sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Quem Semeia Tempestades...

Tiriricas não são uma consequência maléfica da democracia de massas: é apenas um vislumbre do seu natural rumo de acção.
Quem quer soberania popular e quer levar com burguesinhos bem educados não pede mais do que a sua dose diária de desapontamento.
De facto, entre o Tiririca e os Quartins da Causas Real há apenas uma diferença de nível de vocabulário - e milhares de euros gastos numa educação sobrevalorizada: ambos são igualmente incompatíveis com a qualidade necessária para reger um país ou fazer parte de um corpo legislativo.
A história da monarquia na Europa continuará repetitiva como crochet - enquanto o democratismo continuar a ser experimentado por mera confusão entre democracia e demofilia, só nos resta esperar que apareçam uns novos Integralistas de 40 em 40 anos para reavivar o que as crenças de uns matam.

Para quem tanto gosta de confederações luso-qualquer coisas, só ficava bem um Tiririca como Chanceler-mor.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Ode à elevada sensação de Exílio


Corre, voa o paxariño
Levalle o meu corazón
Pendorado no biquiño
Dille que eu seu fillo son

Dille que eu quero volver
E de novo nas túas rías
Nalgun espello me ver
Quero outear as campiñas
Arrencender teus airiños
Antes que poida morrer

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Crítica discográfica

Convido todos os leitores interessados na boa música de estilo jazz portuguesa a ouvir com atenção o novo CD do "Mário Laginha Trio", "Mongrel", uma homenagem ao compositor romântico polaco (que viveu muitos anos em França) Frédéric Chopin, no ano do seu 200º aniversário - 1810/1849.
Interessante ponto de vista para defender o facto de usar uma música de um compositor que muito apreciava a improvisação.
Excelente escolha de peças, dos vários estilos, Nocturnos, Valsa, Prelúdio, etc, onde se percebe perfeitamente a melodia ou harmonia utilisadas. Excelente "diversão" entre o Contrabaixo, o Piano e a Bateria.
Penso que é um autêntico álbum, a ouvir do princípio ao fim.
Excelente prenda para o Natal.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Espaços culturais - Regularidade de programação ao alcance de todos

A ida ao Auditório de Espinho, fez-me pensar nos espaços que existem para a divulgação de trabalhos/apresentações das mais variadas artes. Comparando com o que havia há 15/20 anos, por exemplo, existe uma incomparável melhoria. Agora há mais e melhores sítios para actividades culturais.
Em 2009/2010, como aluno ERASMUS, terminei a Licenciatura em Piano na Academia Ferencz Liszt, em Budapest, Hungria (local que os pianistas acima referenciados também frequentaram). As diferenças foram enormes, principalmente na língua e na tradição do meio Musical que fui encontrar. O facto de a Academia estar a dois passos tanto do edifício da Ópera como de várias salas de espectáculo muito importantes do Teatro, da Broodway/Musicais das pequenas e grandes orquestras, das Salas de Exposições, dos Museus, com uma profusão de Cafés Centenários, de Cinemas e Bares pressupõe uma organização de uma parte enorme da cidade para os edifícios de Cultura e Entretenimento, facilitando o movimento e publicidade de todas as formas de Arte.
Aqui, em Portugal, já podemos notar esta organização a dar frutuosas provas de um investimento que se realizou, essencialmente, por parte do Poder Local. É disso exemplo o Concelho de Valongo e, mais propriamente, a cidade de Ermesinde. Basta ver a capa do número 862 do Jornal "A Voz de Ermesinde" para se constatar esse facto importantíssimo. A cultura é apresentada com cada vez mais regularidade. Isto acontece em Vila Real, Coimbra, Bragança, Guimarães (que será Capital Europeia da Cultura em 2012), Braga, Cernancelhe, Fundão, Castelo Branco, Serpa, Faro, só para citar algumas cidades, que a lista já vai longa.
É verdade que alguns locais foram perdendo força como motores de cultura eclética, como o Rivoli ou - em menor escala, por tradição já de si elitista - o Ateneu Comercial do Porto. Vemos, por outro lado, o Clube Literário com grande pujança no domínio da Música, a manutenção da programação no Salão Árabe do Palácio da Bolsa, a renovação da programação do Conservatório de Música do Porto. Faltariam as bilbiotecas ou "casas de editores" como antigamente existiam, que funcionavam como lojas de venda de partituras ou de instrumentos que ofereciam concertos, à cidade do Porto, de vários géneros musicais.
Só assim se conseguem formar públicos (seja lá o que isso for) ou trazer o grande público aos espectáculos que não são de massas.
As redes sociais (antes eram os jornais, só mudou o meio, não o fim) possibilitam uma maior e melhor procura, divulgação/publicidade das acitividades culturais.

Assim sendo, não existe a necessidade de continuarmos a defender o preconceito de que "lá fora é que é bom" ou "que aqui nada se faz". Fica por terra o preconceito de sair da "província" para se poder ter acesso à Cultura.
Cada vez mais a Cultura vem até nós, estejamos onde estivermos.

Crítica de concerto (II)

Uma chamada.

Sim, uma chamada foi o suficiente para mudar a minha rotina.
Um amigo telefona-me e convida-me a assistir a um concerto de outros dois amigos comuns.
Em boa hora aceito, pois foi dos melhores concertos a que já assisti. Foi um concerto de 2 pianistas - Lígia Madeira e Luís Duarte - a 4 mãos num piano, de música francesa (Claude Debussy -“Petite Suite” e Maurice Ravel - “Ma mère l’oye"), juntando-se exibições de poemas Portugueses num ecrã, tal como de fotografias relativas à cidade do Porto. A pitoresca Ribeira, o calmo Cais de Gaia, a imponente e altiva Torre dos Clérigos, a multidão a passar na Rua de Santa Catarina, o frenesim de carros a circular à volta da Avenida dos Aliados, a Ponte de D. Luís I cheia de luz à noite, reflectida esta no Rio Douro, juntamente com a Lua...

A sala de Espectáculos (ou Equipamento Cultural, como agora se chama) foi o Auditório de Espinho, que conta com programação anual regular há já bastante tempo.

O concerto foi imenso, deslumbrante, revivi imensas memórias e passagens da minha vida, por exemplo, uma cadeira em Budapest, do ano passado, onde fui estudando a peça de Ravel transcrevendo, ao piano, a partitura orquestral. A (boa) música francesa sempre me despertou infinitos pensamentos. Talvez da minha vida passada na parte francesa da Suíça...

União perfeita de respirações, ataques, entradas, condução de frase, como se tocassem de olhos fechados. Faziam "jogadas" simples mas exactas de pedal. Ainda gostei mais quando trocaram de posição, passando o Luís para o registo agudo do piano. Tornou-se mais intenso, mais libertador.

Numa palavra, este concerto/experiência artística foi Belo.

A última vez que os tinha ouvido foi numa audição da classe do Professor Miguel Borges Coelho, há mais de ano e meio, em que também tocaram muito bem.
Estão de Parabéns.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A tecnologia ao serviço da diversão

Ora aqui está uma ideia surpreendente e original. Cada um usa a tecnologia ao seu gosto. Daqui a pouco vão passar a aparecer coros a cantar em público com iPad em vez de partituras em papel. Será mais prático, ecológico e mais um sem fim de aplicações poderão ser usadas em simultãneo.
Só há mesmo uma coisa para a qual o iPad não servirá.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Al Rey Felipe III

Escondida debajo de tu armada,
Gime la mar, la vela llama al viento,
Y a las Lunas del Turco el firmamento
Eclipse les promete en tu jornada.

Quiere en las venas del Inglés tu espada
Matar la sed al Español sediento,
Y en tus armas el Sol desde su asiento
Mira su lumbre en rayos aumentada.

Por ventura la Tierra de envidiosa
Contra ti arma ejércitos triunfantes,
En sus monstruos soberbios poderosa;

Que viendo armar de rayos fulminantes,
O Júpiter, tu diestra valerosa,
Pienso que han vuelto al mundo los Gigantes.

Francisco de Quevedo y Villegas

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O meu post sobre WikiLeaks

Depois de nos violar descaradamente as contas, os salários, os rendimentos, os movimentos, os hábitos, as tradições, os cultos, os apetites, as casas, os negócios e, em resumo, as vidas, o Estado que ordena que tudo lhe seja revelado não tem qualquer tipo de escrúpulos no que toca a exigir uma privacidade especial para os seus assuntos.

It's the democracy, stupid.

A Pensar noutras Formas de Vida

«Antão viu no vale de rochedos um homem de pequena estatura, com um nariz recurvado, chifres a saírem-lhe da testa, a parte inferior do corpo terminando em pés de bode. Ao vê-lo, Antão, como um bom soldado, agarrou o escudo da fé e o peitoral da esperança, mas este animal trouxe-lhe frutos da palmeira para comer na viagem, como penhoras de paz. Quando se deu conta disto, Antão parou e ao perguntar-lhe quem era, recebeu esta resposta dele: “Eu sou uma criatura mortal, um dos habitantes do deserto aos quais os pagãos, devido a vários erros, chamam faunos, sátiros, e espíritos malignos. Estou a agir como um enviado da minha tribo. Nós pedimos-lhe para orar por nós ao Senhor que nós temos em comum, pois sabemos que ele veio uma vez pela salvação do mundo, e a sua palavra ecoou pela terra inteira.»
«Nec mora, inter saxosam convallem haud grandem homunculum videt, aduncis naribus, fronte cornibus asperata, cuius extrema pars corporis in caprarum pedes desinebat. Ad hoc Antonius spectaculum, scutum fidei et loricam spei, ut bonus praeliator arripuit: nihilominus memoratum animal, palmarum fructus eidem ad viaticum, quasi pacis obsides, offerebat. Quo cognito, gradum pressit Antonius, et quisnam esset interrogans, hoc ab eo responsum accepit: «Mortalis ego sum, et unus ex accolis eremi, quos vario delusa errore Gentilitas, Faunos, Satyrosque, et Incubos vocans colit. Legatione fungor gregis mei.
Precamur ut pro nobis communem Dominum depreceris, quem in salutem mundi olim venisse cognouimus: et in universam terram exiitsonus eius.»
Hier. Vit. Paul. 8 (PL 23:23a–b)

in Cocanha

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A diferença entre o Renascentismo e o Barroco é tão literal como a diferença entre a vida e a morte.
No primeiro observámos a formosa serenidade de um Estóico, no outro a gloriosa vivacidade de um Louco.

domingo, 5 de dezembro de 2010

A Religião do Latéx

Statistics bear out the fact that the wide distribution of condoms as a prevention strategy does not succeed. It does not bring down the rate, and this is what the Holy Father said. He didn’t deny that a condom might be useful sometimes. What he denied was that the promotion of condoms, as a primary prevention strategy, does not succeed. It does not achieve its objective. It does not bring down the average rate of HIV in the population. But people got very agitated because they didn’t study and listen carefully to what he said and because they are not well informed and because there is a lot of ideology and emotion and interest behind this whole issue, and so there was a lot of controversy
in Zenit

In 2003, Norman Hearst and Sanny Chen of the University of California conducted a condom effectiveness study for the United Nations' AIDS program and found no evidence of condoms working as a primary HIV-prevention measure in Africa. UNAIDS quietly disowned the study. (The authors eventually managed to publish their findings in the quarterly Studies in Family Planning.) Since then, major articles in other peer-reviewed journals such as the Lancet, Science and BMJ have confirmed that condoms have not worked as a primary intervention in the population-wide epidemics of Africa. In a 2008 article in Science called "Reassessing HIV Prevention" 10 AIDS experts concluded that "consistent condom use has not reached a sufficiently high level, even after many years of widespread and often aggressive promotion, to produce a measurable slowing of new infections in the generalized epidemics of Sub-Saharan Africa."

in Washington Post

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Recordações de um Concerto ( II )

Que excelente concerto aquele que tive o privilégio de presenciar ontem à noite na Casa da Música. Tocou, a solo, o gentleman Senhor Pianista húngaro András Schiff, uma única peça, uma autêntica "Bíblia" para a música de tecla de todos os tempos, de 1741, com a duracção aproximada de 70 minutos.

Variações Goldberg, BWV 988, de Johann Sebastian Bach (título apócrifo, já que pelo autor foi designada como "Ária com diversas variações para cravo com dois teclados. Composição para os amadores para a recriação do seu espírito").

Interpretada sem intervalo, com 2 paragens entre secções, por forma a mostrar diferenças de carácter e estrutura e também para o descanso do artista (que conseguiu encontrar muitíssimo bem em que variações descansar, com outras a exibirem todo o seu fulgor) e dos ouvintes.

Só que logo na primeira paragem, mesmo mantendo as mãos sobre o teclado, quando está prestes a voltar ao "seu" mundo, eis que alguém se lembra (mas que raios foi aquilo) de bater palmas, só porque não havia som há mais de 20 segundos. Chiça, no programa dizia SEM INTERVALO. E outro bronco que se lembrou de gritar "SCHIUU, pouco barulho", com sotaque meio labrego. Ahhh que lástima.

Mas voltando ao que mais interessa, 2 pormaiores a reter:
I - Tudo foi tocado sem um único uso, mesmo que ao de leve, do pedal da direita (1), com um cuidado para Legato (2) absoluto e Harmonias tão bem entrelaçadas umas nas outras que só apetecia ficar ali horas a ouvi-lo. Tudo com uma clareza infinita, jogo/cruzamento de mãos parfait e, muitas e divertidíssimas vezes, uso de ornamentação (3) fora do vulgar, delirantes, virtuosas, cheias de charme e de sentido estético.
II - Há um momento que me ficou na memória de muita gente: O uso do Pedal da esquerda (4) numa das variações, em que faz toda a diferença, mudança radical para outro tipo de leveza, criando mais um vasto patamar rico de cores, significando isto outras dinâmicas (5), mais subtilezas e capacidade para mostrar outras vozes que de outra forma iríamos ouvir só como "recheio de harmonia" (6).

Fiquei encantado. Valeu mesmo muito a pena ter aguardado para ver este pianista ao vivo. Para quem queira repetir a dose ou descobrir esta "doce personagem" aqui fica uma parte de uma das suas interpretações desta peça.

Nota: Os elementos musicais seguidos de um número entre parêntesis irão ser abordados num próximo artigo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Pequeno retábulo da minha pessoa (Crónica II)

É deliciosa a eterna procura da inatingível leveza da eternidade omnipotente...


Mas, HÉLAS,

eis que,

De repente,

Ela se acerca,

Fugidia,

Irónica,

Maliciosa,

Pois se tudo o que há de bom e de mau na minha Pátria (a Língua Portuguesa) é feminino....


Na minha casa, na minha mente, a beleza surge como uma flor, esbelta, fugosa,....

A Mulher,

A Música,

A fraternidade,

A maldade,

A inveja,

A hipocrisia,


Ela irrompe, de novo,

"Como quem chama por mim,

Será chuva? Será gente?

Gente não é certamente

e a Chuva não bate assim..."

Mas eu vou vencê-la, de batalha em batalha,

Até à derrota final;

Com meta à vista,

Só o Grande Patrono das coisas da vida me poderá salvar

Tal como o Cavalheiro que salva a amada no último instante,

Das mãos vis e surreais da MORTE.

Ele assim se chama,

No meu idioma preferido:

o AMOR.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves