(na foto: estátua do Rei Mindaugas da Lituânia, em Vilnius)
"You know that the rulers of the Gentiles lord it over them, and the great ones make their authority over them felt. But it shall not be so among you. Rather, whoever wishes to be great among you shall be your servant; whoever wishes to be first among you shall be your slave. Just so, the Son of Man did not come to be served but to serve and give his life as a ransom for many." (Matthew 20:25-28)
"O que eu quero principalmente é que vivam felizes."
Não lhes disse talvez estas palavras, mas foi isto o que eu quis dizer. No sumário, pus assim: «Conversa amena com os rapazes». E pedi, mais que tudo, uma coisa que eu costumo pedir aos meus alunos: lealdade. Lealdade para comigo e lealdade de cada um para cada outro. Lealdade que não se limita a não enganar o professor ou o companheiro: lealdade activa, que nos leva, por exemplo, a contar abertamente os nossos pontos fracos ou a rir só quando temos vontade (e então rir mesmo, porque não é lealdade deixar então de rir) ou a não ajudar falsamente o companheiro.
«Não sou, junto de vós, mais do que um camarada um bocadinho mais velho. Sei coisas que vocês não sabem, do mesmo modo que vocês sabem coisas que eu não sei ou já me esqueci. Estou aqui para ensinar umas e aprender outras. Ensinar, não: falar delas. Aqui e no pátio e na rua e no vapor e no comboio e no jardim e onde quer que nos encontremos.»
Não acabei sem lhes fazer notar que «a aula é nossa». Que a todos cabe o direito de falar, desde que fale um de cada vez e não corte a palavra ao que está com ela.
Janeiro, 14
Como vou insistir muito na leitura, achei bom começar por uma lição teórica (conversada) sobre as conveniências de ler bem. No meu sumário (digo meu, porque cada um de nós - preveni ontem os rapazes - escreverá o seu sumário, dando assim uma notícia da sua capacidade de síntese e da atenção com que seguiu a aula) - isto é incrível, ainda mais se acontecesse nos tempos de agora - escrevi:
1 - a) A leitura e a conversa.
Como aquela se deve aproximar desta e como essa aproximação nunca passa de aproximação, do mesmo modo que aquela flor que eu pintei a óleo numa tela (...) não pode nunca confundir-se, embora perfeitíssima, com a flor modelo. Dentro da notação da diferença entre uma e outra, fi-los verificar como se não confunde uma conversa (...) improvisada, com uma entrevista (...) nitidamente lida.
b) A cor da palavras.
Há palavras alegres e há palavras tristes. E essa tristeza ou essa alegria umas vezes está nelas, outras no modo de as dizer. Assim, certa palavra pode ter muitas e até contraditórias significações, consoante o modo como é pronunciada.
(...) pronunciei «malandro» querendo exprimir (...) ódio e querendo exprimir carinho. E ainda: «Estou muito desgostado» que pode querer ou não querer dizer isto mesmo.
c) Conveniências de ler bem
Para que nos oiçam; para que nos compreendam; para que se convençam. Quem é que vai perder tempo a ouvir, na rádio, alguém que diz coisas estupendas numa leitura péssima? Mas todos ouvem com gosto o Artur Agostinho...
Quem é que compreende o que digo, se o que digo é incompreensível por incolor ou baço, apesar de significar claridade? A quem comunicarei o meu entusiasmo, se não falar entusiasmado, a minha tristeza, se parecer que estou a alegre, a minha necessidade de chegar depressa, se der a mostrar que tenho muito tempo?
Fevereiro, 18
(...)
a definição de professor como eu o vejo: «Ser professor é dar-se».
ENSINAR É AMAR.
Num tempo em que tanto se fala de mudanças na educação para "meninos" e "jovens", deixou de haver uma preocupação com aquilo que realmente importa, a meu ver: o sentimento, no final de uma aula, de que o professor se sinta realizado, com estas palavras do Poeta: Que bela lição que eu dei!
_____________
É no seu "Diário" - o 2º volume da colectânea das obras completas publicada sob a alçada das Edições Ática-Lisboa, 5ªedição - que podemos encontrar as palavras atrás transcritas do registo quotidiano das experiências enquanto estagiário do Ensino Técnico (1945) de Sebastião da Gama, Professor de Português e Poeta.
Posteriormente às palavras de Hernâni Cidade, tão bem encadeadas e bem demonstrativas da figura de extrema delicadeza e com grande apego às coisas simples e belas da vida que o foi em sua tão tenra e curta vida Sebastião da Gama, podemos encontrar um começo com estas palavras de uma exactidão e, no entanto, de tamanha leveza de espírito e gratidão pela Vida plena de espiritualidade, não daquela bacoca, mas da que se pratica todos os dias só com um olhar, uma palavra de agrado para com o outro, para com a Natureza.
"We come to theRiver"receiveditsworldpremièreattheRoyal Opera House, CoventGarden, on 12 July 1976. HansWenerHenzeproducedthe opera himself, assistedby David Pountney, andHenze's youngestbrotherJürgen, designedthescenaryand costumes.
Intheprogrammebooklet, Bond( Edward Bond, theleft-wing British playwright) andHenzejointlypublished a statementconcerningthepoliticalnatureofart:
Artisn't involvedinitself. Ifthere are H-bombsandconcentrationcampsarteitheracknowledgesthis (andmakesthesethingsitssubject, literallyoranalytically) oritdeliberatelyturnsitsbackonthemandsofalsifiesreality. Itcan't turnasideandpursueitsownpath, ithas no path. Art is realismorit is trivial, andthere's nothingmuchinbetween.
Wecouldrewritetheparableofthemanwhofellamongthieves: anartistcamedowntheroad, sawthewoundedmeninthegutter, crossedover to passbyontheothersideandfellin a ditchandbrokehisneck.
"Uma sociedade não se constitui pelo acordo das vontades. Pelo contrário, todo o acordo das vontades pressupõe a existência de uma sociedade, de gentes que convivem, e o acordo não pode consistir senão em determinar uma ou outra forma dessa convivência, dessa sociedade preexistente. A ideia da sociedade como reunião contratual, portanto jurídica, é o mais insensato ensaio que se fez, para deitar o carro adiante dos bois. Porque o direito, a realidade direito (não as ideias do filósofo, jurista ou demagogo acerca dele), é, se me permitem a expressão barroca,secreção espontânea da sociedade, e não pode ser outra coisa"
A Rebelião das Massas - Prefácio aos Franceses, Ortega y Gasset
It is notsurprisingthatthingshavedeveloped as theyhave. Thediscovery, inthelastcentury (XIX), ofthe extreme limitsofpowerandsubtletyintheeffectofthe musical tone extendedtheboundariesofthe tonal domainatthedisposalofthecomposerintohithertoundreamed-ofdistances. Newcombinatiosof tones came to berecognized, andnewwaysofbending a melodiclinewerediscovered. Itseemed as ifthesunhadrisenupon a new, glowing, iridescentland, intowhichourmusician-discoversrushedheadlong.
Blindedbytheimmensestoreofmaterialsneverusedbefore, deafenedbythefantasticnoveltyofsound, everyoneseizedwithoutreflectiononwhateverhefelthecould use.
Atthispointinstructionfailed.
Eitheritfellintothesamefrenzy as practice, anddevoteditself to flimsyspeculation, insteadofadaptingitssystemsofteaching to thenew material, oritlapsedintoinactivity, andwhathadneverbeen a verystrong urge towardsnoveltyturnedinto a barrenclinging to thepast. Confidenceinenheritedmethodsvanished; theyseemedbarelyadequatenow to guidethebeginner's fisrtsteps.
Whoeverwished to makeanyprogressgavehimselfunreservedly to theNew, neitherhelpednorhinderedbytheoreticalinstruction, whichhadsimplybecomeinadequate to theoccasion.
Partoftheintroductorychapter to thefirst volume ofhisbookUnterweisungimTonsatz ( 'TheCraftof Musical Composition' ).
Isto foi sendo escrito até 1937.
Mas esta situação iria ser repetida depois de 1945.
Ou seja, antes e depois da 2ª Guerra Mundial há grandes controvérsias e mudanças na visão que se tinha da composição musical.
O mais irónico disto é que, neste texto, Paul Hindemith, compositor alemão, deu expressão, só pela consideração musical, a uma argumentada rejeição de muita da música por parte do regime degenerado dos Nazis. Mesmo que Hindemith, pessoa sem qualquer atitude ou demonstração, mesmo que em privado, de qualquer inclinação ou pensamento político ou até mesmo religioso, tenha mesmo assim sofrido, tanto à sua música como ao seu livro, críticas e discursos de uma violência aterradora e sem qualquer justificação por parte, principalmente, de Goebbels, o que levou à necessidade de uma defesa irredutível, em artigo de jornal DeutscheallgemeineZeitung ( o último jornal liberal diário na altura ), do maestro alemão WilhelmFurtwängler.
Há aqueles que estão lá só para ver quem está e quem não apareceu, que vestidos levou, que perfume vai usando. Notam-se logo as não comparências de "gente importante". Há gente que se só vê lá. Temos os que ouvem uma interpretação muito boa mas só sabem dizer "Ah, aqueles estudos de Chopin foram muito bem tocados, mas o Pollini toca melhor" ou "a MarthaArgerich toca mais rápido", entre outros dislates.
Aqueles que falam de tudo e mais alguma coisa menos do concerto em si. Aqueles que fazem questão de nos fazer saber que já têm bilhetes para o próximo concerto do festival ou ciclo e que, se quiséssemos, tínhamos a tido a possibilidade que essa pessoa arranjasse um convite. Estes também fazem propaganda dos concertos que viram e daqueles que vão dar, dos cursos de aperfeiçoamento/masterclasses que fizeram e vão realizar, das peças que andam a estudar, dos concursos em que vão participar, das escolas e professores com que vão estudar, sem nada lhes ser perguntado. É um desenrolar quase mecânico por cada concerto que passa.
A comparação com outros concertos que nós tenhamos visto é salutar, demonstra conhecimento de recitais ao vivo, alguns deles sublimes, os quais normalmente deixam-nos sem palavras. Só o exagero de tudo ter que dizer a toda a gente é que chateia.
Há aqueles que estão a conversar tranquilamente e aqueles que pensam estar no meio de um arraial. Os que ficam no seu lugar no intervalo, porque não lhes apetece andar a cumprimentar meio mundo - finos, porque assim quem quiser vai ter com essa pessoa. E aqueles que, não vendo uma pessoa há muito tempo, só se lembram de dizer "estás com melhor cara, até o teu acne melhorou", ou "ah, agora usas maquilhagem", ou até andas a namorar, não andas?", entre conversas sobre o tempo.
Há casais importantes. Há casais fictícios ainda mais importantes. E ainda há coscuvilhice para casais que o poderiam ser. Há dissertações sobre a idade de certos músicos.
"Personagens"
Aquela que vai logo para o facebook escrever maravilhas do concerto, que aquele pianista é o maior, ou pior, que aquela cravista é a melhor e que muda de opinião ao concerto seguinte.
Aqueles que vêm sempre com CD da Fnac e que no fim passam por lá de novo.
Aqueles que ficam meia hora quer para levantar bilhetes quer para pôr o casaco de peles no bengaleiro.
A sensação de se assistir, de respirar uma interpretação, seja de que agrupamento ou instrumentista solista, ao vivo, é sempre única e irrepetível, se bem que, por vezes, inócua, outras porém, inolvidáveis.
É uma atmosfera de espera pelo novo, pela inspiração, pela surpresa, pela revolução.
Esse será, obrigatoriamente, um dos fascínios do concerto ao vivo - a não recriação total de uma gravação.
Só que há sempre gente que não desliga os telemóveis; logo na parte mais íntima, quase silenciosa PIMBA, lá começa uma valsa de Chopin toda estridente. Há fotógrafos que usam máquinas com tamanho flash que a gente fica a parecer uns fantasmas de tão brancos que ficamos, quase hipnotizados. Há quem se lembre de se levantar a meio e passar à frente do público e das câmaras mesmo à descarada.
Pior, há gente que se veste mal, outra muito mal. Vá lá, outra que se veste muito bem. A mesma coisa na escolha dos perfumes, dos sapatos, dos adereços, da maquilhagem, do corte de cabelo. Há pessoal que leva pochete - há uma pessoa que, de tanto andar sempre com a mesma, já se tornou um clássico - e outros que andam com a casa às costas.
Vê-se mulheres bonitas, outras demais feias, horrorosas. Mas, ufa, há mulheres muito bonitas, mulheres de pianistas que são mesmo uma "brasa". Há mulheres na assistência lindíssimas, outras caquécticas. Há fascínio entre os ouvintes se uma certa e determinada pianista levar um certo e determinado vestido vermelho fatal.
Há públicos agradáveis, outros profundamente desagradáveis, mal-educados, distraídos. Há silêncios constrangedores, mas outros deliciosos.
Dedicado a todos que assistem a concertos e que vão mantendo este evento cultural com público.
25 de Julho / Éricle Sage - Piano /Festival Internacional de Música da Póvoa do Varzim Robert Schumann Primeira Parte: Cenas Infantis Opus 15 --- Fantaisa Opus 17 Segunda Parte: Estudos Sinfónicos Opus 13 Extra: Previsivelmente, uma das peças do ciclo Davidsbundlertanze Opus 6
Com uma postura em palco muito direita, quase sem emotividade visível, um perfil parecido ao de Sequeira e Costa, fiquei logo imergido nos anos 20 do século passado num qualquer sarau parisiense, dada o timbre que revelava o Fazioli, marca do piano. Sem nunca exagerar, na primeira parte, nas dinâmicas mais fortes, foi revelando uma gama muito grande nesse aspecto e uma enorme facilidade em mostrar o que de mais importante lhe impelia a música no momento da forma mais subtil possível.
Ele precisava de outro piano, ainda mais sensível. Ou então não, dado que na segunda parte, respondeu de forma muito convincente ao ímpeto quase destruidor do pé direito do intérprete, a ser levantado a grande altura, para desespero do pedal de sustentação, que já rangia por todos os lados. ________________________________ Lembrou-me um concerto na mesma sala, com a mesma peça na 2ª parte, em que quase no final do Estudos o pedal CAIU com estrondo provocado por esforço desequilibrado e exagerado do pé direito, com o pianista a vergar-se para tentar arranjá-lo e, de seguida, a perguntar "Há algum afinador na sala?". E não é que NÃO havia? Uma autêntica vergonha para a casa, mas principalmente para os afinadores, que se gabavam de serem "de grande gabarito". ________________________________ Quando o pianista Éricle Sage chega à última peça das Cenas Infantis, cujo nome é "Fala o poeta" de acordo com a tradução de Vianna da Motta, pensei logo: "Já?! Ainda agora começou e já chegámos ao fim." E porquê? Porque ele conseguia algo muito raro, que é a maneira de conduzir um discurso de forma a que pareça una e única, em que nos é dada uma interpretação que parece sair daquele preciso momento e não formatada. Toda a estrutura é preservada e o pormenor revelado com precisão. Isto é, não andou a massacrar-nos com o baixo se ele é recheio harmónico; não expunha em demasia uma melodia calma e dormente; todo o virtuosismo acontecia sem "caretas". Concerto de sala praticamente cheia.
Palavras a mais Livros a mais Leitura a menos _____________________ Quero ouvir mais pássaros Ainda mais gotas de chuva ainda mais hebraico, japonês ainda mais galaico-português. Ainda mais rádio Ainda menos televisão. _____________________ Liberdade a menos Libertinagem a mais Respeito a menos Despeito a mais _____________________ Fado a mais - Não havia estrelas no céu, nem gaivotas a voar, nem peixes a nadar, na Lua por companhia - O rio, esse rebelde grande demais, tinha-se tornado numa suave cadência perfeita... _____________________ Quero menos, muito menos, grupos de trabalho num comité, inserido no instituto, sob a alçada duma secretaria, com um programa para um projecto, para fazer um relatório de modo a avaliar uma proposta. _____________________ O Homem que perdeu tudo sem nunca ter vivido. Tudo perdia,
tudo era nada
e nada fazia.
Tudo valia.
Castelos de areia, flores numa floresta, equívocos e mal-entendidos.
18 de Julho / Recital Final de Composição / Café-Concerto ESMAE
Segundo o início do Programa:
"Morphing ... onde tudo se transforma. Podemos modificar gradualmente as imagens que a nossa memória cria, mas mantemos a essência do objecto. Neste concerto procuramos moldar o som, criando uma textura orgânica que se vai desintegrando de forma pontilhada. Perdemos os acontecimentos, respiramos os sons, vivemos as imagens...e a nossa mente?
...desaparece..."
Frames#87: clarinete, electrónica em tempo real e vídeo (compositor: Igor Silva)
Ondas de memória: ensemble (comp. Diogo Carvalho)
Monólogo V: guitarra portuguesa (I. S.)
TwelveGardens nº1, 2 e 3: piano e vídeo (D. C.)
As palavras não mudam: flauta e electrónica (I. S.)
Contrastes: violoncelo e piano (D. C.)
Slowmotion: electrónica e vídeo (D. C.)
Clepsydra: grande ensemble e electrónica (I. S.)
Excelente grafismo para capa das notas de programa. Fantasia científica é o que me ocorre.
Excelentes textos elucidativos das obras.
1ª peça - Tinha momentos em que parecia um elefante a soar do clarinete de Frederic Cardoso, porque a peça era mesmo assim escrita. Aquilo era um "calhau" para o intérprete. O vídeo era, por vezes, abusivo.
2ª - Percebi ainda melhor, com outro olhar, a totalidade da obra, a imagem de fundo (uma gare de metro e seus carris) também ajudou. Mas a minha opinião já tinha sido muito boa (ver crítica aqui). Senti mesmo pena por alguém, indo de encontro ao "objectivo - haver uma sensação de desconforto e a ansiedade" (Nota de Programa).
3ª - Brutal, Som fantástico, ritmos alucinantes para a tradição auditiva do repertório daquele instrumento.
4ª - Não senti nada.
5ª - Acho que podia ser mais curta, já que os seus motivos eram interessantes, principalmente com a qualidade tímbrica da flauta, mas que a dada altura, paravam no tempo.
6ª - Esta é que não percebi mesmo nada. Vá lá, senti estranheza.
7ª - Gostei das imagens das flores em diversos ângulos, embora gostasse delas em cores vivas, mas isso talvez fosse contra a estética e gosto da ideia intrínseca à peça. Por acaso, até achei a peça andante e não lenta.
8ª Adorei. Gostei ainda mais do que da primeira vez .
Notas: Há pessoas que pensam que estão a aplaudir em Budapest. Uma salva de palmas de cada vez. E alguém se importa de desligar as câmarasfrigoríficas? Lá pró raio do barulho. Acho que alguém se esqueceu de como se abriam as cortinas ;) Foi engraçado.
16 de julho ; Sequeira Costa - Piano Primeira Parte : Frédéric Chopin - Fantasia Opus 49 Balada nº4 Opus 52 Berceuse Opus 57 Barcarola Opus 60 Tarantela Opus 43 Segunda Parte: Claude Debussy - Suite Bergamarsque Maurice Ravel - Jeux d'eau Franz Liszt - Au bord d'une source Lenda de São Francisco de Assis caminhando sobre as ondas
Extras: Brahms - Intermezzo F. Chopin - Valsa Opus 64 nº2 Chopin - outra Valsa (de que já não me lembro o Opus)
Pouco há a dizer, poucas são as palavras para caracterizar tal recital, tais interpretações. Quando tal acontece, de forma absorta e de profundo respeito pela elevada mestria, o crítico deve remeter-se ao silêncio. O crítico, neste caso, já tinha ouvido o programa exactamente igual, com os mesmos extras, só podendo tomar o plano da comparação, dizer que que foi diferente. Desta vez tivemos um pianista mais cansado, com mais perdas de notas, mas com mais sorrisos e aclamações de pé. Foi um concerto mais real, o anterior mais elegíaco. Ambos geniais. Casa cheia. Alma cheia.
"War must be, while we defend our lives against a destroyer who would devour all; but I do not love the bright sword for its sharpness, nor the arrow for its swiftness, nor the warrior for his glory. I love only that which they defend." Faramir, son of Denethor.
9 de Julho, David Geringas - violoncelo / Pedro Burmester - Piano Primeira Parte: Johann Sebastian Bach - Suite nº3, BWV 1009 (violoncelo solo) Gustav Mahler - Canções das crianças mortas (transcrição para violoncelo e piano de Viktor Derevianko) Segunda Parte: Franz Schubert - Sonata "Arpeggione", D 821 Robert Schumann - 3 Peças de Fantasia, Opus 73
Extras: Piotr Tchaikovsky - Nocturno Peça de outro compositor russo Rimsky-Korsakov - Voo do Moscardo ("The Flight of the Bumble Bee") - versão piano e cello Frédéric Chopin - Andamento lento da sonata para piano e cello, Opus 65
Entrada fulgurante do violoncelista, a solo, com muita energia e direcção, revelando os momentos de maior tensão harmónica sem pedantismo. Revelando grande facilidade técnica e gosto/prazer em arriscar no palco, foi uma interpretação muito interessante, diferente mas com estrutura, evidenciada na forma modelar em como se desenrolavam as danças no tempo com seus andamentos próprios e algo voláteis. Depois, foi a entrada da Morte, uma peça que me fez revirar as vísceras de tão pesada de carácter, expectante procura de chão. A ouvir de novo, completamente só. Segunda Parte: Clara demonstração de como um pianista é bom. Tendo este confirmado nos bastidores, não houve um único ensaio igual, o violoncelista fazia tudo diferente, articulações, andamentos, dinâmicas; ele moldava tudo segundo a "sua" inspiração/atmosfera. E o pianista a demonstrar uma enorme segurança, clarividência no encaminhar das frases e uma técnica irrepreensível. Eram sublimes os seus pianíssimos, o seu contraste para com a fogosidade do violoncelista. Como extras, momentos para brilharem, para "darem ares" de delicodoce - neste caso, com bom gosto - e uma atitude super descontraída por parte do pianista nos agradecimentos. O virador de páginas - igual ao concerto anterior - tanto virava em cima da hora como a seguir ficava "horas" de pé à espera. Vestido de forma igualzinha, calças de ganga e sapatilhas, com camisa preta. Casa quase cheia como um Bloco, com mais pessoas à Esquerda.
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