sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Misogenia e Sexismo no Estado Novo - Escravizar a Imagem do Feminino, no Livro da 3ª Classe.


O Kamikaze Angolano

As correntes de solidariedade do facebook têm um historial de ridículo suficientemente longo para que qualquer pessoa com juizinho se saiba manter afastado delas. Basta lembrar os patetas do "Kony 2012", os fanáticos dos leõezinhos e os maníacos da suposta "gaffe" do jornalista da RTP.
No entanto, Luaty Beirão é um cidadão português detido em condições desumanas por um regime tirânico. Fora o BE, não vejo mais ninguém a falar sobre isso. 
Da "direita" não se espera nada que não seja uma análise económica acompanhada de tabelas e um relatório em anexo, com erros ortográficos.
Compreendo que a CDU tenha interesses obscuros com os seus antigos amigos. Basta ver a forma como os professores universitários ligados ao PCP andam silenciosos sobre este tema depois dos comunistas terem recusado apoiar a moção de apoio passada na Assembleia Municipal lisboeta.
Já o PS, conta entre os seus fundadores e militantes mais antigos os principais apoiantes da descolonização de Angola e da entrega do poder absoluto deste país ao MPLA de José Eduardo dos Santos. Mário Soares, António Almeida Santos, etc.
Falta, por isso, saber o que se passa com os nossos revolucionários de Abril, mais as musiquinhas dos amanhãs que cantam. No facebook não faltam freedom fighters, mas os meninos e meninas com acesso ao horário nobre das televisões, sempre tão activos, evaporaram-se.
Parece que Portugal padece dos mesmos males que Angola.


"A Revolução é moda de zelosos cumpridores da lei e anda sempre janota, mete brinco, mete bota."

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Última Tule - Afonso Lopes Vieira

Luso era considerado como povoador e primeiro rei-pastor da última Tule...
Carolina Michaëlis

Última Tule
- que lindo nome para Portugal!
A derradeiro Ocidente
azul

Na Última Tule
as estrelas afundam-se no mar;
cada um atira a sua taça ao mar
azul

Cada um morre então
tonto, tonto de azul
Assim as almas e as estrelas vão
na Última Tule.

Situar-se...

Se por acaso se encontrarem na capital, de preferência com algum tempo livre, metam-se no metro e saiam no Martim Moniz. De lá, subam a Rua da Palma, passem o Núcleo Fotográfico do Arquivo Municipal de Lisboa e parem no número 270. Nessa pequena e bonitinha moradia alfacinha está a sede do Bloco de Esquerda, onde os líderes do PS e do BE se encontraram para discutir o futuro do nosso país. É importante a noção do lugar para desmistificar a política - saber que as coisas se passam numa rua florida e simpática e não numa mansão de marfim e granito povoada por eminentes autoridades e gárgulas milenares.
O que quer que se tenha discutido neste "lugarito" inchou Catarina Martins de tais veleidades - até o peito púdico ufanava de excitação! - que a pobre ia desmaiando de importância ao declarar o fim do Governo Coelho/Portas. Que momento, que pingente de orgulho!
E foi ali, exactamente ali, a três passos do Intendente, num palacete redecorado e adaptado para goles palacianos, que o resultado de uma eleição que assegurou a adesão ao partido do governo de todos os distritos a Norte do Tejo (excepto Castelo Branco, se não me engano) e a vitória em todos os principais concelhos do país, foi posto de lado pelo entendimento entre duas forças minoritárias.
Isto não é uma declaração de princípios, não é a defesa de proposta nenhuma de governo. Em democracia é necessário que instituições republicanas, colegiais ou não, amorteçam as consequências de uma excessiva influência dos sufrágios e das suas maiorias. E a Esquerda mais Democrática tem tanto direito a usar estas instituições como a Direita.
Cabe-nos a nós, contudo, pensar na forma como estes controlos nos limitam e na forma como cada força política os usa - especialmente quando os partidos se comportam como gabinetes burocráticos que desprezam qualquer tipo de análise mais abrangente sobre os resultados eleitorais.

The Sexual Revolution

The sexual revolution, del Noce argues, was a radical change in Western metaphysics and views of human nature. Wilhelm Reich’s manifesto, The Sexual Revolution, began from the unargued assumption that there is no “order of ends, no meta-empirical authority of values.” In a world without purposes, “all that is left is vital energy, which can be identified with sexuality.”
(...)
Sexual revolutionaries thus turn sexual morality upside down. Earlier ideals like modesty, purity, and restraint are now seen as repressive and abnormal. The category of “sexual perversion” must be eliminated. Behind this is the anti-teleology of the new sexual metaphysics: Sex best expresses its essence when it has no goal (e.g., procreation) beyond itself, and so “homosexual expressions, either masculine or feminine, should be regarded as the purest form of love.”
(...)
The sexual revolution marks the crucial divide between the old and new left: “The new left [has] become sexualized.” It is “defined precisely by its unwillingness to reject either Freud or Marx,” but its synthesis would satisfy neither. The sexual revolution gives up Marxist teleology and abandons Freud’s tragic moralism; it regards Freud and Marx as bourgeois sell-outs. Eliminating social and economic inequities isn’t enough. Sexual revolution alone brings total revolution. De Sade, not Marx or Freud, is the true hero of total revolution.

Peter J. Leithart, in First Things

domingo, 11 de outubro de 2015

Tempos mais felizes

A "Contemporânea" foi publicada em Lisboa de 22 a 26 e assumiu desde o primeiro número o papel de uma revista modernista com tendências ideológicas de direita. Reuniu contributos daquela que era, na altura, a ala do pensamento e acção política mais activa em Portugal. Como tal, nos seus números podemos encontrar nomes como António Sardinha, Mário Saa, António Ferro, Fernando Pessoa, Judith Teixeira, António Boto, Alfredo Pimenta, Amadeo de Souza-Cardozo, etc.
Desta autêntica equipa de galácticos, apenas Judith Teixeira e António Boto foram resgatados pelas Faculdades de Letras. Valeu-lhes escrever sobre sodomia e homossexualidade. Ainda que o tenham feito virados para a sua ideia do divino e altamente perseguidos pelos republicanos revolucionários da altura.
Temáticas tipicamente votadas ao espírito conservador e nacionalista surgem tratadas pelos autores acima enumerados. A decadência da Raça e das elites, a influência do dinheiro e as consequências da usura, a soberania nacional, o folclore português como modelo da construção de uma identidade portuguesa.
Tudo isto e muito mais, acompanhado pelas ilustrações do imortal Almada Negreiros, cujas linhas representam o ideal do homem de direita. Linhas subtis mas fortes, próprias da entrega de um homem ao brio, ao sacrifício, a um ideal de vida superior que move vida e músculo ao serviço de valores eternos.







sábado, 10 de outubro de 2015

prioridades

Parece impossível, mas nenhuma das coligações possíveis e imaginárias vai apresentar ao Presidente da República qualquer tipo de medida drástica para impedir a constante propagação de Kizomba no território nacional. Mais uma vez as necessidades dos portugueses ficaram para segundo plano.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Saco de gatos.

O país vai discutir nos próximos dias a hipótese de uma aliança entre CDU e PS que permita a formação de um governo. O projecto, a ser apresentado a Cavaco, com certeza terá o apoio, ainda que só apalavrado, do Bloco de Esquerda.
Não faltam comentadores e militantes da coligação a mostrar a indignação com esta lição anti-democrática da esquerda. Porque é, sem dúvida, uma lição contrária aos princípios básicos de um regime democrático. De facto, ainda que os partidos do governo tenham perdido a maioria absoluta, garantiram a maioria relativa. Continuam a ser a escolha maioritária dos portugueses. Os partidos de esquerda, mesmo depois do apelo ao voto útil, de desfeitas as possibilidades de coligação pré-campanha, não obtiveram individualmente a soma suficiente de votos para vencer as eleições, ou seja, individualmente não conseguiram convencer o eleitorado das suas propostas. A coligação do centro-centro conseguiu.
Depois desta pequena volta pela alameda do senso-comum, o leitor é convidado à realidade. A esquerda em Portugal sente-se à vontade com a democracia como um proxeneta num lupanar. As regras são ditadas por quem preenche o papel sacerdotal do regime - e desde o 25 de Novembro que essa é a principal prerrogativa da esquerda. Ela tira retira, põe e despõe como bem lhe der jeito. A direita, que não existe, não tem voz, só tem conversa de merceeiro.
O que os senhores da dita direita se esquecem é que esta é a perfeita oportunidade civilizacional para que a esquerda se coloque toda no mesmo saco e se atire ao rio. Porque uma coligação de forças de esquerda é um saco de gatos, é a tentativa de combinar um PS esfomeado com um BE incompetente, metendo pelo meio uma CDU cuja voz nunca será satisfatória ou suficientemente poderosa.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A Índia...

Fausto, Porque Não Me Vês, in Por Este Rio Acima (1982)

Vem me ver amor
De mansinho
Se a dor é um mar
Louco a transbordar

domingo, 4 de outubro de 2015

Injustiças e vitórias pírricas.

Independentemente do regime em vigor, a política é sempre um jogo injusto. Esta derrota do PS faz lembrar um injustiçado, António José Seguro. Seguro sempre me lembrou aqueles militantes do PS, dos mais antigos, que acreditam piamente que o Estado precisa não só do PS, mas da sua estrutura e organização internas, quase como se o modelo da social-democracia europeia para o país fosse, mais do que a ideologia, a burocracia do Partido Socialista. E assim, depois do furacão Sócrates, Seguro ocupou-se a reconstruir e a olear essa grande máquina partidária que é o PS. Foi especialmente castigado pela juventude do seu partido, coio de ambições desmedidas, que se deixou levar pelo carisma de Costa. Mesmo assim, exilado pelo partido que procurou ressuscitar, Seguro não foi um foco de dissensão. Até ao fim, foi um homem do partido.
Outra profunda injustiçada, desta vez pelo resultado eleitoral, é a direita portuguesa. O acto eleitoral conheceu uma percentagem de abstenção acima dos 40%. A coligação dos dois partidos de centro-direita do país não conseguiu muito mais do que 37% dos votos. À direita deste resultado, o deserto. Não existe mais direita, para além desta desoladora percentagem, em Portugal. Uma direita que só existe pela necessidade suscitada no eleitorado de "pôr as contas em ordem". O CDS vê-se dissolvido, por esta vitória pírrica, nesse consórcio de Baronatos, Interesses e Companhia Lda. que é o PSD. A importância que tem no seio da coligação, ninguém sabe. Sabe-se que é pouca. Pouca, que o obriga a uma subalternização que levará, possivelmente, à fusão e extinção do único partido de representação parlamentar que se aproxima, ou aproximava, daquilo que é uma direita, no plano económico, cultural, social, histórico. A vitória da coligação marca o primeiro ano oficial da III República em que não existe direita no parlamento português, apenas um centrão tecnocrático, que preencherá a miragem de uma direita neo-liberal fascista que é a riqueza de tanta narrativa esquerdista.
A provar-se a incapacidade da esquerda em se comprometer e coligar - o maior obstáculo é a fome de Estado do Partido Socialista, que está desesperado e não pode dar-se ao luxo de repartir o bolo com ninguém - fica a esta direita a responsabilidade de governar, com pinças. Tem ao seu dispor a ausência de união dos adversários e a possibilidade de explorar as previsíveis dissidências dentro do Partido Socialista. Isto e, claro, o medo da falência do Estado. Basta não ser muito glutão quando chegar a hora de fatiar o Erário Público.

Manuel prático de voto II

Considerações para o dia da urna

Um PS que de socialista só tem o nome, que lhe ficaria melhor ser Despesista, Lobyista, Lojista.
Um PSD que não é nada, a não ser um emaranhado de interesses e ambições dos representantes dos grandes escritórios de advogados, dos grandes compadrios industriais e dos pachás que governam a província.
Um CDS democrata-cristão, popular, conservador, liberal, mas que não sabe governar nem agir de acordo com nenhuma destas ideologias, deixando-se levar pelo sabor dos ventos e pelo carisma do seu líder que é princípio, meio e fim da essência daquele partido.
Um Bloco de Esquerda que não é nenhuma esquerda, é uma confeitaria new left pós-social-democrata, promotora de todas as causas fracturantes apoiadas pelas corporações capitalistas mais poderosas à face da terra, cuja ideologia passa pela promoção dos instintos mais baixos e acaba na promoção dos instintos mais baixos. Isto tudo polvilhado com intervenções parlamentares suficientemente mediáticas para chamar a atenção.

São estas as parcas escolhas do eleitorado comum, escolhas essas que ainda atrofiam mais quando se procura outras soluções à direita. O PNR foi absolutamente desprezado pelos meios de comunicação, mas ainda assim fez questão de apostar todas as suas hipóteses de algum tipo de mediatismo numa acção de rua contra a emigração, um problema tão residual em Portugal que é ridículo sequer tê-lo em conta como parte de um programa eleitoral. O PNR é um partido que nasceu mal e que morrerá mal, uma vez que é dominado por um meio lisboeta que não tem qualificações para a luta política.

Fazemos uma ressalva para uma esquerda que mantém a ortodoxia militante, que se diz patriótica (e é) e valoriza o trabalho e a soberania nacional. O nacionalismo e o conservadorismo português têm muito a aprender com esta CDU, que merece um bom resultado nestas eleições.

Manual prático de voto

Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus uns fariseus, que, para O porem à prova, perguntaram-Lhe: «Pode um homem repudiar a sua mulher?».
Jesus disse-lhes: «Que vos ordenou Moisés?».
Eles responderam: «Moisés permitiu que se passasse um certificado de divórcio, para se repudiar a mulher».
Jesus disse-lhes: «Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos deixou essa lei.
Mas, no princípio da criação, ‘Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne’. Deste modo, já não são dois, mas uma só carne.
Portanto, não separe o homem o que Deus uniu».
Em casa, os discípulos interrogaram-n’O de novo sobre este assunto.
Jesus disse-lhes então: «Quem repudiar a sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério».
Apresentaram a Jesus umas crianças para que Ele lhes tocasse, mas os discípulos afastavam-nas.
Jesus, ao ver isto, indignou-Se e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis: dos que são como elas é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não acolher o reino de Deus como uma criança, não entrará nele».
E, abraçando-as, começou a abençoá-las, impondo as mãos sobre elas.
Marcos 10,2-16.

domingo, 27 de setembro de 2015

Ese ejército que ves
vago al yelo y al calor,
la república mejor
y más política es
del mundo, en que nadie espere
que ser preferido pueda
por la nobleza que hereda,
sino por la que él adquiere;
porque aquí a la sangre excede
el lugar que uno se hace
y sin mirar cómo nace
se mira cómo procede.
Aquí la necesidad
no es infamia; y si es honrado,
pobre y desnudo un soldado
tiene mayor calidad
que el más galán y lucido;
porque aquí a lo que sospecho,
no adorna el vestido al pecho,
que el pecho adorna al vestido;
Y así, de modestia llenos,
a los más viejos verás,
tratando de ser lo más,
y de parecer lo menos.
Aquí la más principal
hazaña es obedecer,
y el modo cómo ha de ser
es ni pedir ni rehusar.
Aquí, en fin, la cortesía,
el buen trato, la verdad,
la fineza, la lealtad,
el honor, la bizarría;
el crédito, la opinión,
la constancia, la paciencia,
la humildad y la obediencia,
fama, honor y vida son,
caudal de pobres soldados;
que en buena o mala fortuna,
la milicia no es más que una
religión de hombres honrados.

Pedro Calderón de la Barca

Levar a sério os artistas

Em Portugal reina o mau hábito de tratar mal os artistas.
Em décadas recentes junta-se ao mau trato a conversa da treta. Já não chegava não pagar a tempo e horas os salários, deixar definhar nas gavetas dos orçamentos de Estado a Cultura nacional, mas agora ainda fazemos passar os artistas pelas vielas do ridículo.

É ver os telejornais a convidar os esfomeados músicos para virem falar sobre política, as faculdades a aspergir teses sobre as ideologias dos poetas, os comediantes feitos jornalistas e os actores armados em cronistas.
O facto de um pobre coitado conseguir esguelhar um som bestial numas cordas de guitarra, ou sacar umas risadas tremendas, não faz dele um Séneca da actualidade.
Gostamos muito da poesia de Fernando Pessoa, da música de Zeca Afonso e da prosa de Lobo Antunes.

Mas aquilo que estes três publicaram, pensaram ou ladraram em termos de política, sociedade ou história nacional é uma valente merda. No mínimo, risível. No máximo, chocante. No todo, medíocre.

Enquanto escrevo estas linhas, estou a ouvir o álbum Crónicas da Terra Ardente, de Fausto Bordalo Dias. Um lindo álbum.
Contudo, se consultarmos a internet sobre este autor, damos com uma entrevista do autor em que este vomita uma pilha épica de merda sobre temas como economia, política, etc. O respeitado autor deambula febrilmente por entre temas como cidadania e 25 de Abril com a graça de um crocodilo numa maternidade. Não vai ser por isso que vou desistir deste belo álbum - tal como não vou deixar de rever os brilhantes episódios dos Gatos Fedorentos passados na Sic Radical apenas por causa das figuras patéticas de Ricardo Araújo Pereira para criar um híbrido monstruoso entre Jon Stewart, Conan O'Brien e Jay Leno.

Quero com isto dizer que os artistas devem ser afastados da política? Claro que não. Quando fazem da política uma forma de arte, o seu contributo é mais que bem vindo. Basta ver as páginas brilhantes de Almada Negreiros. No restante, deixem a arte valer por si.


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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves