domingo, 8 de junho de 2014

Fogo e Sangue

(ilustração de Almada Negreiros, in Roteiro da Mocidade do Império, Silva Tavares, Agência Geral das Colónias, 1938

«Ide buscar na guerra da Europa toda a força da nossa nova pátria. No front está concentrada toda a Europa, portanto a Civilização actual. A guerra não é apenas a data histórica de uma nacionalidade; a guerra resolve plenamente toda a expressão da vida. A guerra é a grande experiência. [...] É na guerra que se acordam as qualidades e que os privilegiados se ultrapassam. É na violência das batalhas da vida e das batalhas das nações que se perde o medo do perigo e o medo da morte em que fomos erradamente iniciados. A vida pessoal, mesmo até a própria vida do génio, não tem a importância que lhe dão os velhos; são instantes mais ou menos luminosos da vida da humanidade. [...] A guerra é o ultra-realismo positivo. É a guerra que destrói todas as fórmulas das velhas civilizações cantando a vitória do cérebro sobre todas as nuances sentimentais do coração. É a guerra que acorda todo o espírito de criação e de construção assassinando todo o sentimentalismo saudosista e regressivo. É a guerra que apaga todos os ideais românticos e outras fórmulas literárias ensinando que a única alegria é a vida. [...] A guerra cobre de ridículo a palavra sacrifício transformando o dever em instinto. É a guerra que proclama a pátria como a maior ambição do homem. É a guerra que faz ouvir ao mundo inteiro pelo aço dos canhões o nosso orgulho de Europeus. Enfim: a guerra é a grande experiência. Contra o que toda a gente pensa a guerra é a melhor das selecções porque os mortos são suprimidos pelo destino, aqueles a quem a sorte não elegeu, enquanto os que voltam têm a grandeza dos vencedores e a contemplação da sorte que é a maior das forças e o mais belo dos optimismos. [...] Fazei a apoteose dos Vencedores seja qual for o sentido, basta que Vencedores, ajudai a morrer os vencidos. [...] aproveitai sobretudo este momento único em que a guerra da Europa vos convida a entrardes prá Civilização.»

Almada Negreiros
Ultimatum Futurista – às Gerações Portuguesas do Século XX (Dezembro de 1917)

sábado, 5 de abril de 2014

Vou na aragem da largada

Vou na aragem da largada
pobre e louco e triste e só
Na distância trespassada
Vela ao vento do que sou

E assim a distância voada
no meu ouvido ampla ainda
É janela quadriculada
Onde o infinito já finda.

Rodrigo Emílio, Paralelo 26S Às Audições do Índico

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Soneto de Intimidade

Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
Eu saio às vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.

Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.

Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve

Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma.

Vinicius de Moraes

Ventos da História

A única regra infalível da História é a de que não existem "Ventos da História", ou seja, não existem mudanças inevitáveis ou um progresso idílico. Existem civilizações que cedem e desaparecem e outras que resistem e prosperam. A nossa, cede.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Jünger, Venner e Maurras


Venner went on to discuss two of his major influences: Charles Maurras and Ernst Jünger. He admired Maurras’ hard-nosed character and his courage in the face of ordeals. After his trip to Athens in 1898, Maurras returned a convinced pagan, an inspiring thought to Venner. Venner looked to Homer as the foundation of European civilization: nature as the base, excellence as the principle, and beauty as the horizon.
Those values he received from Maurras who, however, was never confused about the true French identity which was created by the forty Catholic kings of France. While the foundation is important, the structure arising from it is what counts.
Jünger was authenticated by his life, in Venner’s eyes. Venner was moved by Jünger’s high spirituality formed in the forests and nature. He quotes St. Bernard:
You will find more in the forests than in books. The trees will teach you things that no master will tell you.
That is the spirituality of Jünger’s French and Gaulish ancestors, which is what Venner terms “tradition”, which “develops in us without our knowing it.”
Venner never mentioned that both Maurras and Jünger converted to Catholicism before their death. It is hard to believe that, in such thoughtful men, that was from weakness or ignorance. Most likely, it is the correct conclusion of old men who have known nature, excellence, and beauty, yet were still seeking for their fulfillment. Ironically, in Venner’s words, in those men tradition slowly developed within them. Venner makes the choice starkly clear: conversion or suicide. Mock me if you will, I am just trying to save you many years of lost time, if not suicide.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Dinheiro, Dinheiro, Dinheiro


Sou muito católico. Na realidade, não interessa se é muito católico, o importante é conhecer bem a família. Somos todos iguais perante Deus, logo se vê: o cerimonial, o aprumo, as eminências embatinadas são as mesmas, tratando-se de um Cavaleiro da Ordem de São Não-sei-Quantos ou da filha de uma peixeira. Que horror, mas como poderia ser de outra forma? Cada um ao seu nível. «Na casa de Meu Pai há muitas moradas». Evidentemente, há solares, há umas moradias para esses novos-ricos detestáveis com quem vou casar os meus filhos, e há os bairros sociais para essa gente muito santa, de quem eu quero muita distância. Dinheiro, Dinheiro, Dinheiro.
Está feita a actualização do meu sistema.
Perdido nestes delírios, empreendi.
Uma das hipóteses macroeconómicas que tem, embora implicitamente, tido mais impacto na nossa vida corrente é a … Oh, o texto já vai tão longo. O que interessa é que empreendi, sou um empreendedor. Se falasse agora do que empreendi, alguém leria? Alguém tem tempo para ler? Isto não é um Relatório e Contas, e mesmo que fosse, sabe Deus – perdão, Dinheiro – quantos o leriam. 
Hugo, fizeste bem. Neste texto, perdeste-te. Já não há volta a dar. É um texto para esquecer. Para a semana falaremos então do que interessa: Dinheiro, Dinheiro, Dinheiro. 
HPdA

domingo, 5 de janeiro de 2014

Entre a Tradição e a Modernidade

(trascrição em VII partes do artigo publicado n'O Diabo, 27 de Agosto de 2013)

O papel que Dom Miguel desempenha na nossa história está ligado a esse duríssimo combate entre a Tradição e a Modernidade que assaltou o Mundo Ocidental a partir do século XVIII. Esse assalto prende-se, contudo, à destruição da unidade do mundo cristão iniciado pela Reforma Protestante do século XVI. A grande tradição europeia está povoada das lendas de grandes reis que purificaram os seus reinos após períodos turbulentos de caos e desordem: desde o Rei Artur, passando por São Fernando de Castela e São Luís de França, o grande Santo Estevão dos Húngaros ou Frederico Barba-Ruiva para os imperiais germânicos, todos estes personagens de qualidades míticas possuíam um grupo de qualidades comuns. Eram homens pios, corajosos e valentes, detentores de algum tipo de habilidade mágica (como o dom de curar) que asseverava a sua concordância com a natureza divina da sua Realeza.
A personalidade profundamente europeia desta tradição cavaleiresca está plasmada nos Nove da Fama, os modelos exemplares do ideal de cavalaria, que sintetizam as três tradições que formam a Europa: a pagã ou gentia (através de Heitor de Tróia, Alexandre Magno e Júlio César), a hebraica (através de Josué, filho de Abraão e conquistador de Canaã, David, rei de Jerusalém e Judas Macabeu, reconquistador da liberdade dos israelitas) e por fim, a cristã (Artur, rei dos Bretões e dos Cavaleiros da Távola Redonda, Carlos Magno, Primeiro Imperador do Sacro-Império e Pai da Europa, Godofredo de Bulhão, cruzado e Guardião do Santo Sepulcro).

A reforma protestante e mais tarde a ruptura iluminista, especialmente na sua vertente revolucionária, deitam por terra esta cultura conjunta, criando uma nova religião social sobre as ruínas da antiga ordem: o Liberalismo, posteriormente os seus sucedâneos Capitalismo e Socialismo. O mundo da Tradição não é, contudo, derrotado facilmente, e através dos seus paladinos, entre os quais se conta em posição de relevo Dom Miguel, resiste.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Um Imenso Portvgal

Império Lusitano soube usar liberdade das elites locais e religião missionária para manter-se por cinco séculos, artigo de Carlos Haag


Essa foi uma das principais razões do sucesso dos portugueses em face dos rivais espanhóis. “A monarquia espanhola era uma variedade de reinos, enquanto Portugal era um reino unificado. Foram feitos grandes esforços para aumentar o poder do Estado a expensas da nobreza e das comunas. Esses recursos ajudaram na expansão marítima que, por sua vez, deixou o reino menos dependente de nobres e plebeus graças aos recursos obtidos.
Em troca, esses recursos permitiram ao Estado cooptar a nobreza, o que propiciou ao rei português uma consolidação espantosa do seu poder”, explica a historiadora Ana Paula Megiani, da USP, organizadora de O império por escrito (Alameda), outra pesquisadora do projeto.“Com essa centralidade, a monarquia portuguesa tinha uma capacidade de mando no império maior do que a espanhola, com o poder local funcionando como formas de exercício daquele poder, expressões de centralidade, e não de desmembramento do império”, avalia Ana. 
Ainda assim Portugal vivia uma contradição que os espanhóis não tinham: era um império sem imperador.“Nesse contexto, a face religiosa do império é a que melhor expressa a sua universalidade.
A Igreja ofereceu um substrato adequado à efetivação prática de um grupo de dogmas e princípios, tendo nas missões religiosas o seu principal instrumento operacional para cimentar as partes da totalidade”, afirma o historiador Adone Agnolin, da USP, do núcleo Religião e Evangelização da pesquisa. “A perspectiva religiosa traz a base de uma universalitas (princípio construtor de impérios herdado dos romanos), repassada, do ponto de vista político, à manutenção dos impérios, mas que, no fundo, se apoia sobre a ideia de um ‘império simbólico, unindo política e religião”, fala Agnolin.
Segundo o historiador, por meio de seus missionários, o Império Português reverte o processo de formação histórica ao encontrar seu pressuposto universal na dimensão do religioso. “O religioso é seu instrumento privilegiado para a realização do projeto e, a partir dele, Portugal se propõe como novo e inédito modelo imperial”, diz.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Dom Miguel Primeiro de Portugal e o Reforjar da Espada

(transcrição em VII partes do artigo publicado n'O Diabo, 27 de Agosto de 2013)

O nome do arcanjo Miguel, padroeiro da Legitimidade, foi despreocupadamente dado ao sétimo filho do príncipe-regente D. João e de sua mulher, a princesa Carlota Joaquina. No entanto, com o passar dos anos, o destino deste jovem infante tornou-se inegavelmente ligado ao conteúdo profético desse mesmo nome. O Calvário da Legitimidade será personificado por este rei português de forma exemplar, equiparando-o aos outros Monarcas Malditos da História Europeia, como Carlos Stuart para os Jacobitas Escoceses, Dom Carlos de Borbón para os Carlistas Espanhóis e o Conde de Chambord para os Legitimistas Franceses.

“Fazei por aplacar um Deus irado
Lembrai-lhe o cumprimento da Promessa.
Que em Ourique vos fez crucificado.”

Soneto evocativo de D. Afonso Henriques aquando da visita de D. Miguel ao túmulo do primeiro rei.



Rei Tradicionalista ou Cruel Usurpador, Dom Miguel posiciona-se na História de Portugal como um dos reis mais controversos, sem dúvida aquele que mais ódios e paixões despertou na nossa complicada Era Contemporânea. Símbolo do Portugal Profundo e Católico que o Liberalismo temeu e hostilizou, a sua figura carismática fez sombra à popularidade dos Reis Constitucionais, privando-os da simpatia do povo na mesma medida em que a tinham gozado dos seus antecessores. Conta-se que aquando da visita de Dom Pedro V ao Santuário de Nossa Senhora da Rocha, imagem que era alvo particular da devoção miguelista, este havia-se cruzado com uma velhinha que lhe dissera que, embora nutrissem todos os locais de muito carinho por esse rei querido, de quem eles sentiam falta era daquele que lhes fora tirado, aquele que se fora embora. A ameaça do ressurgimento miguelista durou muito depois do exílio de Dom Miguel do território nacional, mantendo-se os seus partidários (o Partido Legitimista) em actividade política activa até meados de metade do século XX.

By the bonnie bonnie banks o' Loch Lomond

Impregnada do carinho próprio da cultura escocesa, "Loch Lomond" é uma antiga música ligada ao amor de uma mulher (Moira) pelo seu falecido esposo (Donald), morto em batalha pela Causa do Príncipe Carlos Stuart.
No refrão ouvimos o lamento de Moira, que chora o seu marido, que caminha pela Estrada de Cima (High Road, o Céu, onde descansam as almas dos bons e os puros), enquanto ela permanece na Estrada de Baixo, entre os mortais. Confronta-nos assim Moira com a crueldade do seu destino: ela percorrerá o seu caminho entre os vivos, longe do seu terno esposo.

Talvez se voltem a encontrar, um dia, nas margens de Loch Lomond.






O wither away my bonnie May (which direction) 
Sae late an' sae far in the gloamin' (so far in the dusk) 
The mist gather grey o'er moorland and brae (hill) 
O wither sae far are ye roamin'?

Chorus:

O ye'll tak the high road an' I'll tak the low 
I'll be in Scotland afore ye 
For me and my true love will never meet again 
By the bonnie bonnie banks o' Loch Lomond

O well may I weep for yestreen in my sleep (well) (yesterday) 
We stood bride and bridegroom together 
But his arms and his breath were as cold as the death 
And his heart's blood ran red in the heather
I trusted my ain love last night in the broom (own) (bush) 
My Donald wha' loves me sae dearly 
For the morrow he will march for Edinburgh toon (town) 
Tae fecht for his King and Prince Charlie (to fight)


(chorus)

As dauntless in battle as tender in love 
He'd yield ne'er a foor toe the foeman (enemy) 
But never again frae the field o' the slain (from) 
Tae his Moira will he come by Loch Lomond
The thistle may bloom, the King hae his ain (have his own) 
And fond lovers may meet in the gloamin' 
And me and my true love will yet meet again 
Far above the bonnie banks of Loch Lomond

(chorus)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Our Unknown GrandFathers

Portuguese and Basques do not show the Mediterranean A33-B14-DR1 haplotype, suggesting a lower admixture with Mediterraneans; Spaniards and Algerians do have this haplotype in a relatively high frequency, indicating a more extensive Mediterranean genetic influence. The paleo-North African haplotype A30-B18-DR3 present in Basques, Algerians, and Spaniards is not found in Portuguese either. The Portuguese have a characteristic unique among world populations: a high frequency of HLA-A25-B18-DR15 and A26-B38-DR13, which may reflect a still detectable founder effect coming from ancient Portuguese, i.e., oestrimnios and conios

Relatedness among Basques, Portuguese, Spaniards, and Algerians studied by HLA allelic frequencies and haplotypes.

um Nelson Mandela europeu


Das coisas mais inteligentes que li sobre o Mandela é este trecho de Arthur Kemp, citado por Flávio Gonçalves no Semanário "O Diabo", 21 de Dezembro de 2013:

 "o ANC recorreu à violência e, sim, também ao terrorismo mas só após cinco décadas de tentativas pacíficas para acabar com o governo branco (...) chegou a altura de ser completamente honesto acerca disto: fosse eu um preto na África do Sul de pré-1994, teria apoiado o ANC bem como o combate armado. Tal como o teriam feito todos os meus amigos "de direita" na África do Sul - se fossem pretos. 
Sei que o ANC cometeu muitas atrocidades no decorrer da sua 'luta armada'. Mas sei também, por experiência no decorrer dos meus quatro anos de serviço (...) que o Estado era também ele dado à violência. Era um ciclo de violência, com um ultraje a alimentar o próximo numa espiral crescente. 
Mas à parte disto: o verdadeiro significado de Mandela foi ser um homem que se dedicou por completo à libertação do seu povo a qualquer custo, que se manteve fiel à sua crença e nunca vacilou. Embora pessoalmente possamos não gostar da sua ideologia nem do que foi feito em seu nome (...), o desejo dos africanos quererem governar-se nas suas próprias nações, livres do jugo branco, como personificado na vida de Mandela, na realidade justifica a exigência dos europeus se governarem a si mesmos nas suas nações. 
Pensem nisso. Em vez de condenarem os africanos por quererem governar-se, os activistas pró-europeus deviam aceitar quão errada foi a colonização do Terceiro Mundo por parte dos europeus e, como tal, ser igualmente errada a colonização das terras europeias por parte do Terceiro Mundo. 
Em vez de condenarem os africanos por terem feito aquilo que qualquer povo sadio faria, os 'direitistas' deviam abandonar a sua bafienta, cansada e velha retórica e, em vez desta, procurar um 'Nelson Mandela europeu' que os desvie da via da extinção em que se encontram."

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Sombras Sagradas


El reaccionario no es el soñador nostálgico de pasados abolidos, sino el cazador de sombras sagradas sobre las colinas eternas.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Estado Confessional e a Monarquia Constitucional



Quando a propaganda Republicana afirma que a Monarquia Constitucional falhou em separar a Igreja e o Estado, fala com rara, quase inédita, razão. Infelizmente para eles, essa razão não caminha no sentido que pretendem.
A encíclica "Rerum Novarum", que dá corpo à Doutrina Social da Igreja, foi entregue pelo Papa Leão XIII à comunidade católica em 1891. O governo português, que de toda a herança dos tempos do Absolutismo manteve, oportunamente, o beneplácito régio (antigo costume jurídico que fazia depender de autorização régia a publicação e circulação de documentos pontifícios em Portugal), optou por reter o beneplácito necessário à publicação do documento até depois de 1892. O conteúdo de interesse social desse documento revolucionário, especialmente na sua atenção ao direito de associação dos trabalhadores, opunha-se à doutrina liberal e aos interesses económicos dos poderes que sustentavam o regime constitucional.
Da mesma maneira, em 1884, é lançada a "Humanum Genus" pelo mesmo Papa, contra as sociedades secretas, resolvendo o governo da Monarquia "Fidelíssima" não permitir a sua circulação de todo, admoestando aqueles que a divulgassem, como aconteceu com D. Tomaz Gomes de Almeida, bispo da Guarda. Era este o Estado Confessional deposto em 1910.
Não admira pois que a maioria do País Católico não tivesse levantado uma palha em prol da defunta e decadente Monarquia do trapo azul e branco. A República seria um Inimigo, mas um inimigo visível e de intenções claras e sobejamente conhecidas. Não valia a pena, de todo, para a hierarquia da Igreja Católica gastar energias a trocar este novo obstáculo pelo cancro parasitário da Monarquia Constitucional.

A minha Lista de blogues

Seguidores

Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha foto
"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves