quarta-feira, 22 de março de 2017

sábado, 18 de março de 2017

Eleições à holandesa

Mário Casa Nova Martins acertou em cheio, na sua análise sobre os resultados eleitorais na Holanda

O VVD passa de 43 para 33 deputados, ganhou!
O PvDA passa de 38 deputados para 9, ganhou!
O ‘maldito’ PVV passa de 15 para 20 deputados, perdeu!
E assim por diante, pode ler-se na imprensa de referência portuguesa e estrangeira.

sexta-feira, 10 de março de 2017

A espada de duas mãos - o montante ibérico

montante do século XVI, 157 cm. Museu Militar de Lisboa

Os campos de batalha do Renascimento testemunharam o aparecimento de um novo tipo de espada que ia marcar a forma como a guerra se fazia, assim como a própria identidade marcial, em muitos povos da Europa.

detalhe do Martírio de Santa Clara, de Lorenzo Lotto (1524), analisado aqui. Repare-se nos dois soldados equipados com "spadone" ou "spada a due mani"

A famosa espada de duas mãos dos lansquenetes alemães, corpo militar criado pelo Imperador Maximiliano, impressiona os exércitos suíços, franceses e italianos. Também está registado o uso de espadas de duas mãos pelos cavaleiros hospitalários na defesa de Rodes (1522) contra as tropas do sultão Solimão, O Magnífico, especialmente o caso do famoso Cavaleiro Prégeant de Bidoux, que defendeu sozinho um troço da muralha derrubada pelas balas dos canhões otomanos, usando da sua mestria com a comprida spadone, a espada de duas mãos italiana, para massacrar dezenas de janízaros assediantes. O êxito deste acto de bravura poderá estar também ligado ao facto de, como mencionou Luigi di Caro, autor de uma “Storia dei gran Maestri e cavalieri di Malta: volume II” (1853), o nosso Prégeant


pelo que podemos concluir que, de facto, quando se faz o trabalho com gosto, tudo sai melhor.

A espada de duas mãos conheceu também muito sucesso por estas bandas, sendo que cá, ao que se pensa, teria um tamanho algo mais pequeno, tendo-se mantido como arma de duelo até muito mais tarde do que no resto da Europa. De facto, se o zwihänder alemão e o spadone italiano deixam de ser utilizados como armas de treino nas cortes respectivas desde o século XVII, manuais de esgrima portugueses e espanhóis do século XVIII ainda contemplam o uso do montante, como era o nome que os ibéricos davam a esta arma.

detalhe do frontispício da "Verdadeira Informaçam das Terras do Preste Joam das Índias, segundo vio e escreueu ho padre Francisco Alvarez capellã el Rey nosso senhor". Lisboa, Casa de Luis Rodriguez, 1540. Veja-se o modo como o montante era transportado quando o seu utilizador tinha de se movimentar. Ao contrário de certas representações actuais, o montante raramente era inserido numa bainha e o seu transporte embainhado às costas não era recomendado de todo.

A influência do montante faz-se sentir mesmo em termos linguísticos, uma vez que em Espanha é comum a expressão poner el montante, ou seja, ajudar a resolver um conflito, deitar água na fervedura, acalmar os ânimos. Isto porque os antigos mestres de esgrima usavam montantes como forma de interromper a performance dos seus alunos em caso de erro ou excesso de zelo.

O montante ibérico podia variar entre os 170 cm e os 150 cm, entre os 2,5 kg e os 2,25 kg. Não estaria muito longe da grande maioria dos seus parentes europeus, pelo que a ideia de uma espada pesada e pouco manobrável é um exagero recente. Era necessário, sem dúvida, muita coordenação e perícia para usar estas espadas, mas o uso das mesmas passava mais pela destreza que pela força.

detalhe das Tapeçarias de D. João de Castro, comemorando a vitória no Segundo Cerco de Diu. Veja-se o capitão do grupo de piqueiros marchando à frente, com um montante.

Se as zweihänder dos doppelsoldner, as tropas especializadas dos lansquenetes no uso de espadas de duas mãos, usavam estas enormes lâminas para cortarem os piques dos adversários nos típicos cenários de guerra do século XVI e XVII, em Portugal e Espanha o seu uso era votado a diferentes circunstâncias.
O manual do general português Diogo Gomes de Figueiredo promove o uso destas armas quando cercado por um número superior de inimigos, sem ter o obstáculo de poder magoar aliados durante o manejar da arma, ou no caso da protecção de uma dama, ou mesmo no possível cenário de ter de defender o corredor de uma galera. Ou seja, o montante tanto pode controlar um número elevado de inimigos ao redor do seu utilizador ou ser usado para bloquear uma passagem estreita.

A poderosa imagem destas armas cedo se tornou um claro sinal de autoridade, sendo usado pelas chefias e simbolizando mestria de armas.
Em Espanha e Portugal, o montante assumiu o carácter da espada enquanto sinal de justiça e comando,

detalhe do quadro "La recuperación de la Bahia de Todos os Santos", de Maíno (1634). Podemos ver o Conde-Duque de Olivares a coroar com os louros da vitória o soberano Filipe IV de Espanha, o seu montante assinalando a sua função de ministro, comandante dos exércitos e mentor do rei 

Assim como de Justiça e Sabedoria, tornando-se na espada iconográfica de São Paulo, uma vez que foi às mãos de uma espada que este santo foi decapitado.

 pintura de São Paulo, na Igreja de São Gonçalo de Amarante

 estátua de São Paulo com montante, Catedral de Salamanca

San Pablo, El Greco, 1610

San Pedro y San Pablo, El Greco, 1590

quinta-feira, 9 de março de 2017

Idade Dourada

—Sancho amigo, has de saber que yo nací por querer del cielo en esta nuestra edad de hierro para resucitar en ella la de oro, o la dorada, como suele llamarse. Yo soy aquel para quien están guardados los peligros, las grandes hazañas, los valerosos hechos. Yo soy, digo otra vez, quien ha de resucitar los de la Tabla Redonda, los Doce de Francia y los Nueve de la Fama, y el que ha de poner en olvido los Platires, los Tablantes, Olivantes y Tirantes, los Febos y Belianises, con toda la caterva de los famosos caballeros andantes del pasado tiempo, haciendo en este en que me hallo tales grandezas, estrañezas y fechos de armas, que escurezcan las más claras que ellos ficieron. Bien notas, escudero fiel y legal, las tinieblas desta noche, su estraño silencio, el sordo y confuso estruendo destos árboles, el temeroso ruido de aquella agua en cuya busca venimos, que parece que se despeña y derrumba desde los altos montes de la Luna, y aquel incesable golpear que nos hiere y lastima los oídos, las cuales cosas todas juntas y cada una por sí son bastantes a infundir miedo, temor y espanto en el pecho del mesmo Marte, cuanto más en aquel que no está acostumbrado a semejantes acontecimientos y aventuras. Pues todo esto que yo te pinto son incentivos y despertadores de mi ánimo, que ya hace que el corazón me reviente en el pecho con el deseo que tiene de acometer esta aventura, por más dificultosa que se muestra. Así que aprieta un poco las cinchas a Rocinante, y quédate a Dios, y espérame aquí hasta tres días no más, en los cuales si no volviere puedes tú volverte a nuestra aldea, y desde allí, por hacerme merced y buena obra, irás al Toboso, donde dirás a la incomparable señora mía Dulcinea que su cautivo caballero murió por acometer cosas que le hiciesen digno de poder llamarse suyo.

Miguel de Cervantes
El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha. Parte Primera, Capítulo XX. Madrid: Ed. Libro Hobby, 2005, pág. 142.

Nacionalismo e Universalismo

Ensinar que o Nacionalismo é a guerra em potência senão em acto, baseia-se, igualmente, no desconhecimento e na incompreensão. Já Sardinha exclamava ser impossível reconstruir «o tipo histórico duma nacionalidade desligando-o por completo do ambiente em que houvesse de respirar e de se prolongar».
Quer dizer: a existência duma Pátria não se pode conceber sem a existência doutras, que são de facto o estrangeiro, mas em relação a nós, desempenhando uma função na própria consciência do nosso país.
Por isso o nacionalismo cuja ideia-força fosse a destruição dos outros povos seria antes um imperialismo internacionalista.
Repelindo o Individualismo na sua tradução interna, isto é, como Demo-Liberalismo, repelindo-o nas suas modalidades externas como cosmopolitismo que pretende abater as fronteiras para «libertar o homem», opondo-se ao mito duma Humanidade inexistente em relação a qual se pretenda organizar geometricamente o Mundo, afirmando o respeito pelas outras pátrias, afirmando a dignidade das totalidades humanas reais, afirmando a superação do indivíduo pela pessoa, o Nacionalismo surge como expressão verdadeira actual e concreta do Universalismo."

António José de Brito
in Mensagem, Nacionalismo e Universalismo, nº4, 3 de Abril de 1947. Texto integral em Dissidente.info.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Mobilização Geral


Interrompendo o silêncio - o feito da Nova Portugalidade

Contado já uns bons meses sem actividade neste blogue, não posso deixar de quebrar esta pausa para dar todo o meu apoio à Nova Portugalidade após o bloqueio que a associação de estudantes da FCSH colocou, com sucesso, à conferência que estes nossos bons amigos iam realizar, convidando Jaime Nogueira Pinto para discursar sobre o tema “Populismo ou democracia – Brexit, Trump e Le Pen em debate”.
Distancio-me das restantes manifestações de solidariedade no choradinho da censura. Tudo isto só demonstra que censura, essa, a há sempre, só modificando, de regime para regime, de circunstância para circunstância, o âmbito, metodologia e alcance da mesma.
A Nova Portugalidade fez algo que a direitinha nunca conseguiu fazer - atacou o centro nevrálgico da ditadura cultural da esquerda. Até lá, a esquerda nunca precisou de accionar os seus mecanismos de defesa.
Contudo, enfraquecida ou assustada pelos recentes eventos internacionais, a esquerda académica, ou parte dela, mostrou as suas verdadeiras cores.

It's on.

PS: O Jornal i não resistiu a fazer um retrato caricatural de um dos promotores da Nova Portugalidade, o Rafael Pinto Borges. Quase todas as noções entretidas aqui sobre o Rafael são cruéis enganos, infantis na sua simplicidade saloia. Querem conhecer mais sobre o Rafael e a Nova Portugalidade? Leiam a entrevista na  Sapo24.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Valores de direita?

Depois da suposta deriva centrista do CDS com a candidatura de Assunção Cristas, a direita liberal está em polvorosa com as últimas declarações social-democratas de Pedro Passos Coelho. Fala-se do retorno à direita socialista de 1976, ao abandono dos valores de direita. 
Que valores são estes? Estamos a falar do valor da subsidiariedade, que valoriza a sociedade civil sobre o Estado, ou do valor da privatização selvagem, que substitui a Nação pela Empresa?
Ser de direita é, antes de qualquer teoria económica, preservar o político sobre o económico - fortalecer as instituições da nação, estatais e não estatais, públicas e privadas, no serviço do Bem Comum. Não tem nada a ver com uma certa necessidade imperiosa de certa "direita" em privatizar o próprio ar. A privatização é um mecanismo ao serviço dos Estados, não são os Estados que estão ao serviço das privatizações.
Enfim, só um pequeno lembrete. Boa semana a todos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Muito pouco, muito tarde

Um dia simbólico para as crianças, o dia em que, ao mesmo tempo, se travaram duas propostas, uma contra a vida, outra contra a maternidade e a paternidade.
É simbólico que a esquerda estremeça de críticas. Por um lado, acha mal que não se entreguem crianças ao tipo de casais que quer ver enaltecido (depois de considerar, em tempos, o casamento como uma forma de prostituição legal) e ao mesmo tempo critica o facto de já não ser fácil matar antes do nascimento essas mesmas crianças. Sim, porque ainda é entre casos de mães carenciadas que se dão a maioria de casos de entrega à adopção ou de aborto. 
Estamos em 2016 e ainda há a necessidade de abortar por falta de condições sociais, ainda há preconceitos contra a maternidade, a maternidade ainda é um empecilho na vida profissional e pessoal de uma mulher. Mas claro, a morte e a destruição serão a eterna solução dos revolucionários sonhadores.
Cavaco acabou num tom de valentia e brio um mandato que não cantou da mesma maneira todo o tempo. Para a nota de rodapé da história fica uma última resistência a um sintoma de degeneração social, a cultura da morte e da esterilidade.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves