terça-feira, 15 de março de 2011

Monarquia Constitucional = Tirania Democrática



modelo das formas de Governo de Platão, conforme apresentado pelo Nacional-Cristão

Este pequeno textinho surge como humilde resposta ao post do amigo Henrique, que fez a simpatia de iniciar neste blogue esta já secular discussão entre monárquicos integralistas e monárquicos constitucionalistas. Com toda a razão podem os leitores republicanos desmarcar-se destas discussões - conheço até alguns que as apreciam porque demonstram divisão nas hostes monárquicas. Contudo, penso que é uma temática produtiva que pode enriquecer as experiências de todos os que estiverem interessados em Teoria Política, mesmo que servida nos incipientes moldes disponibilizados pela blogosfera.

Aconselho a leitura atenta do texto do Henrique para se conseguir tratar com exactidão os pontos que eu tratarei, com as minhas limitadas capacidades para estas andanças, de elucidar.
Aquilo que o Henrique refere como neo-integralistas não é um termo correcto. Nós já andámos por aqui faz bem mais tempo que as reais associações. Em faculdades, em grupos elitistas, a trabalhar em todos os estratos da sociedade, entre a nobreza e o homem-livre, no Direito, na História, na Filosofia, etc.
São os monárquicos constitucionalistas que aparecem e reaparecem conforme as modas. Eram liberais os monárquicos da Carta de 1834, jacobinos os da Constituição de 1822. Os de 1910 eram já todos, ou quase todos, republicanos. Foi o Integralismo Lusitano que ressuscitou o pensamento conservador português, tanto o católico como o monárquico. Esse pensamento é marcadamente anti-democrático. Aviso a todos os amigos e camaradas que lerem este texto que desaconselho a todo o homem ambicioso das coisas mundanas a ser Integralista. O Integralista não chega a Presidente da República nem a líder de Juventude Partidária - raras vezes é-lhe sequer entregue uma chefia de departamento na Função Pública. A má sina persegue-nos como se de peste se tratasse.

O Integralista é integralmente monárquico e integralmente católico - como tal, integralmente português. Para ele, o Poder não vem das Massas, de onde nascem as vontades indisciplinadas e os desejos caprichosos. A Autoridade, para ele, tem origem em Deus. É daqui que nasce a obrigação do Rei em reinar segundo as Leis e os costumes das Nações, protegendo a Igreja, as classes sociais e profissionais, os mais fracos e governar em prol do Bem Comum e das liberdades dos povos. A sua doutrina económica é a Doutrina Social da Igreja, muitas vezes apoiando-se no Distributivismo de Chesterton e Belloc.
O argumento anti-democrático é um que está já cansado e estafado de ser atirado, apesar dos erros serem recorrentes na defesa do sufragismo. Fica aqui uma breve explicação desses erros, que não desenvolverei aqui por o post ficar demasiado grande.

O segundo ponto do Henrique passa por uma leitura de um facto histórico. Se Simon de Monfort ouvisse o Henrique a qualificá-lo de democrata, provavelmente rachá-lo-ia de cima a baixo com o seu montante. Mesmo que possámos provar, de alguma forma, que o líder dos barões ingleses estava interessado nalguma forma de Governo Representativo - o que é altamente improvável, o que ele queria era que o Poder Central não pudesse taxar à vontade os seus súbditos, pelo menos sem lhe perguntar a opinião - temos a certeza que a igualdade política entre súbditos era a última coisa em que este poderoso aristocrata poderia pensar. Primeiro, temos de saber diferenciar entre Governo Representativo e Democracia - consequentemente, é errado qualificar o Governo dos EUA como democracia, porque é uma república constitucional, infelizmente cada vez mais democratizada.

É preciso esperar pela morte de Carlos I Stuart para que a Lei da Espada, o Parlamento, se inclua permanentemente na governação de Inglaterra. Começou aí a perda de virilidade dos ingleses e o seu vergonhoso jeito para o burguesismo serôdio.

O terceiro ponto do Henrique passa pelo carácter do monarca constitucional: o rei do tradicionalista é um tirano das eras obscuras, mas o rei constitucional é um semi-deus. Acho imensa piada quando vejo os não-republicanos a defender o estatuto do rei apartidário. Logo em Portugal, onde até o mais básico dos calceteiros tem toda uma doutrina política capaz de preencher 4 partidos políticos, vamos arranjar um Rei sem partidos. Um homem sem apetites ideológicos. Um Catão, só que monárquico. Um meio-humano, com acção mas sem vontades. O Rei Constitucional é um banqueiro judeu fabricado na Sony.

Este Quasideus está dotado do Poder Moderador - o quarto poder, que lhe garante a força magnífica de acenar a cabeça quando vê uma lei que lhe agrada (mas para a qual, obviamente, não se sente inclinado ideologicamente a aprovar) e a torcer o lábio quando o obrigam a passar uma lei que lhe desagrada, tal como o Rei-fantoche da Espanha e a Múmia-Chefe Anglicana.

Este Poder Moderador foi a patranhada mais mal ajeitada mas mais comida da Teoria Política. Descamba sempre na Monarquia Vegetativa, mas todos adoram a forma como isto funciona.

Este Rei não pode propor Leis: está entregue ao ditamos dos seus parlamentos e da Vontade das Massas. S. Isidoro de Sevilha ensinou aos Godos que governavam as Espanhas, em 634, que um rei que governasse mal era um tirano que merecia ser deposto. O Rei constitucional não tem o perigo de ser tirano - ele nem sequer é Rei. Os seus ministérios são escolhidos pela partidocracia do poder económico e dos media: mas ele fica mudo, sem ideologia, a Reinar e a não Governar. De certeza o leitor já ouviu esta: o Rei reina mas não governa. Quando ouço isto, sinto que estão a reinar comigo. É como dizer que o Papa faz bulas, mas os católicos não têm que obedecer ao conteúdo das mesmas. Rei que não governa é como Bacalhau cozido à Salazar. Está lá tudo, menos o bacalhau. Em vez de um rei hereditário, seria melhor pôr lá um procurador vitalício. De preferência, que fique bem nas moedas e saiba cortar fitas.

O Integralismo não nega a necessidade de Representatividade Popular: admite-o e prova que esse existiu ao longa da história, com maior ou menor incidências. A ideia, no entanto, de que a opinião maioritária submete à sua autoridade a do Rei conflictua com o Integralismo: um Rei que obedece ao governo da Maioria não age em prol do Bem Comum, como afirmava Platão, e portanto ia contra o dever divino - assim sendo, deve ser destronado.

Os últimos tempos da monarquia tradicional europeia apontavam para um caminho em direcção ao Rei Filósofo - os tempos difíceis do Séc XVIII e inícios de XIX não permitiriam que tal se tivesse dado. O que os Integralistas pretendem, acima de tudo, é um país onde o factor Autoridade esteja bem definido - no Monarca. Onde a governação esteja entregue a uma elite escolhida pelo mérito e não pela eleição popular - numa nova Aristocracia. E de uma vida comunitária activa, onde os cidadãos sejam representados não pela sua individualidade, mas pelo seu conjunto social - nos municípios, nas corporações profissionais, nas assembleias regionais.

Mínimo Governo da Melhor Qualidade, em vez do que nos fornece o parlamentarismo democrático, Máximo Governo da Pior Qualidade

Quando me perguntam se não é muito mais fácil instaurar um regime monárquico da forma que as Reais Associações querem, eu digo que sem dúvida que sim. Quando a Esquerda deste país aceitar um monarca, vai adorar fazer dele o joguete perfeito dos seus jogos de rapto. O rei vai-se sentir ainda mais pressionado a aceitar a colaboração da esquerda do que da direita. A nossa Monarquia Constitucional é uma história de esquerda. O Tirano Pedro IV, Imperador do Brasil e péssimo autor de hinos, modificou as leis tradicionais portuguesas (algo que nem o mais absolutista dos nossos monarcas se atreveu a fazer) para criar a sua maçónica Carta Constitucional. Só por aí merecia ser destronado e atirado aos leões. O Rei que usa do seu poder para violar as leis até aí respeitadas pelos seus augustos antecessores é como o pai que se aproveita da sua autoridade para abusar das filhas. Tal homem, bem como a sua descendência, só podem ser olhados com reprovação. A este Tirano se deve a destruição dos mosteiros religiosos em Portugal e a repartição das propriedades da Igreja entre os ricos partidários do liberalismo. À sua filha, Dona Maria II, o ter afogado em sangue, com o apoio de tropas estrangeiras, as gentes do Minho, que se revoltaram após os impostos que a Liberdade Constitucional lhes impuseram, que os sufocavam. No entanto, atentando às palavras do Henrique, a Monarquia Constitucional foi uma evolução: foi o peito do nosso povo que apanhou as balas que essa evolução expelia. Estavam à espera que os miguelistas o fizessem de sorriso na boca? Dar a outra face, entre cristãos, é matéria difícil e ambígua...
As uniões com a casa de Sabóia feitas pela linha constitucional bem demonstram esse desprezo pelo antigo. Ou não foram os Sabóias, gens vipera , quem mergulhou as Duas Sicílias num banho de sangue para assegurar a União Italiana, depois de terem ocupado os Estados Papais e agredido injustificadamente o Império Austríaco?

E os desenlaces políticos habituais da nossa Monarquia Constitucional, que dizer deles? Caciquismo, partidos políticos, lambe-botismo a todas as novidades estrangeiras. Baixa forma de vida, acompanhada de um défice louco devido a uma função pública endémica - problema esse que agora renasce.

Entre uma república autoritária e uma não-monarquia constitucional, não tenho dúvidas em responder - se o Rei é para não ser Rei, mais vale não o ser de todo. Nisso sou um Absolutista, um homem de Absolutos. Não aceito a fronteira entre o medíocre e o inexistente como relevante.

domingo, 13 de março de 2011

Recordações de Barcelona

Barcelona, união perfeita entre o que de mais antigo e mais moderno já se fez em sociedade, desde os seus primórdios.
Reunião de prazeres tão distintos como a praia e o campo, o porto e a fortaleza, a devoção religiosa mais intensa e a luxúria nocturna mais inebriante.
A defesa de uma identidade da forma mais activa política, económica e socialmente, bem vincada em exemplos tão próximos como no futebol, na gastronomia ou na língua.
Lembro-me perfeitamente do caso de um dono de uma loja pôr um anúncio a pedir um funcionário e este texto estar escrito só em castelhano. Pois dias depois já lá estava alguém por parte do Estado municipal com uma denúncia de que a lei/regra de se escreverem esses textos dessa índole, pelo menos, em catalão!!

Mesmo que tendo sido em trabalho, houve muitas oportunidades para me deliciar com a variedade arquitectónica, de me "perder" nas suas transversais, onde se encontram as mais deliciosas surpresas, como uma loja de flores que ocupava um quarteirão inteiro!, ou uma loja de partituras que praticava uns bons preços, só ultrapassáveis pelos que encontrei em Budapest.

E livrarias, muitas livrarias; e não me refiro a redes de lojas generalistas como a FNAC (que as têm), mas sim especializadas, como só em literatura catalã, ou só estrangeira ou só Banda Desenhada, ou só de literatura sobre as mais diversas expressões artísticas. Já para não referir a diversidade de lojas de discos, onde se encontravam raridades da pop, rock e música erudita, etc. Até tive a sorte de "cair" numa praça onde havia uma feira de antiguidades, com, veja só, venda de títulos de acções de mais de 70 anos, moedas muito antigas, enfim, uma autêntica "volta ao passado".
A própria organização dos espaços de leitura, as cores, a mobília, tudo o que estivesse relacionado com uma loja de livros era, maioritariamente, arte de bom gosto.
O mundo onde era fácil parar no tempo, tal como nas ruas circundantes a Cedofeita ou Clérigos ou Miguel Bombarda, para dar termos de comparação com o Porto.
Mostro eu estes exemplos porque, tendo eu ido por ocasião de um curso de aperfeiçoamento pianístico/musical, a minha atenção era despertada para estes interesses, mas houve, claro, lugar para outra paixão: o futebol.
Ver jogos do Barça é também ver arte, alegria, emoção em estado puro.Mas ver num café de um dos clubes satélites do Barça é outra coisa. Ainda para mais quando o clube catalão ganha e o Real Madrid empata logo a seguir. Até portugueses por lá encontrei e fizemos "la fiesta" até às tantas pelas Ramblas.
Agora outro registo: um concerto de piano numa sala lindíssima com boa acústica. Agora imaginem, de seguida, um serão de piano mas com castanholas e dançarinas trajadas a rigor. Olé!Se há cidades parecidas com o Porto, onde me sinto em casa, Barcelona é uma delas, sem dúvida. Onde estar num grande jardim, na praia ou museu, a ler ou a ouvir música, nas ruas a mirar as varandas ou a apanhar sol numa esplanada é uma promessa cumprida.

Reacções à manifestação da Geração sem rumo

Escapando às declarações pouco amistosas de alguns dos típicos Velhos do Restelo, bem instalados pelo regimezinho, heis alguns pontos que me levam a repudiar a manifestação de dia 12 de Março:

1- A mesma manifestação persegue um objectivo aparentemente inócuo: pretende unir todas as forças políticas num acto de crítica colectiva.

2- Esse objectivo falha pela simples razão de que as forças políticas reunidas à volta desse protesto são de natureza individualista, partidária ou meramente sectária: pretendem ver na sua causa a principal solução dos problemas.

3- Daí advém todo o falhanço do objectivo principal da manifestação.

A ideia de que a presença de várias opiniões exaltadas num espaço apertado ou num local designado é sinónimo de discussão produtiva de opiniões continua a ser o apanágio do revolucionariozinho da esquerda. Discussão alguma é produtiva em clima de paródia e excitação. Isto é verdade para parlamentos democráticos e para greves ou manifestações. Quem parte para estes tipo de coisas parte já com uma agenda bem planeada a defender, pronta para aproveitar o calor da situação, pronta para a demagogia das massas - e é sempre a "esquerda fracturante" quem melhor se move por este lamaçal de espíritos incomodados.
O mesmo se passou nesta grandiosa romaria que atravessou o país inteiro. As soluções ficaram-se pelos urros de entusiasta - na sua maior parte, espalhou-se a mensagem de que seria o Governo a tratar de empregar os jovens em necessidades. No final de contas, a profecia de Salazar mantém-se: uma vez entregues ao socialismo, os portugueses encostar-se-ão ao Estado.
As mesmas forças que gritam pelo igualitarismo económico e pela destruição de tudo o que conhecemos com nome português em nome dos amanhãs que cantam usam agora os jovens para protestar contra os abusos de uma nação de gerações que, desde a década de 70, pensa exactamente da mesma maneira, com as mesmas aspirações de vida recostada e recursos ilimitados.

Este país é uma proveta de experiências socialistas desde 1974. Não é pelo mesmo caminho que isto vai melhorar - e é exactamente isso que os jovens portugueses têm de compreender.

Portugueza

Reacções à Manifestação da Geração à Rasca

da Ordem Natural
Ver a horrenda manifestação de hoje acaba com as ilusões que qualquer liberal gosta de ter sobre o país em que vive e sobre as novas gerações da gente que o povoa: estes meninos estão obviamente dominados pela visão de um mundo em que os bens não são escassos e em que todas as amenidades da vida são passíveis de distribuição, assim queira o Estado tirar dinheiro a alguns para lhes dar a eles. Os pais e os professores pintaram-lhes certamente um mundo de ilimitados direitos, e os meninos - coitados - acreditaram não só na justiça da redistribuição sistemática, mas - o que é mais estranho - na sua praticabilidade. Agora é tarde para abandonarem a fantasia por seu próprio pé e viver no mundo real. Infelizmente a realidade não é sensível às expectativas dos meninos e meninas e está prestes a bater-lhes à porta.

A mentalidade socialista está, pois, tão entranhada nas cabeças das pessoas da minha geração como estava nas da geração passada. Se isto não prenuncia nada de bom, pelo menos dá-nos uma ideia do que esperar no futuro próximo.

Blogue recomendado

O blogue do Padre José Maria Iraburu.

sábado, 12 de março de 2011

Crítica de concerto (IX)

24/2/011
às 20h (Pois, está quieto, primeiro que os cameraman estivessem "listos" foi uma eternidade)
Auditori Conservatori de Liceu, Barcelona, Espanha.

Concerto em Homenagem a Franz Liszt.

Pianista: Luiz de Moura Castro. Não precisa de grandes apresentações. Basta ver o seu curriculum, ou melhor, perguntar a qualquer pianista que o irá dar as melhores referências dele, pianística (maioritária) e pedagogicamente.

Deu o seu comentário sobre cada peça que ia tocar, numa mistura muito divertida de castelhano com sotaque de português do brazil.

Muito bem humorado e andando muito devagar, demonstrou logo que não vinha fazer nenhum frete. " Não me sinto bem se não vos disser que me apetece mudar de programa. Quem me conhece já sabe que é sempre assim. Gosto de mudar, sempre que o meu espírito me puxa pra outro repertório".

Assim foi.

Começando com Bachianas Brasileiras, número 4, de Heitor Villa-Lobos.

Fiquei sem palavras.

Wienen, Klagen, Variações sobre um tema de Bach - Franz Liszt
Comecei a chorar de alegria.
No fim, ele se levantou, mais forte que nunca, retirou seus óculos e seus olhos lacrimejavam, como se de uma criança se se tratassem.
Tinha acontecido uma dádiva na forma da Grande Música.

E a inspiração celeste continuou.

3 Sonetos de Petrarca - Franz Liszt

Por fim seria São Francisco caminhando sobre as águas - Franz Liszt, mas foram, em vez, as Cenas de Infância, de Robert Schumann.
Tão apropriadas, minha mente se levantou e recordou meus ensinamentos de petiz, minhas amadas leituras de menino feliz, minha doçura inocente...

(...)

Depois do concerto houve um "drink", no qual, entre outras coisas, se festejaram os 70 anos deste Enorme Pianista.
E mais não digo...

P. S. Teve extra? (perguntará o leitor)
Não. Não havia necessidade.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Crítica de concerto (VIII)

Ontem, 10 de Março de 011, concerto de Música de Câmara na Sala Teresa de Macedo, na Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo, parte integrante da programação da Semana Aberta.

Começou pontualmente às 21:30h com "Dunkler Lichtglanz", de Robert Schumann, com os seguintes cantores:

Sara Cruz, Soprano
Liliana Sousa, Contralto,
João Terleira, tenor
André Carvalho, barítono
e ao piano Laura Felício.


Uma peça divertida, com um texto humorado, interpretada com rapidez, intenção mas com pouca leveza.
Todos os momentos eram de grande ênfase, soava tudo sempre forte.
Tanto nas cadências e partes de estabilidade tonal como nas progressões harmónicas, muitas em cromatismo, síntese da intensidade íntima muito presente na obra deste compositor, havia, como dizia, a necessidade de cada um revelar a sua parte o máximo possível. O resultado, por exemplo, era a submersão da Contralto por parte da Soprano, que tem um boa voz mas que exagerava nos crescendos, chegando aos agudos já em nítida desafinação com os restantes, talvez por já estar cansada de tanto cantar naquele dia.

Gostei do Tenor, com boa técnica e coordenação com todos os músicos. O barítono fazia muito bem as suas entradas, tanto rítmica como afinadamente, dentro do molde de harmónicos projectados pelo piano.

Este, sempre respeitador e atento às entradas e respirações dos cantores, demonstrou sentido de condução de estrutura da obra, mas também foi um pouco "na onda" da intensidade em excesso, mas com alguma variedade tímbrica (pouco facilitada no trabalho pelo desconforto gerado por uma "lesão" num dedo).

A soprano nunca olhava para o público, sempre de lado na postura, ao contrário dos restantes, com "interacção". "Esqueceu-se" de mandar calar o público, com o indicador, numa parte da peça, numa clara graçola física inerente a uma referência textual do muito irónico Schumann (algo que se não me dissessem, não ia imaginar).


Seguiu-se Paris 1937 de Fernando Lopes-Graça, para dois pianos.

Ambos estão de parabéns.
A Margot Welleman (a impecável pianista deste concerto) pela sua sagaz e implacável noção de balanço e afirmação rítmica, com uma variedade tímbrica inexcedível no registo grave, num piano que está um caco, muito aberto, em que seria fácil bater/berrar.
O Pedro Costa por ter tocado com febre alta mas com uma desenvoltura, alegria e variedades tímbrica e colorística muito grandes. Vê lá se tens febre mais vezes rapaz!!
Muitos Parabéns!!
Bem, na 2ª parte ouviu-se a "Playfull Quartet", de René Dequanq, pelo ensemble de Saxofones Ventos Novos.
Gostei muito da peça mas não tanto da interpretação. Demasiado vibrante, com muito ar a sair dos instrumentos. Muito alegres a tocar e muito conectados entre eles.
(Et quelle belle fille la bas).
Boa assistência, maioritariamente de cantores . Pena não ter aparecido mais gente de outras "musicalidades". Espero que apareçam nos outros dias.
Isto foi numa noite onde aconteceu outro milagre, além do do Pedro.
O Benfica lá ganhou ao... Paris Saint-German.
Isto é com cada coincidência...
"Cabecinha Pensadooora..."

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Second Creation

“After having lovingly soothed those great wraths and after having calmed those furious tempests with her gaze alone, the Church raised a monument from a ruin, an institution from a custom, a principle from an event, a law from an experience; to say it in a word, order from chaos, harmony from confusion. Undoubtedly, all the instruments used for Her creation, like chaos itself, were taken from that chaos; Hers was only the enlivening and creating force. In that chaos there was, in embryonic form, everything that would be born and live, the Church, bereft of everything, possessed the being and the life, everything came into being and everything came alive when the world lent an attentive ear to her loving words and fixed its gaze on her resplendent beauty.

“No, men had not seen anything like it because they had not seen the first creation, neither will they see it again for there will not be three creations. One might say that God, regretting that He had not made man a witness of the first, allowed His Church a second creation just so man could behold it. ” — Donoso Cortes

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Does the Cosmic Census Bolster Atheists' Claims?
by Jennifer Fulwiler

What I see now is a universe that gives us an ever-present reminder of who and what God really is. The vastness of the universe is unfathomable; to try to contemplate every detail of every object in existence is an exercise in futility. The human mind has nowhere near that kind of capability, and that understanding should inspire us to humility about our own intellectual powers. And so it is when we contemplate God.

It’s a perfect plan, really: the smarter we get, the more we can know about the universe around us. Yet the more we study and measure and chart the heavens, the more we realize how incredibly tiny we are, how very much there is that we will never, ever know. We get a glimpse of the reality that the sum total of human learning cannot ever scratch the surface of what there is to know. We see that we are surrounded by an unfathomably wonderful creation; which points to an unfathomably wonderful Creator.

“As the heavens are higher than the earth, so are my ways higher than your ways, and my thoughts than your thoughts” (Isaiah 55:9).

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O Homem-Massa, ou A Cidadania de Sondagem

O Dissidente a dar-lhe. E na mouche.
Dos Opúsculos de A. Pimenta

Toda a acção do governo, é uma acção de violência, de imposição, de força. Governar é coordenar: coordena-se a bem quem obedece, coordena-se à força quem desobedece. Quem governa manda. E quem manda faz-se obedecer, primeiro, pela persuasão, depois, quando esta é impotente, pela força. Ou o poder reside num homem, ou num grupo de homens, ou numa multidão — a sua base essencial é essa, e não pode ser outra. Uma sociedade não é tanto mais perfeita e civilizada quanto mais cada indivíduo comparticipa do Poder, mas sim quanto mais conscientemente cada indivíduo obedece. A consciência do Dever, a consciência da Obediência, são estádio superiores de Civilização. Não é oportuno que desenvolva até às últimas consequências este conceito, porque não quero afastar-me do meu fim. Mesmo o que fica dito chega para o que tenho em mira.
Portanto, o regime normal é a violência? Quem a detém? Quem a exerce? Um homem? Uma assembleia? Um génio? O Número? Pouco importa, para o caso de saber o que é o governo.

Mas analisadas as consequências de exercer essa violência um homem ou uma Assembleia — nós podemos concluir pelas vantagens ou desvantagens da ditadura individual, pelas vantagens ou desvantagens da ditadura individual, pelas vantagens ou desvantagens da ditadura parlamentar.

A Ditadura individual é pessoal, responsável, contínua, finalista. Sei quem a exerce; sei quem devo julgar pelo bom ou mau resultado da sua acção; sei que não lhe encontro hesitações contraditórias, soluções de continuidade; sei o fim a que ela visa, o destino que a conduz. A ditadura parlamentar é impessoal, irresponsável, contraditória, cega. Quem a exerce é o Número, mas este não tem nome. A responsabilidade de uma assembleia é a irresponsabilidade dos indivíduos, por isso as obras das ditaduras parlamentares não admitem sanção. As opiniões da multidão, são flutuantes, quase instintivas, momentâneas, — donde a ondulação dos seus actos. Formada de elementos heterogéneos, uma assembleia não pode ter um fim uno. A acção do governo quer-se centralizada, e o órgão que a exercer quer-se simplificado.
Augusto Comte observava, com aquela superioridade que caracteriza todas as suas observações, que nunca os inferiores podiam escolher os superiores. Não se compreende que os governados, sem competência para as funções de governo, escolham os governantes. A admissão dessa escolha leva, em última análise, ao princípio incongruente de que são os governantes sem competência para as funções de governo quem governa. Se o princípio parlamentarista assenta na soberania da maioria, e como a incompetência é a maioria, acontece que é a incompetência quem triunfa, quem decide, quem governa. A representação das minorias nada resolve, pois, ao contrário do que muita gente afirma, entendo que da discussão, geralmente, sai mais treva do que luz. As discussões parlamentares são justas de palavrosos — e com palavrosos os povos caminham a estrada que o nosso tem caminhado. No entretanto, a verdade é a mistificação parlamentar entrou tanto no quadro dos vícios, irreprimíveis, que, à semelhança do que acontece com o jogo, será bom regulamentá-la. A regulamentação do parlamentarismo consistirá, assim, em conceder a capacidade eleitoral apenas aos que, presumivelmente, podem e sabem dispor do seu voto, e em restringir as funções parlamentares ao mínimo. A primeira medida contribuirá para a repressão da anarquia da Opinião Pública; a segunda, para a limitação da anarquia das esferas governativas.

Poucos têm insistido tanto, entre nós, em criticar a Democracia, por ela se basear no Número, como eu.

Sempre que posso, isto é, sempre que tenho pretexto para tal, chamo a atenção dos espíritos reflectidos para a absoluta sem razão que existe numa Doutrina que faz depender a verdade da opinião da maioria.
E digo que a verdade é independente do número dos que a professam, podendo estar na minoria, estando, mesmo, por via da regra, fora da maioria. É que não podendo ela ser, e não devendo ser resultante da inteligência média que aliás é uma quimera, mas sim das inteligências superiores, e não sendo estas nunca, em grande número, nos meios sociais, evidentemente que ou ela sai do reduzido grupo das inteligências superiores, e não é, portanto, obra da maioria, ou sai desta, por maioria ser, e representa a cooperação das inteligências inferiores.


Nas Democracias, porque o Número é a ultima ratio, acontece que a direcção da sua vida e a solução dos seus problemas cabem ao Anonimato, à irresponsabilidade, porque o Número, por definição, é anónimo, e, portanto, irresponsável.
.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Portugalidade

Texto na íntegra aqui - agradecimentos à Tribuna:


Porque doutrinador de Portugalidade — monárquico, porque foi a Monarquia que fez Portugal, mas a Monarquia pura, a Monarquia tradicional, a que vem de 1128, se afirma em Ourique, se consolida em Aljubarrota, rasga o caminho marítimo da Índia, cria o Império, sucumbe, devagar, em Alcácer, e ressuscita em 1640, para cair, apunhalada pelas costas, em 1834, em Évora-Monte.
Porque doutrinador de Portugalidade — monárquico, mas da Monarquia que fez a Nação, e não da que começou a desfazê-la; da Monarquia em que o Rei é a síntese viva do Povo, da Monarquia que ama o Povo, que se confunde com o próprio Povo — mas o Povo verdadeiro, e não o Povo dos Partidos, o Povo pulverizado em indivíduos que são números; a Monarquia que é o próprio Povo, o Povo trabalhador, — camponês, soldado, marinheiro, artífice, doutor, padre, letrado, sábio, artista, funcionário, e não o Povo vadio e tunante das conjuras, das alfurjas, dos apetites das facções, dos grupos e dos clubes políticos, dos demagogos e arruaceiros.
Porque doutrinador da Portugalidade — inimigo da Democracia que, entrando as nossas fronteiras nas mochilas das hordas napoleónicas representativas da Revolução Francesa, nos veio dementar, e se instalou no Poder em 1820, e tomou conta definitivamente do Estado, sob a máscara de Monarquia, em 1834, com o Senhor D. Pedro, Imperador do Brasil, e sem máscara, em 5 de Outubro de 1910, por obra e graça da Carbonária de Lisboa.
Porque doutrinador de Portugalidade — inimigo do Liberalismo político que matou as liberdades profissionais ou corporativas, e as regalias municipais — preanunciando o Standardismo comunista.
Porque doutrinador de Portugalidade — adversário do Parlamentarismo que é a falsificação do Supremo Interesse Nacional.
Porque doutrinador de Portugalidade — amigo do Povo, cheio de carinhos para as suas desditas, cheio de entusiasmo fervoroso para as suas glórias, ríspido, às vezes, para os seus desmandos, mas sempre zeloso das suas virtudes, e, consequentemente, inimigo declarado e implacável dos exploradores das suas paixões e dos seus instintos, dos que, sistematicamente, fazem dele degrau para as suas ambições mais depravadas, e para a satisfação dos seus interesses mais inconfessáveis.
Porque doutrinador de Portugalidade — defensor do Povo contra os Mitos que o fascinam e pervertem, contra as nuvens que o embriagam e corrompem, contra as Miragens que o seduzem e estrangulam.
Porque doutrinador de Portugalidade — nacionalista integral, pondo acima de tudo, e de todas as considerações, o Interesse legítimo, o Prestígio honesto, a grandeza eterna, e a honra Imaculada da Pátria — e por isso mesmo católico e monárquico.

Crítica de concerto (VII) - parte II

Clepsydra

A impotência perante o caminho galopante do tempo leva-nos a sentirmo-nos reduzidos a pequenas dimensões quando comparados com a imensidão temporal que passa por nós. Invariavelmente ansiosos, desejamos que o tempo pare somente por breves instantes, que por momentos tudo fique reduzido ao silêncio, onde a única fonte de som e vida sejamos nós.
Se o fizéssemos, seriamos extremamente poderosos.

Igor C. Silva

Este é o texto que aparece quando abrimos a partitura da peça do Compositor (ou será ainda aspirante? Pelo menos, o mesmo referiu-se naquela hora como "plenamente realizado como compositor"). Dá logo vontade de ver o resto.

O texto "fala" por si.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves