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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Recordações de um Concerto ( IV ) (Festival Internacional de Música de Espinho - III)

16 de julho ; Sequeira Costa - Piano
Primeira Parte : Frédéric Chopin - Fantasia Opus 49
Balada nº4 Opus 52
Berceuse Opus 57
Barcarola Opus 60
Tarantela Opus 43
Segunda Parte: Claude Debussy - Suite Bergamarsque
Maurice Ravel - Jeux d'eau
Franz Liszt - Au bord d'une source
Lenda de São Francisco de Assis caminhando sobre as ondas

Extras: Brahms - Intermezzo
F. Chopin - Valsa Opus 64 nº2
Chopin - outra Valsa (de que já não me lembro o Opus)

Pouco há a dizer, poucas são as palavras para caracterizar tal recital, tais interpretações. Quando tal acontece, de forma absorta e de profundo respeito pela elevada mestria, o crítico deve remeter-se ao silêncio. O crítico, neste caso, já tinha ouvido o programa exactamente igual, com os mesmos extras, só podendo tomar o plano da comparação, dizer que que foi diferente.
Desta vez tivemos um pianista mais cansado, com mais perdas de notas, mas com mais sorrisos e aclamações de pé. Foi um concerto mais real, o anterior mais elegíaco. Ambos geniais.
Casa cheia.
Alma cheia.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Crítica de concerto XII (Festival Internacional de Música de Espinho - II)

9 de Julho, David Geringas - violoncelo / Pedro Burmester - Piano
Primeira Parte:
Johann Sebastian Bach - Suite nº3, BWV 1009 (violoncelo solo)
Gustav Mahler - Canções das crianças mortas (transcrição para violoncelo e piano de Viktor Derevianko)
Segunda Parte:
Franz Schubert - Sonata "Arpeggione", D 821
Robert Schumann - 3 Peças de Fantasia, Opus 73

Extras:
Piotr Tchaikovsky - Nocturno
Peça de outro compositor russo
Rimsky-Korsakov - Voo do Moscardo ("The Flight of the Bumble Bee") - versão piano e cello
Frédéric Chopin - Andamento lento da sonata para piano e cello, Opus 65


Entrada fulgurante do violoncelista, a solo, com muita energia e direcção, revelando os momentos de maior tensão harmónica sem pedantismo. Revelando grande facilidade técnica e gosto/prazer em arriscar no palco, foi uma interpretação muito interessante, diferente mas com estrutura, evidenciada na forma modelar em como se desenrolavam as danças no tempo com seus andamentos próprios e algo voláteis.
Depois, foi a entrada da Morte, uma peça que me fez revirar as vísceras de tão pesada de carácter, expectante procura de chão. A ouvir de novo, completamente só.
Segunda Parte:
Clara demonstração de como um pianista é bom. Tendo este confirmado nos bastidores, não houve um único ensaio igual, o violoncelista fazia tudo diferente, articulações, andamentos, dinâmicas; ele moldava tudo segundo a "sua" inspiração/atmosfera. E o pianista a demonstrar uma enorme segurança, clarividência no encaminhar das frases e uma técnica irrepreensível.
Eram sublimes os seus pianíssimos, o seu contraste para com a fogosidade do violoncelista.
Como extras, momentos para brilharem, para "darem ares" de delicodoce - neste caso, com bom gosto - e uma atitude super descontraída por parte do pianista nos agradecimentos.
O virador de páginas - igual ao concerto anterior - tanto virava em cima da hora como a seguir ficava "horas" de pé à espera. Vestido de forma igualzinha, calças de ganga e sapatilhas, com camisa preta.
Casa quase cheia como um Bloco, com mais pessoas à Esquerda.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Crítica de concerto XI (Festival Internacional de Música de Espinho)

8 de Julho, Concerto de Música de Câmara

Renaud Capuçon - violinista

Frank Braley - pianista


Ludwig van Beethoven

Primeira Parte: Sonata n.8 Opus 30 nº3 -------------- Sonata nº5 Opus 24

Segunda Parte: Sonata nº7 Opus 30 nº2

Extra: segundo andamento de outra sonata de Beethoven (o duo gravou há pouco a integral)


As minhas impressões foram de positiva surpresa. Surpresa, por exemplo, na perspectiva de evidenciar os motivos rítmicos, pelo pianista, de forma "amaneirada", como que mostrando tiques que teriam sido próprios da época (com toda a subjectividade daí adjacente, quer na análise auditiva, quer na análise a priori do contexto). Dava muito carácter às frases com diferentes ataques para diferentes acentuações e staccatos curtíssimos, mas que cortavam em excesso a noção de frase.


Outro exemplo será o excessivo vibrato do violinista, bom para finais de frase mas a despropósito nos seus inícios. Isto dava demasiado ênfase a cada nota, sendo que revelava ao mesmo tempo conforto técnico e de afinação.

Conforto era o que demonstrava também nos seus movimentos, mas todos com sentido e conexão com o significado da música, enquanto que o outro era pindérico, ao ajeitar as páginas, o mexer delicadamente e "em câmara lenta" o cabelo com gel, só gel, o olhar derretido para o parceiro. É isto que se costuma chamar de "intérprete expressivo" sem se saber o real valor desse epíteto.


Aborrecimento, onde?


2ª parte começa por ser o início do aborrecimento, porque aquilo que antes se tinha revelado frescura pela sua novidade, resvalou para o chato, para o "piroso" como alguém já o disse. Passa-se a notar a falta de uma estrutura mais abrangente, completa e perceber para onde ia música, mesmo que, de tão anestesiados que estávamos, já não pedíamos isso a 100%. O extra não ajudou à festa, com aquele "delicodoce". O público adorou, principalmente os (e as) violinistas.

Virador de páginas com pouca noção da roupa para levar e mais não digo.

Programa de concerto normal, ou seja, a dizer o mesmo, aquilo que vamos ouvir mas não o que podemos perceber das obras e ouvir algo como novo, coisa aliás tremendamente difícil num tempo de grande plêiade de gravações, maior conhecimento do público e a tradição de partir desse pressuposto para não dizer nada, pois dizer que uma música é "muito expressiva" não quer dizer quase nada. O público já parece estar acostumado a não se conseguir surpreender com as novidades tonais, rítmicas, per si.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves