare; how should they understand those who still wage war even when they are weary of it? In a word, how should they understand the mind of Man, who had so long bowed down before mindless things, money and brute force and gods who had the hearts of beasts? They awoke suddenly to the news that the embers they had disdained too much even to tread out were again breaking everywhere into flames; that Hasdrubal was defeated that Hannibal was outnumbered, that Scipio had carried the war into Spain; that he had carried it into Africa. Before the very gates of the golden city Hannibal fought his last fight for it and lost; and Carthage fell as nothing has fallen since Satan. The name of the New City remains only as a name. There is no stone of it left upon the sand.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Natal

Aquele que se ofereceu para ser sacrificado em nosso lugar não é um cobrador de dívidas nem um acusador, mas um salvador. Ele nada pede, apenas oferece. E em troca aceita uma palavrinha, um sorriso, uma intenção inexpressa, qualquer coisa, pois não é irritadiço nem orgulhoso: é manso e humilde.

Se, sabendo disso, você ainda é vulnerável aos olhares acusadores e às palavras venenosas, se ainda sente ante os intrigantes e os maldosos um pouco de temor reverencial e tenta aplacá-los com mostras de submissão para que eles não o exponham à vergonha ou não o castiguem de algum outro modo, é porque ainda não compreendeu o sentido do Natal.

Esse sentido é simples e direto: os maus e intrigantes não têm mais nenhuma autoridade sobre você. Não baixe a cabeça perante eles, não consinta que suas fraquezas sejam exploradas pela malícia do mundo.

Jesus Cristo já pagou a sua dívida.

É por isso que comemoramos o Natal.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Comentário a um texto de Palmira F. SIlva

Inconsistências neste post (a negrito os argumentos expostos pela autora do texto aqui refutado):
"Foi o significado especial que o solstício de Inverno desde sempre assumiu que levou a igreja cristã a designá-lo como o aniversário do seu deus incarnado. Com esta medida não só aculturou festividades profundamente enraizadas como aculturou ciclos divinos já muito bem estabelecidos nas religiões que a antecederam na sua esfera de influência: o nascimento do deus no solstício de Inverno, a sua morte, na cruz em muitos casos*, e ressurreição no equinócio da Primavera.Os aniversários do Attis frísio, do Dionísio grego, do persa Mitra ou do Osíris egípcio, por exemplo, eram todos celebrados no solstício de Inverno, na sua maioria a 25 de Dezembro"
1- O Solstício de Inverno não é a causa única para todas as celebrações religiosas que existiram à face da Terra. Nem sequer se passaram todas no mês de Dezembro. Razões:
1.1 - O Calendário Latino tem peculiaridades que não estão presentes nos calendários de outras culturas religiosas. Uma dessas peculiaridades é existir um 25 de Dezembro.
1.2 - O Culto de Átis não tem semelhança alguma como de Jesus Cristo. Primeiro, porque o seu culto está ligado à fertilidade e ao auto-flagelamento (Átis cortou os seus genitais). Consultei 3 dicionários de Mitologia Greco-Romana e não encontrei uma única referência a um possível renascimento 3 dias após a morte. Onde quer a a Palmira tenha lido isso, é possível ser patranha.
1.3 - Não há data alguma que indique que Mithra ou Osiris nasceram no dia 25 - pelas mesmas razões que 1.1, e por falta de fontes que apontem tal facto.

2 - Sobre as tradições cristãs do Natal:
Tudo o que associamos ao Natal, prendas, festa, decorações, etc. remonta a esses antigos ritos pagãos e são património cultural de todos
2.1 - "prendas, festa, decorações, etc." não fazem parte da tradição cristã de Natal. Existe uma tradição religiosa e outra desenvolvida pelas comunidades, muitas vezes independente da religiosa, outras vezes com elementos claramente aproveitados da religião predominante, mas sempre um elemento à parte da celebração religiosa.

3 - Sobre Crucificações:
Os vários deuses Sol não são os únicos deuses encontrados crucificados em stauros sortidos, nem os únicos a ressuscitar após o sacrifício, Osiris e Hórus no Egipto, Krishna na Índia, Quetazlcoatl no México, Hesus dos druidas, Attis na Frígia, são apenas alguns exemplos.

Hórus não é crucificado, Osíris também não. O primeiro nunca morreu, o segundo foi desfeito em mil pedaços pelo irmão Set. Quanto a Quetzacoatl, nenhuma da simbologia atribuída a este Deus envolve uma cruz. Mais, a iconografia azteca possui martelos e foices, e ainda não se pensou que lá existissem comunistas. A existência de cores variadas nos túmulos egípcios também não é sintomático da existência de um movimento LGBT nas terras do Faraó. Krishna também não foi crucificado.

4 - Sobre o imperador Constantino:
O imperador Constantino, que viveu e morreu mitraista, promoveu vários elementos do seu culto pessoal ao Deus-Sol Mitra,
seria mais honesto, do ponto de vista académico, lembrar que a não-conversão de Constantino nos últimos dias ao Cristianismo é apenas uma opinião minoritária entre alguns académicos, visto a grande maioria de provas contemporâneas provarem-nos exactamente o contrário.

5- As diferenças do culto persa para o judaico-cristão:
O mitraismo, uma religião milenar elitista e iniciática, herdeira da riquissima tradição religiosa persa expressa no Avesta, com inúmeros rituais muito semelhantes aos depois adoptados pelos cristãos, nomeadamente a cerimónia da missa ou antes a Myazda mitraica,
estão provadas pela simples evidência que o culto judaico é a principal fonte para a liturgia cristã: pelo simples facto de os primeiros cristãos se terem convertido do judaísmo. O mitraísmo teve muito sucesso entre as castas militares de Roma, mas foi o cristianismo que conquistou as classes baixas das cidades e também as elites governativas do Império. O excesso de importância atribuido ao culto de Mitra é compreensível, no entanto, devido ao facto de mais provas arqueológicas nos terem ficado dos campos militares romanos do que dos palácios e cidades.
5.1 - A designação de "Pai" para um líder de uma comunidade religiosa:
o Pater ou Papa, era muito popular entre os soldados romanos, como assinala o historiador romano Quintius Rufus no seu livro «História de Alexandre».
não é propriedade dos persas. É muito, mas mesmo muito alargado. Além de que Papa é uma designação que só muito mais tarde se veio a aplicar ao Bispo de Roma, muito depois do fim de qualquer vestígio de culto de Mitra na Europa Ocidental.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A Pensar noutras Formas de Vida

«Antão viu no vale de rochedos um homem de pequena estatura, com um nariz recurvado, chifres a saírem-lhe da testa, a parte inferior do corpo terminando em pés de bode. Ao vê-lo, Antão, como um bom soldado, agarrou o escudo da fé e o peitoral da esperança, mas este animal trouxe-lhe frutos da palmeira para comer na viagem, como penhoras de paz. Quando se deu conta disto, Antão parou e ao perguntar-lhe quem era, recebeu esta resposta dele: “Eu sou uma criatura mortal, um dos habitantes do deserto aos quais os pagãos, devido a vários erros, chamam faunos, sátiros, e espíritos malignos. Estou a agir como um enviado da minha tribo. Nós pedimos-lhe para orar por nós ao Senhor que nós temos em comum, pois sabemos que ele veio uma vez pela salvação do mundo, e a sua palavra ecoou pela terra inteira.»
«Nec mora, inter saxosam convallem haud grandem homunculum videt, aduncis naribus, fronte cornibus asperata, cuius extrema pars corporis in caprarum pedes desinebat. Ad hoc Antonius spectaculum, scutum fidei et loricam spei, ut bonus praeliator arripuit: nihilominus memoratum animal, palmarum fructus eidem ad viaticum, quasi pacis obsides, offerebat. Quo cognito, gradum pressit Antonius, et quisnam esset interrogans, hoc ab eo responsum accepit: «Mortalis ego sum, et unus ex accolis eremi, quos vario delusa errore Gentilitas, Faunos, Satyrosque, et Incubos vocans colit. Legatione fungor gregis mei.
Precamur ut pro nobis communem Dominum depreceris, quem in salutem mundi olim venisse cognouimus: et in universam terram exiitsonus eius.»
Hier. Vit. Paul. 8 (PL 23:23a–b)

in Cocanha

domingo, 5 de dezembro de 2010

A Religião do Latéx

Statistics bear out the fact that the wide distribution of condoms as a prevention strategy does not succeed. It does not bring down the rate, and this is what the Holy Father said. He didn’t deny that a condom might be useful sometimes. What he denied was that the promotion of condoms, as a primary prevention strategy, does not succeed. It does not achieve its objective. It does not bring down the average rate of HIV in the population. But people got very agitated because they didn’t study and listen carefully to what he said and because they are not well informed and because there is a lot of ideology and emotion and interest behind this whole issue, and so there was a lot of controversy
in Zenit

In 2003, Norman Hearst and Sanny Chen of the University of California conducted a condom effectiveness study for the United Nations' AIDS program and found no evidence of condoms working as a primary HIV-prevention measure in Africa. UNAIDS quietly disowned the study. (The authors eventually managed to publish their findings in the quarterly Studies in Family Planning.) Since then, major articles in other peer-reviewed journals such as the Lancet, Science and BMJ have confirmed that condoms have not worked as a primary intervention in the population-wide epidemics of Africa. In a 2008 article in Science called "Reassessing HIV Prevention" 10 AIDS experts concluded that "consistent condom use has not reached a sufficiently high level, even after many years of widespread and often aggressive promotion, to produce a measurable slowing of new infections in the generalized epidemics of Sub-Saharan Africa."

in Washington Post

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Religião do Latéx

texto recuperado
Grassou entre nós, recentemente, um escárnio mesquinho que reavivou ódios antigos e discursos de moralidade esquerdófila. Toda a Ordem do Bem-Dizer e Pensar Fácil resolveu-se a guinchar alto e bom som após as declarações africanas do Papa da Igreja Católica.

Surgiram frases de tablóide flamejantes, gritando ao mundo sofredor a realidade cruel de um Homem que parecia defender uma Utopia tão insólita como perigosa.

Acima de tudo, o ateísmo militante e os eternos donos da Moral e Verdade soltaram os seus sonoros "É de rir!" e "Parece impossível!", ou até mesmo o famoso "Já nada me impressiona vindo destes tipos...", gorgolejando todas as frases em uníssono e em harmoniosa concordância.

O caso ficaria aqui, se tudo isto se tivesse passado num micro-cosmos tão redutor e acéfalo como o Portugal Intelectual. No entanto, os acontecimentos à escala global, como tudo o que se faz em matéria de globalização, accionaram os mecanismos da livre troca de ideias e surgiram, por entre a bruma ideológica deste mundo tão uniforme, Opiniões. Essas opiniões partiram de pessoas que realmente sabiam e sabem o que se passa em África, porque possuem o bem mais precioso que o situacionismo e a esquerdofilia não têm: a experiência, mãe de todas as coisas.

Assim provaram os homens de verdadeira sabedoria que a monogamia, a ideia protegida pela Igreja Cristã e pelo Papa (e não o celibato, a Igreja não pede dos crentes aquilo que só pede aos clérigos) é de facto uma prática social que as organizações humanitárias que trabalham no continente africano têm procurado disseminar, e cujo apoio religioso do Papa transforma numa realidade extensa. A posição da Igreja em África, ao invés de trazer o holocausto preconizado por alguns desmiolados, fará pelos povos de África algo que a inteligentsia e a nomenklatura intelectual ocidental nunca fizeram, farão, nem querem fazer.

É de facto aborrecido ter de aturar, de tempos a tempos, o levantamento ridículo que as classes comodistas, as verdadeiras comodistas, fazem. Não se lida com África da mesma maneira com que se lida com um doente, ou com uma obra de caridade. Lida-se com os africanos como se lida com os homens e mulheres responsáveis que eles são. Procuramos métodos racionais, discutimos políticas e encontramos soluções para os problemas.

Mais que provado está que preservativo não é o meio único para prevenir a SIDA, nem será tão eficaz como se quer comprovar, neste texto de um verdadeiro entendido na matéria, que disponibilizou o seu parecer no blogo Insurgente.

A propaganda trêfega da comunicação social, todo este desprezo votado a sectores da sociedade tão bons como qualquer outros, o discurso das elites intelectuais de um país tão burro como desmoralizado, fazem deste navio à deriva chamado Portugal um sítio difícil para viver, se se quer ler e ouvir com alguma imparcialidade e razão. Sejam os novos traços do país, que já duram há pelo menos dois séculos, seja quiçá um novo anti-clericalismo em gestação, ou simples idiotice, cada vez mais é dificil ficar cá, para ficar com estes portugueses. Imigrar será a solução, solução que este lodaçal sempre deu aos que melhor vontade têm de nele viver em paz, progresso e sossego.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves