
D. Miguel I, O Tradicionalista
Queluz, 26.10.1802 — Bronnbach, 14.11.1866
Reinado: 1828 — 1834
Agradecido ao ESF, por sempre recordar as datas importantes.
"Il n'existe que trois êtres respectables: le prêtre, le guerrier, le poète. Savoir, tuer et créer" - Baudelaire

In order to come to symbolic comprehension of the Catholic-Protestant antithesis one must compare two paintings: the Birth of Venus by Botticelli and American Gothic by Grant Wood. The Birth of Venus follows a pagan pattern, but every sensitive person will perceive that this is a Christian Venus, surrounded by a hardly perceptible glow of sensuality, yet expressing a real synthesis of Eros and Agape, earthly and divine love. She is a "baptized" Venus. The painting of Grant Wood shows us a very Protestant American farmer and his wife with a white, Gothic wooden church in the background.The man holds in his hand a pitchfork with painfully pointed prongs. His balding pate, his thin lips, his clean spectacles no less than his prim and severe wife at his side frightened no less a man than Albert Jay Nock.The outcry of bigots which could be heard at the end of the 19th century that the Democratic Party in New York stood for "Rum, Romanism and Rebellion" was somehow not without substance when we translate this accusation with "Joie de vivre, Catholicism and Individualism." To our ears, at least, the reverse — "Prohibition, Protestantism and Prostration" — hardly sounds more attractive.This is by no means an "original theory", but a thesis alluded to by D. H. Lawrence and Everett Dean Martin, who emphasized the fact that Americans have tried to flee the Middle Ages, but never "thought themselves out of them."
Proudhon, Du principe de federationLeft to themselves or led by their tribunes the masses never established anything. They have their face turned backwards; no tradition is formed among them; no orderly spirit, no idea which acquires the force of law. Of politics they understand nothing except the element of intrigue; of the art of governing, nothing except prodigality and force; of justice, nothing but mere indictment; of liberty, nothing but the ability to set up idols which are smashed the next morning. The advent of democracy starts an era of retrogression which will ensure the death of the nation and the State . . . .
Nesta altura, estamos em condições de indicar, num simples resumo, o que separa e o que aproxima a Contra-Revolução do Fascismo.As afinidades positivas e negativas são bem patentes. Acentuação do valor superior do Estado face ao indivíduo, afirmação do Absoluto, corporativismo, culto do Poder pessoal, anti-relativismo, anti-liberalismo, anti-democratismo, anti-marxismo.No entanto a Contra-Revolução e o Fascismo contrapõem-se nos seguintes tópicos.A Contra-Revolução é conservadora, o Fascismo é revolucionário.A Contra-Revolução aceita a esfera do privado, em geral, e a propriedade privada em especial, o Fascismo não admite em tese uma esfera puramente privada e tem tendências socializantes.Por outro lado, a Contra-Revolução firma-se num Absoluto transcendente, o Fascismo concebe o Absoluto como imanente-transcendente.A Contra-Revolução e o Fascismo possuem um entendimento diferente do Corporativismo e da supremacia do Estado sobre o indivíduo ou pessoa humana. A Contra-Revolução limita-se a subordinar o indivíduo ao Estado e submete-o, bem como ao Estado, à Igreja. O Fascismo visa a identificação do indivíduo ao Estado acima do qual nada vê.Numa palavra: Fascismo e Contra-Revolução são universalistas, o Fascismo de um universalismo totalitário, a Contra-Revolução de um universalismo católico-tradicionalista.– António José De Brito in Para a Compreensão do Pensamento Contra-Revolucionário: Alfredo Pimenta, António Sardinha, Charles Maurras, Salazar.
Note-se que quando digo "barbárie" não quero significar apenas o tumulto asselvajado nas ruas, vulgarmente conhecido como "revolução". A revolução é apenas uma barbárie decorrente, uma prossecução, senão fatal, seguramente lógica. Não: é a barbárie inaugural, desencadeadora (e "legitimadora") de todas as outras, que sobremaneira alvejo e que se traduz, por exemplo, em fórmulas aparentemente assépticas como "regime de impostos". Quando este "regime de impostos" mais não camufla que um "esquema de metapredação", não há volta a dar, estamos de regresso à barbárie que só não é pura porque é sofisticada, que só não é selvagem porque é burocrática. Ora, um Estado que assim se coloca fora da civilização, porque atentador-mor contra a vida dos próprios povos, é um mecanismo pária, hipertrofiado e insaciável que, tanto quanto justifica, convoca à legítima defesa. Até porque um Estado que assim age não serve os interesses da sua própria comunidade nacional, mas os meros apetites de partes corruptas dela, bem como as estratégias de potências externas. Como se procede à legítima defesa? Fazendo uma revolução? A revolução é só o culminar da acção desagregadora do Estado. Chamar-lhe solução para o problema é o mesmo que confundir o colapso final dum organismo com o remédio santo da sua cura. A verdade é que não existem remédios santos, abracadabras mágicas nem panaceias instantâneas para infecções e neoplasias cuja génese decorre há séculos. Tão pouco dispomos de ciências, ainda menos históricas, com capacidade de decifração exacta e infalível (que é como quem diz, matemática) da imensidão de factores, condicionantes e incógnitas em jogo. Não é apenas mega-iludido quem assim pensa: é criminoso. E gera, regularmente, ruínas, quando não catástrofes.
O facto é que os reinos, ao descambarem em nações, contraíram o Estado Moderno como quem contrai um cancro - daqueles em forma de necrose particularmente autofágica. De resto, o Estado e o "Mercado" não poderiam ter germinado e crescido um sem o outro (isto é, sem uma circulação desembaraçada de capitais e uma protecção proficiente e estratégica das rotas e das lógicas comerciais) . Estado e Finança são inseparáveis. Entretecem-se e reforçam-se. Afinal, sempre foi preciso financiamento para exércitos e obras públicas. Só que como o Estado em relação à Nação, também a Finança começa por servir o Estado e acaba a servir-se dele. Por outras palavras, assim como a Nação desenvolve um Estado, o Estado desenvolve uma Finança. À medida que se hipertrofia o Estado, hipertrofia-se ainda mais a Finança. Necrose com necrose se paga. Quanto mais o Estado devora a Nação, mais a Finança digere o Estado. De modo que a sujeição nanificante (e nadificante) da nação a um estado descomunal agrava-se pela subserviência deste a uma Finaça desorbitada e exorbitante. E tanto assim é, e tem sucedido, que podemos hoje em dia testemunhar o nosso próprio Portugal a ser estrangulado por um Estado que a Finança traz pela trela.
«. . . because of this ignorance of the primitiveness of their instincts, of the urgency of their needs, of the impatience of their desires, the people show a preference towards summary forms of authority. The thing they are looking for is not legal guarantees, of which they do not have any idea and whose power they do not understand; they do not care for intricate mechanisms or for checks and balances for which, on their own account, they have no use; it is a boss in whose word they confide, a leader whose intentions are known to the people and who devotes himself to its interests,that they are seeking. This chief they provide with limitless authority and irresistible power. The people, considering everything to be just which they consider useful to themselves, since they are the people, ridicule all formalities and do not impose conditional limitations on the depositories of power. Inclined towards suspicion and calumny, but incapable of methodical discussion, they believe in nothing definite save the human will. Their only hope is man. They have confidence only in their creatures: In principibus, in filis hominum. They expect nothing from principles—which alone can save them. They do not have the "religion of ideas."»