quinta-feira, 17 de setembro de 2015

últimos redutos

Só posso agradecer a simpática referência de João Marchante.
Comecei a acompanhar o Eternas Saudades do Futuro (que, a ser um espelho da alma do autor, só diz bem do seu carácter) numa fase recente, muito após a longínqua era em que acompanhava a blogosfera nacional com fervor. Ainda não tive o prazer de conhecer o autor pessoalmente, mas não nos faltam conhecidos em comum e comunhão de ideais.
Penso que vivemos em tempos em que a velhinha blogosfera cede, cada vez mais, o seu espaço ao micro ruído dos facebúques e tuíteres. Ficaram os velhos blogues ainda em funções e os cadáveres dos sítios que, tanto tempo passado desde a última actualização, continuam a ser merecedores de visita.
Podemos pensar que a exigência de conteúdo que este tipo de plataformas exige para manutenção resultaram numa internet mais limpa que a dos tempos de hoje. Não é verdade. Havia muito lixo também.
Ainda assim, para quem está desconectado da rede social zuckerbergiana, uma blogosfera selecta é a melhor maneira de fazer alguma eremitagem. Sempre construtiva.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015


Autofagia Mediática

A acompanhar seriamente o périplo da Europa dos 25 Milhões de Desempregados que precisa desesperadamente de manter a força de trabalho e as soluções para todos os refugiados que por lá pararem.

O patronato já se manifestou alegre com a onda de solidariedade. É um começo.
Por outro lado, alojar tamanha migração nos sacrossantos estádios de futebol ou nos terrenos destinados aos festivais de verão poderá levar a reacções contraproducentes. Há que manter satisfeitos os principais fregueses da solidariedade.
Propaganda Portuguesa
Primeira Guerra Mundial

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Dushi Aruba

O papiamento, a língua falada em Aruba, Bonaire Curaçao, é o fruto de uma mistura entre os linguajares de negreiros portugueses, mercadores espanhóis, colonizadores holandeses. piratas ingleses, judeus brasileiros e escravos africanos.
O resultado é um lindo crioulo português na voz doce de Izaline Calister.


Mi pais, ta un lugá chikitu
Ku un historia riku
Pieda, mondi, bientu i laman
Ta mi isla i e ta intresante ku bista impaktante i partinan dañá

I unda ku mi ta…

Mi pais, t'un ku sa di pobresa
atrako i malesa i hende ku tin bia ta molestiá
Ta mi isla i e ta impreshonante
K’un pueblo elegante i un par ku no ke tra’a 

I unda ku mi ta…

Mi ta un tiki preokupá pa mi baranka, mi lugá
Mi no por mira den futuro i mi no sa kon kos lo ta
Ma mi ta resa pidi Dios pa de bes en kuando si e tin un chèns e yuda nos
Djis drecha algun kos i kuida loke ta di nos

Mi pais ta un isla hopi dushi
kaminda mi lombrishi
pa semper ta derá…

Reconciliar

Da leitura de alguns blogues e textos antigos, tropecei alegremente num artigo da Legio Victrix sobre Alain Soral.
Presumivelmente o grande teórico da Terceira Via política dos nossos tempos, Alain Soral quebrou tabus que se tinham cristalizado à volta do pensamento nacionalista e advoga hoje em dia uma doutrina que defenda a direita dos valores e a esquerda do trabalho. Recupera assim uma tradição idiossincrática que foi pujante nos anos 20 século XX e que levou, entre outros exemplos, um sindicalista revolucionário como Sorel a militar numa organização nacionalista e católica como a Action Française.
Em Portugal vemos esse fenómeno na criação da revista Homens Livres, que juntava Seareiros e Integralistas.
Um dos textos reconciliadores de Soral (que fundou o movimento Egalité et Réconciliation) foi o discurso escrito para Le Pen aquando da celebração da vitória de Valmy.
Última vitória festejada em tempos de um monarca Bourbon, foi também o feito militar que legitimou as pretensões dos republicanos que derrubaram pouco depois a monarquia. É assim um símbolo muito importante para todos os quadrantes ideológicos franceses e europeus, descendentes directos do conflito civil, social e espiritual que nasceu da Revolução Francesa. Divide e une nas vitórias e derrotas que se lhe seguiram.
Divide e une também quando pensamos no sangue derramado por patriotas em nome de causas estranhas, mas cuja simpatia não podemos deixar de sentir.
Devo muita da minha sensibilidade para a questão política do nacionalismo aos escritos do Corcunda e ainda concordo, depois de tantos anos, na importância do acervo histórico e religioso para definir esse Bem Comum que é o fim último da comunidade dos homens, consubstanciada na Nação.
O tema da reconciliação é fulcral para a Direita, a meu ver, porque passados duzentos anos desde que as ideias da Revolução nos atingiram, os seus efeitos e as suas consequências impregnaram-se também no nosso código moral.
Tal como qualquer outro povo europeu, os Portugueses são inevitavelmente filhos da Religião de Cristo, mas também da Revolução Francesa. Podemos desprezar as ideias carbonárias dos revolucionários do 5 de Outubro, mas a verdade é que várias gerações de portugueses, muitos deles católicos praticantes e patriotas, lutaram e morreram para defender uma bandeira verde e vermelha. Se a intenção original estava errada, o sacrifício plantado à volta daquele trapo, ao longo das décadas, transformou-o num estandarte tão honrado como qualquer outro.
E não é verdade que vemos, em várias localidades portuguesas, marchar nas procissões religiosas bandeiras de confrarias e associações profissionais laicas que contêm claras simbologias maçónicas, carbonárias, etc.? Criadas por revolucionários nos seus dias, foram-se cristianizando e normalizando com o passar do tempo. Inevitavelmente nacionalizadas, tal como acontece com os corpos de escuteiros e rotários e outros grupos que, há 70 anos atrás, ainda comungavam do seu espírito fundador que seria, para nós, anti-católico e anti-nacional.
E se uma Direita que vise o Bem-Comum e a Vida Boa tem, por direito do acervo histórico da nação, acesso a toda esta riqueza abandonada pela Esquerda, que nos pertence porque o que é nacional é nosso, mesmo na área mais "obscura" das direitas encontramos um património que merece ser pensado.
O grande flagelo do nacionalismo em Portugal é a corruptela do neo-paganismo rácico, esta vontade de ser compatriota de Deus ou primo de alguma divindade que justifique as vaidades fisiológicas. A Antropologia já nos presenteou com provas mais que suficientes para acabarmos com estas tentativas de criar bonsais humanos, para quem o grande fundamento da nação portuguesa é pertencer a uma sub-espécie do grupo caucasóide.

Mas não é verdade que, entre os bens que herdamos, o nosso património genético merece o mesmo carinho e atenção que o restante? As características físicas que nos tornam únicos e reconhecíveis pelos nossos iguais, que permitem que as relações sociais decorram com um à-vontade próprio de quem se identifica nas características exteriores do outro, circunstância tão importante ao diálogo?
Se a esquerda do trabalho nos leva a opor à imigração porque esta não é mais do que o exército de escravos do capitalismo, a direita dos valores traz à baila a necessidade de defendermos não só as prerrogativas sociais e económicas mas também o nosso património espiritual, religioso, histórico e genético. Se isto nos livra da assistência aos refugiados? Não me parece. A nossa cultura, nos fundamento dos seus valores e das suas práticas ancestrais, obriga-nos a estender a mão ao desprotegido.
O que um pensamento de Direita pode e deve ditar é que o estender a mão é uma actividade digna e dignificante, que propõe ajudar a curto prazo e resolver a longo. Não é, como vemos hoje em dia, uma medida de propaganda mediática. Mas haverá força para recriar e revitalizar um pensamento de Direita?
Absolutamente, sim.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

(...) de modo algum somos o porta-voz dos socialistas ou dos republicanos. O oportunismo e a cobardia apodreceram todos os partidos políticos italianos, e nós trazemos-lhes o desinfectante futurista, o ácido corrosivo revolucionário.

Marinetti, Le Futurisme

quarta-feira, 9 de setembro de 2015


Finis Mundi nº8

A blogosfera da área nacional tem andado relativamente desatenta a esta publicação de grande qualidade, apesar de alguns bloggers terem feito boa e merecida publicidade. A minha primeira contribuição veio no número 6, com um artigo intitulado José Acúrsio das Neves: Pensador Líberal ou Político Conservador?, e é com todo o gosto que informo os meus leitores que vou publicar neste número 8 um trabalho sobre a tradição filosófica, política e jurídica europeia: A Grande Casa Europeia – A Idade Média e a Idade Moderna através da perspectiva de Otto Brunner, Julius Evola e Émile Lousse.

Outros autores conhecidos cá da casa e que param muito pelos nossos meios também vão publicar, sendo provável que o leitor já terá ouvido falar de algum deles.
Dos que vão sair neste número, aponto os meus escolhidos para uma leitura que, aposto, merecerá particular atenção:

Os anti-lusófonos e os anti-colonialistas - Renato Epifânio 

António Sardinha e o Integralismo Lusitano, na idealidade do novo século - Daniel Santos Sousa 

O Desafio Europeu Contemporâneo: do Indivíduo para o Grupo. A análise sociobiológica - Filipe Nobre Faria

ausência esporádica

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Os media no aproveitamento político da morte de uma criança - As lágrimas do crocodilo

Se havia dúvidas sobre a verdadeira cor deste novo jornal da direitinha, o último edital d'O Observador acabou de as esclarecer.
O jornalista José Manuel Fernandes junta-se ao coro internacional que visa mais uma vez impressionar as massas pelo apelo a um sentimentalismo pervertido. O aproveitamento político de alguns partidos, movimentos e jornais, tendo em vista amealhar prestígio social ou o avanço de metas políticas, do falecimento do pequeno Aylan.
Não me interpretem mal. Nada magoa mais do que a morte de uma criança inocente, independentemente da sua etnia, credo ou sexo.
O que me ofende é a construção de uma historieta de encantar, com entrevistas à família do falecido, apelos à moralidade pública e todo um aparato choramingas que visa apenas distrair as pessoas do que verdadeiramente interessa.
De onde vem esta guerra na Síria? Quem a começou? Quem a sustenta?
Quais são os principais responsáveis por estas ondas migratórias?
A Europa é acusada de não ter desenvolvido instituições e meios para salvar o pequeno Aylan, mas o que os nossos jornalistas não nos contam é a forma como a Europa apoiou as dissidências e os contrastes que puseram o Norte de África e o Médio Oriente a ferro e fogo. Tudo sob o pretexto da santa Liberdade, mascarando o interesse capitalista da grande finança. Já se vê que o governo a cair sobre a batuta das manifestações "espontâneas" que se segue é o distraído Líbano...
Não falta até a citação do economista bem intencionado. O The Economist ensina-nos que acolher todo o tipo de emigrantes é bom, para rejuvenescer a população europeia. Como se a multiplicação não fosse responsabilidade dos europeus. Qual raça de anjos na terra, servem apenas para pagar, receber e acolher, deixando os frutos do futuro aos outros.
Ou seja, em nome de um hipotética e falível prosperidade material, o fim do nosso património genético, da nossa presença no mundo enquanto povo de características únicas e peculiares. 
Uma Europa transformada numa gigantesca plataforma de emprego, investimento e "empreendedores". Já dizia Marx que o exército de escravos do capitalismo é o imigrante. Exército escravo esse que se vê obrigado, pela instabilidade induzida nos seus países de origem, a reduzir-se à função de substituir geneticamente a população autóctene, mais ciente das suas prerrogativas, agarrados que ainda vão estando a conquistas políticas e a raízes como a tradição ou a religião.

Encontramo-nos perante vários dilemas. Por um lado, as tradições, a espiritualidade e a religião dos europeus obrigam-nos a acolher os indefesos, os doentes, os pobres.
Por outro, o nosso sentido de comunidade e justiça obriga-nos a descobrir, entre nós, os verdadeiros culpados das tempestades que assolaram África e Ásia. Depois, restabelecer nesses países a sua soberania e estabilidade, criando condições para que os refugiados voltem para a terra dos seus antepassados.
Manietados, contudo, por todos os tipos possíveis e imaginários de materialismos, só nos restam as hipóteses dos que pretendem fechar fronteiras a cadeado e os que pretendem escancará-las. Nenhuma delas chega, nenhuma resolve, por si só, o problema. E o problema, mais década menos década, será demasiado grande e visível para ser contido.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves