Nos tempos negros do Estado Novo havia uma Corporação dos Transportes e do Turismo .
Os profissionais dessas áreas, todos devidamente registados e enquadrados na política fiscal do Estado, contribuíam para a Caixa da Previdência corporativa, de onde retiravam mais tarde as suas reformas e comparticipavam os seus tratamentos. Ou, quem sabe, as ajudas necessárias às famílias destes profissionais que se pudessem encontrar sem rendimentos, devido a morte ou doença do principal ganha-pão ou, quem sabe, por motivos de emergência pública, como uma pandemia mundial.
Qualquer profissional destas áreas, com o chorudo cheque que a Segurança Social lhes deu este mês, vos dirá- Estamos muito melhor agora!
A Corporação destinava-se a proteger os profissionais perante uma câmara corporativa, composta de outros representantes.
Tudo no pior espírito facínora do salazarismo mais horrendo.
Para piorar, o brasão da corporação (nome tão grotesco, tão medieval, tão anacrónico) tinha motivos declaradamente cristãos, representando no timbre São Cristóvão com o Menino Jesus às costas.
Típica opressão salazarista, impondo o cristianismo aos incautos, como se o cristianismo fosse coisa natural em Portugal. Uma vergonha. Estamos muito melhor agora!
O brasão em si representa uma hélice (representando os aviões, que poluem, fascistas!) e dois perfis de carril, em ouro, símbolo das ferrovias, que também são fascistas e foram todas, graças à laicidade, convertidas em ciclovias pela nossa linda democracia.

