quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Saco de gatos.

O país vai discutir nos próximos dias a hipótese de uma aliança entre CDU e PS que permita a formação de um governo. O projecto, a ser apresentado a Cavaco, com certeza terá o apoio, ainda que só apalavrado, do Bloco de Esquerda.
Não faltam comentadores e militantes da coligação a mostrar a indignação com esta lição anti-democrática da esquerda. Porque é, sem dúvida, uma lição contrária aos princípios básicos de um regime democrático. De facto, ainda que os partidos do governo tenham perdido a maioria absoluta, garantiram a maioria relativa. Continuam a ser a escolha maioritária dos portugueses. Os partidos de esquerda, mesmo depois do apelo ao voto útil, de desfeitas as possibilidades de coligação pré-campanha, não obtiveram individualmente a soma suficiente de votos para vencer as eleições, ou seja, individualmente não conseguiram convencer o eleitorado das suas propostas. A coligação do centro-centro conseguiu.
Depois desta pequena volta pela alameda do senso-comum, o leitor é convidado à realidade. A esquerda em Portugal sente-se à vontade com a democracia como um proxeneta num lupanar. As regras são ditadas por quem preenche o papel sacerdotal do regime - e desde o 25 de Novembro que essa é a principal prerrogativa da esquerda. Ela tira retira, põe e despõe como bem lhe der jeito. A direita, que não existe, não tem voz, só tem conversa de merceeiro.
O que os senhores da dita direita se esquecem é que esta é a perfeita oportunidade civilizacional para que a esquerda se coloque toda no mesmo saco e se atire ao rio. Porque uma coligação de forças de esquerda é um saco de gatos, é a tentativa de combinar um PS esfomeado com um BE incompetente, metendo pelo meio uma CDU cuja voz nunca será satisfatória ou suficientemente poderosa.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A Índia...

Fausto, Porque Não Me Vês, in Por Este Rio Acima (1982)

Vem me ver amor
De mansinho
Se a dor é um mar
Louco a transbordar

domingo, 4 de outubro de 2015

Injustiças e vitórias pírricas.

Independentemente do regime em vigor, a política é sempre um jogo injusto. Esta derrota do PS faz lembrar um injustiçado, António José Seguro. Seguro sempre me lembrou aqueles militantes do PS, dos mais antigos, que acreditam piamente que o Estado precisa não só do PS, mas da sua estrutura e organização internas, quase como se o modelo da social-democracia europeia para o país fosse, mais do que a ideologia, a burocracia do Partido Socialista. E assim, depois do furacão Sócrates, Seguro ocupou-se a reconstruir e a olear essa grande máquina partidária que é o PS. Foi especialmente castigado pela juventude do seu partido, coio de ambições desmedidas, que se deixou levar pelo carisma de Costa. Mesmo assim, exilado pelo partido que procurou ressuscitar, Seguro não foi um foco de dissensão. Até ao fim, foi um homem do partido.
Outra profunda injustiçada, desta vez pelo resultado eleitoral, é a direita portuguesa. O acto eleitoral conheceu uma percentagem de abstenção acima dos 40%. A coligação dos dois partidos de centro-direita do país não conseguiu muito mais do que 37% dos votos. À direita deste resultado, o deserto. Não existe mais direita, para além desta desoladora percentagem, em Portugal. Uma direita que só existe pela necessidade suscitada no eleitorado de "pôr as contas em ordem". O CDS vê-se dissolvido, por esta vitória pírrica, nesse consórcio de Baronatos, Interesses e Companhia Lda. que é o PSD. A importância que tem no seio da coligação, ninguém sabe. Sabe-se que é pouca. Pouca, que o obriga a uma subalternização que levará, possivelmente, à fusão e extinção do único partido de representação parlamentar que se aproxima, ou aproximava, daquilo que é uma direita, no plano económico, cultural, social, histórico. A vitória da coligação marca o primeiro ano oficial da III República em que não existe direita no parlamento português, apenas um centrão tecnocrático, que preencherá a miragem de uma direita neo-liberal fascista que é a riqueza de tanta narrativa esquerdista.
A provar-se a incapacidade da esquerda em se comprometer e coligar - o maior obstáculo é a fome de Estado do Partido Socialista, que está desesperado e não pode dar-se ao luxo de repartir o bolo com ninguém - fica a esta direita a responsabilidade de governar, com pinças. Tem ao seu dispor a ausência de união dos adversários e a possibilidade de explorar as previsíveis dissidências dentro do Partido Socialista. Isto e, claro, o medo da falência do Estado. Basta não ser muito glutão quando chegar a hora de fatiar o Erário Público.

Manuel prático de voto II

Considerações para o dia da urna

Um PS que de socialista só tem o nome, que lhe ficaria melhor ser Despesista, Lobyista, Lojista.
Um PSD que não é nada, a não ser um emaranhado de interesses e ambições dos representantes dos grandes escritórios de advogados, dos grandes compadrios industriais e dos pachás que governam a província.
Um CDS democrata-cristão, popular, conservador, liberal, mas que não sabe governar nem agir de acordo com nenhuma destas ideologias, deixando-se levar pelo sabor dos ventos e pelo carisma do seu líder que é princípio, meio e fim da essência daquele partido.
Um Bloco de Esquerda que não é nenhuma esquerda, é uma confeitaria new left pós-social-democrata, promotora de todas as causas fracturantes apoiadas pelas corporações capitalistas mais poderosas à face da terra, cuja ideologia passa pela promoção dos instintos mais baixos e acaba na promoção dos instintos mais baixos. Isto tudo polvilhado com intervenções parlamentares suficientemente mediáticas para chamar a atenção.

São estas as parcas escolhas do eleitorado comum, escolhas essas que ainda atrofiam mais quando se procura outras soluções à direita. O PNR foi absolutamente desprezado pelos meios de comunicação, mas ainda assim fez questão de apostar todas as suas hipóteses de algum tipo de mediatismo numa acção de rua contra a emigração, um problema tão residual em Portugal que é ridículo sequer tê-lo em conta como parte de um programa eleitoral. O PNR é um partido que nasceu mal e que morrerá mal, uma vez que é dominado por um meio lisboeta que não tem qualificações para a luta política.

Fazemos uma ressalva para uma esquerda que mantém a ortodoxia militante, que se diz patriótica (e é) e valoriza o trabalho e a soberania nacional. O nacionalismo e o conservadorismo português têm muito a aprender com esta CDU, que merece um bom resultado nestas eleições.

Manual prático de voto

Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus uns fariseus, que, para O porem à prova, perguntaram-Lhe: «Pode um homem repudiar a sua mulher?».
Jesus disse-lhes: «Que vos ordenou Moisés?».
Eles responderam: «Moisés permitiu que se passasse um certificado de divórcio, para se repudiar a mulher».
Jesus disse-lhes: «Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos deixou essa lei.
Mas, no princípio da criação, ‘Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne’. Deste modo, já não são dois, mas uma só carne.
Portanto, não separe o homem o que Deus uniu».
Em casa, os discípulos interrogaram-n’O de novo sobre este assunto.
Jesus disse-lhes então: «Quem repudiar a sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério».
Apresentaram a Jesus umas crianças para que Ele lhes tocasse, mas os discípulos afastavam-nas.
Jesus, ao ver isto, indignou-Se e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis: dos que são como elas é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não acolher o reino de Deus como uma criança, não entrará nele».
E, abraçando-as, começou a abençoá-las, impondo as mãos sobre elas.
Marcos 10,2-16.

domingo, 27 de setembro de 2015

Ese ejército que ves
vago al yelo y al calor,
la república mejor
y más política es
del mundo, en que nadie espere
que ser preferido pueda
por la nobleza que hereda,
sino por la que él adquiere;
porque aquí a la sangre excede
el lugar que uno se hace
y sin mirar cómo nace
se mira cómo procede.
Aquí la necesidad
no es infamia; y si es honrado,
pobre y desnudo un soldado
tiene mayor calidad
que el más galán y lucido;
porque aquí a lo que sospecho,
no adorna el vestido al pecho,
que el pecho adorna al vestido;
Y así, de modestia llenos,
a los más viejos verás,
tratando de ser lo más,
y de parecer lo menos.
Aquí la más principal
hazaña es obedecer,
y el modo cómo ha de ser
es ni pedir ni rehusar.
Aquí, en fin, la cortesía,
el buen trato, la verdad,
la fineza, la lealtad,
el honor, la bizarría;
el crédito, la opinión,
la constancia, la paciencia,
la humildad y la obediencia,
fama, honor y vida son,
caudal de pobres soldados;
que en buena o mala fortuna,
la milicia no es más que una
religión de hombres honrados.

Pedro Calderón de la Barca

Levar a sério os artistas

Em Portugal reina o mau hábito de tratar mal os artistas.
Em décadas recentes junta-se ao mau trato a conversa da treta. Já não chegava não pagar a tempo e horas os salários, deixar definhar nas gavetas dos orçamentos de Estado a Cultura nacional, mas agora ainda fazemos passar os artistas pelas vielas do ridículo.

É ver os telejornais a convidar os esfomeados músicos para virem falar sobre política, as faculdades a aspergir teses sobre as ideologias dos poetas, os comediantes feitos jornalistas e os actores armados em cronistas.
O facto de um pobre coitado conseguir esguelhar um som bestial numas cordas de guitarra, ou sacar umas risadas tremendas, não faz dele um Séneca da actualidade.
Gostamos muito da poesia de Fernando Pessoa, da música de Zeca Afonso e da prosa de Lobo Antunes.

Mas aquilo que estes três publicaram, pensaram ou ladraram em termos de política, sociedade ou história nacional é uma valente merda. No mínimo, risível. No máximo, chocante. No todo, medíocre.

Enquanto escrevo estas linhas, estou a ouvir o álbum Crónicas da Terra Ardente, de Fausto Bordalo Dias. Um lindo álbum.
Contudo, se consultarmos a internet sobre este autor, damos com uma entrevista do autor em que este vomita uma pilha épica de merda sobre temas como economia, política, etc. O respeitado autor deambula febrilmente por entre temas como cidadania e 25 de Abril com a graça de um crocodilo numa maternidade. Não vai ser por isso que vou desistir deste belo álbum - tal como não vou deixar de rever os brilhantes episódios dos Gatos Fedorentos passados na Sic Radical apenas por causa das figuras patéticas de Ricardo Araújo Pereira para criar um híbrido monstruoso entre Jon Stewart, Conan O'Brien e Jay Leno.

Quero com isto dizer que os artistas devem ser afastados da política? Claro que não. Quando fazem da política uma forma de arte, o seu contributo é mais que bem vindo. Basta ver as páginas brilhantes de Almada Negreiros. No restante, deixem a arte valer por si.


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Conservador à inglesa, ou A paixão pelo bacon

Meritocracia. Tradição. Civismo.

And lots of pig fucking. Tudo em nome das elites que o mundo demo-liberal precisa.

Flocos de Neve

No último texto divaguei um pouco sobre a temática dos senhores e senhoras que pensam que Portugal é um floco de neve, que não descansam enquanto não provam que este país foi posto neste lugar de propósito pelos deuses para ser abençoado por algum tipo de mistério iniciático redentor. Com isto tudo, não quero dizer que não acredite no plano singular que Portugal ocupa no plano religioso e espiritual. A minha aversão aos indefiníveis, aos pós de pirilimpimpim que tornam todas as coisas boas em névoa indistinta, é para mim a prova de que respeito aquilo que pretendo chamar, talvez erroneamente, manifestação metafísica do meu lar, da minha pátria, das minhas tradições, do legado dos meus antepassados.

Esse legado é material e imaterial, santo e pecador, bom e mau. À volta dele construímos um discurso, uma narrativa, uma História, que legitima as escolhas e caminhos que os antigos tomaram. Esse discurso, contudo, não nos pode afastar da realidade - uma vez que ele mesmo é parte da nossa herança. É uma ferramenta que devemos usar - não uma desculpa para enfiarmos a cabeça na areia, uma cegueira simpática.

Um dos lemas deste blogue, a fazer uma recolha dos vários, seria "Portugal não é na Lua". Este lema não pretende abrir portas ao oportunismo, mas antes um lembrete daquilo que é, para mim, a verdadeira linha de princípios para um pensamento nacional, político, social e espiritual. Queiramos chamar-lhe uma doutrina nacionalista, de direita ou conservadora.

A Sageza e a Inteligência existem para ser postas em prática e partilhadas pelas gentes da Causa. Não para se guardarem ciosa e ciumentamente em caves, garagens e em prateleiras.

Amor é Sacrifício, Sacrifício Eterno e incondicional. A Fortaleza passa por não ceder ao capricho pessoal, à ambição mesquinha, enquanto nos abrimos às inseguranças e medos dos nossos pares e amigos, apenas para os suplantar, transformando-nos num baluarte de firmeza, mas também de ternura.

E este Amor não é nada sem nos inteirarmos das nossas fraquezas, dos nossos limites e dos nossos rivais. Que aquilo que perdemos, que abdicamos, por preguiça, por fraqueza ou porque estamos demasiado ocupados a discutir entre nós e a perseverar na nossa vaidade, vai-nos fazer muita falta, ou pior, vai fazer muita falta àquilo que sobrar dos nossos sucessores.
Que nos sirva de exemplo a Espanha que derrete na Catalunha, porque não faltavam entre os espanhóis aqueles que julgavam que a sua pátria era eterna, que o seu espírito não morreria, que tudo ia acabar bem. Quem não tende os campos vê crescer silvas, depois mato, até se perder a terra que os avós lavraram.
Castigo bem merecido ao falso Aliado que nos virou as costas tantas vezes no último século, conspirando com outros nossos pretensos amigos a nossa anexação. Também a Espanha foi em tempos protectora da Europa e da Cristandade, se calhar mais até do que nós.
Ainda assim, deixou-se abater, como nós, pela Lenda Negra que os países inimigos lhe imputaram, encheu-se de ódio de si mesma e devorou-se. Também em Espanha há aqueles que julgam viver num floco de neve, numa Espanha que plantou universidades no Novo Mundo por filantropia e sentido de civilização. A quem se deve fidelidade porque sim.
Assim, dividida entre os inimigos da terra, que são ao mesmo tempo seus filhos, e os filhos da terra que vivem no mundo da Lua, a Espanha caminha para o seu fim. Fim esse que poderá provar-se a nossa grande oportunidade - tal como a independência da Escócia prova o fim de outro falso amigo e aliado.

Oportunidade para reclamar, com inteligência e com firmeza, para a Nação, a base suficiente da independência efectiva, num cenário de desintegração de velhas fronteiras e, quiçá, da própria União Europeia. Firmeza para os maiores sacrifícios, inteligência para entendermos que, à mínima hesitação ou ao mínimo passo em falso, aquilo que amamos desaparece.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Filosofia Portuguesa?

Não sou suficientemente versado em Filosofia para discutir a fundo a temática da Filosofia Portuguesa, a escola de pensamento de Leonardo Coimbra, Álvaro Ribeiro, Dalila Pereira da Costa, etc. O tempo disponível e as bases que possuo apenas me permitiram fazer algumas abordagens, entre as quais uma leitura à obra de Pedro Sinde "Sete Sábios Portugueses" e, recentemente, algumas leituras no site Homo Viator, que parece especializado neste tipo de pensamento.
De todos os autores da Filosofia Portuguesa, o único que aprecio é Pinharanda Gomes, talvez por se me afigurar como o mais objectivo de todos, talvez pela tendência para a análise histórica.
Das críticas que me parecem importantes tecer a esta escola, saliento as seguintes:

1 - Define como português um tipo de pensamento que é, muitas vezes, a intelectualização de alguns conceitos, como a Saudade, traduzindo-se em exercícios complexos cujo resultado é mais a criação de uma abstracção de Portugal que a descoberta do tipo português.

2 - É admitido por alguns dos seus autores que estas abstracções à volta da Saudade são apenas ferramentas para criar um pensamento português, à imagem do que se passou em França e Alemanha. A que nos opomos, explicitamente nos pontos seguintes.

3 - O pensamento alemão nasceu do habitus da comunidade científica alemã. Não foi uma criação coada e polvilhada em laboratório, como me parece ser a suposta genealogia do pensamento da filosofia portuguesa.

4 - A ser assim, a dita escola da filosofia portuguesa parece-me ser apenas o melhor reflexo da decadência do nosso povo, nomeadamente a obsessão pela auto-definição. Isto admitindo teses decadentistas, que não são de todo o meu forte.

5 - Esta auto-definição é ecuménica, muitas vezes de forma bastante inofensiva e inútil (como é visível nas conversas vadias de Agostinho da Silva) mas ao mesmo tempo selectiva. Define-se o fim da Idade Média e dos Descobrimentos como o início da decadência de Portugal. Está por escrever literatura no sentido de encontrar uma relação entre a finis patria e o declínio da construção naval a partir do Século de Quinhentos. A Inquisição torna-se sinal da influência de ideais externos e da perversão da cultura nacional, mas define-se o carácter nacional de acordo com uma suposta dicotomia céltico-semita, como a encontramos n'A Arte de Ser Português. Para alguém isto fará sentido.

6 - É uma escola profundamente iniciática, de carácter gnóstico, fixada num milenarismo, o Quinto Império. É, em tudo, afastada da tradição católica e da religião portuguesa. Sustenta-se muitas vezes de paganismos e rituais profanos da nossa tradição popular para justificar os seus pontos. Mais uma vez através de intelectualizações e de conclusões insustentadas. Além de que se fundamenta na leitura jesuítica (que parece ser o caso de Dalila Pereira da Costa) de um autor de claras influências satânicas como é Teixeira de Pascoaes. Por muito cristianizada que se faça a leitura deste último, pergunto-me se não estaremos a descascar demasiado o poeta do Marânus ao procurarmos atenuar o profundo lado diabólico da sua obra.

Concluindo: a filosofia portuguesa parece-me muito pouco portuguesa, mas muito importada em definir um portugal. O milenarismo tosco que move alguns dos sequazes menores possivelmente permitirá que haja um portugal para cada alminha.
Tanto serve para inspirar movimentos new age, mais preocupados em desconstruir Portugal do que noutra coisa, como para preencher a necessidade de "pensamento original" de alguns "fascistóides", ansiosos por deitar ao lixo algumas facetas menos kitsch da cultura portuguesa e ficar apenas com as coisas "giras".Tanto o lixo new-age como o nacionalismo de pacotilha partilham deste defeito, o de criar uma ilusão de que Portugal é um floco de neve especial. Típica não-actividade que assassina a Acção, diga-se.

Porventura, demasiadas conclusões para quem sabe tão pouco. Não é, contudo, por cepticismo teimoso que mantenho ao arrepio os sebastianismos e os "quintimpérios". Haverá, com certeza, muita desinformação, mas não falta de esforço para compreender melhor estes fenómenos. É a minha cabecinha, possivelmente, que não tem grande sensibilidade espiritual.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

últimos redutos

Só posso agradecer a simpática referência de João Marchante.
Comecei a acompanhar o Eternas Saudades do Futuro (que, a ser um espelho da alma do autor, só diz bem do seu carácter) numa fase recente, muito após a longínqua era em que acompanhava a blogosfera nacional com fervor. Ainda não tive o prazer de conhecer o autor pessoalmente, mas não nos faltam conhecidos em comum e comunhão de ideais.
Penso que vivemos em tempos em que a velhinha blogosfera cede, cada vez mais, o seu espaço ao micro ruído dos facebúques e tuíteres. Ficaram os velhos blogues ainda em funções e os cadáveres dos sítios que, tanto tempo passado desde a última actualização, continuam a ser merecedores de visita.
Podemos pensar que a exigência de conteúdo que este tipo de plataformas exige para manutenção resultaram numa internet mais limpa que a dos tempos de hoje. Não é verdade. Havia muito lixo também.
Ainda assim, para quem está desconectado da rede social zuckerbergiana, uma blogosfera selecta é a melhor maneira de fazer alguma eremitagem. Sempre construtiva.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves