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domingo, 3 de abril de 2011

Porque ainda se fazem coisas boas em Portugal

Que o sucesso e honestidade musical estejam lado a lado com estes dois pianistas, cada um ao seu estilo - pois diversidade "rima" com escolha - Miguel Santana e Raúl Costa. Estes vencedores de certeza que terão, cada um com 1000 euros, dinheiro para comprarem uma mota Yamaha para quem lhe faz uma pequena publicidade (eu, claro)!
Abraço aos dois e Parabéns!!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Crítica de concerto (II)

Uma chamada.

Sim, uma chamada foi o suficiente para mudar a minha rotina.
Um amigo telefona-me e convida-me a assistir a um concerto de outros dois amigos comuns.
Em boa hora aceito, pois foi dos melhores concertos a que já assisti. Foi um concerto de 2 pianistas - Lígia Madeira e Luís Duarte - a 4 mãos num piano, de música francesa (Claude Debussy -“Petite Suite” e Maurice Ravel - “Ma mère l’oye"), juntando-se exibições de poemas Portugueses num ecrã, tal como de fotografias relativas à cidade do Porto. A pitoresca Ribeira, o calmo Cais de Gaia, a imponente e altiva Torre dos Clérigos, a multidão a passar na Rua de Santa Catarina, o frenesim de carros a circular à volta da Avenida dos Aliados, a Ponte de D. Luís I cheia de luz à noite, reflectida esta no Rio Douro, juntamente com a Lua...

A sala de Espectáculos (ou Equipamento Cultural, como agora se chama) foi o Auditório de Espinho, que conta com programação anual regular há já bastante tempo.

O concerto foi imenso, deslumbrante, revivi imensas memórias e passagens da minha vida, por exemplo, uma cadeira em Budapest, do ano passado, onde fui estudando a peça de Ravel transcrevendo, ao piano, a partitura orquestral. A (boa) música francesa sempre me despertou infinitos pensamentos. Talvez da minha vida passada na parte francesa da Suíça...

União perfeita de respirações, ataques, entradas, condução de frase, como se tocassem de olhos fechados. Faziam "jogadas" simples mas exactas de pedal. Ainda gostei mais quando trocaram de posição, passando o Luís para o registo agudo do piano. Tornou-se mais intenso, mais libertador.

Numa palavra, este concerto/experiência artística foi Belo.

A última vez que os tinha ouvido foi numa audição da classe do Professor Miguel Borges Coelho, há mais de ano e meio, em que também tocaram muito bem.
Estão de Parabéns.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Recordações de um Concerto ( II )

Que excelente concerto aquele que tive o privilégio de presenciar ontem à noite na Casa da Música. Tocou, a solo, o gentleman Senhor Pianista húngaro András Schiff, uma única peça, uma autêntica "Bíblia" para a música de tecla de todos os tempos, de 1741, com a duracção aproximada de 70 minutos.

Variações Goldberg, BWV 988, de Johann Sebastian Bach (título apócrifo, já que pelo autor foi designada como "Ária com diversas variações para cravo com dois teclados. Composição para os amadores para a recriação do seu espírito").

Interpretada sem intervalo, com 2 paragens entre secções, por forma a mostrar diferenças de carácter e estrutura e também para o descanso do artista (que conseguiu encontrar muitíssimo bem em que variações descansar, com outras a exibirem todo o seu fulgor) e dos ouvintes.

Só que logo na primeira paragem, mesmo mantendo as mãos sobre o teclado, quando está prestes a voltar ao "seu" mundo, eis que alguém se lembra (mas que raios foi aquilo) de bater palmas, só porque não havia som há mais de 20 segundos. Chiça, no programa dizia SEM INTERVALO. E outro bronco que se lembrou de gritar "SCHIUU, pouco barulho", com sotaque meio labrego. Ahhh que lástima.

Mas voltando ao que mais interessa, 2 pormaiores a reter:
I - Tudo foi tocado sem um único uso, mesmo que ao de leve, do pedal da direita (1), com um cuidado para Legato (2) absoluto e Harmonias tão bem entrelaçadas umas nas outras que só apetecia ficar ali horas a ouvi-lo. Tudo com uma clareza infinita, jogo/cruzamento de mãos parfait e, muitas e divertidíssimas vezes, uso de ornamentação (3) fora do vulgar, delirantes, virtuosas, cheias de charme e de sentido estético.
II - Há um momento que me ficou na memória de muita gente: O uso do Pedal da esquerda (4) numa das variações, em que faz toda a diferença, mudança radical para outro tipo de leveza, criando mais um vasto patamar rico de cores, significando isto outras dinâmicas (5), mais subtilezas e capacidade para mostrar outras vozes que de outra forma iríamos ouvir só como "recheio de harmonia" (6).

Fiquei encantado. Valeu mesmo muito a pena ter aguardado para ver este pianista ao vivo. Para quem queira repetir a dose ou descobrir esta "doce personagem" aqui fica uma parte de uma das suas interpretações desta peça.

Nota: Os elementos musicais seguidos de um número entre parêntesis irão ser abordados num próximo artigo.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves