Mostrar mensagens com a etiqueta Brasil. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Brasil. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Psicologia Portuguesa

Batalha de Guararapes, quadro de Victor Meirelles

«O europeu era tenaz, inteligente, empreendedor: mas a sua iniciativa como a sua audacia participaram da circunstancia emotiva, essencial à atividade, à indole portuguesa. Este foi sempre um povo que pensou, agiu, realizou por explosão (observou Keyserling) - como indicam o seu idioma, os seus ciclos económicos, as curvas da sua, e da nossa história. Dirigiu-o, invariavelmente, algum misticismo flagelante: patriótico, religioso, maritimo-colonial.
Num dos seus apologos, disse D. Francisco Manoel: "Desde a perda del-rei D. Sebastião até a cidade da Baía, cabeça do Brasil, não fizeram os fidalgos portugueses senão passear nos coches... E ainda a nova não foi certa, quando já a maior e melhor nobreza se lançava como a nado em cata de vingança de seu inimigo."
Semelhantemente, não se agitou senão de golpe, em crises, nevrosado por choques rudes- para correr os castelhanos, varrer os mouros, expulsar os judeus, defender o concelho, povoar as terras achadas, marinheiro e guerreiro ao acaso, traficante e agricultor, alternadamente, capitão no Oriente, mercador no Brasil, plantador ou negreiro alhures - capaz de um mimetismo completo, que lhe criou o êxito brasileiro.»

Pedro Calmon, Historia Social do Brasil

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Quem Semeia Tempestades...

Tiriricas não são uma consequência maléfica da democracia de massas: é apenas um vislumbre do seu natural rumo de acção.
Quem quer soberania popular e quer levar com burguesinhos bem educados não pede mais do que a sua dose diária de desapontamento.
De facto, entre o Tiririca e os Quartins da Causas Real há apenas uma diferença de nível de vocabulário - e milhares de euros gastos numa educação sobrevalorizada: ambos são igualmente incompatíveis com a qualidade necessária para reger um país ou fazer parte de um corpo legislativo.
A história da monarquia na Europa continuará repetitiva como crochet - enquanto o democratismo continuar a ser experimentado por mera confusão entre democracia e demofilia, só nos resta esperar que apareçam uns novos Integralistas de 40 em 40 anos para reavivar o que as crenças de uns matam.

Para quem tanto gosta de confederações luso-qualquer coisas, só ficava bem um Tiririca como Chanceler-mor.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Fumaça e Serenidade

A tirania é o governo de um só com vista ao interesse pessoal; a oligarquia é a busca do interesse dos ricos; a democracia visa o interesse dos pobres. Nenhum destes regimes visa o interesse da comunidade." (Aristóteles, Política, Livro III, 7).

Desde já, quero agradecer ao Miguel Castelo-Branco e ao Nuno Castelo-Branco a protidão com que responderam ao meu post. Como ando ocupado com coisas da faculdade, não tive tempo de responder prontamente com a ponderação necessária para esta discussão.

A leitura do texto de Miguel CB incidiu sobre a definição de uma política internacional, e a do Nuno CB sobre a legitimidade de governo de Dilma e foi mais específico que o Miguel no que toca às questões internas da República Federativa do Brasil (e também sobre política internacional, que irei responder) - se estiver errado nesta minha leitura dos factos propostos pelos dois argumentadores, que me sejam apontadas as falhas.

Para não tornar a leitura maçuda, faço uma esquematização por pontos:

Em Relação à Política Internacional: MCB afirma que não deve haver ideologias na política internaciona e nas relações externas. Não podia estar mais de acordo. No entanto, isto não implica que não deva existir uma Ideia, especialmente um Critério. Um Governo democrático para os próximos quatro anos poderá não o ser num futuro próximo de oito anos. Um governo democrático (como qualquer outro), apesar de ter legitimidade de origem, poderá não ter legitimidade de exercício no seu mandato. Não há qualquer tipo de propedêutica que bata a Lógica. Não é o facto de um Governo ser eleito democraticamente que faz dele aquilo que o Povo Basileiro precisa - a sua duração efectiva é de apenas 4 anos, não representando nem de perto uma diplomacia brasileira firme e a longo prazo, mas apenas o desvio ideológico que o trouxe ao poder. O mesmo principio que levaria a Casa Real a criticar certas posições radicais de um governo português, também o deverá fazer em relação a um governo igualmente radical em reformas de engenharia social que ainda por cima se escuda na imagem da Dinastia Brigantina para propagandear uma posição verdadeiramente sua contra o projecto monárquico do Brasil.

Em Relação aos Negócios Estrageiros: é o Foreign Office que trata das relações externas do Reino Unido, sendo a Rainha de Inglaterra parte desse "capital diplomático". No entanto, nunca o Foreign Office proporia à Rainha um tipo de reação mais afectuosa com Mugabe ou outro tiranete. Se a Monarquia Portuguesa quer insinuar-se na diplomacia de uma democracia de pobres (o mesmo princípio politico das revoluções que, um pouco pelo Mundo, destruiram a Antiga Ordem, e especialmente a Monarquia e a Religião) que esteja preparada então para todos coices que esse tipo de regimes dá. É uma má aposta, a meu ver. Tal como disse Miguel CB, a política internacional não se faz com ideologias. Mas tal como ele tantas vezes escreveu, há-de entender que se faz com Prudência. Sem Critério, não há relações externas.

O Brasil é uma nação completamente madura, não se inserindo no mesmo grupo de países da antiga África Portuguesa. Primeiro porque não têm uma situação jurídico-constitucional minimamente estável, depois porque são países que acumulam um tipo de necessidades absolutamente diferente das da diplomacia do governo brasileiro. O tipo de relação com o Brasil tem de ser, por tal, completamente diferente, visto se tratarem de tipos diferentes de Estado e de circunstância.

Em Relação ao Brasil: é neste ponto que nasce a discórdia entre a minha posição e a de MCB e NCB. É aqui que eu vejo o Conselho Real rodeado de esquerdistas e da mesma matéria de "democratas" que levaram à queda da Monarquia em tantas antigas nações, do género de democratas à la Esquerda Monárquica.

Mais uma vez reforço o argumento de que uma escolha democratica não é o melhor sinal para que um governo procure o Bem-Comum de uma sociedade. Pelo menos não é um sinal satisfatório para se ter isolado. A própria democracia brasileira não é a instituição mais saudável daquele país, fazendo do apoio de governos brasileiros um mau investimento a longo prazo.

Do ponto de vista político e económico, é errado conotar o crescimento económico do Brasil com o governo brasileiro de Lula da Silva. Sabemos que foi o sector empresarial que proporcionou esse crescimento, e as políticas sociais de Lula prejudicaram gravemente o sector da classe média brasileira. O aumento de ajudas destes programas provocaram uma enorme onda de desemprego nos estados do Nordeste e aumentaram a dependência de muitas famílias do apoio estatal. Assim, é mais racional assegurarmos que o Brasil cresceu apesar de Lula do que por causa de Lula. Assistimos também à decadencia dos sectores tradicionais, tanto os sociais, produtivos como religiosos, no Brasil: a Igreja católica brasileira, quando não é subserviente (como o deprimente espectáculo montado por muitos bispos brasileiros) é activamente perseguida pelos capangas do PT. As Massas são afectadas por milhares de seitas protestantes que acabam a apoiar também o ideário marxista do PT. As pequenas empresas brasileiras não estão a acompanhar o passo da 5ª economia do Mundo. Se a classe baixa brasileira foi comprada para votar PT, esse dinheiro teve de sair de algum lado. E saiu das forças vivas. Pensar que deste estado de coisas vai sair algo de bom é mero wishfull thinking, próprio de algumas forças políticas que dominam há séculos a nossa política internacional.

Por último, devo dizer que discordo da ideia de Miguel Castelo-Branco em relação a Dom Miguel. Ser aclamado pelo Povo em Cortes não faz dele um democrata. Se a democracia exige, sempre, tanto hoje como em Atenas, igualistarismo político e nivelação do voto de todos os participantes no pocesso electivo, Dom Miguel foi aclamado Rei pelo Acordo dos Municípios, da Nobreza e do Clero, e o valor da decisão política de cada um destes órgãos era diferente uma da outra . Se Dom Miguel era demófilo, isso já é outra coisa. Era um sujeito deveras popular, mas não era um democrata. Isto na minha humilde opinião.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Osso da Dilma - crónicas de um lançamento trans-atlântico

Causou-me severa repugnância este comunicado que o Nuno Castelo-Branco fez o favor de nos transmitir. Para que fique estabelecido, não foi o Nuno CB que me causou repugnância - se bem que o tom do seu post assustou-me um pouco - mas sim o comunicado do PT e a resposta do Duque de Bragança.
Quando manifestei esse sentimento, o Nuno CB comentou, e muito bem:
Uma coisa é o Estado, outra será a simpatia pessoal ou a preferência partidária. OU deverá Portugal, apenas ter relações com um determinado tipo de países e de dirigentes?
Já sei que discordo do Nuno CB em matérias políticas e estruturais para a fundação de uma nova monarquia em Portugal. Não será grande desafio, portanto, discordar agora numa matéria de política internacional que me parece, antes de tudo, uma matéria de espinha dorsal.

Desejar a Monarquia apenas pelo estatuto da Monarquia é como Desejar a Igreja Católica mesmo que esta siga a doutrina da IURD, ou gritar a plenos pulmões "Tudo pelo meu Pai, mesmo que ele seja um bêbado!" ou "Tudo pela minha Mãe, mesmo que ela seja uma vadia!".
O Rei, a ser a mera personificação de um símbolo vazio, um funcionário público hereditário que desempenha funções formais, como a de ser um sub-secretário do Ministérios dos Negócios Estrangeiros com faculdades representativas, pode continuar perfeitamente engavetado nos Paços de Vila Viçosa. De representantes inúteis já eu tenho a minha conta, muito obrigado, cedida a cada quatro anos pela Augusta máquina da oclocracia instituída.

O Rei tem de ser rex, a regra. Ou pode voltar a embarcar para Gibraltar, e de lá para a Conchichina. Isso não quer dizer que deve, a todo o custo, qual Messias autocrata, impor a Boa Nova de mensagens tão sublimes e simples como esta: A todo o custo, afastarmo-nos da Dilma "Rousseau" Rousseff, porque ela é uma criminosa política e uma atentado às liberdades civis dos brasileiros. Mas de facto, o que se quer é um monarca cristão (como se considerou Dom Duarte) e uma Casa Real importada em demonstrar que segue uma política externa conduzida não apenas pela movimentação das ondas de Wall Street, mas antes por uma política de valores construtiva.

O que é bom nisto da Monarquia é permitir-nos pensar para daqui a 200 anos, e se ocorrerem imprevistos, não ficarmos com as calças na mão. Como é que ficará vista a Casa Real Portuguesa, no seio das outras casas reais católicas, e no seio dos seus principais apoiantes (tanto os presentes como os já passados) quando o Governo de Dilma afectar a liberdade económica dos brasileiros, já tão carregados com estado a crescer descontroladamente desde o tempo de Lula?
E o que será feito do prestígio da Causa Monárquica quando o aborto livre for reforçado na legislação brasileira? Ou o casamento homossexual, que Dom Duarte tão fortemente criticou?

Vamos mesmo querer gritar: "Tudo pela Monarquia, mesmo que a da Dilma?" Estamos assim tão necessitados de um osso brasileiro, atirado pelo PT? Já ninguém sabe reconhecer mau marketing? Não haverá uma razão pela qual Dilma comparou os Bragança de cá aos de lá? Ou acham que isto foi apenas uma jogada de consideração solidária? Desde quando a esquerda, na sua intrínseca mediocridade política, alguma vez atirou um osso à monarquia que não tivesse a intenção de lhe atiçar todos os cães raivosos do canil?
Não será mais importante a relação entre as duas Casas de Bragança que o Osso da Dilma? Uma criminosa e terrorista apoiada por toda a escumalha LGBT e Pró-Aborto do Brasil?

Mas andam os conselheiros da Casa Real todos na porca da Maçonaria? É tudo marca-burro PSD? É a Monarquia Portuguesa uma comitiva de "passou-bens" que cumprimenta todo e qualquer regime? Ó Dilma, porqué no te callas? (Não será melhor voltar aos reis espanhóis?)

O Rei Leopoldo abdicou o trono para não promulgar a lei do Aborto. O Duque e a sua entourage andam de mãos dadas com uma Presidência brasileira que até agora só conseguiu unir os conservadores, tradicionalistas e católicos brasileiros contra os "progressistas". E isto parece ser coisa boa para alguns.

O problema dos monárquicos é pensar que o contrário de Monarquia é República. Também é possível uma Não-Monarquia. E é para ela que se caminha.

A minha Lista de blogues

Seguidores

Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha foto
"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves