quarta-feira, 9 de setembro de 2015


Finis Mundi nº8

A blogosfera da área nacional tem andado relativamente desatenta a esta publicação de grande qualidade, apesar de alguns bloggers terem feito boa e merecida publicidade. A minha primeira contribuição veio no número 6, com um artigo intitulado José Acúrsio das Neves: Pensador Líberal ou Político Conservador?, e é com todo o gosto que informo os meus leitores que vou publicar neste número 8 um trabalho sobre a tradição filosófica, política e jurídica europeia: A Grande Casa Europeia – A Idade Média e a Idade Moderna através da perspectiva de Otto Brunner, Julius Evola e Émile Lousse.

Outros autores conhecidos cá da casa e que param muito pelos nossos meios também vão publicar, sendo provável que o leitor já terá ouvido falar de algum deles.
Dos que vão sair neste número, aponto os meus escolhidos para uma leitura que, aposto, merecerá particular atenção:

Os anti-lusófonos e os anti-colonialistas - Renato Epifânio 

António Sardinha e o Integralismo Lusitano, na idealidade do novo século - Daniel Santos Sousa 

O Desafio Europeu Contemporâneo: do Indivíduo para o Grupo. A análise sociobiológica - Filipe Nobre Faria

ausência esporádica

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Os media no aproveitamento político da morte de uma criança - As lágrimas do crocodilo

Se havia dúvidas sobre a verdadeira cor deste novo jornal da direitinha, o último edital d'O Observador acabou de as esclarecer.
O jornalista José Manuel Fernandes junta-se ao coro internacional que visa mais uma vez impressionar as massas pelo apelo a um sentimentalismo pervertido. O aproveitamento político de alguns partidos, movimentos e jornais, tendo em vista amealhar prestígio social ou o avanço de metas políticas, do falecimento do pequeno Aylan.
Não me interpretem mal. Nada magoa mais do que a morte de uma criança inocente, independentemente da sua etnia, credo ou sexo.
O que me ofende é a construção de uma historieta de encantar, com entrevistas à família do falecido, apelos à moralidade pública e todo um aparato choramingas que visa apenas distrair as pessoas do que verdadeiramente interessa.
De onde vem esta guerra na Síria? Quem a começou? Quem a sustenta?
Quais são os principais responsáveis por estas ondas migratórias?
A Europa é acusada de não ter desenvolvido instituições e meios para salvar o pequeno Aylan, mas o que os nossos jornalistas não nos contam é a forma como a Europa apoiou as dissidências e os contrastes que puseram o Norte de África e o Médio Oriente a ferro e fogo. Tudo sob o pretexto da santa Liberdade, mascarando o interesse capitalista da grande finança. Já se vê que o governo a cair sobre a batuta das manifestações "espontâneas" que se segue é o distraído Líbano...
Não falta até a citação do economista bem intencionado. O The Economist ensina-nos que acolher todo o tipo de emigrantes é bom, para rejuvenescer a população europeia. Como se a multiplicação não fosse responsabilidade dos europeus. Qual raça de anjos na terra, servem apenas para pagar, receber e acolher, deixando os frutos do futuro aos outros.
Ou seja, em nome de um hipotética e falível prosperidade material, o fim do nosso património genético, da nossa presença no mundo enquanto povo de características únicas e peculiares. 
Uma Europa transformada numa gigantesca plataforma de emprego, investimento e "empreendedores". Já dizia Marx que o exército de escravos do capitalismo é o imigrante. Exército escravo esse que se vê obrigado, pela instabilidade induzida nos seus países de origem, a reduzir-se à função de substituir geneticamente a população autóctene, mais ciente das suas prerrogativas, agarrados que ainda vão estando a conquistas políticas e a raízes como a tradição ou a religião.

Encontramo-nos perante vários dilemas. Por um lado, as tradições, a espiritualidade e a religião dos europeus obrigam-nos a acolher os indefesos, os doentes, os pobres.
Por outro, o nosso sentido de comunidade e justiça obriga-nos a descobrir, entre nós, os verdadeiros culpados das tempestades que assolaram África e Ásia. Depois, restabelecer nesses países a sua soberania e estabilidade, criando condições para que os refugiados voltem para a terra dos seus antepassados.
Manietados, contudo, por todos os tipos possíveis e imaginários de materialismos, só nos restam as hipóteses dos que pretendem fechar fronteiras a cadeado e os que pretendem escancará-las. Nenhuma delas chega, nenhuma resolve, por si só, o problema. E o problema, mais década menos década, será demasiado grande e visível para ser contido.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

600 anos de Ceuta

Seja por interesse histórico, seja por orgulho nacionalista, a boa parte do país está hoje a relembrar, em jornais, livros e artigos, a tomada de Ceuta em 1415.
Tomando estes dias pelo que são, confesso que não sou grande fã da comemoração de datas-chavão. Será porventura pedantismo de quem estuda História, de quem absorve isto não de forma apoteótica, mas como quem respira e vê o mundo pelo que tem de sujo e violento, mas com as suas pontadas de beleza a prismar depois do feixe da luz.
Ceuta é descrita como o princípio de algo maravilhoso. É para alguns a promessa de uma cavalgada valquíriaca até um passado habitado por armaduras polidas, excalibures gloriosas e cruzadas galantes.
Se Ceuta tem validade, para mim, é pelo que reside por detrás do pano.
A praça eternamente cercada, frequentada por corsários, prostitutas, nobres exilados, almogávares, vadios, bispos, mouros, escravos, pecadores e santos. A Ceuta que foi durante muito tempo fronteira dos Algarves de Além-mar, e no parco tempo em que o não foi, centro de pirataria e rapinagem dos soldados da Cruz. Foi o marco da nossa verdade, de um Portugal que vivia e existia com as mãos na terra, como as grandes nações do Mundo, em vez de perdido na lua, a sonhar com sebastiões, naus catarinetas, democracias europeias e empreendedorismos.
Ceuta transformou-se durante a nossa presença numa cidade devotada à destruição do poderio naval berbere, à formação de uma casta de fronteiros, a cavalo ou embarcada, sempre pronta à acção. Nem sempre bem sucedidos na luta, a guerra nos mares formou uma gente seca pelo sal e pelo sol, de barba hirsuta e suja que saqueou as profundezas da Ásia, Goa-Malaca-Ormuz e tudo o resto, e criou um império de mercadores-piratas, ou mercadores-corsários dependendo da vossa fantasia.
Para os espíritos sensíveis de hoje, tal realidade fustiga a consciência. Para aqueles que vêm cada recordação da história como uma apologia da violência e para os que vêm como glória. Daqueles portugueses que estalaram as costas no convés dos navios de Ceuta, de mãos calejadas a montar e desmontar muralhas desvastadas pelos diários ataques do inimigo, já não podemos exigir mais nada. Nem que se façam santos nem que se façam demónios. Foram homens, bons e maus, de uma cepa superior, pelo sangue e pelo suor que lhes saiu, aos que festejam hoje.

Mestre Carlos Reis (1863-1940)

O baptizado

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Sempre Non

Terrível palavra é um Non. Não tem direito nem avesso. Por qualquer lado que o tomeis sempre soa e diz o mesmo.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O Mika Antunès

Neste blogue fazemos, não raras vezes, uma defesa obstinada da tradição do povo português. Ao leitor deambulante que por aqui tropeça, essa defesa pode parecer uma intransigência iracional, meramente anacrónica, simplesmente fetichista.

Não têm sido poucos os esforços para evitar essa confusão. Nada tem sido mais prejudicial à criação de um pensamento "de direita", conservador e verdadeiramente radical, que o anacronismo e o "patrioteirismo da romantiquisse", aquele discurso de embuste cheio de sentimentalismos bacocos, das saudades de um Portugal de vistas curtas.

De facto, para o êxito de um pensamento renovado há que aceitar e criticar certas características do povo português, de certos elementos do povo português. Um dos filmes que mais lágrimas patróticas derramou nos últimos tempos foi o engraçadíssimo "Gaiola Dourada" um filme de uma sensibilidade muito honesta que retrata o tipo de emigrante luso em terras gaulesas que todos nós gostaríamos que fosse dominante. Com todos os seus defeitos e grandezas.

Infelizmente, não é. Ao lado das Maria e dos Josés, trabalhadores e amáveis, prestáveis, elementos de união da sua comunidade portuguesa e imprescindíveis à sociedade francesa, bons cristãos e honestos, estão os "Mikas" (que foram Miguéis) e as "Natalis" (que foram Natálias).

Esta companhia de emigrantes não é tão agradável, mas pode às vezes parecer mais representativa que a anterior. Os "mikas" são gananciosos, ambiciosos, brutos como uma parede, egoístas e estúpidos. São o produto terminado de gerações e gerações que, já antes do 25A74, eram educadas com cada vez menos cuidado pelas subtilezas da vivência pessoal, cada vez mais conectados com o único valor moral que uma sociedade pobre, pedante e pedinchona como a portuguesa tem: o dinheiro. Este é o único valor que conhecem e que os insufla. 

A única coisa que inibe estes "mikas" de uma vida de depredações e furtos (quando inibe) é o fraco exemplo dos meliantes que passaram pela sua experiência de vida -  os corruptos das câmaras e juntas de freguesia (que os mikas invejam e desprezam) não ganham para as chatices; os desgraçados dos surripiantes da aldeia não passam da miséria e da indigência (a estes o "mika" odeia com tal força que nos leva a concluir que a mensagem de amor e misericórdia para com os pecadores, espalhada pelo cristianismo, ou nunca chegou a certas partes deste país ou então foi há muito esquecida).

Os "mikas" não recebem bem os que vêm de Portugal, no mesmo estado que eles há uns 20 ou mais anos, para fazer a vida lá fora. Não são gentis (a não ser que possam vir a ganhar com a bajulice) e a sua presença em solo pátrio faz-nos desejar por uma invasão furiosa de turistas espanhóis. Concebem entre si uma prole que cumpre o fado de serem maus portugueses e maus estrangeiros. Quando voltam a Portugal todos os odeiam. Os familiares odeiam-nos, os hoteleiros odeiam-nos, os restaurantes odeiam-nos, até as auto-estradas tentam matá-los.

Podem viver uma vida inteira além-pirinéus que sabem menos sobre a sociedade que os rodeia do que um licenciado de Relações Internacionais (ou seja, muito, muito, muito pouco). Em nome do lucro e do ganho são capazes de esforços heróicos, se houvesse heroísmo na manhosice. Genéticamente, guardam as piores características dos povos pré-romanos que viviam, por estes lados, da rapina e do saque.

O "mika", concluindo a diatribe, é mais um dos produtos de um país que esqueceu, há muito tempo, de inculcar nas suas gerações a bondade, a generosidade e a valentia. Esse falhanço social, essa quebra das funções sagradas da pólis, é anterior à nossa mais recente "secularização" abrilina. Começou, convenhamos, na degradação de uma mensagem estado-novista que até era saudável, a que defendia a poupança, a auto-suficiência, a normalidade. Esta mensagem decaiu rapidamente na marosca miserável do novo-rico, no egoísmo tacanho e na mesquinhice, no desprezo por tudo o que não parecer iminentemente prático.

Ou seja, o "mika" seria, caso se interessasse, um eleitor fiel do quadrante PSD-CDS. E digo quadrante porque, na rotação lunar do partidarismo português, por muito que as formas mudem, é tudo o mesmo astro. Os astronautas que ainda acreditam no actual estado de coisas, ao votarem à direita, admitem políticamente o estilo de vida do "mika", o país da chico-espertice, do "todos por si e cada um na sua", o país que só concebe o uso de livros velhos para pé de mesa.

Com a diferença que esta nossa "direita" não se atura só ao Verão, é visita frequente pelos diferentes monitores da vida. De facto, com os "mikas", temos de lidar com eles, para gáudio dos deuses e do seu terrível sentido de humor. A esta direita, já nem os anjinhos a aturam.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves