sexta-feira, 15 de abril de 2011

Lembram-se de Brecht?

Primeiro levaram os comunistas, mas não me importei porque não era comunista/

Em seguida levaram alguns operários, mas a mim não me afectou porque não era operário/


Depois prenderam os sindicalistas, mas não me incomodei porque nunca fui sindicalista/

Logo a seguir chegou a vez de alguns padres, mas como não sou religioso também não liguei/


Agora levaram-me a mim e quando percebi já era tarde.

Pergunto-te, Irmão

Se eu não vou votar nestas legislativas, porque razão tenho eu de pagar a porra das tuas eleições?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Democracia empenhada

Este ano, lute contra a abstenção - faça como eu, vote em todos os partidos presentes no seu boletim de voto.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Política previsível (V)

1ª Página do "Confidencial" - Políticas & Negócios, Suplemento de Economia do Jornal SOL, no 1º número deste jornal: 16 Setembro de 2006 Letras gordas: Armando Vara: "OPA do BCP é um desafio (...) Tenho uma enorme auto-estima e isso irrita muita gente. Sei aquilo de que sou capaz e aquilo em que não me devo meter". Viu-se... Páginas interiores do Jornal: "Assembleia encolhe: o PSD quer 180 deputados. O PS admite ceder até aos 200". Quando é que esta discussão vai resultar em algo palpável? Mais adiante: Grande foto no Palácio de São Bento onde aparece Sócrates a cumprimentar, vergando-se um pouco, Marques Mendes, com este a "agarrar-lhe" o braço direito. Ambos sorridentes. Ambos imprudentes. Ambos mal-dizentes. ---//--- O manifesto na 1ª página deste semanário é uma grande tanga, não diz nada de jeito, só com frase feitas e cheias de sinónimos e adjectivos: bla bla bla mas não bla bla bla Ah, já agora, "Um jornal que vale por si. Este Semanário não oferece brindes nem faz promoções." Nota-se tótil que respeitam sempre os seus princípios e valores.

Política previsível (IV)

Capa do Jornal de Notícias de 21 de Fevereiro de 2005
crates


Portas demite-se, Santana Lopes Não (...) conjunto da Esquerda soma cerca de 60% dos votos. Abstenção 34.98%; 2002 - 37.66%


Aceitam-se apostas para Junho...

domingo, 10 de abril de 2011

Política previsível (III)

Durante a escrita deste artigo ouvi esta notícia: Fernando Nobre, ex-candidato presidencial, será o cabeça de lista do PSD por Lisboa. O anúncio foi feito pelo líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que, na sua página do Facebook, confirmou ainda que Fernando Nobre será, na próxima legislatura, o candidato social-democrata à Presidência da Assembleia da República.


Calhou ter aberto hoje o "Jornal de Notícias" do dia 18 de Abril de 2009.


Letras gordas de alguns artigos:


"E se o Ministério da Educação fosse extinto?" - na foto vê-se Manuela Ferreira Leite a sorrir (milagre) mas a não apertar a mão de um cidadão (de chapéu dentro de um edífico) e ao lado Agostinho Aguiar-Branco. A primeira tinha organizado um debate com a sociedade civil. A ideia partiu acima descrita partiu de Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática. Marcelo Rebelo de Sousa moderou o debate.


Mais abaixo, na mesma página, "PS chumba aumento do subsídio de desemprego", proposta do PCP e votada com abstenção pelo PSD e CDS-PP.


Artigo de opinião do Director da TSF, Paulo Baldaia - "Partido partido e país falido"


Parece que se fosse a abrir o jornal sem saber a data, ia supor que eram notícias de hoje.


Aparte:

"Quero terminar aqui" - Quim (...) garante que gostaria de concluir a carreira nas águias.

Vê-se...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

TV to serve the music

Tenho visto com prazer este novo programa de António Victorino d'Almeida.


Considero-o com bom ritmo, com linguagem e lembranças sui generis, um pouco escandalosas ou sem interesse nenhum caso estejamos à espera de um programa só informativo e só sobre música. Mas quem leu alguns livros dele no domínio da música já saberá com o que conta. São histórias dentro da História da Música (algo que no episódio transmitido hoje - ou visualizado sempre que queiram - por exemplo, é liminarmente repudiado por parte do Compositor, que pensa que nunca existiu uma grande e razoável História num domínio tão subjectivo como uma arte de apresentação sempre efémera).


Aparte:

Referi que sempre que queiram poderão visualizar o programa, mas quando teremos a colectânea completa de todos os programas realizados e apresentados pelo Pianista? Nem que fossem só aqueles a preto e branco, de Viena, na RTP. De estilo bastante diferente do de Leonard Bernstein, com os seus "Concertos para Jovens", são no entanto de nível apreciável para quem quer conhecer mais sobre Música e suas histórias, misturadas com a História da Humanidade, maioritariamente do Velho Continente.



Aos que agora tomam conhecimento deste Comunicador, irão encontrar um programa com boa pós-produção, passagens em que começa uma frase ou uma ideia em Portugal e termina-a em Viena e vice-versa, momentos hilariantes, diálogos muito particulares entre o maestro e ele mesmo mas nas séries da RTP ainda a preto e branco (atrás referidas).



Maestro ou maestro? António Victorino D'Almeida não se considera "Maestro", reportando-se a pouquíssimos momentos em que dirigiu uma orquestra no pós-25 de Abril e que a partir daí, também por ter criado uma Sinfonia que seria baptizada de "Benfica" e de nos seus programas anteriores pouco tocar ao piano, ser conotado com essa "figura" de maestro. E ele assim gostará um pouco de ser chamado, mas sempre com alguma estranheza e relutância.

A escolha da música para cada episódio é muito bem feita, com alguns temas como Leimotiv, sem música de fundo a todo o instante, o que nalguns programas do género torna-se maçador.


Boa ideia foi seleccionar um espaço e tempo específicos para a divulgação dos seus livros e gravações da sua obra.


Quer gostemos ou não, é um Músico que trabalha com qualidade e que não precisou de dar aulas ou de ter cargos "importantes" ou de ser doutorado para ser "gente". Mesmo que por isso tenha sofrido muitos dissabores.


Vale a pena ver. É uma maneira pouco convencional de conhecer a Grande Música Erudita Ocidental.


Ah, e os Simpsons dão logo a seguir, na RTP2.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Goebbels - A Semente da Revolução

For the authoritarian nationalist conception of the State represents something essentially new. In it the French Revolution is superseded. (...)
We have modernized and ennobled the concept of democracy. With us it means definitely the rule of the people, in accordance with its origin. We have given the principle of Socialism a new meaning. ... Never have we left anyone in doubt that National-Socialism is not for export. ... We do not aim at world domination, but we do intend to defend our country, and it is our new conceptions which give us the inexhaustible and ever-renewed strength to do so. ...
J. Goebbels, On National-Socialism, Bolshevism, and Democracy

(September 10, 1938)

Pacto BE-PCP

Recordações de um Concerto ( III )

Todo este texto foi escrito enquanto o autor ouvia o 2º Concerto de Brahms com a orquestra do Concertgebouw de Amsterdão, dirigida pelo maestro Bernard Haitink e ao Piano Claudio Arrau, numa gravação em vinil.



Lembram-se da cena inicial "Música no Coração"? Julie Andrews, no papel de Maria aparece entre montanhas ora altivas, aconchegadoras ora severas, deixando-se levar por caminhos de plena liberdade, com seu coração palpitante na verdejante vista. Um claro, simples e sereno quadro de felicidade se vislumbra nessa cena.

É este o sentimento que me invade quando oiço o início do 2º Concerto para piano e orquestra, Opus 83 e Si bemol Maior, de Johannes Brahms - 1833 Hamburg, 1897 Viena.

O 1º andamento, um "Allegro non troppo", começa com um chamamento longínquo das trompas a que responde o piano com uma subida calma sozinho, como que imitando as primeiras. Este diálogo será, pouco depois, interrompido pelo pianista com uma fúria abrasadora tal que põe a descoberto uma impaciência romântica, um fogo que precisa de explorar e comunicar, até que chega a um pico - um dos muitos cumes que encontramos em tantas montanhas juntas - e logo de seguida a afirmação pela orquestra da tonalidade principal do concerto. Esta, já noutro carácter, mais encantantatório, revela-se no mesmo tema inicial, como que se nunca tivéssemos de lá saído, como se entrando na casa dos Von Trapp nos mantivéssemos dentro do campo. Sempre com o piano em grande sensibilidade e virtuosismo.

A multiplicidade neste concerto de relações motívicas, temas, orquestração muito bem feita, a disposição dos momentos de maior apogeu da orquestra e do piano, as surpresa harmónicas, o lirismo e a impaciência sempre em constante diálogo e combate. A conjugação da clareza clássica, da exploração muito barroca de diversos estados de alma e das belíssimas melodias - como não lembrar as declamações ao rubro de amor no 2º andamento "Allegro appassionato"? - e das passagens super virtuosas é inigualável. E que falar da elegância do 4º andamento, descrito pelo compositor como "Allegretto grazioso - Un poco più presto?"

Esta minha adoração por este concerto teve mais um momento de deliciosa e poderosa audição no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, numa sala bem composta de público, bonita e com boa resposta sonora do que é tocado no palco para o público, só havendo o senão de haver lugares no balcão onde não se vê o palco.Foram intérpretes a Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo Meastro Lawrence Foster, com o Pianista Arcadi Volodos.

Foi um prazer poder ouvir aquele que alguns já antevêem poder vir a ser o próximo Grigory Sokolov, que é proclamado como o mais completo pianista vivo pela crítica e pelo público.

Só foi pena notar alguma indiferença, nalguns momentos de maior exaltação, por parte da orquestra, com entradas um pouco fora do contexto por parte de alguns instrumentistas de sopro e pela chefe do naipe de violoncelos, que no 3º andamento - com indicação "Andante - Più adagio" - preferia revelar toda a sua excentricidade e valor, como se nada mais existisse, ficando o piano sem qualquer poder.

Um andamento todo ele passado no quadro do 1º, mas agora estamos sentados, a reflectir sobre nós próprios.

E o extra? Delicioso: de Alexander Scriabin "Feuillet d’album" op. 45/1 mesmo sendo extremamente difícil de captar a atenção do público depois de um concerto tão intenso, que dura aproximadamente 45 minutos.

Fico com a sensação de vida plena sempre que acabo de ouvir este concerto.

É música profunda e inexplicavelmente cinematográfica.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Soneto Incompleto


El-Rei D. Miguel de Portugal:

É de medalha o teu perfil vincado.
Tu, sim, que fostes o último Senhor,
que destes ao ceptro o uso dum cajado
e à Realeza o ofício de pastor!

Ficou suspenso sobre a terra o arado,
desde que o abandonou o lavrador.
Ninguém o tira donde está fincado,
não há ninguém que o puxe com vigor!

António Sardinha

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Y Viva los Cristeros!

"The reactionary does not condemn the bourgeois mentality, but rather its predominance.
What we reactionaries deplore is the absorption of the aristocracy and the people by the bourgeoisie.
It is the emasculation of liberty or, alternatively, of equality."

Nicolás Gómez Dávila

domingo, 3 de abril de 2011

Um Blogue sobre Distributismo, Economia e Austríacos

A Cigarrilha de Chesterton

e uma hipotética theme song para esse mesmo blog

Porque ainda se fazem coisas boas em Portugal

Que o sucesso e honestidade musical estejam lado a lado com estes dois pianistas, cada um ao seu estilo - pois diversidade "rima" com escolha - Miguel Santana e Raúl Costa. Estes vencedores de certeza que terão, cada um com 1000 euros, dinheiro para comprarem uma mota Yamaha para quem lhe faz uma pequena publicidade (eu, claro)!
Abraço aos dois e Parabéns!!

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves