quinta-feira, 10 de setembro de 2015

(...) de modo algum somos o porta-voz dos socialistas ou dos republicanos. O oportunismo e a cobardia apodreceram todos os partidos políticos italianos, e nós trazemos-lhes o desinfectante futurista, o ácido corrosivo revolucionário.

Marinetti, Le Futurisme

quarta-feira, 9 de setembro de 2015


Finis Mundi nº8

A blogosfera da área nacional tem andado relativamente desatenta a esta publicação de grande qualidade, apesar de alguns bloggers terem feito boa e merecida publicidade. A minha primeira contribuição veio no número 6, com um artigo intitulado José Acúrsio das Neves: Pensador Líberal ou Político Conservador?, e é com todo o gosto que informo os meus leitores que vou publicar neste número 8 um trabalho sobre a tradição filosófica, política e jurídica europeia: A Grande Casa Europeia – A Idade Média e a Idade Moderna através da perspectiva de Otto Brunner, Julius Evola e Émile Lousse.

Outros autores conhecidos cá da casa e que param muito pelos nossos meios também vão publicar, sendo provável que o leitor já terá ouvido falar de algum deles.
Dos que vão sair neste número, aponto os meus escolhidos para uma leitura que, aposto, merecerá particular atenção:

Os anti-lusófonos e os anti-colonialistas - Renato Epifânio 

António Sardinha e o Integralismo Lusitano, na idealidade do novo século - Daniel Santos Sousa 

O Desafio Europeu Contemporâneo: do Indivíduo para o Grupo. A análise sociobiológica - Filipe Nobre Faria

ausência esporádica

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Os media no aproveitamento político da morte de uma criança - As lágrimas do crocodilo

Se havia dúvidas sobre a verdadeira cor deste novo jornal da direitinha, o último edital d'O Observador acabou de as esclarecer.
O jornalista José Manuel Fernandes junta-se ao coro internacional que visa mais uma vez impressionar as massas pelo apelo a um sentimentalismo pervertido. O aproveitamento político de alguns partidos, movimentos e jornais, tendo em vista amealhar prestígio social ou o avanço de metas políticas, do falecimento do pequeno Aylan.
Não me interpretem mal. Nada magoa mais do que a morte de uma criança inocente, independentemente da sua etnia, credo ou sexo.
O que me ofende é a construção de uma historieta de encantar, com entrevistas à família do falecido, apelos à moralidade pública e todo um aparato choramingas que visa apenas distrair as pessoas do que verdadeiramente interessa.
De onde vem esta guerra na Síria? Quem a começou? Quem a sustenta?
Quais são os principais responsáveis por estas ondas migratórias?
A Europa é acusada de não ter desenvolvido instituições e meios para salvar o pequeno Aylan, mas o que os nossos jornalistas não nos contam é a forma como a Europa apoiou as dissidências e os contrastes que puseram o Norte de África e o Médio Oriente a ferro e fogo. Tudo sob o pretexto da santa Liberdade, mascarando o interesse capitalista da grande finança. Já se vê que o governo a cair sobre a batuta das manifestações "espontâneas" que se segue é o distraído Líbano...
Não falta até a citação do economista bem intencionado. O The Economist ensina-nos que acolher todo o tipo de emigrantes é bom, para rejuvenescer a população europeia. Como se a multiplicação não fosse responsabilidade dos europeus. Qual raça de anjos na terra, servem apenas para pagar, receber e acolher, deixando os frutos do futuro aos outros.
Ou seja, em nome de um hipotética e falível prosperidade material, o fim do nosso património genético, da nossa presença no mundo enquanto povo de características únicas e peculiares. 
Uma Europa transformada numa gigantesca plataforma de emprego, investimento e "empreendedores". Já dizia Marx que o exército de escravos do capitalismo é o imigrante. Exército escravo esse que se vê obrigado, pela instabilidade induzida nos seus países de origem, a reduzir-se à função de substituir geneticamente a população autóctene, mais ciente das suas prerrogativas, agarrados que ainda vão estando a conquistas políticas e a raízes como a tradição ou a religião.

Encontramo-nos perante vários dilemas. Por um lado, as tradições, a espiritualidade e a religião dos europeus obrigam-nos a acolher os indefesos, os doentes, os pobres.
Por outro, o nosso sentido de comunidade e justiça obriga-nos a descobrir, entre nós, os verdadeiros culpados das tempestades que assolaram África e Ásia. Depois, restabelecer nesses países a sua soberania e estabilidade, criando condições para que os refugiados voltem para a terra dos seus antepassados.
Manietados, contudo, por todos os tipos possíveis e imaginários de materialismos, só nos restam as hipóteses dos que pretendem fechar fronteiras a cadeado e os que pretendem escancará-las. Nenhuma delas chega, nenhuma resolve, por si só, o problema. E o problema, mais década menos década, será demasiado grande e visível para ser contido.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

600 anos de Ceuta

Seja por interesse histórico, seja por orgulho nacionalista, a boa parte do país está hoje a relembrar, em jornais, livros e artigos, a tomada de Ceuta em 1415.
Tomando estes dias pelo que são, confesso que não sou grande fã da comemoração de datas-chavão. Será porventura pedantismo de quem estuda História, de quem absorve isto não de forma apoteótica, mas como quem respira e vê o mundo pelo que tem de sujo e violento, mas com as suas pontadas de beleza a prismar depois do feixe da luz.
Ceuta é descrita como o princípio de algo maravilhoso. É para alguns a promessa de uma cavalgada valquíriaca até um passado habitado por armaduras polidas, excalibures gloriosas e cruzadas galantes.
Se Ceuta tem validade, para mim, é pelo que reside por detrás do pano.
A praça eternamente cercada, frequentada por corsários, prostitutas, nobres exilados, almogávares, vadios, bispos, mouros, escravos, pecadores e santos. A Ceuta que foi durante muito tempo fronteira dos Algarves de Além-mar, e no parco tempo em que o não foi, centro de pirataria e rapinagem dos soldados da Cruz. Foi o marco da nossa verdade, de um Portugal que vivia e existia com as mãos na terra, como as grandes nações do Mundo, em vez de perdido na lua, a sonhar com sebastiões, naus catarinetas, democracias europeias e empreendedorismos.
Ceuta transformou-se durante a nossa presença numa cidade devotada à destruição do poderio naval berbere, à formação de uma casta de fronteiros, a cavalo ou embarcada, sempre pronta à acção. Nem sempre bem sucedidos na luta, a guerra nos mares formou uma gente seca pelo sal e pelo sol, de barba hirsuta e suja que saqueou as profundezas da Ásia, Goa-Malaca-Ormuz e tudo o resto, e criou um império de mercadores-piratas, ou mercadores-corsários dependendo da vossa fantasia.
Para os espíritos sensíveis de hoje, tal realidade fustiga a consciência. Para aqueles que vêm cada recordação da história como uma apologia da violência e para os que vêm como glória. Daqueles portugueses que estalaram as costas no convés dos navios de Ceuta, de mãos calejadas a montar e desmontar muralhas desvastadas pelos diários ataques do inimigo, já não podemos exigir mais nada. Nem que se façam santos nem que se façam demónios. Foram homens, bons e maus, de uma cepa superior, pelo sangue e pelo suor que lhes saiu, aos que festejam hoje.

Mestre Carlos Reis (1863-1940)

O baptizado

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves