segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Pequeno retábulo da minha pessoa (Crónica III)

Didascálias:


(Assertivo) - Sim
Porquê?
- Porque sim
E porque não?
(Pensativo) - Talvez,
(Impertinente) Todavia...
(Derrotado) - Pois,
(Hesitante) Mas
(Ressuscitado) - Qual?
(O) Como
- E onde?
(Com desdém) Dito cujo.
(Hipócrita) - Claro!
Quando?
- Porém
O quê?
(Altivo) - Filho
Sim?
- Adeus
(Prepotente) Duvido
(Incrédulo) - Mas...
Eu também
- Quem?
Nada
- (A) Tal?
Mal
- Muito?
Defunto
- Foi?
Ficou
- Certo.
(EXPLOSIVO) ¿!ERRADO!?
- Pôde...
(Implorante) Então?
- Sim.
Porquê?
(...)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Reminiscências Literárias

De Apolo Ode XXVIII

De Apolo o carro rodou pra fora
Da vista. A poeira que levantara
Ficou enchendo de leve névoa
o horizonte;

A flauta calma de Pã, descendo
Seu tom agudo no ar pausado,
Deu mais tristezas ao moribundo
Dia suave.

Cálida e loura, núbil e triste,
Tu, mondadeira dos prados quentes,
Ficas ouvindo, com os teus passos
Mais arrastados,

A flauta antiga do deus durando
Com o ar que cresce pra vento leve,
E sei que pensas na deusa clara
Nada dos mares,

E que vão ondas lá muito adentro
Do que o teu seio sente cansado
Enquanto a flauta sorrindo chora
Palidamente.

Para ser grande, sê inteiro: nada Ode LXXXIV


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive



Ricardo Reis

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Do Poemario de Antonio Moreno Ruiz

CAVALEIRO MONGE
Olhando ao mar,
Desde o profundo monte,
Tem forte o peito,
O cavaleiro monge.

Sacro estandarte porta,
Com uma cruz vermelha,
Emblema limpo que vai,
Numa branca bandeira.

Cristo é a sua ordem,
Cristo é o seu general,
Cristo ilumina sua monarquia,
Bendita coroa de Portugal.


Cavaleiro das quinas,
Sangue de Viriato,
Guarda das estrelas,
Do céu lusitano.

Do Medievo filho,
Valente e nobre cavaleiro,
Clarão de forte garganta,
Luz de católico império.

Cavaleiro da liberdade,
Cavaleiro do Evangelho,

Oh, cavaleiro monge,
Espada firme do mosteiro.

Cavaleiro monge,
Eco da bela história,
Quanta vida nos caminhos,
Cruzado da glória.

Cavaleiro português,
Cavaleiro monge,
É possível que ainda,
Nao fiques tão longe....

Publicado por Antonio Moreno Ruiz

Concerto de Ano Novo

Ora cá estou de volta, com as minhas dissertações e afinidades com o universo da Música Erudita
Neste ano de 2011 ainda não reflectido sobre música para o Leitor, somente acerca de algumas das minhas preferências televisivas.
Pois recomeço a senda dos artigos com algo que muito feliz me faz sempre que o vejo.
Porque é um sinal de que a minha vida continua num novo ano civil;
Porque são largos momentos de belas melodias dançantes, depois da grande Festa da noite anterior;
Porque me enche de alegria ver e ouvir Música bem feita, num lugar mítico e deslumbrante, como se o tempo não passasse por aquele lugar da Europa.

Estou a falar-vos, pois é claro, do Concerto de Ano Novo, que há muitos anos se realiza na majestosa sala que é "Musikverein", Large Hall, em Vienna, Austria, no dia 1 de Janeiro, pelas 14:15h (hora portuguesa). Com a excelente e prestigiada Orquestra Filarmónica de Viena.

E claro, sendo uma trasnmissão europeia, começa sempre com isto (até ao segundo 17, não foi possível arranjar em separado).

As valsas, lindas, rápidas, curtas, longas, deleitosas, ondulantes, enchem os meus sentidos.

O momento em que temos o privilégio de poder ver um pouco de Ballet Clássico, sempre acompanhado de um Valsa Vienense, é o meu momento favorito. Os passos de dança são sempre em requintados, belíssimos e cheios de charme castelos ou palácios, casas de verão ou de Inverno de Senhores da alta Nobreza, com pinturas, decorações nas paredes que nos transportam para outro tempo, outra delicadeza de trato, outra atmosfera que nos envolve e nos "ensina" a tradição do belo prazer que é a Grande Música Ocidental.
Fico sempre com vontade de poder, através do possível enquadramento de peças orquestrais para piano, deslizar com os meus dedos através desse fenómeno de inspiração.
Claro que escolho, entre outras, Valsas de Chopin, a Valsa do Danúbio de Johann Strauss, Jr. (1825-1899), muito popular, etc etc.
Algumas vezes aparecem frondosas viagens pelo Rio Danúbio, passando pela muita querida Budapest, seu Parlamento e sua ilha.

Este ano, a título de curiosidade, foram tocadas duas peças em homenagem a Franz Liszt, no seu 200º aniversário de nascimento. (como há muito prometido, irei escrever mais adiante sobre ele).

Infelizmente, este ano a orquestra escolheu um maestro muito enfadonho, sem chama, sem postura em palco, sem aquele savoir-faire de quem já fez o trabalho todo e agora demonstra desfrutar do momento, Muito apático.

Até agora o meu preferido, daqueles que me lembro de ter visto, é o 1989. Carlos Kleiber fez uma escolha assombrosa, na mouche.

Aguardem pelo próximo artigo, nele referirei essas lindas "brincadeiras musicais".

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Democracia é Cristã?

A DEMOCRACIA NÃO É CRISTÃ

de Joaquim Maria Cymbron

Com efeito, o cristianismo é mansidão e humildade; a democracia, acusando fortes ressaibos do naturalismo, explode de rebeldia e orgulho. O cristianismo, porque é divino, ensina ao homem a verdadeira liberdade; a democracia, possessa de uma soberba autossuficiência, acorrenta o homem à grilheta dos seus instintos bestiais. O cristianismo, expressão pura da verdade, aponta a única igualdade possível: a igualdade ontológica de princípio e de fim, igualdade comum a todo o homem pela simples condição da sua natureza humana; a democracia, falaciosa de raiz, apregoa uma igualdade em que se cavam diferenças cada vez maiores. O cristianismo, porque é a doutrina excelsa d'Aquele que nos resgatou e pediu ao Pai para nos adoptar como filhos, faz-nos a todos irmãos e convida-nos a que, na caridade, nos tratemos como tais; a democracia, por ignorar estas coisas sublimes, não tem ajudado senão à luta de classes, enquanto não termina na ominosa quietude dos totalitarismos.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

In Mises Institute - A Boa Liberdade Suíça

Freedom Swiss style: Pay a per head tax on your pet or the state will kill it.

So much for private property—one’s pet—being one’s own. If pet owners don’t pay the state money, most of which goes into someone else’s pocket, it will come after them. A local Swiss politician described it for what it is:

“It’s meant to put pressure on people who don’t cooperate.”

That’s what’s called “liberty” by socialists.

1521 na História

O ano de 1521 tem vindo a ser apontado por alguma historiografia portuguesa como a data simbólica do fim do Modelo de Estado Medieval e o início da Idade Moderna em Portugal.

A data não podia ser mais apropriada quando contextualizada internacionalmente. Ligado ao evento da morte do Rei Venturoso, está outro que marca profundamente a mudança da dinâmica social europeia e a teoria política do Estado - em 1521, Martinho Lutero persiste nos seus dogmas heréticos, na Dieta de Würmz, retirando-se para Worzburg auxiliado e protegido pelos príncipes do norte da Alemanha.
Nesse mesmo ano começa a conversão ao protestantismo da Europa do Norte, com a subida ao trono de Gustav Vasa na Suécia.
Do ponto de vista da nossa política externa, também a balança muda para Portugal: Magalhães chega às Filipinas, onde falece numa escaramuça com os nativos - no entanto, a sua expedição de circum-navegação ao serviço do reino de Espanha continuará.
Na América Latina, Cortez esmaga os Aztecas com o auxílio das tribos que o apoiaram.

As razões para tal data são muito simples: o estado de graça até então vivido pelo reino de Portugal, pioneiro da exportação da parte de europeus das suas instituições jurídicas, sociais e políticas para outros pontos do mundo inexplorado até então, aproxima-se do fim. O estado português de Dom Manuel I ainda é muito semelhante ao estado medieval dos seus antepassados, e a administração colonial portuguesa mostra muitos desses sinais. É com a morte de Dom Manuel I, em 1521, que esse período áureo de inocência terminará, e o reinado seguinte terá de enfrentar, numa escala totalmente diferente, o crescimento da concorrência comercial e militar de outras potências europeias e asiáticas, o crescimento da burocracia de um império cada vez mais penoso de manter, toda uma nova complexidade a nível do contexto mundial que acabará por mudar o nosso país.
In Distributivist Review
When it comes to economics, things get even goofier. For example, Murray N. Rothbard of the Austrian School of Economics, spends the first part of his book A History of Money and Banking in the United States arguing the hard money position that fiat currency is dangerous, and that when states create funny money things go wrong. He spends the second part of his book arguing that once individual banks start dealing with the creation of money via fractional reserve lending, the government should keep its hands off. In other words, funny money is bad, but government regulation of such is worse. This is the same as saying drug abuse is horrible and thus it’s terrible for the state to push dope, but it’s OK for individuals to. In this superstitious mood of libertarianism, the government is always more evil than anything that it seeks to correct.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Rome, Rum and Rebellion



Terrified of the open road
Yeah, where it leads ya never know
But rest assured he`ll be on you back
Yeah, the Holy Ghost through his tounges in black
As th band dog howls and the young girl cries
The blessed virgin in her proud dad`s eye
The albatross hangin' round your neck
Is the cross you bare for your sins he bleeds
Rebels are we, though heavy our hearts shall always be
Ah, no ball or chain no prison shall keep
We`re the rebels of the sacred heart

sábado, 8 de janeiro de 2011

Human Shields

um exemplo de bondade
Egypt’s majority Muslim population stuck to its word Thursday night. What had been a promise of solidarity to the weary Coptic community, was honoured, when thousands of Muslims showed up at Coptic Christmas eve mass services in churches around the country and at candle light vigils held outside.
From the well-known to the unknown, Muslims had offered their bodies as “human shields” for last night’s mass, making a pledge to collectively fight the threat of Islamic militants and towards an Egypt free from sectarian strife.

Long Life Working and You're Dead

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

...E ao presente também

Adorei ver a série da BBC - Sherlock, na RTP2, pena já ter sido o 2º episódio ( mais info aqui e aqui ).
Surpreenderam-me o ritmo da história, a movimentação das personagens, o sarcasmo de Holmes e o estado naïve e mulherengo de Watson.
Bem diferente, por exemplo, da bonomia, gentileza e pacatez do belga (e não franciú, como detestava ser chamado) Hercule Poirot (I just love this music) (a voz do actor é incrivelmente diferente da do personagem - brilhante).

À memória eu me confesso (II)...

Pois não é que, suddenly e num puro acto do mais elementar estado de sedentarismo (isto, depois de passar horas a descobrir harmonias, melodias e manias ao piano, às vezes acontece), me deparo com Michael Knight e o KITT - o Justiceiro, na RTP Memória.
As memórias revolveram-me a mente, levaram-me, transportaram-me para um tempo sem tempo, sem obrigações, numa pátria e numa parte dela com a cultura que mais impressionou uma criança aí criada- a francesa.
Ouvir o Kitt a falar em francês era delicioso (ainda será); quando a música - hipnotizante, repetitiva, corpórea começava, eu corria tanto que assustava a minha mãe e largava os livros e os pensamentos por momentos e passava um bom bocado.
O incrível é haver imensas coisas que depois passaram a usar este tipo de música, ela própria a variar de tom, e desenhos animados a usar algumas cenas (tal como fizeram com os Sopranos, The GodFather e outros).

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Da Adoração do Dinheiro

THE EVERLASTING MAN by G.K. CHESTERTON

Why do men entertain this queer idea that what is sordid must always overthrow what is magnanimous; that there is some dim connection between brains and brutality, or that it does not matter if a man is dull so long as he is also mean? Why do they vaguely think of all chivalry as sentiment and all sentiment as weakness? They do it because they are, like all men, primarily inspired by religion. For them, as for all men the first fact is their notion of the nature of things; their idea about what world they are living in. And it is their faith that the only ultimate thing is fear and therefore that the very heart of the world is evil. They believe that death is stronger than life, and therefore dead things must be stronger than living things; whether those dead things are gold and iron and machinery or rocks and rivers and forces of nature. It may sound fanciful to say that men we meet at tea table es or talk to at garden-parties are secretly worshippers of Baal or Moloch. But this sort of commercial mind has its own cosmic vision and it is the vision of Carthage. It has in it the brutal blunder that was the ruin of Carthage. The Punic power fell, because there is in this materialism a mad indifference to real thought. By disbelieving in the soul, it comes to disbelieving in the mind. Being too practical to be moral it denies what every practical soldier calls the moral of an army. It fancies that money will fight when men will no longer fight. So it was with the Punic merchant princes. Their religion was a religion of despair, even when their practical fortunes were hopeful. How could they understand that the Romans could hope even when their fortunes were hope less? Their religion was a religion of force and fear; how could they understand that men can still despise fear even when they submit to force? Their philosophy of the world had weariness in its very heart; above all they were weary of warfare; how should they understand those who still wage war even when they are weary of it? In a word, how should they understand the mind of Man, who had so long bowed down before mindless things, money and brute force and gods who had the hearts of beasts? They awoke suddenly to the news that the embers they had disdained too much even to tread out were again breaking everywhere into flames; that Hasdrubal was defeated that Hannibal was outnumbered, that Scipio had carried the war into Spain; that he had carried it into Africa. Before the very gates of the golden city Hannibal fought his last fight for it and lost; and Carthage fell as nothing has fallen since Satan. The name of the New City remains only as a name. There is no stone of it left upon the sand.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves