sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ritmo e vida quotidiana

Existe um tempo para tudo,
um tempo para construir,
um tempo para destruir,
um tempo para chorar,
um tempo para rir,
um tempo para procurar,
um tempo para perder,
um para se estar em silêncio e um tempo para falar...


Eclesiastes

Homenagem

Em sua honra
No seu dia

Pe. Joaquim dos Santos nasceu a 13 de Abril de 1936

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Monarquia e os Jovens

Recentemente uma jornalista do JPN entrevistou-me, e a outros jovens estudantes, para um artigo sobre a monarquia entre os jovens. Os resultados estão à vista aqui e aqui, com a ressalva que é afirmado num desses artigo que conclui a minha licenciatura em Direito, o que não é verdade.

Coloco aqui na íntegra no blogue as minhas respostas.


- Como e quando entrou em contato com a causa monárquica?

O primeiro contacto com a ideia monárquica costuma ser dado em casa. No meu caso, apesar de conhecer alguns antecedentes familiares monárquicos, o meu primeiro contacto com a monarquia, de um ponto de vista intelectual e teórico, deu-se no meu primeiro ano de Direito, no seguimento do estudo de Ciência Política. No entanto, o meu pensamento monárquico só começou a conhecer uma deriva "pouco comum" a partir da leitura do livro de Erik Kuenhelt-Leddihn, "Liberty or Equality".

- O que o atraiu na Monarquia, e porque é que considera que seria uma melhor forma de governo?

O que atrai na monarquia é o facto de, ao contrário de todas as restantes formas de governo, fazer sentido. É mais fácil explicar a uma criança o dever de honra, fidelidade e amor a uma figura paternal como o rei do que ensinar o mesmo tipo de sentimentos por um órgão de soberania eleito com determinada regularidade, seja esse órgão composto por um presidente ou por um "palramento". É claro que a contra-argumentação passa por dois pontos essenciais: há aqueles que são plenamente contrários à paternalidade, e exigem o total relativismo e impessoalidade das relações políticas (e até familiares!), como se a constituição política de uma nação fosse apenas o compêndio da vontade das gerações cotemporâneas. Com esses não há discussão possível, pois o ponto de discórdia é uma questão de princípios morais. A outra contra-argumentação surge da possibilidade de o Rei não estar à altura dos seus deveres políticos "paternalistas". Ora, da mesma maneira que não existem pais e mães perfeitos, não existem soberanos perfeitos. É o fundamento moral da monarquia que a justifica: o amor filial que temos ao nosso país surge assim com uma representação pessoal, familiar e típica do quadro de valores que a maioria da população, por circunstâncias históricas e humanas, partilha.

- Tens muitos amigos monárquicos, ou nem por isso? Como reagem os outros colegas ao facto de ser monárquico? Compreendem a sua opção?

É mais fácil para um monárquico ter inimigos monárquicos do que amigos monárquicos. Uma vez que os chamados "monárquicos" e as "causas monárquicas" são receptáculos de frustrações e ambições desmedidas de alguns meninos das classes altas, o ambiente habitual nesses lupanares raramente é coisa saudável para a criação de uma teoria intelectual portuguesa, popular e coesa. O crescimento actual das Reais Associações deve-se apenas ao actual mal estar nacional, económico e social, que consegue forçar o típico "monárquico" a engolir alguma das suas "manias" e a juntar-se em comunidade com outros como ele. No entanto, o número de tradicionalistas entre as hostes monárquicas tem vindo a aumentar, com um crescimento muito pequeno mas sustentável.
Em relação à segunda pergunta, as reacções não são muito díspares: ou ignoram, ou se opõem. Já tive de me afastar de um evento devido ao facto de a presença de um "monárquico reaça" os incomodar mais do que a presença de um comunista.

- Como é que imagina um Portugal monárquico? Era possível a implantação de um regime monárquico actualmente em Portugal? De que forma seria útil para resolver a crise económica, política e social que o País atravessa?

Não imagino Portugal de outra forma sem ser monárquico. De tal forma é assim, que o que existe hoje é a República Portuguesa e não Portugal. A implantação de um regime monárquico é tão possível quando a implantação de um regime parlamentar, presidencialista ou tribalista. Com a propaganda certa, com o apoio do exército e da conjuntura económica tudo se faz. Pode ser instaurado um regime monárquico em Portugal com o acordo das restantes potências mundiais, basta querer e querer com muita força. É claro que isso não resolverá, de maneira nenhuma, os problemas do país. Esses problemas não são meramente económicos ou sociais. Há toda uma recuperação do espírito português que tem de renascer e fortalecer, e a consequência de se ensinar à Pátria aquilo que ela significa é a monarquia. Ao contrário dos constitucionalistas, não vejo a monarquia como o fim do problema em que vivemos, mas como o fim da solução que precisamos.

- Está a ponderar apenas apoiar a ideologia ou intervir ativamente num futuro próximo?

Não pretendo fazer nada em prol da restauração da Monarquia porque o país não está preparado para uma Monarquia. Trocar o Presidente da República por um Corta-Fitas honorário e hereditário (nem se pode dizer hereditário quando a sucessão do rei depende, exclusivamente, de uma lei sucessória disponível a alterações pelo Parlamento) não é restaurar a Monarquia. Aquilo que eu pretendo fazer, e aconselho que outros monárquicos como eu o façam, é que se apliquem nas suas áreas de estudo, sejam bons profissionais e procurem pelo exemplo dar a este país aquilo que ele precisa. Questões de Coroas e Princesas são claramente secundárias quando estamos perante um país a viver num completo interregno histórico, sem "rei nem lei, nem paz nem guerra".

terça-feira, 10 de abril de 2012

Se um dia ficares triste, dir-te-ei estas palavras
dir-te-ei da forma que nunca mais irei dizer tal fogacho de forma tão intensa
tão rebuscada e tão cósmica
de tal virilidade será depositária outra pessoa, outra alma.

Se um dia ficares triste, dir-te-ei estas palavras
se me concederes o privilégio de figurar na tua memória momentânea
toldado estará o espírito de te ver lacrimejar furiosa
rancorosa com o Mundo que eu não conheço

Se um dia ficares triste, dir-te-ei estas palavras
num local que me foi dado a conhecer no Novo Mundo por vós
que de vós eu tomei a liberdade de ficar triste
pois que os amigos ficam assim

Se um dia trocares tristeza por beleza
eu vou pedir um instantâneo Isabelino
irei fazer uma festa dantesca
falarei até me rir

Se um dia eu ficar triste
irei lembrar-me dos meus amigos
e ficarei de memória falado
das palavras que te disse.

sábado, 7 de abril de 2012

Páscoa

É ilusório pensar que, tendo pela frente uma razão débil, a fé goze de maior incidência; pelo contrário, cai no grave perigo de ser reduzida a um mito ou superstição. Da mesma maneira, uma razão que não tenha pela frente uma fé adulta não é estimulada a fixar o olhar sobre a novidade e a radicalidade do ser. À luz disto, creio justificado o meu apelo veemente e incisivo para que a fé e a filosofia recuperem aquela unidade profunda que as tornem capazes de serem coerentes com a sua natureza, no respeito da recíproca autonomia. Ao desassombro da fé deve corresponder a audácia da razão.

Sumo Pontífice João Paulo II

Encíclica Fides et Ratio

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O processo de Bolonha e o Acordo Ortográfico aplicados à vida:

Faça você mesmo!

O meu nome é
Tenho anos de idade
Sou actor em várias coisas no presente momento, tais como para , e .
Daqui a alguns anos prevejo estar em humildade a e a em .
Enquanto esse período não chega
e se entretanto alguém ...ar/...er/ o tempo que resta,
estarei disposto a e a em .

Assinado:

a b c d

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A Verdade na Poesia

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que vazios são maiores
e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira.

Com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagebs com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

o menino fazia prodígos.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos.

Manoel de Barros

domingo, 1 de abril de 2012

Princípio do Provocatório IX

Qual a relação da sua música com os movimentos políticos, ou antes, qual o significado político da sua música?

- Tenho o conceito político de Platão. Vivemos numa sociedade constituída por seres humanos, mas também por seres organizados de determinada forma. De maneira orgânica, com identidades precisas. Mais do que nunca, a música que eu faço permite uma nova visão do mundo, de um possível entendimento colectivo e individual, o que é desconhecido na vida política. As pessoas que vejam Licht receberão uma mensagem política, através de um nível puramente musical. Quer Platão, quer Tomás de Aquino sabiam da importância da Música na política. Por todo o lado só ouvimos palavras ocas, a demagogia, a propaganda verbal, com os slogans do poder.
Shostakovitch, depois de ter ouvido em Moscovo a parte inicial de Licht, disse-me: "A sua música é a Paz, é a concertação dos povos".
Os partidos políticos, a meu ver, deviam deixar de existir, dividem as pessoas e guiam-nas para a luta ideológica. Todas as pessoas de classes, raças e povos estão representadas na minha música.
Há dias, eu votei por carta na minha aldeia, com cujos habitantes estabeleço a mais cordial relação. Mas eu pergunto, por que é que o meu voto tem o mesmo valor que o deles? Eles querem ter um carro, fartarem-se de comer, menos trabalho, e eu quero o contrário: não quero um carro, quero comer frugalmente e sem carne, quero trabalhar mais e mais. É impossível, é ridículo... devia desaparecer a Guerra.

1991


Entrevista realizada por Jorge Lima Barreto a Karlheinz Stockhausen
in Musonautas (2001) Editora Campo das Letras

Convite a Concerto (IV)

4 de Abril
21:30h
Braga
Museu Nogueira da Silva
Música inspirada no tempo de Quaresma

Joaquim Gonçalves dos Santos: Nos 75 anos do nascimento, nos 5 anos da obra Impressões Bíblicas “Servite Domino in Lætitia”


Joaquim Gonçalves dos Santos
Impressões Bíblicas “Servite Domino in Lætitia” | Moimenta - Cabeceiras de Basto, 11/02/2007
Dedicadas ao organista, pianista e cravista italiano Giampaolo di Rosa

Leitura do texto sagrado Salmo 1
"Salmo 1": Meditação sobre o destino dos bons e dos maus.
(Justorum sors bona; Impiorum mala)
Largo espressivo / Andante grazioso / Adagio Patetico

Leitura do texto sagrado Salmo 132
"Salmo 132": Breve canto ao amor fraterno. A união fraterna é bênção de Deus e é vida.
(Concordiæ fratrum jucunditas)
Andante tranquillo / Andante mosso

Leitura do texto sagrado Salmo 99
"Salmo 99": Hino processional. O Povo de Deus responde ao coro:
- O Senhor é bom,
a Sua misericórdia é eterna.
(Jubilate Deo, omnis terra; Servite Domino in lætitia)
Andante grazioso / Più mosso / Meno mosso

Joaquim Gonçalves dos Santos
Prologus, 6 Impressões musicais do Evangelho de São João | Moimenta - Cabeceiras de Basto, Natal 2001
Dedicadas à pianista Ana Isabel Telles Antunes

In principio erat Verbum - No princípio era o Verbo: Maestoso e Solene
Omnia per ipsum sunt - E todas as coisas por Ele foram feitas: Poco Andante
In ipso vita erat - E n'Ele está a vida: Allegretto
Erat lux vera - E [o Verbo] era luz verdadeira: Ricercare
Et Verbum caro factum est - E o Verbo fez-se carne: Misterioso e Grave
Et Vidimus Gloriam eius - E vimos a Sua Glória: Allegro Vibrante

Frederico de Freitas - 6 peças para piano - 1940-1943
Peça IV: "Avezinha caída"
Molto adagio

João de Deus
Poema "Hino ao Amor"

Miguel Torga
Poema "Prece"

Estado da Música

Pergunta-se-me qual é a minha previsão sobre a música no Ano 2000.
(...)
Que sei eu? Muito possivelmente, tão-só aquilo que os homens quiserem que ela seja, visto que, em última análise, são eles, os homens, que a fazem e é para eles que a fazem. A menos que os homens do Ano 2000 entendam que não vale mais a pena fazer música (já hoje, neste ano da graça de 1966, há tanta alminha para quem ela não tem a mínima significação, que muito bem sem ela passa...). Ou entendam que a música é uma arte que, embora gloriosa na sua história, passou... à história. Ou que , enfim, à música por eles mesmos feitos prefiram a velhíssima música das esferas, ou a novíssima música dos robots... Mas se ela, música, continuar a ser uma necessidade para esses homens do Ano 2000, natural será que eles a façam à sua imagem e semelhança, à imagem e semelhança dos seus sonhos, dos seus pensamentos, dos seus desesperos, das suas alegrias - se sonhos, pensamentos, desesperos e alegrias continuarem a ser o vero cerne do que no homem o torna verdadeiramente homem. E também de acordo com aquilo que sempre condicionou, estimulou ou renovou o processo artístico: o contexto social e o contexto técnico do momento.
E, assim, essa música do Ano 2000 será (...) muito naturalmente uma muito natural continuação da música do seu irmão barbado, o Ano 1000, contado este até às 0 horas do dia 31 de Dezembro de 1999. E como o trânsito de um milénio para o outro só será real no calendário e nas imaginações - pois que ao Tempo, contínuo na sua essência, tal trânsito é completamente indiferente - provável será também que, no dia 1 de Janeiro de 2000, a situação não difira grandemente da situação em que ela se achava na véspera. Provável ainda é que a música não seja una mas múltipla, isto é, como a dos Anos 1000, vária nos seus aspectos e manifestações, aos dodecafonistas, aos serialistas (ou o que então lhes equivala) opondo-se os tonalistas (ou o que então se entender por tal), os «concretos», os electrónicos, os aleatórios (a vingarem, e por que não?, estes modos de compor) fazendo negaças aos outros (como chamar-lhes? tradicionalistas?), aos que não seguem ou combatem esses modos de compor e a quem eles, os «concretos», os electrónicos, os aleatórios, chamarão possivelmente reaccionários, os compositores repartidos, como os seus pais e avós, em ala esquerda e ala direita, com um infalível centro, para garantia do equilíbrio e da estabilidade do mundo e das consciências... O pior é se aparecem, reincarnados, uns perigosos agitadores que se chamaram, por exemplo, Machaut, Gesualdo, Monteverdi, Rameau, Beethoven, Wagner, Debussy, Schönberg, Stravinsky ou Xenakis...
Então, adeus equilíbrio e estabilidade. Mas também se esses agitadores não voltarem, eles ou outros dos que são verdadeiramente o sal e o fermento da arte, poder-se-á conseiderar que a Música dos Anos 2000 é ainda, na realidade, uma entidade viva, dinâmica e prospectiva?

1966


A música no ano 2000, de Fernando Lopes-Graça
in Nossa Companheira Música, da colecção Obras Literárias, pela Editora Caminho

sábado, 31 de março de 2012

Regresso ao presente

Se a minha mãe gosta do meu pai, isso está correcto, certo?
Mas se meu pai adora a minha mãe, aquilo está perto?

Tomei a liberdade de dar valor à vida, a de juntar pedaços de tolice com framboesa, a de brincar com compotas - ou seriam geleias de morango?
Esta dúvida que se me assalta assemelha-se de tal forma à prisão em que a alma encarcera o postigo, ¡maldito!, quando, a propósito da música, tento descobrir quem toca uma sonata de Beethoven.
Fujo, meu espírito já ali não está, a única forma de se saber que ali estive, numa cadeira da mesa da cozinha, sem luz mas com reflexos cristalinos de um luar Isabelino, serão as marcas deixadas por mim no meu corpo: a cabeça poisada: "a mão sustenta, em que se apoia o rosto"; " O rosto com que fita".
"Solidão portátil" bem presente naquele homem que me conhece tão bem, três dedos tapam o olho sinistro, os outros dois, destros, sobem a cana do encavalitado nariz aquilino. Pose tipicamente Mafaldesca, ouve pela rádio Brendel interpretar duas sonatas Opus 49 de Beethoven. Que carácter, que nobreza, que vivacidade. Sonatas simples, tempos fluentes. Como é tão bom...
Assim foi (onde estou?), num jardim, (como foi?), perdidos estávamos do tempo (já cheguei?); tomaremos conta do tempo - o tempo que o tempo tem.
Nisto, imprevisível como sempre e doce como nunca, a mulher do meu melhor amigo solta uma risada que nos faz rir e rir e rir e chorar de tanto rir, mesmo aquela amiga comum que dilui o tempo em fórmulas de cianeto, corrompendo a sua alma até dela nada restar que um passo de dança.
- Anda jogar à bola connosco, mesmo com garrafas d'água ou latas de sumos. Vamos lá atingir o Nirvana jogando matrecos sem bola. As leituras que se danem, a primazia deve-se aos amigos.
Que as pautas da vida se reabram, que as melodias se revelem.
Que os pássaros se revoltem.
Que as pessoas se toquem.
Que o rio nos sufoque.
Que a cultura nos provoque.

«Se tudo isto não tivesse acontecido, meus pais não se teriam conhecido.»

E [o Verbo] fez-se carne.

sábado, 24 de março de 2012

I - CORPORATIVISMO Y SOBERANIA SOCIAL - Vásquez de Mella

La autonomía de la sociedad y el poder del Estado.

Si este régimen sucumbe, si cae, si se desmorona, es necesario sustituirlo, pues no basta la crítica meramente negativa; ningún sistema se destruye si no se le opone el sistema contrario. Yo creo que este sistema contrario es el que está en el fondo de la Constitución interna de todas las regiones; es nuestra Constitución histórica; es la de todas las regiones españolas que tenían entre sí una solidaridad estrecha, cuando se formaron espontáneamente en la Historia, y no por decretos ni pragmáticas de reyes, sino surgiendo de las entrañas de la sociedad misma. Observad que las antiguas instituciones no tienen fecha fija en su aparición; cuando aparecen, cuando oficialmente se las conoce, llevaban ya siglos de existencia, estaban enterradas en las entrañas de un pueblo. Vosotros podéis decir: en tal fecha se celebraron las primeras Cortes Catalanas; otros dirán: en tal fecha se celebraron las primeras Cortes de Castilla. ¡Sí! Pero los elementos sociales que las constituían, las fuerzas sociales que las integraban, venían de lejos. Se puede señalar la época de la aparición de los gremios y municipios; pero estos gremios y municipios tenían gérmenes mucho más antiguos. Lo mismo sucede con las lenguas romances: podéis señalar el primer documento, y así me hablaréis del Poema del Cid, o de la Vida de Sta María Egipcíaca, para la castellana; del Desconhort, de Raimundo Lulio, para la catalana; pero la lengua existía ya, se hablaba antes; y es que ésas instituciones históricas, nacidas de las entrañas del pueblo, de la verdadera soberanía popular, que se manifestaba en las costumbres, con las que ha acabado el centralismo moderno, nacían, como las fuentes, de una roca; y, a veces, no son más que unas gotas de agua que se van filtrando por un poco de musgo; después, el hilo de agua crece con otros que se agregan, y poco a poco se va formando el arroyo, que se convierte en torrente, y el torrente en río impetuoso, que marca su curso en el mar. De esta manera nacen las instituciones históricas; no trazadas en un cuadernillo constitucional y copiadas de otros cuadernillos constitucionales de otros pueblos, como un hecho social que hay que respetar, y no se puede sujetar a los caprichos de los hombres públicos.
Fijaos bien que entonces las Cortes de Cataluña, las Cortes de Navarra, las de León, las de Castilla, los Estados Generales de Francia, el Parlamento inglés, las Dietas de Alemania, de Polonia, de Hungría, tienen en la Edad Media una relación más íntima, una semejanza histórica más estrecha, que la que tienen en los momentos actuales las diferentes formas parlamentarias de los pueblos europeos; porque no se copiaron unos a otros; se copiaron de un fondo común: de la misma soberanía social que pusieron en ellos la Iglesia y la costumbre. Y hay que volver a aquel concepto de la soberanía que entonces se manifestó y que yo he designado con el nombre de soberanía social, como diferente de la soberanía política. Todo el régimen moderno está fundado en la unificación de la soberanía; y esa unificación, al hacerla exclusivamente política, al designarle una sola fuente, que es la multitud, la soberanía popular, ha venido a establecer ese inmenso centralismo que todavía quiere agrandar el colectivismo actual.
Esa unificación de la soberanía es la causa y el cimiento del régimen parlamentario, y la diferenciación de las dos, el verdadero régimen representativo. Si no existe más que una sola soberanía, que emana de la muchedumbre, y lleva a la cumbre el Estado, del Estado descenderá en forma de una inmensa jerarquía de delegados y funcionarios. Y si existe una soberanía social que emerge de la familia y que, por una escala gradual de necesidades. produce el municipio y, por otra escala análoga, engendra, por la federación de los municipios, la comarca, y después, por la federación de éstas, la región; esa soberanía social limitará la soberanía política, que solo existe como una necesidad colectiva de orden y de dirección para todo lo que es común, pero nada más que para lo que es común y de conjunto. Y entonces sucederá que, en frente de la soberanía puramente política, estará la jerarquía social; ya no estará la jerarquía de delegados y de funcionarios que desciende desde la cumbre hasta los últimos límites sociales. Habrá una jerarquía ascendente de personas colectivas, enlazadas por clases y categorías distintas, que, saliendo de la familia, se levantarán hasta el Estado, que no tendrá a su cargo más que la dirección del conjunto. Así veríamos que los límites del Poder no se basan en la división interior del Poder mismo. Los límites son externos, como lo son todos los límites; allí donde empieza una independencia, terminarán los límites de una cosa; serán orgánicos y externos y no será la división artificial de ese Poder separado en fracciones opuestas unas a otras.

Váquez de Mella, Antología - Selección de Rafael Gambra

quarta-feira, 21 de março de 2012

A Verdade na Poesia

Abdicação

Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho... eu sou um rei
Que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.

Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços

Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.

Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'
Soneto publicado no nº9 de Fevereiro de 1920 na revista "Ressureição", dirigida por José Gomes Ferreira

domingo, 18 de março de 2012

Regresso ao presente II

Caritas Patriae Patrocinium Aequitatis Amor Libertatis


Por alturas de românticas romãs, almofadas desprovidas de conforto mas cheias de riso e de um savoir-faire bem feminino, envoltas em lençóis de uma cama que, aparentemente, seria pequena demais, foi (re)descoberta uma inscrição deveras interessante, reveladora de todo um leque de sentimentos irreversíveis e de um imperativo folgar de abrasadores e repenicados beijares, que passo a (in)citar:

A rosa para ser rosa
Há-de ser d'Alexandria.
E a mulher p'ra ser formosa
Deve chamar-se Maria.

"é rigorosamente verdade"
pois
"sou rigorosamente rapariga".

Almofadas em leque, co(r)pos em cheque,
Choque de tertúlias, castelos de arlequins,
Prendadas;
Foque a sua atenção,

pela nossa amabilidade, cantabilidade, musicalidade, fogacidade...

Fogachos...
Costados adornados

Adocicados, teus olhares
públicos, teus desejos

Feliz.

In Quoquis pie moriens aeternum non patietur incendium

terça-feira, 13 de março de 2012

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves