quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O amor, a morte e o tempo.

Il est malaisé de parler de l'amour car c'est parler de soi. L'amour varie avec les gens e suivant l'âge; nous lui attribuons les particularités mêmes de notre nature. Si j'en crois ce que j'ai lu je ne suis pas un amoureux. Assez rassis et bien portant, il m'arrive de rester seul à Paris, occupé de ce qui m'amuse, et d'oublier Claire. Je n'ai jamais  de fièvre, d'impatience aiguë, quand je vais la revoir. Je n'ai pas de doute sur elle, ni sur nos sentiments; je ne suis pas tourmenté, jaloux, querelleur, et je ne me sens pas incompris. Je souffre seulement de voir que le temps va détruire celle que j'aime si bien.

Jacques Chardonne, Claire. Paris: Rombaldi, 1975, pp. 48-49.

gravura: Almada Negreiros, A Sesta. 1939.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A esquerda, a pornografia e o capitalismo

Se há prova acabada que a Esquerda se apaixonou pelo Capital mais desumano e mais consumista é esta segunda edição do Fórum do Futuro que vai infestar o Porto. Isto já era óbvio - quem não viu a Coca-Cola e outras grandes multinacionais a defender e a propagandear o casamento homossexual?
Mas agora temos o argumento final, vendo as burguesinhas do bloco de esquerda às voltas com umas conferências que, além do conceito monstruoso de "brand love" (o amor às marcas comerciais, pelos deuses!), vão pôr uma "actriz pornográfica" a falar sobre arte.
Jean-Luc Godard, no seu "Masculin Féminin", pôs o brilhante Jean-Pierre Leaud a escrever na porta de um cubículo numa casa de banho onde dois homossexuais se beijavam "A bas la république des lâches". Abaixo a República dos Cobardes. Um golpe de génio que hoje em dia custaria a carreira do realizador, afogada em acusações de homofobia.
Também no Porto precisamos de um Jean-Pierre que rabisque, nas portas da conferência onde Sasha Grey vai palrar sobre “O Prazer na Arte”, ABAIXO A REPÚBLICA DAS PROSTITUTAS.

sábado, 31 de outubro de 2015

Acção e Pensamento

Horácio Vilela merece toda a publicidade por esta iniciativa. Dentro do pensamento independente da direita há um excedente de meninos com manias aristocráticas que vivem da fama rebelde do Politicamente Incorrecto. Remetem-se depois ao sofá, à guerrilha de teclado e ao azedume que espalham pelos seus correlegionários, empatando aquilo para o qual nada fazem por cultivar. Na sua vida de enfants terribles só há movimento e esforço para aquilo que lhes agrada e só enquanto lhes agradar.
O verdadeiro sacrifício de tempo, meios e saúde está nestas acções de divulgação, de manifestação política, de empenho em servir as instituições nacionais e ocupar, assim, um espaço de proeminência suficientemente visível para incomodar o poder estabelecido por detrás das câmaras e dos parlamentos, nos bastidores das Lojas e das sedes partidárias.
Na teoria só saltam as incongruências das doutrinas e as rivalidades pessoais - na acção é que se realiza a verdadeira política, é que se foram os verdadeiros laços de união e lealdade.
De salientar que Horácio Vilela falou abertamente em patriotismo, nas nossas raízes cristãs e na família lusa como guias da sua acção, uma acção que visa combater o descrédito nacional e a irresponsabilidade orçamental de uma Esquerda que vai deitar por terra os esforços dos últimos anos. Acção, por Portugal e pelos portugueses, pela integridade da Pátria e pelos negócios, vidas e sacrifícios dos portugueses, apoiada por um discurso limpo e sincero.
Além da minha admiração, revelo também a minha inveja, em competição amigável e construtiva, por não ter sido eu a dizer estas palavras:

"Não sou, nem nunca fui, militante de qualquer partido. Sou patriota, e como tal o meu partido é o bem de Portugal.
Há uma palavra que só existe em português e que exprime bem o ideal que Portugal deve reincarnar, a ‹‹saudade››. Esta palavra traduz um sentimento há muito perdido, de sentir falta de algo que ainda não conhecemos, que nos motiva para um regresso ao desconhecido, que nos dá o espírito do descobrimento. É a este espírito que os portugueses devem de regressar, o espírito de levar a pátria ao progresso mesmo não conhecendo o seu porto. Penso que o suporte ideal para tal espírito proliferar é o da liberdade e do dever. A liberdade para descobrir e o dever de o cumprir.
Portugal deve construir um sistema político que espelhe a sua pátria e não um franchise estrangeiro como o que actualmente vigora, que aliás não considero sequer o melhor exemplo para adoptar. Com muito melhores olhos vejo o sistema tripartido inglês de Monarquia, Câmara dos Lordes e Câmara dos Comuns. Os portugueses e principalmente os portugueses com voz política devem questionar-se se há hoje em Portugal um sistema em que a virtude reja e dirija. Se não o considerarem, como eu, tratem de promover o necessário para que tal se manifeste no futuro. Não em disputas partidárias mas na gestação de um novo sistema, um genuinamente português."

sábado, 24 de outubro de 2015

La noble bannière de la Patrie


PREConceitos ou lá o raio que os parta

Esta Direita que vive amedrontada com o PREC falha em ver as verdadeiras ameaças aos seus postulados. Normalmente, o despesismo das políticas estatais, quanto maior, mais danos faz. Assim, para a quantidade de capitais estupidamente desperdiçados entre 75 e 76, o PREC foi surpreendentemente inócuo. A lealdade do eleitorado alentejano, mais do que para com os efeitos dessa política, vai para os partidos, nomeadamente a CDU, que se tornaram os seus porta-vozes contra alguma elite terra-tenente lisboeta que tratava aquela província como o seu parque de diversões e a sua minazinha de ouro.
Se a Direita quiser saber quem é a culpada pelo crescimento do número de abortos, de divórcios, da violência urbana, do vandalismo, da precariedade laboral e do desrespeito pelos mais básicos direitos dos trabalhadores, da venda desbaratada aos nossos aliados da nossa soberania pode bem começar a apontar o dedo aos yuppies dos anos oitenta que implantaram cá a Sociedade de Consumo nos seus moldes mais desumanos, assim como toda uma nova ideologia bancocrática que nos tornou reféns dos mercados.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Misogenia e Sexismo no Estado Novo - Escravizar a Imagem do Feminino, no Livro da 3ª Classe.


O Kamikaze Angolano

As correntes de solidariedade do facebook têm um historial de ridículo suficientemente longo para que qualquer pessoa com juizinho se saiba manter afastado delas. Basta lembrar os patetas do "Kony 2012", os fanáticos dos leõezinhos e os maníacos da suposta "gaffe" do jornalista da RTP.
No entanto, Luaty Beirão é um cidadão português detido em condições desumanas por um regime tirânico. Fora o BE, não vejo mais ninguém a falar sobre isso. 
Da "direita" não se espera nada que não seja uma análise económica acompanhada de tabelas e um relatório em anexo, com erros ortográficos.
Compreendo que a CDU tenha interesses obscuros com os seus antigos amigos. Basta ver a forma como os professores universitários ligados ao PCP andam silenciosos sobre este tema depois dos comunistas terem recusado apoiar a moção de apoio passada na Assembleia Municipal lisboeta.
Já o PS, conta entre os seus fundadores e militantes mais antigos os principais apoiantes da descolonização de Angola e da entrega do poder absoluto deste país ao MPLA de José Eduardo dos Santos. Mário Soares, António Almeida Santos, etc.
Falta, por isso, saber o que se passa com os nossos revolucionários de Abril, mais as musiquinhas dos amanhãs que cantam. No facebook não faltam freedom fighters, mas os meninos e meninas com acesso ao horário nobre das televisões, sempre tão activos, evaporaram-se.
Parece que Portugal padece dos mesmos males que Angola.


"A Revolução é moda de zelosos cumpridores da lei e anda sempre janota, mete brinco, mete bota."

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Última Tule - Afonso Lopes Vieira

Luso era considerado como povoador e primeiro rei-pastor da última Tule...
Carolina Michaëlis

Última Tule
- que lindo nome para Portugal!
A derradeiro Ocidente
azul

Na Última Tule
as estrelas afundam-se no mar;
cada um atira a sua taça ao mar
azul

Cada um morre então
tonto, tonto de azul
Assim as almas e as estrelas vão
na Última Tule.

Situar-se...

Se por acaso se encontrarem na capital, de preferência com algum tempo livre, metam-se no metro e saiam no Martim Moniz. De lá, subam a Rua da Palma, passem o Núcleo Fotográfico do Arquivo Municipal de Lisboa e parem no número 270. Nessa pequena e bonitinha moradia alfacinha está a sede do Bloco de Esquerda, onde os líderes do PS e do BE se encontraram para discutir o futuro do nosso país. É importante a noção do lugar para desmistificar a política - saber que as coisas se passam numa rua florida e simpática e não numa mansão de marfim e granito povoada por eminentes autoridades e gárgulas milenares.
O que quer que se tenha discutido neste "lugarito" inchou Catarina Martins de tais veleidades - até o peito púdico ufanava de excitação! - que a pobre ia desmaiando de importância ao declarar o fim do Governo Coelho/Portas. Que momento, que pingente de orgulho!
E foi ali, exactamente ali, a três passos do Intendente, num palacete redecorado e adaptado para goles palacianos, que o resultado de uma eleição que assegurou a adesão ao partido do governo de todos os distritos a Norte do Tejo (excepto Castelo Branco, se não me engano) e a vitória em todos os principais concelhos do país, foi posto de lado pelo entendimento entre duas forças minoritárias.
Isto não é uma declaração de princípios, não é a defesa de proposta nenhuma de governo. Em democracia é necessário que instituições republicanas, colegiais ou não, amorteçam as consequências de uma excessiva influência dos sufrágios e das suas maiorias. E a Esquerda mais Democrática tem tanto direito a usar estas instituições como a Direita.
Cabe-nos a nós, contudo, pensar na forma como estes controlos nos limitam e na forma como cada força política os usa - especialmente quando os partidos se comportam como gabinetes burocráticos que desprezam qualquer tipo de análise mais abrangente sobre os resultados eleitorais.

The Sexual Revolution

The sexual revolution, del Noce argues, was a radical change in Western metaphysics and views of human nature. Wilhelm Reich’s manifesto, The Sexual Revolution, began from the unargued assumption that there is no “order of ends, no meta-empirical authority of values.” In a world without purposes, “all that is left is vital energy, which can be identified with sexuality.”
(...)
Sexual revolutionaries thus turn sexual morality upside down. Earlier ideals like modesty, purity, and restraint are now seen as repressive and abnormal. The category of “sexual perversion” must be eliminated. Behind this is the anti-teleology of the new sexual metaphysics: Sex best expresses its essence when it has no goal (e.g., procreation) beyond itself, and so “homosexual expressions, either masculine or feminine, should be regarded as the purest form of love.”
(...)
The sexual revolution marks the crucial divide between the old and new left: “The new left [has] become sexualized.” It is “defined precisely by its unwillingness to reject either Freud or Marx,” but its synthesis would satisfy neither. The sexual revolution gives up Marxist teleology and abandons Freud’s tragic moralism; it regards Freud and Marx as bourgeois sell-outs. Eliminating social and economic inequities isn’t enough. Sexual revolution alone brings total revolution. De Sade, not Marx or Freud, is the true hero of total revolution.

Peter J. Leithart, in First Things

domingo, 11 de outubro de 2015

Tempos mais felizes

A "Contemporânea" foi publicada em Lisboa de 22 a 26 e assumiu desde o primeiro número o papel de uma revista modernista com tendências ideológicas de direita. Reuniu contributos daquela que era, na altura, a ala do pensamento e acção política mais activa em Portugal. Como tal, nos seus números podemos encontrar nomes como António Sardinha, Mário Saa, António Ferro, Fernando Pessoa, Judith Teixeira, António Boto, Alfredo Pimenta, Amadeo de Souza-Cardozo, etc.
Desta autêntica equipa de galácticos, apenas Judith Teixeira e António Boto foram resgatados pelas Faculdades de Letras. Valeu-lhes escrever sobre sodomia e homossexualidade. Ainda que o tenham feito virados para a sua ideia do divino e altamente perseguidos pelos republicanos revolucionários da altura.
Temáticas tipicamente votadas ao espírito conservador e nacionalista surgem tratadas pelos autores acima enumerados. A decadência da Raça e das elites, a influência do dinheiro e as consequências da usura, a soberania nacional, o folclore português como modelo da construção de uma identidade portuguesa.
Tudo isto e muito mais, acompanhado pelas ilustrações do imortal Almada Negreiros, cujas linhas representam o ideal do homem de direita. Linhas subtis mas fortes, próprias da entrega de um homem ao brio, ao sacrifício, a um ideal de vida superior que move vida e músculo ao serviço de valores eternos.







sábado, 10 de outubro de 2015

prioridades

Parece impossível, mas nenhuma das coligações possíveis e imaginárias vai apresentar ao Presidente da República qualquer tipo de medida drástica para impedir a constante propagação de Kizomba no território nacional. Mais uma vez as necessidades dos portugueses ficaram para segundo plano.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Saco de gatos.

O país vai discutir nos próximos dias a hipótese de uma aliança entre CDU e PS que permita a formação de um governo. O projecto, a ser apresentado a Cavaco, com certeza terá o apoio, ainda que só apalavrado, do Bloco de Esquerda.
Não faltam comentadores e militantes da coligação a mostrar a indignação com esta lição anti-democrática da esquerda. Porque é, sem dúvida, uma lição contrária aos princípios básicos de um regime democrático. De facto, ainda que os partidos do governo tenham perdido a maioria absoluta, garantiram a maioria relativa. Continuam a ser a escolha maioritária dos portugueses. Os partidos de esquerda, mesmo depois do apelo ao voto útil, de desfeitas as possibilidades de coligação pré-campanha, não obtiveram individualmente a soma suficiente de votos para vencer as eleições, ou seja, individualmente não conseguiram convencer o eleitorado das suas propostas. A coligação do centro-centro conseguiu.
Depois desta pequena volta pela alameda do senso-comum, o leitor é convidado à realidade. A esquerda em Portugal sente-se à vontade com a democracia como um proxeneta num lupanar. As regras são ditadas por quem preenche o papel sacerdotal do regime - e desde o 25 de Novembro que essa é a principal prerrogativa da esquerda. Ela tira retira, põe e despõe como bem lhe der jeito. A direita, que não existe, não tem voz, só tem conversa de merceeiro.
O que os senhores da dita direita se esquecem é que esta é a perfeita oportunidade civilizacional para que a esquerda se coloque toda no mesmo saco e se atire ao rio. Porque uma coligação de forças de esquerda é um saco de gatos, é a tentativa de combinar um PS esfomeado com um BE incompetente, metendo pelo meio uma CDU cuja voz nunca será satisfatória ou suficientemente poderosa.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A Índia...

Fausto, Porque Não Me Vês, in Por Este Rio Acima (1982)

Vem me ver amor
De mansinho
Se a dor é um mar
Louco a transbordar

domingo, 4 de outubro de 2015

Injustiças e vitórias pírricas.

Independentemente do regime em vigor, a política é sempre um jogo injusto. Esta derrota do PS faz lembrar um injustiçado, António José Seguro. Seguro sempre me lembrou aqueles militantes do PS, dos mais antigos, que acreditam piamente que o Estado precisa não só do PS, mas da sua estrutura e organização internas, quase como se o modelo da social-democracia europeia para o país fosse, mais do que a ideologia, a burocracia do Partido Socialista. E assim, depois do furacão Sócrates, Seguro ocupou-se a reconstruir e a olear essa grande máquina partidária que é o PS. Foi especialmente castigado pela juventude do seu partido, coio de ambições desmedidas, que se deixou levar pelo carisma de Costa. Mesmo assim, exilado pelo partido que procurou ressuscitar, Seguro não foi um foco de dissensão. Até ao fim, foi um homem do partido.
Outra profunda injustiçada, desta vez pelo resultado eleitoral, é a direita portuguesa. O acto eleitoral conheceu uma percentagem de abstenção acima dos 40%. A coligação dos dois partidos de centro-direita do país não conseguiu muito mais do que 37% dos votos. À direita deste resultado, o deserto. Não existe mais direita, para além desta desoladora percentagem, em Portugal. Uma direita que só existe pela necessidade suscitada no eleitorado de "pôr as contas em ordem". O CDS vê-se dissolvido, por esta vitória pírrica, nesse consórcio de Baronatos, Interesses e Companhia Lda. que é o PSD. A importância que tem no seio da coligação, ninguém sabe. Sabe-se que é pouca. Pouca, que o obriga a uma subalternização que levará, possivelmente, à fusão e extinção do único partido de representação parlamentar que se aproxima, ou aproximava, daquilo que é uma direita, no plano económico, cultural, social, histórico. A vitória da coligação marca o primeiro ano oficial da III República em que não existe direita no parlamento português, apenas um centrão tecnocrático, que preencherá a miragem de uma direita neo-liberal fascista que é a riqueza de tanta narrativa esquerdista.
A provar-se a incapacidade da esquerda em se comprometer e coligar - o maior obstáculo é a fome de Estado do Partido Socialista, que está desesperado e não pode dar-se ao luxo de repartir o bolo com ninguém - fica a esta direita a responsabilidade de governar, com pinças. Tem ao seu dispor a ausência de união dos adversários e a possibilidade de explorar as previsíveis dissidências dentro do Partido Socialista. Isto e, claro, o medo da falência do Estado. Basta não ser muito glutão quando chegar a hora de fatiar o Erário Público.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves