sexta-feira, 29 de maio de 2026

Morte e luto

 Em Liturgies if the Wild, the Martin Shaw

Be extravagant and protracted and real in your grief. Don't worry about doing it wrong. Labour over the preparation, exhaust yourself, show up. Make something by hand. Read stories to the beloved, allow yourself to go numb to it all. Fall asleep, get up, rinse and repeat. But don't let a chance like this go by. This is a time outside of time, and extraordinary things can happen. The Other Place is much closer. Dress better as your old ones may be watching. Get a few grey hairs and don't think about plucking them out. Derailment is mandatory, but not to be forced. Make sure people see the body if they possibly can. Don't expect anything to be the same, even when folks stop dropping off pasta dishes at the door. You have entered a new, deepened world now. It has something to say to you.

It seems Death is the great integrity maker of us all, if we agree to bend our heads. There is terrible deficit in the way many of us are born into this world, and it seems there is an equal absence in many of our departures.

I remember a story about Wallace Black Elk. It was noticed that one of his long plaits was dangingly untidily while the other was ordered and neat. It rather ruined his look.

Why so? he was asked. My wife is dead, he replied, as if it required no further answer.

And of course, it didn't.


quinta-feira, 2 de abril de 2026

Turismo, Estado Novo e S. Cristóvão- história de uma maldade

 

Nos tempos negros do Estado Novo havia uma Corporação dos Transportes e do Turismo .

Os profissionais dessas áreas, todos devidamente registados e enquadrados na política fiscal do Estado, contribuíam para a Caixa da Previdência corporativa, de onde retiravam mais tarde as suas reformas e comparticipavam os seus tratamentos. Ou, quem sabe, as ajudas necessárias às famílias destes profissionais que se pudessem encontrar sem rendimentos, devido a morte ou doença do principal ganha-pão ou, quem sabe, por motivos de emergência pública, como uma pandemia mundial.

Qualquer profissional destas áreas, com o chorudo cheque que a Segurança Social lhes deu este mês, vos dirá- Estamos muito melhor agora!


A Corporação destinava-se a proteger os profissionais perante uma câmara corporativa, composta de outros representantes. 

Tudo no pior espírito facínora do salazarismo mais horrendo.

Para piorar, o brasão da corporação (nome tão grotesco, tão medieval, tão anacrónico) tinha motivos declaradamente cristãos, representando no timbre São Cristóvão com o Menino Jesus às costas.

Típica opressão salazarista, impondo o cristianismo aos incautos, como se o cristianismo fosse coisa natural em Portugal. Uma vergonha. Estamos muito melhor agora!

O brasão em si representa uma hélice (representando os aviões, que poluem, fascistas!) e dois perfis de carril, em ouro, símbolo das ferrovias, que também são fascistas e foram todas, graças à laicidade, convertidas em ciclovias pela nossa linda democracia.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves