quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Pequeno retábulo da minha pessoa (Crónica IV)

Um dia, a Minina do Mar vociferou,
Mas como ninguém a achava má,
Ela acalmou.
Um rapaz, dentre eles, declamou.
E ela corou.
Ele, muito graciosamente, galanteou.
E ela gostou.

Não sabemos se namorou.
Isso fica para outra história.
A História da Ave sem Eira nem beira.


Assim dedicou.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Recordações da Hungria (III)

Agora que tanto se fala em Brazil pelas piores, num início nada alegre de presidência por parte do mandato de Dilma Roussef (admito que tive de ir ao google ver qual era mesmo o nome, tchiii), e porque as lembranças de Budapest são mais que muitas, relembro-me da questão, aflorada por um colega brazileiro (nas aulas de coro, sempre muitíssimo fáceis de seguir, pela correcção de afinação e terrivelmente entediantes, por causa da língua), de que o facto de se ter apostado quase exclusivamente na defesa dos mais pobres com tudo quanto era subsídios, empréstimos, apoios sociais em geral levou à quase eliminação da sustentabilidade da classe média, aquela que normalmente advoga da promoção de actividades musicais aos seus educandos, nos Conservatórios e Academias.
Pois se assim era (e é), pois então a qualidade, dizia-me ele, tinha sido nivelada por baixo, em que ter aulas em escolas públicas era o pior terror, onde só iam quem queria ter as melhores notas de forma mais barata, pois nas Faculdades privadas, bem pagas, existia uma vergonhosa compra de créditos e facilidades de obtenção de grandes notas em certas cadeiras, o que fazia com que fossem rotulados de "mercadores d'herança comprada", pois se tudo lá era comprado. Os melhores Professores a saírem das escolas e a darem aulas particulares e em privadas (onde é que eu já vi isto???!!!), o Estado a defender que existem muito menos pobres, a classe média a repetir até à exaustão que tinham de sair do país para não ficarem num país onde todos pensavam como operários, na força e não na razão.
Ele era um deles, com família de "trabalhadores humildes", viu-se forçado a separar-se dos seus mais próximos familiares, ele que nunca tinha ouvido Música Erudita num verdadeiro concerto, só algumas amostras de tentativas de estereotipação por parte do Estado (sempre ele).

E só consigo pensar nas aulas de coro, sempre Még több zene!!!!

A Ruína - Século VIII

This masonry is wondrous; fates broke it
courtyard pavements were smashed; the work of giants is decaying.
Roofs are fallen, ruinous towers,
the frosty gate with frost on cement is ravaged,
chipped roofs are torn, fallen,
undermined by old age. The grasp of the earth possesses
the mighty builders, perished and fallen,
the hard grasp of earth, until a hundred generations
of people have departed. Often this wall,
lichen-grey and stained with red, experienced one reign after another,
remained standing under storms; the high wide gate has collapsed.
do Livro de Exeter, poema anglo-saxão, autor desconhecido

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Recordações da Hungria (II)

Um colega meu, holandês (meio maluco, meio Tom Cruise, fora o pleonasmo) estudava esta peça(com um excerto aqui) imensas vezes em Budapest, o ano passado.


Tem imensas peripécias, sempre relacionadas com o Tema inicial. Se fôssemos a usar a nomenclatura de Charles Rosen, e de forma sempre livre, tratam-se de variadas formas de criação de tensão e não uma mera aglomeração harmónica desobstinada.


Esta interpretação, juntamente com a de Sviatoslav Richter, são únicas na absorção do lirismo inerente, na forma de nos libertarmos através da música, dos nossos sentimentos mais introspectivos.



E relembra-me Budapest....

Na Floresta Romântica

Em cada poeta ou músico, sussurrava profeticamente a velha floresta das lendas, povoada por presenças estranhas. Era já familiar um novo canto, uma melodia banal cintilava de milagres possíveis.



Era disto que precisava, para me ressuscitar a mente, os dedos terrivelmente fatigados, os ouvidos cheios de dissonâncias, de notas repetidas...

Estudar implica paciência,

ouvir também,

E isto fez-me bem.

Alma acalmada.


"A alma do indivíduo deve pôr-se em uníssono com a alma do mundo. A natureza é uma cidade petrificada por magia (...) uma flor é um ser inteiramente poético."

- Novalis -

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Pequeno retábulo da minha pessoa (Crónica III)

Didascálias:


(Assertivo) - Sim
Porquê?
- Porque sim
E porque não?
(Pensativo) - Talvez,
(Impertinente) Todavia...
(Derrotado) - Pois,
(Hesitante) Mas
(Ressuscitado) - Qual?
(O) Como
- E onde?
(Com desdém) Dito cujo.
(Hipócrita) - Claro!
Quando?
- Porém
O quê?
(Altivo) - Filho
Sim?
- Adeus
(Prepotente) Duvido
(Incrédulo) - Mas...
Eu também
- Quem?
Nada
- (A) Tal?
Mal
- Muito?
Defunto
- Foi?
Ficou
- Certo.
(EXPLOSIVO) ¿!ERRADO!?
- Pôde...
(Implorante) Então?
- Sim.
Porquê?
(...)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Reminiscências Literárias

De Apolo Ode XXVIII

De Apolo o carro rodou pra fora
Da vista. A poeira que levantara
Ficou enchendo de leve névoa
o horizonte;

A flauta calma de Pã, descendo
Seu tom agudo no ar pausado,
Deu mais tristezas ao moribundo
Dia suave.

Cálida e loura, núbil e triste,
Tu, mondadeira dos prados quentes,
Ficas ouvindo, com os teus passos
Mais arrastados,

A flauta antiga do deus durando
Com o ar que cresce pra vento leve,
E sei que pensas na deusa clara
Nada dos mares,

E que vão ondas lá muito adentro
Do que o teu seio sente cansado
Enquanto a flauta sorrindo chora
Palidamente.

Para ser grande, sê inteiro: nada Ode LXXXIV


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive



Ricardo Reis

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Do Poemario de Antonio Moreno Ruiz

CAVALEIRO MONGE
Olhando ao mar,
Desde o profundo monte,
Tem forte o peito,
O cavaleiro monge.

Sacro estandarte porta,
Com uma cruz vermelha,
Emblema limpo que vai,
Numa branca bandeira.

Cristo é a sua ordem,
Cristo é o seu general,
Cristo ilumina sua monarquia,
Bendita coroa de Portugal.


Cavaleiro das quinas,
Sangue de Viriato,
Guarda das estrelas,
Do céu lusitano.

Do Medievo filho,
Valente e nobre cavaleiro,
Clarão de forte garganta,
Luz de católico império.

Cavaleiro da liberdade,
Cavaleiro do Evangelho,

Oh, cavaleiro monge,
Espada firme do mosteiro.

Cavaleiro monge,
Eco da bela história,
Quanta vida nos caminhos,
Cruzado da glória.

Cavaleiro português,
Cavaleiro monge,
É possível que ainda,
Nao fiques tão longe....

Publicado por Antonio Moreno Ruiz

Concerto de Ano Novo

Ora cá estou de volta, com as minhas dissertações e afinidades com o universo da Música Erudita
Neste ano de 2011 ainda não reflectido sobre música para o Leitor, somente acerca de algumas das minhas preferências televisivas.
Pois recomeço a senda dos artigos com algo que muito feliz me faz sempre que o vejo.
Porque é um sinal de que a minha vida continua num novo ano civil;
Porque são largos momentos de belas melodias dançantes, depois da grande Festa da noite anterior;
Porque me enche de alegria ver e ouvir Música bem feita, num lugar mítico e deslumbrante, como se o tempo não passasse por aquele lugar da Europa.

Estou a falar-vos, pois é claro, do Concerto de Ano Novo, que há muitos anos se realiza na majestosa sala que é "Musikverein", Large Hall, em Vienna, Austria, no dia 1 de Janeiro, pelas 14:15h (hora portuguesa). Com a excelente e prestigiada Orquestra Filarmónica de Viena.

E claro, sendo uma trasnmissão europeia, começa sempre com isto (até ao segundo 17, não foi possível arranjar em separado).

As valsas, lindas, rápidas, curtas, longas, deleitosas, ondulantes, enchem os meus sentidos.

O momento em que temos o privilégio de poder ver um pouco de Ballet Clássico, sempre acompanhado de um Valsa Vienense, é o meu momento favorito. Os passos de dança são sempre em requintados, belíssimos e cheios de charme castelos ou palácios, casas de verão ou de Inverno de Senhores da alta Nobreza, com pinturas, decorações nas paredes que nos transportam para outro tempo, outra delicadeza de trato, outra atmosfera que nos envolve e nos "ensina" a tradição do belo prazer que é a Grande Música Ocidental.
Fico sempre com vontade de poder, através do possível enquadramento de peças orquestrais para piano, deslizar com os meus dedos através desse fenómeno de inspiração.
Claro que escolho, entre outras, Valsas de Chopin, a Valsa do Danúbio de Johann Strauss, Jr. (1825-1899), muito popular, etc etc.
Algumas vezes aparecem frondosas viagens pelo Rio Danúbio, passando pela muita querida Budapest, seu Parlamento e sua ilha.

Este ano, a título de curiosidade, foram tocadas duas peças em homenagem a Franz Liszt, no seu 200º aniversário de nascimento. (como há muito prometido, irei escrever mais adiante sobre ele).

Infelizmente, este ano a orquestra escolheu um maestro muito enfadonho, sem chama, sem postura em palco, sem aquele savoir-faire de quem já fez o trabalho todo e agora demonstra desfrutar do momento, Muito apático.

Até agora o meu preferido, daqueles que me lembro de ter visto, é o 1989. Carlos Kleiber fez uma escolha assombrosa, na mouche.

Aguardem pelo próximo artigo, nele referirei essas lindas "brincadeiras musicais".

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Democracia é Cristã?

A DEMOCRACIA NÃO É CRISTÃ

de Joaquim Maria Cymbron

Com efeito, o cristianismo é mansidão e humildade; a democracia, acusando fortes ressaibos do naturalismo, explode de rebeldia e orgulho. O cristianismo, porque é divino, ensina ao homem a verdadeira liberdade; a democracia, possessa de uma soberba autossuficiência, acorrenta o homem à grilheta dos seus instintos bestiais. O cristianismo, expressão pura da verdade, aponta a única igualdade possível: a igualdade ontológica de princípio e de fim, igualdade comum a todo o homem pela simples condição da sua natureza humana; a democracia, falaciosa de raiz, apregoa uma igualdade em que se cavam diferenças cada vez maiores. O cristianismo, porque é a doutrina excelsa d'Aquele que nos resgatou e pediu ao Pai para nos adoptar como filhos, faz-nos a todos irmãos e convida-nos a que, na caridade, nos tratemos como tais; a democracia, por ignorar estas coisas sublimes, não tem ajudado senão à luta de classes, enquanto não termina na ominosa quietude dos totalitarismos.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

In Mises Institute - A Boa Liberdade Suíça

Freedom Swiss style: Pay a per head tax on your pet or the state will kill it.

So much for private property—one’s pet—being one’s own. If pet owners don’t pay the state money, most of which goes into someone else’s pocket, it will come after them. A local Swiss politician described it for what it is:

“It’s meant to put pressure on people who don’t cooperate.”

That’s what’s called “liberty” by socialists.

1521 na História

O ano de 1521 tem vindo a ser apontado por alguma historiografia portuguesa como a data simbólica do fim do Modelo de Estado Medieval e o início da Idade Moderna em Portugal.

A data não podia ser mais apropriada quando contextualizada internacionalmente. Ligado ao evento da morte do Rei Venturoso, está outro que marca profundamente a mudança da dinâmica social europeia e a teoria política do Estado - em 1521, Martinho Lutero persiste nos seus dogmas heréticos, na Dieta de Würmz, retirando-se para Worzburg auxiliado e protegido pelos príncipes do norte da Alemanha.
Nesse mesmo ano começa a conversão ao protestantismo da Europa do Norte, com a subida ao trono de Gustav Vasa na Suécia.
Do ponto de vista da nossa política externa, também a balança muda para Portugal: Magalhães chega às Filipinas, onde falece numa escaramuça com os nativos - no entanto, a sua expedição de circum-navegação ao serviço do reino de Espanha continuará.
Na América Latina, Cortez esmaga os Aztecas com o auxílio das tribos que o apoiaram.

As razões para tal data são muito simples: o estado de graça até então vivido pelo reino de Portugal, pioneiro da exportação da parte de europeus das suas instituições jurídicas, sociais e políticas para outros pontos do mundo inexplorado até então, aproxima-se do fim. O estado português de Dom Manuel I ainda é muito semelhante ao estado medieval dos seus antepassados, e a administração colonial portuguesa mostra muitos desses sinais. É com a morte de Dom Manuel I, em 1521, que esse período áureo de inocência terminará, e o reinado seguinte terá de enfrentar, numa escala totalmente diferente, o crescimento da concorrência comercial e militar de outras potências europeias e asiáticas, o crescimento da burocracia de um império cada vez mais penoso de manter, toda uma nova complexidade a nível do contexto mundial que acabará por mudar o nosso país.
In Distributivist Review
When it comes to economics, things get even goofier. For example, Murray N. Rothbard of the Austrian School of Economics, spends the first part of his book A History of Money and Banking in the United States arguing the hard money position that fiat currency is dangerous, and that when states create funny money things go wrong. He spends the second part of his book arguing that once individual banks start dealing with the creation of money via fractional reserve lending, the government should keep its hands off. In other words, funny money is bad, but government regulation of such is worse. This is the same as saying drug abuse is horrible and thus it’s terrible for the state to push dope, but it’s OK for individuals to. In this superstitious mood of libertarianism, the government is always more evil than anything that it seeks to correct.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Rome, Rum and Rebellion



Terrified of the open road
Yeah, where it leads ya never know
But rest assured he`ll be on you back
Yeah, the Holy Ghost through his tounges in black
As th band dog howls and the young girl cries
The blessed virgin in her proud dad`s eye
The albatross hangin' round your neck
Is the cross you bare for your sins he bleeds
Rebels are we, though heavy our hearts shall always be
Ah, no ball or chain no prison shall keep
We`re the rebels of the sacred heart

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves