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sábado, 23 de julho de 2011

Crítica de concerto XIII

18 de Julho / Recital Final de Composição / Café-Concerto ESMAE

Segundo o início do Programa:

"Morphing ... onde tudo se transforma. Podemos modificar gradualmente as imagens que a nossa memória cria, mas mantemos a essência do objecto. Neste concerto procuramos moldar o som, criando uma textura orgânica que se vai desintegrando de forma pontilhada.
Perdemos os acontecimentos, respiramos os sons, vivemos as imagens...e a nossa mente?

...desaparece..."

Frames#87: clarinete, electrónica em tempo real e vídeo (compositor: Igor Silva)

Ondas de memória: ensemble (comp. Diogo Carvalho)

Monólogo V: guitarra portuguesa (I. S.)

Twelve Gardens nº1, 2 e 3: piano e vídeo (D. C.)

As palavras não mudam: flauta e electrónica (I. S.)

Contrastes: violoncelo e piano (D. C.)

Slow motion: electrónica e vídeo (D. C.)

Clepsydra: grande ensemble e electrónica (I. S.)

Excelente grafismo para capa das notas de programa. Fantasia científica é o que me ocorre.

Excelentes textos elucidativos das obras.

1ª peça - Tinha momentos em que parecia um elefante a soar do clarinete de Frederic Cardoso, porque a peça era mesmo assim escrita. Aquilo era um "calhau" para o intérprete. O vídeo era, por vezes, abusivo.

2ª - Percebi ainda melhor, com outro olhar, a totalidade da obra, a imagem de fundo (uma gare de metro e seus carris) também ajudou. Mas a minha opinião já tinha sido muito boa (ver crítica aqui). Senti mesmo pena por alguém, indo de encontro ao "objectivo - haver uma sensação de desconforto e a ansiedade" (Nota de Programa).

3ª - Brutal, Som fantástico, ritmos alucinantes para a tradição auditiva do repertório daquele instrumento.

4ª - Não senti nada.

5ª - Acho que podia ser mais curta, já que os seus motivos eram interessantes, principalmente com a qualidade tímbrica da flauta, mas que a dada altura, paravam no tempo.

6ª - Esta é que não percebi mesmo nada. Vá lá, senti estranheza.

7ª - Gostei das imagens das flores em diversos ângulos, embora gostasse delas em cores vivas, mas isso talvez fosse contra a estética e gosto da ideia intrínseca à peça. Por acaso, até achei a peça andante e não lenta.

8ª Adorei. Gostei ainda mais do que da primeira vez .

Notas: Há pessoas que pensam que estão a aplaudir em Budapest. Uma salva de palmas de cada vez. E alguém se importa de desligar as câmaras frigoríficas? Lá pró raio do barulho. Acho que alguém se esqueceu de como se abriam as cortinas ;) Foi engraçado.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Convite a um Concerto

Caro leitor,

Convido-o a assistir ao Concerto de Música de Câmara que se irá realizar dia 1 de Julho, sexta-feira, pelas 21:30h, no Ateneu Comercial do Porto.

Terá oportunidade de ouvir excelente música tocada por dois intérpretes formados na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, pelo professor Ricardo Lopes e Pedro Burmester, respectivamente, de oboé e de piano.


Concerto de Música de Câmara

Intérpretes:

Sofia Brito - oboista
Filipe Cerqueira - pianista


1ª parte:
Robert Schumann: 3 Romances, Opus 94

I - Nicht Schnell
II - Einfach, innig; Etwas lebhafter; Tempo primo
III - Nicht Schnell; Coda

Piano solo: Frédéric Chopin: Balada Nº1, Opus 23

Paul Hindemith: Sonata para Oboé e Piano
I - Munter
II - Sehr langsam; Lebhaft; Sehr langsam, wie zuerst; Wieder lebhaft

Intervalo, com Porto de Honra a ser servido aos convidados

2ª Parte:

Witold Lutoslawski: Epitaph

Camille Saint-Säens: Sonata para Oboé e Piano, Opus 166
I - Andantino; Poco allegro; Tempo Primo
II - Ad libitum; Allegretto; Ad libitum
III - Molto allegro

Eurico Carrapatoso: Peça das "Três peças atlânticas"

sexta-feira, 11 de março de 2011

Crítica de concerto (VIII)

Ontem, 10 de Março de 011, concerto de Música de Câmara na Sala Teresa de Macedo, na Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo, parte integrante da programação da Semana Aberta.

Começou pontualmente às 21:30h com "Dunkler Lichtglanz", de Robert Schumann, com os seguintes cantores:

Sara Cruz, Soprano
Liliana Sousa, Contralto,
João Terleira, tenor
André Carvalho, barítono
e ao piano Laura Felício.


Uma peça divertida, com um texto humorado, interpretada com rapidez, intenção mas com pouca leveza.
Todos os momentos eram de grande ênfase, soava tudo sempre forte.
Tanto nas cadências e partes de estabilidade tonal como nas progressões harmónicas, muitas em cromatismo, síntese da intensidade íntima muito presente na obra deste compositor, havia, como dizia, a necessidade de cada um revelar a sua parte o máximo possível. O resultado, por exemplo, era a submersão da Contralto por parte da Soprano, que tem um boa voz mas que exagerava nos crescendos, chegando aos agudos já em nítida desafinação com os restantes, talvez por já estar cansada de tanto cantar naquele dia.

Gostei do Tenor, com boa técnica e coordenação com todos os músicos. O barítono fazia muito bem as suas entradas, tanto rítmica como afinadamente, dentro do molde de harmónicos projectados pelo piano.

Este, sempre respeitador e atento às entradas e respirações dos cantores, demonstrou sentido de condução de estrutura da obra, mas também foi um pouco "na onda" da intensidade em excesso, mas com alguma variedade tímbrica (pouco facilitada no trabalho pelo desconforto gerado por uma "lesão" num dedo).

A soprano nunca olhava para o público, sempre de lado na postura, ao contrário dos restantes, com "interacção". "Esqueceu-se" de mandar calar o público, com o indicador, numa parte da peça, numa clara graçola física inerente a uma referência textual do muito irónico Schumann (algo que se não me dissessem, não ia imaginar).


Seguiu-se Paris 1937 de Fernando Lopes-Graça, para dois pianos.

Ambos estão de parabéns.
A Margot Welleman (a impecável pianista deste concerto) pela sua sagaz e implacável noção de balanço e afirmação rítmica, com uma variedade tímbrica inexcedível no registo grave, num piano que está um caco, muito aberto, em que seria fácil bater/berrar.
O Pedro Costa por ter tocado com febre alta mas com uma desenvoltura, alegria e variedades tímbrica e colorística muito grandes. Vê lá se tens febre mais vezes rapaz!!
Muitos Parabéns!!
Bem, na 2ª parte ouviu-se a "Playfull Quartet", de René Dequanq, pelo ensemble de Saxofones Ventos Novos.
Gostei muito da peça mas não tanto da interpretação. Demasiado vibrante, com muito ar a sair dos instrumentos. Muito alegres a tocar e muito conectados entre eles.
(Et quelle belle fille la bas).
Boa assistência, maioritariamente de cantores . Pena não ter aparecido mais gente de outras "musicalidades". Espero que apareçam nos outros dias.
Isto foi numa noite onde aconteceu outro milagre, além do do Pedro.
O Benfica lá ganhou ao... Paris Saint-German.
Isto é com cada coincidência...
"Cabecinha Pensadooora..."

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Crítica de concerto (VII)

Dia 11 / 2 / 011



Concerto de intercâmbio entre alunos de composição da ESMAE e da Universidade da Califórnia de Santa Barbara, nos Estados Unidos da América.

Este foi o segundo concerto da série Intercontinental. Realizou-se no Hard Club, no Porto, pelas 22horas (mas atrasado, como é costume).

Apresentação resultante da cadeira ministrada na ESMAE de Ensemble I&D, com direcção musical de Eugénio Amorim e Direcção Artística de Dimitris Andrikopolous.

Como primeira peça, surgiu "Echoes from the Holocaust" para oboé, viola e piano, de Joel Feigin.

A pianista, tecnicamente irrepreensível, estava completamente sozinha, parecia estar a gravar em estúdio. E a entrada da oboista foi péssima, tal como o entendimento ao longo da peça com o violetista. A partitura era horrível, "sofria de gaguez", atropelos, demasiados silêncios. Abruptos, este "ecos" pareciam fragmentos das esgares e cantares desse tormentoso período da História Europeia. Mas naquela sala e, ainda para mais, com falta de ambição por parte dos instrumentistas, nada feito.


Refiro-me à sala porque era penoso ter de ouvir o zumbido permanente proveniente do ar condicionado, do bar, das luzes. Estas, bem, houve cá cada queixa sobre o facto de nas pontas do palco não haver foco de luz suficiente para se ver as partituras!!!

Cada silêncio era uma oportunidade para desancar naquela maquinaria toda.


Gostei de "Golden Winter State" de Joann Cho. Finalmente ouvia algo sinteticamente apelativo. O Ensemble lá se deu razoavelmente. Pequenos mundos e fundos se vislumbraram.


A prima parte termina com uma excelente peça de Igor Silva "Clepsidra", para Ensemble e Electrónica.

Cascatas, mundos de fantasia, memórias pueris. Boa e enérgica direcção de Eugénio Amorim, embora com momentos de "puro terror": enquanto o Igor lidava com a electrónica, a orquestra atrasava e acelerava compassos inteiros!!! com o Igor a ficar sem chão.

Esta Clepsidra (relógio de água) teve várias faces e foi bastante aplaudida.


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Recomeço com "Canonzetta" de Chiareza Barlo.


Mas qu'ésta merda, pá?


Então apresentam uma peça tonal do mais fraquinho estética e harmonicamente, com um texto no programa a gozar connosco: "Nesta obra a preocupação intensa do compositor com a técnica dodecafónica manifestada nos dois anos anteriores da criação à Canonzetta, NÃO É PRESENTE." e ainda querem que leve isto a sério?
Não estou contra a produção da obra, mas sim a sua apresentação neste enquadramento. Então tocavam peças portuguesas contemporâneas do género bem melhores. Sé para escrever coisas irónicas, com humor subtil e satírico, então não se apresentem "La Palissadas". Para isto vou a um "bidonville" ouvir umas valsas.

A interpretação também foi de rir.

A violoncelista a fazer cá um frete, só queria matar a pianista com o olhar. Esta, coitada ou não, disfarçava o nervosismo e "toca" de correr ou atrasar conforme a disposição, tentando errar o menos possível. O violinista, esse, estava na boa. Têm desculpa?

Têm: a qualidade da peça era medíocre e ainda por cima, só tiveram 2 semanas para treinarem, tal como o restante programa.

Assim, não.


"Moment" de David Gordon.

Hummm, ok, passa à frente.



Estupenda peça de Diogo Carvalho: "Ondas de memória". Ensemble


Dividida em 2 partes, fez-me pensar imenso na Humanidade, seus problemas e reflectir na literatura de Vergílio Ferreira, cuja relação com o texto do programa era imediata: "(...) Às vezes, porém, paras numa, e é como se toda a vida se fixasse aí. E giras em torno, numa obsessão (...), em vez de te fixares realmente, quando menos julgas estás parado noutra folha, noutra janela, noutra paisagem." In Estrela Polar

Por fim "Homenagem a um Fugidio" de Carlos Brito Dias. Mesma formação

É com muita pena que não consigo ter uma opinião mais pensada sobre esta peça, já que me influenciou muito a 2ª parte da peça anterior, de tal forma que este era ideal para espelhar o sofrimento, desânimo e desespero de quem procura e perde um familiar e a do Carlos já não teve tanto impacto. Por isso, não quero ser injusto. Estão de Parabéns.

De realçar que houve instrumentistas mais "felizes" nas peças que receberam, influenciando a forma de os ouvir.


Pagar 2€ não é nada, mas...


Ah, e da próxima vez, não se esqueçam de escrever a data, o local (um logótipo não chega) e hora do concerto. Dá jeito.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Crítica de concerto

Ontem, dia 23 de Novembro de 2010, pelas 19:30, na Sala 2 da Casa da Música, assisti a um Concerto do "Trio Impressões", composto (minuto 2.05) por Rui Ramos - flautista, Vera Santos - clarinetista e Bernardo Pinhal - pianista.

O programa foi composto, na primeira parte, de uma "Sonatine en trio", Opus* 85, de 1935, dividida em 4 andamentos, de Florent Schmitt; de uma "Aria" de Jacques Ibert, de 1930 e de uma "Tarantella" de Camille Saint-Saens, de 1857.
Na 2ª parte foi tocada uma transcrição de Michael Webster de uma peça orquestral de Claude Debussy "Prélude à l'aprés-midi d'un faune", de 1894 (da obra original) e da Estreia Oficial do "Trio para flauta, clarinete e piano", entre 2009/10 de um excelente compositor e já Professor na minha escola, Daniel Moreira.

Da primeira parte, ficou-me a reter que às vezes algumas passagens de alguns andamentos da primeira peça ficavam muito "apagados", com demasiados pianos súbitos ou demasiada bipolaridade entre motivos efémeros e a estrutura global das frases/dos andamentos. Mas ouvia-se bem toda a brincadeira entre os as passagens de um instrumento para o outro, demonstrando bastante cumplicidade entre eles.
O início da Aria é delicioso, o Bernardo começa já com o andamento perfeito, como se já estivesse a tocar há muito tempo, extremamente à vontade, com a Vera a entrar no timbre certo, com uma cadência muito própria e tocando de cor com o Rui. Foi a melhor interpretação desta peça que já lhes ouvi.
Já com a Tarantella, o pianista arrisca (e bem, porque pode) no ritmo e andamento eloquente e simples com as mesmas notas repetidas sempre de maneira diferente mas sempre claras e caprichosas. O flautista bem fica intimidado ao início mas logo entra na onda. Quando se enganava, o pianista pensava logo adiante, não ficando muito preocupado, embora algumas partes ficassem "meio escondidas" tal era a rapidez e a dificuldade das passagens. O final foi vivo e cheio de intenção de criar boa impressão na audiência.

Na segunda parte, não achei a interpretação da peça de Debussy muito conseguida, mas penso ter sido "culpa" da fraca transcrição, com pouca maleabilidade de proposta de timbres.

Já o Trio Português foi muito bom, tanto a estrutura da peça é equilibrada (parece clássica) como os momentos de maior êxtase/intensidade são bem geridos e delineados pelos vários instrumentistas, parecendo que foi criado mesmo à medida dos intérpretes.

Como encore, retocaram, ainda com mais vivacidade, o último andamento (se não me falha a memória) da 1ª peça da primeira parte.

Merecidamente aplaudidos pelas pessoas que encheram metade da lotação da sala, proporcionaram um excelente concerto. Estão todos a tocar muita bem, o pessoal da ESMAE também achou.

Vale sempre a pena ouvir este Trio.

*Opus significa obra, trabalho, designação assim usada na Música desde, que eu saiba, Ludwig van Beethoven.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves