domingo, 5 de dezembro de 2010

A Religião do Latéx

Statistics bear out the fact that the wide distribution of condoms as a prevention strategy does not succeed. It does not bring down the rate, and this is what the Holy Father said. He didn’t deny that a condom might be useful sometimes. What he denied was that the promotion of condoms, as a primary prevention strategy, does not succeed. It does not achieve its objective. It does not bring down the average rate of HIV in the population. But people got very agitated because they didn’t study and listen carefully to what he said and because they are not well informed and because there is a lot of ideology and emotion and interest behind this whole issue, and so there was a lot of controversy
in Zenit

In 2003, Norman Hearst and Sanny Chen of the University of California conducted a condom effectiveness study for the United Nations' AIDS program and found no evidence of condoms working as a primary HIV-prevention measure in Africa. UNAIDS quietly disowned the study. (The authors eventually managed to publish their findings in the quarterly Studies in Family Planning.) Since then, major articles in other peer-reviewed journals such as the Lancet, Science and BMJ have confirmed that condoms have not worked as a primary intervention in the population-wide epidemics of Africa. In a 2008 article in Science called "Reassessing HIV Prevention" 10 AIDS experts concluded that "consistent condom use has not reached a sufficiently high level, even after many years of widespread and often aggressive promotion, to produce a measurable slowing of new infections in the generalized epidemics of Sub-Saharan Africa."

in Washington Post

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Recordações de um Concerto ( II )

Que excelente concerto aquele que tive o privilégio de presenciar ontem à noite na Casa da Música. Tocou, a solo, o gentleman Senhor Pianista húngaro András Schiff, uma única peça, uma autêntica "Bíblia" para a música de tecla de todos os tempos, de 1741, com a duracção aproximada de 70 minutos.

Variações Goldberg, BWV 988, de Johann Sebastian Bach (título apócrifo, já que pelo autor foi designada como "Ária com diversas variações para cravo com dois teclados. Composição para os amadores para a recriação do seu espírito").

Interpretada sem intervalo, com 2 paragens entre secções, por forma a mostrar diferenças de carácter e estrutura e também para o descanso do artista (que conseguiu encontrar muitíssimo bem em que variações descansar, com outras a exibirem todo o seu fulgor) e dos ouvintes.

Só que logo na primeira paragem, mesmo mantendo as mãos sobre o teclado, quando está prestes a voltar ao "seu" mundo, eis que alguém se lembra (mas que raios foi aquilo) de bater palmas, só porque não havia som há mais de 20 segundos. Chiça, no programa dizia SEM INTERVALO. E outro bronco que se lembrou de gritar "SCHIUU, pouco barulho", com sotaque meio labrego. Ahhh que lástima.

Mas voltando ao que mais interessa, 2 pormaiores a reter:
I - Tudo foi tocado sem um único uso, mesmo que ao de leve, do pedal da direita (1), com um cuidado para Legato (2) absoluto e Harmonias tão bem entrelaçadas umas nas outras que só apetecia ficar ali horas a ouvi-lo. Tudo com uma clareza infinita, jogo/cruzamento de mãos parfait e, muitas e divertidíssimas vezes, uso de ornamentação (3) fora do vulgar, delirantes, virtuosas, cheias de charme e de sentido estético.
II - Há um momento que me ficou na memória de muita gente: O uso do Pedal da esquerda (4) numa das variações, em que faz toda a diferença, mudança radical para outro tipo de leveza, criando mais um vasto patamar rico de cores, significando isto outras dinâmicas (5), mais subtilezas e capacidade para mostrar outras vozes que de outra forma iríamos ouvir só como "recheio de harmonia" (6).

Fiquei encantado. Valeu mesmo muito a pena ter aguardado para ver este pianista ao vivo. Para quem queira repetir a dose ou descobrir esta "doce personagem" aqui fica uma parte de uma das suas interpretações desta peça.

Nota: Os elementos musicais seguidos de um número entre parêntesis irão ser abordados num próximo artigo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Pequeno retábulo da minha pessoa (Crónica II)

É deliciosa a eterna procura da inatingível leveza da eternidade omnipotente...


Mas, HÉLAS,

eis que,

De repente,

Ela se acerca,

Fugidia,

Irónica,

Maliciosa,

Pois se tudo o que há de bom e de mau na minha Pátria (a Língua Portuguesa) é feminino....


Na minha casa, na minha mente, a beleza surge como uma flor, esbelta, fugosa,....

A Mulher,

A Música,

A fraternidade,

A maldade,

A inveja,

A hipocrisia,


Ela irrompe, de novo,

"Como quem chama por mim,

Será chuva? Será gente?

Gente não é certamente

e a Chuva não bate assim..."

Mas eu vou vencê-la, de batalha em batalha,

Até à derrota final;

Com meta à vista,

Só o Grande Patrono das coisas da vida me poderá salvar

Tal como o Cavalheiro que salva a amada no último instante,

Das mãos vis e surreais da MORTE.

Ele assim se chama,

No meu idioma preferido:

o AMOR.

Dos que Servem

O Aristocrata pertence a uma classe, a uma raça, de servidores. Os seus privilégios, as suas garantias, vinham apenas da certeza de que cada homem-bom procurasse, acima de tudo, o bem do seu Rei e das instituições do seu Reino, das leis que o regiam e, acima de tudo, da Santa Igreja.
Não usa esta mesma a sua própria aristocracia, escolhida entre o seu seio, para a reger? Não foi Jesus Cristo, o Ungido, nascido no seio da nobre Casa de David, escolhida por Deus para reger os destinos de Israel? É esta a fonte do dever do aristocrata. Servir sem ser submisso. Obedecer sem ser servil. Obedecer cegamente sem nunca desguarnecer o coração. É esta a beleza do nosso ideal. E relativizar este ideal à mera pureza de sangue, como se já tentou, é o maior crime contra esta instituição. Diferentemente de muitos nobres e brazonados da Causa Legitimista, o chefe do estado-maior do nosso último rei legítimo, Dom Miguel I, e seu fiel amigo, era um plebeu, que nunca faltou à lealdade perante o seu legítimo soberano. O Nobre, acima de tudo, não serve dois senhores, muito menos essa hidra de mil cabeças que é a República Democrática Portuguesa. Entre os nobilitados não se encontram apenas gerações de duzentos anos, mas também homens que se revelaram por serviços à sua pátria, pela sua lealdade e pela bondade com que praticaram suas acções. Ludwig von Mises pertence a uma família de judeus nobres, que receberam essa graça pela mão do imperador da Áustria. Os Pessanhas serviram os primeiros reis, e eram plebeus de origem italiana. Necker, ministro de Luis XVI, era um cidadão genovês de origem escocesa. A destruição do ideal aristocrata deu-se a partir do momento em que a Aristocracia passou a ser sinónimo de progresso material.
Nada obriga o aristocrata a ser rico, nem a riqueza é um critério sagrado para a reverência social (de acordo com o Catolicismo). Antes, o descendente de um homem valoroso recebia, dependendo dos actos deste e do julgamento da Monarquia, a recompensa devida, a mais bondosa herança - a sua posição social, o sagrado símbolo da Família. Hoje, a única coisa que se herda dos pais é o vil metal, e uma palmada nas costas, ou pior, uma medalha. Pobres dos que não se entregam à redutora procura do dinheiro, pois ganham o Céu, mas deixam os filhos na miséria, e com a pergunta na boca - não teria valido mais a pena colocar de lado os meus princípios, e deixar aos meus filhos aquilo que os outros deixam aos seus, para seu conforto e felicidade?

O Homem Nobre é o Homem Bom, que ama os que sofrem e não participa dos festejos dos vencedores. A história da Igreja é uma história de derrotas - os Miguelistas, os Carlistas, o Sonderbund, os Habsburgos, a destruição do Catolicismo no Norte da Europa, etc.
No entanto, derrotados em vida, foram os vencedores, na mesma maneira d'Aquele que venceu na Morte. Antes como agora e sempre, a ressurreição da Igreja depende dos seus fiéis, dos que a servem e lhe são vassalos.

Sobre o 1º de Dezembro e o Circo Habitual das Reais Associações



A clan cameron piper in full 17th century battle dress plays the ultimate Jacobite lament Lochaber No More, a haunting tune from the 17th century. This is the original melody, known to very few pipers but often played on harp and flute. Lochaber was the area where Charles Edward Stuart, better known as Bonnie Prince Charlie, landed and gathered the first clans to fight for his cause, thus starting the Jacobite Rebellion which culminated in defeat on Culloden Moor in 1746. The title says it all. These are the mournful words of the song:

Farewell to Lochaber, farewell to my Jean,
Where heartsome wi' thee.. I ha'e mony days been;
For Lochaber no more, Lochaber no more,
We'll may be return to Lochaber no more.
These tears that I shed, they are a' for my dear,
And no for the dangers attending on weir,
Tho' borne on rough seas to a far distant shore,
Maybe to return to Lochaber no more.

Though hurricanes rise, though rise ev'ry wind,
No tempest can equal the storm in my mind;
Though loudest of thunders, on louder waves roar,
There's naething like leavin' my love on the shore.
To leave thee behind me, my heart is sair pain'd;
But by ease that's inglorious no fame can be gain'd;
And beauty and love's the reward of the brave;
And I maun deserve it before I can crave.

Then glory, my Jeanie, maun plead my excuse;
Since honour commands me, how can I refuse?
Without it, I ne'er can have merit for thee;
And losing thy favour, I'd better not be.
I gae then, my lass, to win honour and fame:
And if I should chance to come glorious hame,
I'll bring a heart to thee with love running o'er.
And then I'll leave thee and Lochaber no more.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Piano Monster



Eldar Djangirov, Vanilla Sky/ Exposition

Dos Estrangeiros

Sobre esta notícia, e o consequente fenómeno de crescente hostilidade ao estrangeiro que atravessa e Europa (especialmente a Suíça) e afecta especialmente a direita conservadora e, infelizmente, a tradicionalista, alguns dados analisados por mim que constituem a minha visão sobre este problema:

(publicado originalmente aqui)


1- Imigração e imigrantes não é o mesmo que Estrangeiros. As palavras não diferem somente na lexicologia, são de facto definições importantíssimas que merecem aprofundamento e compreensão.
A criminalidade criada e organizada por estrangeiros não é nem deve ser estudada conjuntamente com a criminalidade criada e organizada por imigrantes. Um correio de droga apanhado no Aeroporto da Portela não é um imigrante. (aconselha-se a visualização do gráfico da página 18 deste documento para concluir que não´há relação evidente entre imigração e criminalidade)
2- Dentro da actual população a habitar Portugal Continental e Ilhas, os portugueses, juntamente com os cabo-verdianos, seguidos de perto dos restantes representantes dos Países da CPLP, formam a nacionalidade com menor grau de instrução.
3- Mais de 70% da população imigrante é considerada activa. 20% está desempregada ou ainda não iniciou a sua vida profissional.
4- O sistema penal nacional tem-se revelado, se não excessivamente hostil à criminalidade estrangeira, pelo menos algo obssessivo na sua preocupação.
"De 1997 a 2003 a probabilidade de um estrangeiro quando perante o sistema judicial ser condenado a prisão efectiva pelo crime de tráfico de droga foi sempre superior à de um português em situação idêntica. Em 2003, 86 em cada 100 estrangeiros nestas circunstâncias foram condenados contra 65 em cada 100 portugueses(...)"
(...)

"Se analisarmos as saídas do sistema daqueles que estiveram sujeitos a prisão preventiva
verifica-se que:
1,8% dos portugueses são absolvidos enquanto os estrangeiros são-no em 4,2% e
10,7% dos portugueses são condenados com suspensão de execução de pena de prisão ou outra medida não privativa de liberdade e os estrangeiros são-no em 12,5%.
Quando nos fixamos nos reclusos condenados constatamos, tal como no estudo, que os reclusos estrangeiros, apesar das muitas semelhanças com os nacionais, se enquadram numa moldura penal mais pesada. Isto nota-se tanto pelo facto do peso relativo das penas curtas entre os estrangeiros ser estatisticamente irrelevante, como também porque os escalões de penas mais pesadas terem maior incidência nos naturais de outros países, verdade que é válida tanto para homens como para mulheres .
Assim, enquanto 5,9% dos homens portugueses está condenado a penas até 1 ano, só 1,4% dos estrangeiros aqui cabe, no que toca às mulheres, para 3,2% de nacionais neste espectro, não existe uma única estrangeira. Já no que toca ao escalão dos 6 aos 9 anos de condenação, o segundo mais importante (21,9% do total), os homens estrangeiros representam 26,4% contra 21 % dos portugueses, situação igualmente válida para as mulheres uma vez que para 35,2% de estrangeiras assim condenadas, temos 24,9 de portuguesas.
Todavia, a grande destrinça entre portugueses e estrangeiros dá-se ao nível da tipologia do crime e por via do inflacionamento que os relativos a estupefacientes têm entre os reclusos estrangeiros. Este tipo de crime, que assume 31,9% das condena. A criminalidade de estrangeiros em Portugal – Um inquérito científico (213) condenações, condenou 27% dos homens portugueses e 48,9% dos estrangeiros. Diferença que ainda aumenta entre as mulheres pois a 61,1% de nacionais correspondem 85,6% de estrangeiras (“correios de droga”, designadamente).
Esta sobrevalorização dos estrangeiros neste tipo de crime tem, como contraponto, a sua subvalorização nos crimes contra o património (32,9% do total) em que os homens nacionais correspondem a 36,4% e os estrangeiros 20,4% e nos crimes contra as pessoas (27,7% do total) com os homens portugueses a representarem 29,4% e os estrangeiros 22,4%."
Professor Paulo Pinto Albuquerque (FDUCL)

"O estudo apresenta duas conclusões fundamentais: 1. há uma sobrerepresentação objectiva significativa dos estrangeiros na justiça criminal portuguesa e 2. as características da composição da população estrangeira são relevantes para a desmistificação do valor e significado dessa sobrerepresentação, mas outros factores haverá a considerar, cuja importância relativa está por estabelecer."
Resumo:
O Imigrante é penalizado, em Portugal, com quase redobrada dureza do que o Português. Este estudo, muito completo na sua abordagem científica ao tema, prova também que há indícios de xenofobia crescente na comunidade portuguesa e que cada vez mais o medo do Imigrante é relacionado com a violência que, cada vez com maior excesso, é televisionada diariamente.
dos resultados deste estudo reparámos que:
1- A Hostilidade do Estado Português e da Justiça contra os imigrantes já existe, e não são alguns casos pontuais de menor rigor na aplicação da lei que contrariam essa tendência.
2- Que as comunidades estrangeiras em Portugal se têm mantido produtivas e têm dado sinais de integração social: se mais não têm feito deve-se ao facto de o Estado Português não sustentar tipo algum de cultura social, antes regendo-se pela pura tecnocracia a curto prazo e o democratismo ideológico.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Foi a monarquia liberal o corolário lógico do regalismo absolutista, fruto apodrecido dos desmandos do enciclopedismo. Depois, veio o que veio. Hoje, ao que parece, o mundo regressa à democracia e, por isso, soltam-se vivas. Não o entendo! A democracia representa a maior ameaça à restauração da ordem tradicional: a democracia é subversão, a democracia é poluição, a democracia mata aquilo em que toca.

Não estou descansado. Pressinto que outras convulsões, decerto não menos letais para a sociedade, se vêm preparando. Da democracia aos clássicos totalitarismos, a transição é apenas teórica: os totalitarismos são o desaguar de correntes democráticas, que deslizam nessa direcção configurando aquilo que poderia condensar-se na fórmula seguinte --- democrático, logo totalitário!

Tudo pela maioria! Tudo pelo partido! Tudo pelo estado! Que diferença faz? O critério de governo já não é o critério objectivo da bondade, mas sim o apetite, sem freio, da monarquia estadual, do partido único ou da arbitrariedade das massas. A esta heterodoxia, opõe-se a doutrina tradicional do poder político, que tira a sua legitimidade da realização do bem comum. Que as leis provenham de uma maioria ou de uma minoria, isso é secundário: o que importa é a bondade do seu conteúdo. E porque é isto que conta, também não está correcto dizer-se que as leis têm de ser consentidas pelos seus destinatários para que sejam legítimas.

As antigas cortes portuguesas eram simplesmente consultivas e reuniam-se quando o rei as convocava. Se lhes atribuímos força deliberativa e as tornamos independentes do monarca, introduzimos, no nosso ideário, um clássico vício liberal.O poder político, se é um poder soberano, será um poder supremo e exclusivo. Daqui resulta que não pode coexistir com outro poder do mesmo grau. O sistema de pesos e contrapesos é uma quimera porque o poder não se trava institucionalmente: se é poder, impõe-se e, se não se impõe, não é poder (5).

domingo, 28 de novembro de 2010

Convite a uma Exposição

Gostaria de convidar todos os leitores e amigos dos leitores para a seguinte Exposição no dia 30 de Novembro, a começar numa hora sui generis: 21h21; da minha querida Tia Carminda, excelente pintora, que já retratou figuras públicas importantes da nossa sociedade, como por exemplo o retrato do Professor Marcelo Rebelo de Sousa.

Música por mim tocada ao piano, relacionada com o tema das Borboletas...

Sejam Bem-vindos!!!!

sábado, 27 de novembro de 2010

Aos críticos da estratégia macroeconómica do Estado Português, podemos facilmente contrapor argumentos de ordem político/institucional.

Se de facto parece ser uma enorme falta de pensamento estratégico um país como o nosso abandonar o investimento em países produtores de matérias-primas (como são os países das Antigas Colónias) para preferir os países produtores de bens industriais, a instabilidade política e social que esses países atravessaram nas últimas 4 décadas é motivo mais que revelador para perceber a forma pouco arrojada como os empresários portugueses investiram neles.

A crise política portuguesa é herdeira directa da desagregação do Império, desde 1820. A partir dela assistimos ao fim de um espaço económico propício ao comércio português (só recuperado, em parte, pelo Estado Novo).

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Recordações da Hungria

Ahhh que saudades de ter como refeição uma tigela de Goulash, a ferver, encaminhando-se, burbulante e feroz, com seu cheiro inigualável, em doses generosas.
A minha última refeição foi esta sopa, num final de Junho muitíssimo quente, mas com uma leve brisa ao entardecer, com nozes e um pão tão fofo e branco, que sempre que aparecia na mesa, enquanto eu estive em Budapest, surripiava para poder comer em casa de borla.

Isso e um Gyros, hummmmm, para almoço era suficiente, então depois das aulas de coro...,pfffff eternidades passadas a ouvir boa música mas horrível língua ;) Imaginem só, eu cantei esta peça com o mesmo maestro deste vídeo, que data de...1987 (gravado no Grande Auditório da Liszt Academy, onde terminei a minha Licenciatura em Piano), ainda com mais intensidade.

No interesse do próprio princípio monárquico, isto é, da sua perfeita aplicação, não deve ser por enquanto implantada a monarquia. O país não está ainda preparado para a monarquia, porque a Monarquia a implantar, devendo ser uma modernização do antigo regime português, é a tal ponto diferente de tudo quanto a mentalidade média, educada nas ideias liberais e democráticas, tem estado habituada a pensar, que a instituição de um sistema desses – supondo mesmo que ele já existisse composto e estudado – provocaria um sentimento de estranheza, breve dando em resultado a revolta, pelo aproveitamento dessa estranheza pelas forças liberais, apoiadas no estrangeiro moralmente, e aproveitando-se dos erros, poucos ou muitos, que fatalmente os contra-revolucionários, uma vez no poder, haveriam de praticar.
Depois a implantação da monarquia, quer fosse a monarquia constitucional, tão má quase como a república, quer a outra monarquia, dava como resultado imediato o reaparecimento na cena política das velhas clientelas corruptas e gastas, a cuja acção dissolvente a própria queda da monarquia se deve.
Finalmente, para um regime novo, são precisos homens novos. Para a Monarquia Nova, começa por faltar o Rei; faltam os governantes, porque as clientelas antigas assaltariam de novo o poder, corruptas como sempre e mais ainda pelo seu exílio do poder; e faltam finalmente os próprios governados (como acima já se explicou).
Dá-se também o caso de a implantação da monarquia, qualquer que fosse, servir de estímulo ao revolucionarismo republicano, e manter portanto sempre aceso o foco de desordem. É preciso ver também que a implantação da monarquia não representaria um acto evolutivo, mas um acto revolucionário, pois quebrava a continuidade social.
O que é preciso, pois, é estabelecer uma fórmula de transição que sirva de declive natural para a monarquia futura, mas esteja em certa continuidade com o regime actual. Essa fórmula de transição, já tentada instintivamente por Sidónio Pais, é a república presidencialista, que, por ser república, não perde continuidade com o actual regime, e por restabelecer o poder pessoal começa já a introduzir um dos princípios fundamentais do regime futuro e da tradição portuguesa. A tradição não se reata: reconstrói-se.


Fernando Pessoa in Da República.

d'O Reaccionário

Propostas de Blogues

De há 6/7 meses, desde que o encontrei, que vou lendo artigos bastante curiosos e interessantes neste Blogue, cujo nome é bastante sugestivo. Recomendo-o vivamente. Pena que passe por vezes por alturas sem novos artigos/posts para nos despertar mais a curiosidade.


http://obloguebemtemperado.blogspot.com/

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Crítica de concerto

Ontem, dia 23 de Novembro de 2010, pelas 19:30, na Sala 2 da Casa da Música, assisti a um Concerto do "Trio Impressões", composto (minuto 2.05) por Rui Ramos - flautista, Vera Santos - clarinetista e Bernardo Pinhal - pianista.

O programa foi composto, na primeira parte, de uma "Sonatine en trio", Opus* 85, de 1935, dividida em 4 andamentos, de Florent Schmitt; de uma "Aria" de Jacques Ibert, de 1930 e de uma "Tarantella" de Camille Saint-Saens, de 1857.
Na 2ª parte foi tocada uma transcrição de Michael Webster de uma peça orquestral de Claude Debussy "Prélude à l'aprés-midi d'un faune", de 1894 (da obra original) e da Estreia Oficial do "Trio para flauta, clarinete e piano", entre 2009/10 de um excelente compositor e já Professor na minha escola, Daniel Moreira.

Da primeira parte, ficou-me a reter que às vezes algumas passagens de alguns andamentos da primeira peça ficavam muito "apagados", com demasiados pianos súbitos ou demasiada bipolaridade entre motivos efémeros e a estrutura global das frases/dos andamentos. Mas ouvia-se bem toda a brincadeira entre os as passagens de um instrumento para o outro, demonstrando bastante cumplicidade entre eles.
O início da Aria é delicioso, o Bernardo começa já com o andamento perfeito, como se já estivesse a tocar há muito tempo, extremamente à vontade, com a Vera a entrar no timbre certo, com uma cadência muito própria e tocando de cor com o Rui. Foi a melhor interpretação desta peça que já lhes ouvi.
Já com a Tarantella, o pianista arrisca (e bem, porque pode) no ritmo e andamento eloquente e simples com as mesmas notas repetidas sempre de maneira diferente mas sempre claras e caprichosas. O flautista bem fica intimidado ao início mas logo entra na onda. Quando se enganava, o pianista pensava logo adiante, não ficando muito preocupado, embora algumas partes ficassem "meio escondidas" tal era a rapidez e a dificuldade das passagens. O final foi vivo e cheio de intenção de criar boa impressão na audiência.

Na segunda parte, não achei a interpretação da peça de Debussy muito conseguida, mas penso ter sido "culpa" da fraca transcrição, com pouca maleabilidade de proposta de timbres.

Já o Trio Português foi muito bom, tanto a estrutura da peça é equilibrada (parece clássica) como os momentos de maior êxtase/intensidade são bem geridos e delineados pelos vários instrumentistas, parecendo que foi criado mesmo à medida dos intérpretes.

Como encore, retocaram, ainda com mais vivacidade, o último andamento (se não me falha a memória) da 1ª peça da primeira parte.

Merecidamente aplaudidos pelas pessoas que encheram metade da lotação da sala, proporcionaram um excelente concerto. Estão todos a tocar muita bem, o pessoal da ESMAE também achou.

Vale sempre a pena ouvir este Trio.

*Opus significa obra, trabalho, designação assim usada na Música desde, que eu saiba, Ludwig van Beethoven.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves