segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Valores de direita?

Depois da suposta deriva centrista do CDS com a candidatura de Assunção Cristas, a direita liberal está em polvorosa com as últimas declarações social-democratas de Pedro Passos Coelho. Fala-se do retorno à direita socialista de 1976, ao abandono dos valores de direita. 
Que valores são estes? Estamos a falar do valor da subsidiariedade, que valoriza a sociedade civil sobre o Estado, ou do valor da privatização selvagem, que substitui a Nação pela Empresa?
Ser de direita é, antes de qualquer teoria económica, preservar o político sobre o económico - fortalecer as instituições da nação, estatais e não estatais, públicas e privadas, no serviço do Bem Comum. Não tem nada a ver com uma certa necessidade imperiosa de certa "direita" em privatizar o próprio ar. A privatização é um mecanismo ao serviço dos Estados, não são os Estados que estão ao serviço das privatizações.
Enfim, só um pequeno lembrete. Boa semana a todos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Muito pouco, muito tarde

Um dia simbólico para as crianças, o dia em que, ao mesmo tempo, se travaram duas propostas, uma contra a vida, outra contra a maternidade e a paternidade.
É simbólico que a esquerda estremeça de críticas. Por um lado, acha mal que não se entreguem crianças ao tipo de casais que quer ver enaltecido (depois de considerar, em tempos, o casamento como uma forma de prostituição legal) e ao mesmo tempo critica o facto de já não ser fácil matar antes do nascimento essas mesmas crianças. Sim, porque ainda é entre casos de mães carenciadas que se dão a maioria de casos de entrega à adopção ou de aborto. 
Estamos em 2016 e ainda há a necessidade de abortar por falta de condições sociais, ainda há preconceitos contra a maternidade, a maternidade ainda é um empecilho na vida profissional e pessoal de uma mulher. Mas claro, a morte e a destruição serão a eterna solução dos revolucionários sonhadores.
Cavaco acabou num tom de valentia e brio um mandato que não cantou da mesma maneira todo o tempo. Para a nota de rodapé da história fica uma última resistência a um sintoma de degeneração social, a cultura da morte e da esterilidade.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Premonitório

Enfim, não querendo ser uma Cassandrinha, mas isto é tudo parte do canto de cisne da direita. Há uns meses atrás a coligação PàF não conseguiu sequer uma maioria absoluta e agora a direita jogou o seu último trunfo para a presidência. Foi preciso cozinhar durante uma década um comentador televisivo para que a direita arranjasse um candidato relevante. Agora, para daqui a dez anos, só temos Paulo Portas e Rui Rio.
Dois candidatos populares mas sem hipóteses claras de vencer.
Já a esquerda tem: José Sócrates, Francisco Louçã, Francisco Assis, Sampaio da Nóvoa, António Guterres, etc.
É o que dá ter uma direita de fracos contabilistas e não uma direita de bons políticos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Príncipes na República

Dos tempos dos debates entre Monarquia e República, era comum o lado republicano, depois das piadas batidas do sangue azul, da hemofilia e dos brasões, afirmar com os olhos em lágrimas e mãos tremelicantes que num regime republicano e democrático qualquer um, frisando o "qualquer um", independentemente de origem, raça ou sexo (e credo, desde que não seja "muito católico") podia ser o Chefe de Estado.
Não é possível lembrar-me de quantas vezes ouvi esta patranhada lambida. Mas lembro-me daqueles que conseguiram defendê-la sem vergonha na cara e com alguma desenvoltura. 
Estranhamente, na hora de apoiar o verdadeiro "qualquer um", o corriqueiro mas singular Tino de Rans, o mais popularucho dos candidatos, a personificação do "vox populi", o moderno Joanne do Auto do Ferry do Inferno - todos estes cruzados anti-elitistas desatam as cintas e aperaltam os lábios em adoração "fellática" de Sampaio da Nóvoa, um candidato que é professor universitário, que reúne o apoio da maioria da Maçonaria, da maioria da Academia e da maioria da classe política (basta ver o número de ex-Presidentes da República e de figuras de proa do Partido Socialista que o apoiam directamente). Ou seja, um candidato que é a imagem dura e bruta da Elite que nos governa, que nos influencia culturalmente, que dita o politicamente correcto.
Perante um Sancho Pança, cru e honesto, preferem um príncipe, ainda que um príncipe da República. 
Pois é - os brasões ainda lá estão, as endogamias também, só que em República, em vez de estarem à vista de todos, mascaram-se por detrás das instituições democráticas.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O Social em CDS

O Mota era um playboy sem princípios a quem os papás pagaram a faculdade privada, porque o menino era demasiado especial para estudar. Ele diz ainda a toda a gente que foi o seu primeiro investimento a longo prazo. É um especialista em conversa de marketeiro, cheio de feedbaks e bankings. Trabalha numa dessas Deloittes da vida, a ajudar as grandes empresas a escapar às responsabilidades sociais e aos impostos. Tudo em nome da livre iniciativa, da liberdade e do valente salário que lhe vale esta actividade de corsário e o prolongamento de uma vida que mais não é do que uma cópia fatela de um filme com o Hugh Grant. É um intelectual do liberalismo, como tal, nunca leu um livro na vida.
O Ribeiro era um tipo acanhado, já nos tempos da Escola, aqui em Ermesinde. Chegou a ser baterista, mas não dos que metem nojo. É "pica" na CP, tem uma filha e uma esposa que o adoram. Não se considera uma elite do novo pensamento, mas deu-me em 15 minutos uma tareia de Rousseau e Dostoiévski que ainda me doí. Enquanto fiscalizava os bilhetes de mais quatro pessoas.
Tem um horário de merda, um salário de merda e ainda tem de aturar com a nossa conversa de merda quando o seu sindicato faz greve, queixando-se que os cortes na CP afectam os trabalhadores e não os gestores lá metidos pelos partidos.
O Mota e o Ribeiro são a verdadeira alternativa dentro do CDS. Entre o Melo e a Cristas só há uma diferença de bocas a alimentar. A verdadeira escolha no CDS é pessoal, sim, mas a um nível ainda mais específico. Está na hora de o CDS ser um partido para gente como o Ribeiro e não para gente como o Mota.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Amor Desesperado

O grande problema da defesa da identidade e da tradição é ser feita por homens desapaixonados.
Perante uma turba enlouquecida por uma sentimentalidade oca e consumista, de satisfação rápida e egoísta, a levantar as bandeiras e os estandartes do aborto, do casamento homossexual, da adopção gay, a propaganda do "se EU sou assim, quem ME pode impedir?", o que pode um homem meramente calculista, agarrado à prudência dos velhos e dos cansados?
Nada.
A defesa da identidade faz-se por almas apaixonadas, capazes de encher o coração, por uma vez que seja, de irracional bondade e sacrifício, de um amor incondicional que só conheça a entrega total de um coração em chamas.
Essa generosidade é sempre jovem, sempre alegre, cantando no caminho para o holocausto, tem como vontade suprema agradecer a gratidão de um espírito maior.
A Pátria deve ser livre, acima de tudo e todos? Deve, porque me deu tudo o que tenho - a língua, o local, o sentimento, a raiz.
E quantas vezes não são os próprios responsáveis por esta árvore, que é a tradição, os primeiros a envenenar as suas raízes?
Os velhos com mentalidade de cachopos, os curas com mentalidade de doentes. Lembro-me de viajar por uma terra em que o padre se orgulhava da sua luta contra as carpideiras, as mulheres a quem se pagava para que chorassem os mortos. Como se chorar não fosse uma ocupação nobre, como se a lágrima não fosse um presento cheio de beleza à memória de um morto.
A tradição dessa terra ditava que não se poupassem esforços a chorar a morte de um dos seus. Não se desprezavam lágrimas algumas, nem as da saudade nem as de obrigação. Mas a planura árida do sentido de estética estéril de um padre, infelizmente, conseguiu fazer prevalecer sobre a honestidade de uma crença local.
Deve assim o casamento entre homem e mulher ser a base da nossa sociedade? Sim, porque nestes dois opostos indestrinçáveis é que se encontra o segredo da sociedade, da família, da comunidade.
Deve o trabalho ser protegido, os nossos conterrâneos favorecidos no seu lar, as nossas instituições prevalecer sobre os interesses estrangeiros, sobre a ganância dos ricos?
Sim. Porque o que é nosso é maior do que nós, porque aquilo que merece ser protegido vale mais do que todo o dinheiro do mundo. Que um pai e uma mãe eduquem os seus filhos é mais valioso para um país que um arranha-céus pejado de escritórios de advogados e economistas. 
E é a paixão que reside neste factor tão simples, neste recipiente de infinito amor, que reside a base de qualquer programa que defenda, acima de tudo, a identidade de um País.

Todos Jeitosos

Em qualquer outro país a criminalização do piropo daria lugar a abusos preocupantes. Portugal, contudo, nação velha que ainda forma juízes com o rigor desmedido e ineficaz dos tempos antigos, vai lidar com esta medida com o mesmo espírito com que lida com a maior parte da legislação social proposta pela esquerda desde 1820 - vai permitir um burburinho inicial, aplicar a sentença na íntegra a alguns pobres incautos para depois, mais tarde, deixar a lei cair em letra morta, permitindo que o país volte à sua normalidade preguiçosa e meridional.
A coisa boa de terem impedido, quase definitivamente, que este país melhore para qualquer mediocridade decente, é que também o tornaram impermeável a tornar-se numa qualquer utopia de merda.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Sublime Portas

Portas foi o único político português deste século que conseguiu criar a oportunidade de um partido conservador em Portugal que não estivesse dependente das infra-estruturas do Estado.
Foi também a causa pela qual esse partido conservador nunca existiu de facto.
Portas ligou com mestria um eleitorado católico e tradicional a um quadro partidário essencialmente liberal e individualista. Nas bases desse quadro, atraiu para o seu partido empresários, capitalistas, toda uma jovem geração de jovens empreendedores anti-Estado e de pensamento anglo-saxónico.
No entanto, Portas é e sempre foi um patriota, francófono, conservador, amante das coisas portuguesas, anti-burguês, alérgico ao empreiteiro novo-rico de meia branca que tomou conta do PSD. Entre os seus heróis de ficção está o mercenário e aventureiro anarquista Corto Maltese.
Criou o jornal mais controverso da segunda metade do século XX.
Podia e devia ter sido o Gandalf da Direita Portuguesa.
Mas não foi, porque não quis e porque não deixaram. Afinal de contas, no mundo medíocre da política portuguesa, dominado pela inércia social democrata e a inaptidão socialista, Portas era um gigante entre anões, mas um gigante muito só.
Um gigante que ameaça agora fazer uma sesta. Veremos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Entre a Revolução e a Tradição - uma herança, um contributo, para um pensamento político português

«Anti-comercial queria dizer, para aquele agente consular britânico (Hoppner), que o Portugal tradicionalista entendia ser selfsufficing, isto é, prover às suas necessidades com a sua própria produção agrícola e industrial, o que era o meio mais seguro de consagrar sua independência política zelando sua independência económica.
Não havia, segundo Hoppner, ninguém mais nativista do que o próprio Rei (D. Miguel), que ele compara com Marat e Robespierre e cujo ideal seria "obrigar os ingleses actualmente estabelecidos em Portugal a deixarem o país", suspendendo para este efeito as relações comerciais entre as duas nações, como o "exigiam os compromissos que o ligam a Espanha". Unidas com tal intuito, as duas potências estabeleceriam nesta parte da Europa um verdadeiro bloqueio continental. Era uma vez o comércio inglês com a Península Ibérica se D. Miguel triunfasse, mesmo reconhecido pela Grã-Bretanha, o que julgaria haver sido uma deferência à Espanha.»
Oliveira Lima, D. Miguel No Trono (1828-1833). Coimbra: Imprensa da Universidade, 1933,pág. 177-178

domingo, 22 de novembro de 2015

Lei da Abdução

A recente vitória LGBT no parlamento português foi uma grande vitória para a geração Tumblr lusa e para a decadente burguesia endinheirada do portugalório.
Relembrando as palavras de Alain Soral, a sodomia não é uma característica nem social nem política - ou seja, não define qualquer tipo de causa ou activismo. Logo, não se desenganem - o "gay" citadino e com dinheiro que vai ao Miguel Bombarda fazer compras continuará a ser um óptimo exemplo de como se pode educar um puto e aparecer nas festas do Gays'r'us, enquanto que o pobre paneleirote da esquina continuará a ser o tarado do sítio.
It's all about the money. E porquê?
Em Abril de 2011, segundo dados do DN, existiam no mês de Abril desse ano 1.879 candidaturas de casais e 385 individuais. No mesmo mês, em condições de serem adoptados estavam apenas 532 menores.
Em Dezembro de 2014, segundo um artigo do Público, havia um total de 1805 candidatos em lista de espera para adoptar e 429 crianças em situação de adoptabilidade - ou seja, o número de candidatos era quatro vezes superior ao número de crianças que podiam ser adoptadas.
Ninguém está a fazer legislação social pelas crianças. Estão a fazê-la para um pequeníssimo grupo de homossexuais com dinheiro suficiente para passar à frente das listas de espera e negar às crianças o direito a um modelo de maternidade e de paternidade. Modelo esse a que muitos dos "activistas" tiveram direito e agora querem ver recusado a outros.
Nós, o que somos aparentemente movidos "pelo ódio e pelo preconceito", não nos podem acusar de sermos movidos pela cobiça, pelo capricho, pelo egoísmo. Muito menos pela ignorância e ingenuidade de quem assiste indiferente à degradação da nossa cultura.

sábado, 21 de novembro de 2015

Uma vitória para a cultura


O Pasolini que Brunello Natale De Cusatis nos apresentou não foi um Pasolini "aos bocadinhos". Não foi um Pasolini para inspirar uma certa seita ideológica, para acalmar os espíritos hesitantes de algumas almas asmáticas. Foi um Pasolini repleto dos seus anjos e dos seus demónios, um marco autêntico da cultura europeia do século XX. Um homem avassalado pelos seus ideais de pureza e devassidão, pelo pecado, pela luxúria, pelo sofrimento dos seus apetites, um homem que se viu afastado pelos amigos e pelos camaradas devido às tendências das suas paixões. Um Pasolini marxista, mas independente, apaixonado pela América jovem e irreverente, um Pasolini que desprezava a Europa homologada, homogeneizada, onde o igualitarismo reduziu pela rama mais baixa o nível das mentalidades e das políticas. Um Pasolini em conflito com o sexo feminino e com a maternidade, mas apaixonado pela figura de Maria Callas e pela palavra de Oriana Fallaci. Um Pasolini contrário à cultura do "Ter, Possuir, Destruir", que via no aborto um homicídio legalizado fruto dessa cultura de consumismo e desumanização.
Sim, desumanização. Pasolini foi uma dessas grandes mentes que viu no ar a aproximação desse Mundo apocalíptico, cuja Europa de Bruxelas é a imagem simbólica e real, onde não existem Seres Humanos na Humanidade.

Mais uma vez, o Café Odisseia assume a sua posição na Vanguarda, sem fronteiras, sem respeitinhos mundanos, pura Acção para pura Palavra. Encheu-se uma sala para uma conferência numa faculdade portuguesa - cinquenta pessoas. Feito raro para um grupo que não goza do apoio de docentes nem de grandes máquinas institucionais de divulgação.
Tudo isto porque o Café Odisseia é um ideal indomável, inspirado pela bravura e pela sinceridade mais pura.
Obrigado a todos os que marcaram presença.



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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves