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domingo, 16 de outubro de 2011

De onde vem a nossa Contra-Revolução?

Com todo o respeito pela sapiência de António José de Brito, cujo pensamento só aproveitou a uma Direita portuguesa paupérrima do ponto de vista teórico/filosófico, num século XX pouco inspirador e onde o pensamento conservador português foi preguiçoso e pouco inovador, atrevo-me a lançar algumas dúvidas e aproveitar para fazer algumas reflexões em torno do excerto daqui retirado:

1- Há uma tradição de pensadores como José Acúrsio das Neves, marquês de Penalva, José Agostinho de Macedo, Gama e Castro, que nada deve aos Integralistas e à escola de Alfredo Pimenta. Se tal como De Maistre, Bonald, e outros fundadores do pensamento conservador europeu, são considerados os ascendentes directos de Maurras e dos autores-proto-fascistas, o mesmo acontece em relação aos autores de cá, o que é que não ganharia a direita portuguesa em entroncar o seu pensamento nos originais contra-revolucionários em vez de se perder nas suas perversões?

2- Os autores contra-revolucionários portugueses em nada se opõem à política de liberalismo económico que o Antigo Regime vinha a encetar nos últimos decénios do século XVIII, imprimindo uma maior prosperidade ao nosso sector industrial e mercantil, agilizando as relações económicas combatendo a excessiva corporativização da sociedade. Estarão os contra-revolucionários tão presos ao ideal corporativista como os fascistas? Na minha opinião, a visão económica dos nossos contra-revolucionários, especialmente José Acúrsio das Neves, pauta-se mais por uma questão de eficiência do que uma questão de engenharia social. Nestes é decididamente defendida a necessidade da propriedade privada, de um regime de livre-iniciativa que paute as relações comerciais, e da condição do estado como árbitro superior.

Contra-Revolução e Fascismo

in O Reaccionário

Nesta altura, estamos em condições de indicar, num simples resumo, o que separa e o que aproxima a Contra-Revolução do Fascismo.
As afinidades positivas e negativas são bem patentes. Acentuação do valor superior do Estado face ao indivíduo, afirmação do Absoluto, corporativismo, culto do Poder pessoal, anti-relativismo, anti-liberalismo, anti-democratismo, anti-marxismo.
No entanto a Contra-Revolução e o Fascismo contrapõem-se nos seguintes tópicos.
A Contra-Revolução é conservadora, o Fascismo é revolucionário.
A Contra-Revolução aceita a esfera do privado, em geral, e a propriedade privada em especial, o Fascismo não admite em tese uma esfera puramente privada e tem tendências socializantes.
Por outro lado, a Contra-Revolução firma-se num Absoluto transcendente, o Fascismo concebe o Absoluto como imanente-transcendente.
A Contra-Revolução e o Fascismo possuem um entendimento diferente do Corporativismo e da supremacia do Estado sobre o indivíduo ou pessoa humana. A Contra-Revolução limita-se a subordinar o indivíduo ao Estado e submete-o, bem como ao Estado, à Igreja. O Fascismo visa a identificação do indivíduo ao Estado acima do qual nada vê.
Numa palavra: Fascismo e Contra-Revolução são universalistas, o Fascismo de um universalismo totalitário, a Contra-Revolução de um universalismo católico-tradicionalista.

– António José De Brito in Para a Compreensão do Pensamento Contra-Revolucionário: Alfredo Pimenta, António Sardinha, Charles Maurras, Salazar.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves