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terça-feira, 4 de outubro de 2011

morra a Constituição!

Quando os povos soltaram aquele primeiro grito, morra a Constituição, as suas imprecações não se dirigiam contra a verdadeira e legítima Constituição do Estado. Dirigiam-se contra a Constituição de 1822, viciosa pelo modo tumultuário e criminoso com que foi feita, péssima pelos princípios em que é fundada e abominável pelos abusos e atentados a que tem dado causa ou servido de pretexto.
Pois nós tínhamos Constituição?... Sim, nós a tínhamos e uma das melhores da Europa. Se a não tivéssemos, não teríamos formado um corpo político tão robusto e tão perfeitamente organizado que resistiu a todas as tempestades políticas que há sete séculos têm agitado a Europa e destruído tantos impérios. (...)
Temos regulada sobre os melhores princípios a forma do Governo, a sucessão da Coroa, os tribunais e todo o nosso Direito Público; e se não está recopilado tudo isto em um caderno de 100 páginas, dividido por títulos, capítulos e artigos muito pequenos, segundo a moda, pouco custará dar-se-lhe essa forma. Temos leis muito sábias que protegem o direito da propriedade, a segurança dos cidadãos e a justa liberdade de que se pode gozar no Estado social. Ninguém é punido nem coarctado nas suas acções senão em consequência das leis; e aqui está aquele princípio que os demagogos proclamaram com tanto entusiasmo como descobrimento seu, que ninguém deve ser obrigado a fazer senão o que as leis determinam, nem a deixar de fazer senão o que as leis proíbem. Ninguém é dispensado de concorrer para as despesas públicas; o caminho para as honras e para os grandes empregos está aberto a todas as classes; tudo o que há de bom na organização dos estados mais bem governados da Europa, nós o temos na nossa. Eis aqui a Constituição da Monarquia Portuguesa.
José Acúrsio das Neves, Cartas de um Português aos seus Concidadãos, CARTA XIII, O que os povos desejam e o que não desejam

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Portugal a entristecer



Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...


É a Hora!

sábado, 25 de junho de 2011

Portugal, uma Não-Ditadura

O Partido Popular Democrático/Partido Social-Democrata tem uma Maioria Parlamentar na Assembleia da República, é parte maioritária no Governo, é a cor partidária do Presidente da República e do Presidente da Comissão Europeia, os mais altos cargos hierárquicos a exercer soberania sobre o actual território português. A isto devemos somar a influência no Tribunal Constitucional e outras prerrogativas que partem dos cargos anteriormente listados, como o controle total de um exército mercenário, das desiludidas empresas públicas e de uma corja de magistrados sindicados.

Os militantes PPD/PSD formam uma minoria ridícula do povo português. As elites sociais que verdadeiramente o controlam são ainda menos significativas.

No entanto, as competências e poderes atribuídos a este pequeno grupo de pessoas, somados todos os cargos que estão sob tutela de membros deste partido, fazem do PSD, sem dúvida, o órgão de poder mais poderoso da história de Portugal. Aliviada a pressão supervisora da troika, o PSD tem carta branca para subir impostos, dissolver assembleias, controlar a media, influenciar a opinião externa sobre personalidades públicas portuguesas, virar o Estado "de ponta cabeça" e fazer-nos acreditar que tudo está OK-Go! e exigir todo o tipo de sacrifícios e impor todo o tipo de soluções que muito bem lhes venha à cabeça, sem qualquer tipo de oposição séria.

Um constitucionalista diria que Portugal está perante um super-presidencialismo, nada mais. Um mero glimpse pela nossa história é suficiente para compreender que nem nas eras de maior controle da aristocracia, nem nos tempos de maior regalismo monárquico, nem mesmo quando o poder se concentrava às voltas da cadeira do Presidente de Concelho, jamais tantas competências e tamanho raio de acção política esteve concentrado em tanta quantidade e em tão pequeno grupo de gentes. O resultado de tudo isto só poderá ser o verdadeiro despotismo.

Ainda vamos penar por Sócrates.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Soneto Incompleto


El-Rei D. Miguel de Portugal:

É de medalha o teu perfil vincado.
Tu, sim, que fostes o último Senhor,
que destes ao ceptro o uso dum cajado
e à Realeza o ofício de pastor!

Ficou suspenso sobre a terra o arado,
desde que o abandonou o lavrador.
Ninguém o tira donde está fincado,
não há ninguém que o puxe com vigor!

António Sardinha

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sinto muito pelo Estado Sentido

Não compreendo este ataque de histerismo do Samuel Paiva Pires. Para alguém que faz análise política através de blogs há já alguns anos, toda esta manifestação de entusiasmo é tão ingénua quanto infantil.
Faço minhas as palavras de RBR

Como se a demissão de um palhaço (e a antecipação da eleição de outro) justificasse qualquer festa... Será que vão enrolar uma bandeira do PSD e fumá-la?

Só errou RBR na mortalha do Samuel PP. Todos nós sabemos que o Samuel, agora, só fuma democrata-cristão. Daí a crença imbatível de que a fonte do mal do socialismo residia em José Sócrates e no seu governo - isto só é sustentável entre os liberais como o Samuel enquanto dogma de fé, e não enquanto verdade reconhecível. Os traços de jacobinismo do liberal-conservadorismo são tão evidentes como a crescente careca do jovem blogger - o último parágrafo da ode à democracia é a prova como, da sua tolerável tolerânciazinha, nascem dualismos de posições que exigem, em nome do Bem Público do demoliberalismo, a supressão de uma das partes - A Parte Maléfica.

(os negritos são comentários meus)
Quanto aos socráticos socretinos e outros quejandos paladinos da infelizmente risível responsabilidade irresponsável, quero dizer que me estou pura e simplesmente a marimbar para as vossas opiniões (Samuel de Paiva Pires - um novo José Sócrates em potência) – se é que alguns dos chorrilhos estupidificantes por aqui derramados possam sequer ser considerados como opiniões (é mesmo isso, queima-os na estaca! viva a Liberal Inquisição!). O Facebook é uma ferramenta magnífica, provavelmente uma das invenções mais democráticas jamais criada, no que à participação política diz respeito (quando serve os nossos propósitos é democracia - se não, é socialismo caviar). Permite a masturbação e a regurgitação pseudo-intelectual em larga escala e tempo real de todos quanto o pretendam fazer (o que é bom), ao mesmo tempo que do alto da sua arrogante e sábia ignorância presenteiam ilustres desconhecidos (leia-se Samuel PP et all) com epítetos do mesmo jaez, numa suprema demonstração do seu civismo e educação (too good for your shit). Pois bem, já que assim é, vão mas é trabalhar que este evento já acabou e deixem-se de merdas ó cambada de presunçosos socretinos e pseudo-preocupados com o estado do país (acabou em beleza! "Eu gosto é de malhar na Esquerda")!!!»

terça-feira, 15 de março de 2011

Monarquia Constitucional = Tirania Democrática



modelo das formas de Governo de Platão, conforme apresentado pelo Nacional-Cristão

Este pequeno textinho surge como humilde resposta ao post do amigo Henrique, que fez a simpatia de iniciar neste blogue esta já secular discussão entre monárquicos integralistas e monárquicos constitucionalistas. Com toda a razão podem os leitores republicanos desmarcar-se destas discussões - conheço até alguns que as apreciam porque demonstram divisão nas hostes monárquicas. Contudo, penso que é uma temática produtiva que pode enriquecer as experiências de todos os que estiverem interessados em Teoria Política, mesmo que servida nos incipientes moldes disponibilizados pela blogosfera.

Aconselho a leitura atenta do texto do Henrique para se conseguir tratar com exactidão os pontos que eu tratarei, com as minhas limitadas capacidades para estas andanças, de elucidar.
Aquilo que o Henrique refere como neo-integralistas não é um termo correcto. Nós já andámos por aqui faz bem mais tempo que as reais associações. Em faculdades, em grupos elitistas, a trabalhar em todos os estratos da sociedade, entre a nobreza e o homem-livre, no Direito, na História, na Filosofia, etc.
São os monárquicos constitucionalistas que aparecem e reaparecem conforme as modas. Eram liberais os monárquicos da Carta de 1834, jacobinos os da Constituição de 1822. Os de 1910 eram já todos, ou quase todos, republicanos. Foi o Integralismo Lusitano que ressuscitou o pensamento conservador português, tanto o católico como o monárquico. Esse pensamento é marcadamente anti-democrático. Aviso a todos os amigos e camaradas que lerem este texto que desaconselho a todo o homem ambicioso das coisas mundanas a ser Integralista. O Integralista não chega a Presidente da República nem a líder de Juventude Partidária - raras vezes é-lhe sequer entregue uma chefia de departamento na Função Pública. A má sina persegue-nos como se de peste se tratasse.

O Integralista é integralmente monárquico e integralmente católico - como tal, integralmente português. Para ele, o Poder não vem das Massas, de onde nascem as vontades indisciplinadas e os desejos caprichosos. A Autoridade, para ele, tem origem em Deus. É daqui que nasce a obrigação do Rei em reinar segundo as Leis e os costumes das Nações, protegendo a Igreja, as classes sociais e profissionais, os mais fracos e governar em prol do Bem Comum e das liberdades dos povos. A sua doutrina económica é a Doutrina Social da Igreja, muitas vezes apoiando-se no Distributivismo de Chesterton e Belloc.
O argumento anti-democrático é um que está já cansado e estafado de ser atirado, apesar dos erros serem recorrentes na defesa do sufragismo. Fica aqui uma breve explicação desses erros, que não desenvolverei aqui por o post ficar demasiado grande.

O segundo ponto do Henrique passa por uma leitura de um facto histórico. Se Simon de Monfort ouvisse o Henrique a qualificá-lo de democrata, provavelmente rachá-lo-ia de cima a baixo com o seu montante. Mesmo que possámos provar, de alguma forma, que o líder dos barões ingleses estava interessado nalguma forma de Governo Representativo - o que é altamente improvável, o que ele queria era que o Poder Central não pudesse taxar à vontade os seus súbditos, pelo menos sem lhe perguntar a opinião - temos a certeza que a igualdade política entre súbditos era a última coisa em que este poderoso aristocrata poderia pensar. Primeiro, temos de saber diferenciar entre Governo Representativo e Democracia - consequentemente, é errado qualificar o Governo dos EUA como democracia, porque é uma república constitucional, infelizmente cada vez mais democratizada.

É preciso esperar pela morte de Carlos I Stuart para que a Lei da Espada, o Parlamento, se inclua permanentemente na governação de Inglaterra. Começou aí a perda de virilidade dos ingleses e o seu vergonhoso jeito para o burguesismo serôdio.

O terceiro ponto do Henrique passa pelo carácter do monarca constitucional: o rei do tradicionalista é um tirano das eras obscuras, mas o rei constitucional é um semi-deus. Acho imensa piada quando vejo os não-republicanos a defender o estatuto do rei apartidário. Logo em Portugal, onde até o mais básico dos calceteiros tem toda uma doutrina política capaz de preencher 4 partidos políticos, vamos arranjar um Rei sem partidos. Um homem sem apetites ideológicos. Um Catão, só que monárquico. Um meio-humano, com acção mas sem vontades. O Rei Constitucional é um banqueiro judeu fabricado na Sony.

Este Quasideus está dotado do Poder Moderador - o quarto poder, que lhe garante a força magnífica de acenar a cabeça quando vê uma lei que lhe agrada (mas para a qual, obviamente, não se sente inclinado ideologicamente a aprovar) e a torcer o lábio quando o obrigam a passar uma lei que lhe desagrada, tal como o Rei-fantoche da Espanha e a Múmia-Chefe Anglicana.

Este Poder Moderador foi a patranhada mais mal ajeitada mas mais comida da Teoria Política. Descamba sempre na Monarquia Vegetativa, mas todos adoram a forma como isto funciona.

Este Rei não pode propor Leis: está entregue ao ditamos dos seus parlamentos e da Vontade das Massas. S. Isidoro de Sevilha ensinou aos Godos que governavam as Espanhas, em 634, que um rei que governasse mal era um tirano que merecia ser deposto. O Rei constitucional não tem o perigo de ser tirano - ele nem sequer é Rei. Os seus ministérios são escolhidos pela partidocracia do poder económico e dos media: mas ele fica mudo, sem ideologia, a Reinar e a não Governar. De certeza o leitor já ouviu esta: o Rei reina mas não governa. Quando ouço isto, sinto que estão a reinar comigo. É como dizer que o Papa faz bulas, mas os católicos não têm que obedecer ao conteúdo das mesmas. Rei que não governa é como Bacalhau cozido à Salazar. Está lá tudo, menos o bacalhau. Em vez de um rei hereditário, seria melhor pôr lá um procurador vitalício. De preferência, que fique bem nas moedas e saiba cortar fitas.

O Integralismo não nega a necessidade de Representatividade Popular: admite-o e prova que esse existiu ao longa da história, com maior ou menor incidências. A ideia, no entanto, de que a opinião maioritária submete à sua autoridade a do Rei conflictua com o Integralismo: um Rei que obedece ao governo da Maioria não age em prol do Bem Comum, como afirmava Platão, e portanto ia contra o dever divino - assim sendo, deve ser destronado.

Os últimos tempos da monarquia tradicional europeia apontavam para um caminho em direcção ao Rei Filósofo - os tempos difíceis do Séc XVIII e inícios de XIX não permitiriam que tal se tivesse dado. O que os Integralistas pretendem, acima de tudo, é um país onde o factor Autoridade esteja bem definido - no Monarca. Onde a governação esteja entregue a uma elite escolhida pelo mérito e não pela eleição popular - numa nova Aristocracia. E de uma vida comunitária activa, onde os cidadãos sejam representados não pela sua individualidade, mas pelo seu conjunto social - nos municípios, nas corporações profissionais, nas assembleias regionais.

Mínimo Governo da Melhor Qualidade, em vez do que nos fornece o parlamentarismo democrático, Máximo Governo da Pior Qualidade

Quando me perguntam se não é muito mais fácil instaurar um regime monárquico da forma que as Reais Associações querem, eu digo que sem dúvida que sim. Quando a Esquerda deste país aceitar um monarca, vai adorar fazer dele o joguete perfeito dos seus jogos de rapto. O rei vai-se sentir ainda mais pressionado a aceitar a colaboração da esquerda do que da direita. A nossa Monarquia Constitucional é uma história de esquerda. O Tirano Pedro IV, Imperador do Brasil e péssimo autor de hinos, modificou as leis tradicionais portuguesas (algo que nem o mais absolutista dos nossos monarcas se atreveu a fazer) para criar a sua maçónica Carta Constitucional. Só por aí merecia ser destronado e atirado aos leões. O Rei que usa do seu poder para violar as leis até aí respeitadas pelos seus augustos antecessores é como o pai que se aproveita da sua autoridade para abusar das filhas. Tal homem, bem como a sua descendência, só podem ser olhados com reprovação. A este Tirano se deve a destruição dos mosteiros religiosos em Portugal e a repartição das propriedades da Igreja entre os ricos partidários do liberalismo. À sua filha, Dona Maria II, o ter afogado em sangue, com o apoio de tropas estrangeiras, as gentes do Minho, que se revoltaram após os impostos que a Liberdade Constitucional lhes impuseram, que os sufocavam. No entanto, atentando às palavras do Henrique, a Monarquia Constitucional foi uma evolução: foi o peito do nosso povo que apanhou as balas que essa evolução expelia. Estavam à espera que os miguelistas o fizessem de sorriso na boca? Dar a outra face, entre cristãos, é matéria difícil e ambígua...
As uniões com a casa de Sabóia feitas pela linha constitucional bem demonstram esse desprezo pelo antigo. Ou não foram os Sabóias, gens vipera , quem mergulhou as Duas Sicílias num banho de sangue para assegurar a União Italiana, depois de terem ocupado os Estados Papais e agredido injustificadamente o Império Austríaco?

E os desenlaces políticos habituais da nossa Monarquia Constitucional, que dizer deles? Caciquismo, partidos políticos, lambe-botismo a todas as novidades estrangeiras. Baixa forma de vida, acompanhada de um défice louco devido a uma função pública endémica - problema esse que agora renasce.

Entre uma república autoritária e uma não-monarquia constitucional, não tenho dúvidas em responder - se o Rei é para não ser Rei, mais vale não o ser de todo. Nisso sou um Absolutista, um homem de Absolutos. Não aceito a fronteira entre o medíocre e o inexistente como relevante.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Pessoa e o Dragão

No Dragoscópio
Criar em Portugal o sentimento duma missão civilizadora! Esse deve ser o nosso ideal. O resto não importa. Que para chegar aí seja preciso varrer à metralha as ruas, calcar aos pés a felicidade e a liberdade do povo, arremessá-lo como um ariete de encontro às barreiras do nosso espírito – Que importa isso, se só assim, podemos deixar ficar Portugal no mundo depois de ele desaparecer?
Grande e difícil é a obra! Grande e difícil o varrer dos ideiais democráticos, humanitários e utilitários. Mas a grande obra anti-cristã (anti-cristã em tudo, anti-democrática, anti-católica, anti-monárquica) deve ser feita. Tristes de nós se faltarmos à missão divina que Aquele que nos pôs ao Ocidente da Europa e tais nos fez quais somos, nos impôs quando nos deu este nosso acesso e trancendido espírito aventureiro. Depois da conquista dos mares deve vir a conquista das almas. »
- Fernando Pessoa, “Páginas de Sociologia Política”

Imaginem que o maior poeta português era vivo e escrevia num blogue. Talvez se chamasse “Heteronimia”, “Heterografia”, ou coisa que o valesse. Imaginem que ele postava o texto em epígrafe. Calculem a gritaria, o alarido que se não levantava: Nazi! Nazi!! Estou em crer que a “esquerda lacoste” levantaria barricadas; a “esquerda pink”, lavraria protestos e apelaria ao índex. A direita quéque faria coro com e “esquerda pink”, clamando “nada de confusões, somos democratas”. O PR faria uma das suas redondas alocuções ao país. Em suma: chovia granizo, chuva zangada de todo o lado. Disparando em todas as direcções, o poeta da “Mensagem” tornava-se alvo de todas as partes.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

1521 na História

O ano de 1521 tem vindo a ser apontado por alguma historiografia portuguesa como a data simbólica do fim do Modelo de Estado Medieval e o início da Idade Moderna em Portugal.

A data não podia ser mais apropriada quando contextualizada internacionalmente. Ligado ao evento da morte do Rei Venturoso, está outro que marca profundamente a mudança da dinâmica social europeia e a teoria política do Estado - em 1521, Martinho Lutero persiste nos seus dogmas heréticos, na Dieta de Würmz, retirando-se para Worzburg auxiliado e protegido pelos príncipes do norte da Alemanha.
Nesse mesmo ano começa a conversão ao protestantismo da Europa do Norte, com a subida ao trono de Gustav Vasa na Suécia.
Do ponto de vista da nossa política externa, também a balança muda para Portugal: Magalhães chega às Filipinas, onde falece numa escaramuça com os nativos - no entanto, a sua expedição de circum-navegação ao serviço do reino de Espanha continuará.
Na América Latina, Cortez esmaga os Aztecas com o auxílio das tribos que o apoiaram.

As razões para tal data são muito simples: o estado de graça até então vivido pelo reino de Portugal, pioneiro da exportação da parte de europeus das suas instituições jurídicas, sociais e políticas para outros pontos do mundo inexplorado até então, aproxima-se do fim. O estado português de Dom Manuel I ainda é muito semelhante ao estado medieval dos seus antepassados, e a administração colonial portuguesa mostra muitos desses sinais. É com a morte de Dom Manuel I, em 1521, que esse período áureo de inocência terminará, e o reinado seguinte terá de enfrentar, numa escala totalmente diferente, o crescimento da concorrência comercial e militar de outras potências europeias e asiáticas, o crescimento da burocracia de um império cada vez mais penoso de manter, toda uma nova complexidade a nível do contexto mundial que acabará por mudar o nosso país.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Solidariedade através da Música

Agora que estamos numa altura do ano de muita azáfama, com a quadra Natalícia que, espero, seja passada da melhor forma possível, com toda a família, cheia de alegria, teremos ainda um momento de reflexão, de balanço sobre aquilo que fizemos (e não fizemos) durante o ano de 2010, por forma a podermos, dentro das nossas possibilidades, prever e preparamo-nos para o Primeiro ano da Segunda década do Século XX.
Enquanto as crianças estão fascinadas com seus brinquedos novos (ou talvez obriguem os pais a trocarem as prendas, com grande azáfama renascida nas Grandes superfícies comerciais, no dia 25, o que até é notícia de telejornal) estes, os pais, deitam contas à vida, pois os tempos são de grandes dificuldades ainda por vir.
Cada vez mais vemos a pobreza a crescer à nossa volta, com dados governamentais pouco abonatórios da nossa situação económico-financeira. As nossas esperanças numa vida em sociedade pacificada cada vez diminuem mais, pois com cada vez mais pessoas a caírem no desemprego, aumentam fenómenos alienantes, como a criminalidade, o alcoolismo, o consumo de substâncias proibidas, por forma a esquecerem os problemas.
Por estas e muitas mais razões é que devemos dar extrema importância a todas as actividades e iniciativas que promovam o bem-estar, a cultura, a aproximação de valores entre as pessoas. Exemplos de sucesso em todas as áreas existem e devem ser mostrados, que apelam à responsabilização social de todos nós por cada um que faz parte desta sociedade cada vez mais consumista.
Neste campo, a Música, uma das áreas da Cultura mais acessível, no meu entender, ao comum dos Mortais, tem papel fundamental para dar algum "pão espiritual", alguma alegria, paz interior, que de todos os lados só recebem más notícias.
A Arte musical ajuda a criar zonas de comunhão, de aproximação à verdade interior, àquilo que realmente nos une a todos, a procura da felicidade.
Exemplo bem recente partiu da Fundação Calouste Gulbenkian, que acolheu o evento "Música Por Uma Causa", no dia 12 de Dezembro. Tratou-se de uma iniciativa integrada na programação Gulbenkian Música 2010/2011, que propôs recolher instrumentos musicais destinados sobretudo a escolas de música de Moçambique, mas também de outros países africanos e do Médio Oriente, com a ideia de que um instrumento já não utilizado, mesmo em mau estado, pode ser aproveitado e ajudar na formação musical de jovens em situações seriamente desfavoráveis.
De acordo com Miguel Sobral Cid, responsável pela coordenação deste evento, era esperada "uma grande adesão por parte do público, uma enchente de crianças e de famílias para este dia cheio de música com uma larga oferta de bons concertos e outras actividades. Ao mesmo tempo, estamos a contribuir, de uma forma diferente, para uma causa social, através da recolha de instrumentos.»
Música Por Uma Causa é fruto de um parceria com Music Fund , uma instituição internacional fundada em 2005, que apoia a formação musical de jovens de países em desenvolvimento e em zonas de conflito.
A prática destas acções de beneficência/solidariedade sempre foi apanágio do povo Português, sendo um exemplo ainda fresco na nossa memória a música que Luís Represas criou, na sequência da luta pela causa Timorense. Convidado pelo então Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, a deslocar-se a Timor, em visita oficial, levou na bagagem o tema que se tornou num hino à independência e paz do território.
Serve isto para nos dar confiança e apreço por aqueles que dão o seu melhor para nos alegrar com cultura de qualidade, para lembrarmos também que a Cultura ajuda a chegar ao Belo, aos sentimentos mais verdadeiros e puros que nos ajudam a sobreviver nesta torrente de tormentas em que parecemos (sobre)viver.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dos que Servem

O Aristocrata pertence a uma classe, a uma raça, de servidores. Os seus privilégios, as suas garantias, vinham apenas da certeza de que cada homem-bom procurasse, acima de tudo, o bem do seu Rei e das instituições do seu Reino, das leis que o regiam e, acima de tudo, da Santa Igreja.
Não usa esta mesma a sua própria aristocracia, escolhida entre o seu seio, para a reger? Não foi Jesus Cristo, o Ungido, nascido no seio da nobre Casa de David, escolhida por Deus para reger os destinos de Israel? É esta a fonte do dever do aristocrata. Servir sem ser submisso. Obedecer sem ser servil. Obedecer cegamente sem nunca desguarnecer o coração. É esta a beleza do nosso ideal. E relativizar este ideal à mera pureza de sangue, como se já tentou, é o maior crime contra esta instituição. Diferentemente de muitos nobres e brazonados da Causa Legitimista, o chefe do estado-maior do nosso último rei legítimo, Dom Miguel I, e seu fiel amigo, era um plebeu, que nunca faltou à lealdade perante o seu legítimo soberano. O Nobre, acima de tudo, não serve dois senhores, muito menos essa hidra de mil cabeças que é a República Democrática Portuguesa. Entre os nobilitados não se encontram apenas gerações de duzentos anos, mas também homens que se revelaram por serviços à sua pátria, pela sua lealdade e pela bondade com que praticaram suas acções. Ludwig von Mises pertence a uma família de judeus nobres, que receberam essa graça pela mão do imperador da Áustria. Os Pessanhas serviram os primeiros reis, e eram plebeus de origem italiana. Necker, ministro de Luis XVI, era um cidadão genovês de origem escocesa. A destruição do ideal aristocrata deu-se a partir do momento em que a Aristocracia passou a ser sinónimo de progresso material.
Nada obriga o aristocrata a ser rico, nem a riqueza é um critério sagrado para a reverência social (de acordo com o Catolicismo). Antes, o descendente de um homem valoroso recebia, dependendo dos actos deste e do julgamento da Monarquia, a recompensa devida, a mais bondosa herança - a sua posição social, o sagrado símbolo da Família. Hoje, a única coisa que se herda dos pais é o vil metal, e uma palmada nas costas, ou pior, uma medalha. Pobres dos que não se entregam à redutora procura do dinheiro, pois ganham o Céu, mas deixam os filhos na miséria, e com a pergunta na boca - não teria valido mais a pena colocar de lado os meus princípios, e deixar aos meus filhos aquilo que os outros deixam aos seus, para seu conforto e felicidade?

O Homem Nobre é o Homem Bom, que ama os que sofrem e não participa dos festejos dos vencedores. A história da Igreja é uma história de derrotas - os Miguelistas, os Carlistas, o Sonderbund, os Habsburgos, a destruição do Catolicismo no Norte da Europa, etc.
No entanto, derrotados em vida, foram os vencedores, na mesma maneira d'Aquele que venceu na Morte. Antes como agora e sempre, a ressurreição da Igreja depende dos seus fiéis, dos que a servem e lhe são vassalos.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Dos Estrangeiros

Sobre esta notícia, e o consequente fenómeno de crescente hostilidade ao estrangeiro que atravessa e Europa (especialmente a Suíça) e afecta especialmente a direita conservadora e, infelizmente, a tradicionalista, alguns dados analisados por mim que constituem a minha visão sobre este problema:

(publicado originalmente aqui)


1- Imigração e imigrantes não é o mesmo que Estrangeiros. As palavras não diferem somente na lexicologia, são de facto definições importantíssimas que merecem aprofundamento e compreensão.
A criminalidade criada e organizada por estrangeiros não é nem deve ser estudada conjuntamente com a criminalidade criada e organizada por imigrantes. Um correio de droga apanhado no Aeroporto da Portela não é um imigrante. (aconselha-se a visualização do gráfico da página 18 deste documento para concluir que não´há relação evidente entre imigração e criminalidade)
2- Dentro da actual população a habitar Portugal Continental e Ilhas, os portugueses, juntamente com os cabo-verdianos, seguidos de perto dos restantes representantes dos Países da CPLP, formam a nacionalidade com menor grau de instrução.
3- Mais de 70% da população imigrante é considerada activa. 20% está desempregada ou ainda não iniciou a sua vida profissional.
4- O sistema penal nacional tem-se revelado, se não excessivamente hostil à criminalidade estrangeira, pelo menos algo obssessivo na sua preocupação.
"De 1997 a 2003 a probabilidade de um estrangeiro quando perante o sistema judicial ser condenado a prisão efectiva pelo crime de tráfico de droga foi sempre superior à de um português em situação idêntica. Em 2003, 86 em cada 100 estrangeiros nestas circunstâncias foram condenados contra 65 em cada 100 portugueses(...)"
(...)

"Se analisarmos as saídas do sistema daqueles que estiveram sujeitos a prisão preventiva
verifica-se que:
1,8% dos portugueses são absolvidos enquanto os estrangeiros são-no em 4,2% e
10,7% dos portugueses são condenados com suspensão de execução de pena de prisão ou outra medida não privativa de liberdade e os estrangeiros são-no em 12,5%.
Quando nos fixamos nos reclusos condenados constatamos, tal como no estudo, que os reclusos estrangeiros, apesar das muitas semelhanças com os nacionais, se enquadram numa moldura penal mais pesada. Isto nota-se tanto pelo facto do peso relativo das penas curtas entre os estrangeiros ser estatisticamente irrelevante, como também porque os escalões de penas mais pesadas terem maior incidência nos naturais de outros países, verdade que é válida tanto para homens como para mulheres .
Assim, enquanto 5,9% dos homens portugueses está condenado a penas até 1 ano, só 1,4% dos estrangeiros aqui cabe, no que toca às mulheres, para 3,2% de nacionais neste espectro, não existe uma única estrangeira. Já no que toca ao escalão dos 6 aos 9 anos de condenação, o segundo mais importante (21,9% do total), os homens estrangeiros representam 26,4% contra 21 % dos portugueses, situação igualmente válida para as mulheres uma vez que para 35,2% de estrangeiras assim condenadas, temos 24,9 de portuguesas.
Todavia, a grande destrinça entre portugueses e estrangeiros dá-se ao nível da tipologia do crime e por via do inflacionamento que os relativos a estupefacientes têm entre os reclusos estrangeiros. Este tipo de crime, que assume 31,9% das condena. A criminalidade de estrangeiros em Portugal – Um inquérito científico (213) condenações, condenou 27% dos homens portugueses e 48,9% dos estrangeiros. Diferença que ainda aumenta entre as mulheres pois a 61,1% de nacionais correspondem 85,6% de estrangeiras (“correios de droga”, designadamente).
Esta sobrevalorização dos estrangeiros neste tipo de crime tem, como contraponto, a sua subvalorização nos crimes contra o património (32,9% do total) em que os homens nacionais correspondem a 36,4% e os estrangeiros 20,4% e nos crimes contra as pessoas (27,7% do total) com os homens portugueses a representarem 29,4% e os estrangeiros 22,4%."
Professor Paulo Pinto Albuquerque (FDUCL)

"O estudo apresenta duas conclusões fundamentais: 1. há uma sobrerepresentação objectiva significativa dos estrangeiros na justiça criminal portuguesa e 2. as características da composição da população estrangeira são relevantes para a desmistificação do valor e significado dessa sobrerepresentação, mas outros factores haverá a considerar, cuja importância relativa está por estabelecer."
Resumo:
O Imigrante é penalizado, em Portugal, com quase redobrada dureza do que o Português. Este estudo, muito completo na sua abordagem científica ao tema, prova também que há indícios de xenofobia crescente na comunidade portuguesa e que cada vez mais o medo do Imigrante é relacionado com a violência que, cada vez com maior excesso, é televisionada diariamente.
dos resultados deste estudo reparámos que:
1- A Hostilidade do Estado Português e da Justiça contra os imigrantes já existe, e não são alguns casos pontuais de menor rigor na aplicação da lei que contrariam essa tendência.
2- Que as comunidades estrangeiras em Portugal se têm mantido produtivas e têm dado sinais de integração social: se mais não têm feito deve-se ao facto de o Estado Português não sustentar tipo algum de cultura social, antes regendo-se pela pura tecnocracia a curto prazo e o democratismo ideológico.

sábado, 27 de novembro de 2010

Aos críticos da estratégia macroeconómica do Estado Português, podemos facilmente contrapor argumentos de ordem político/institucional.

Se de facto parece ser uma enorme falta de pensamento estratégico um país como o nosso abandonar o investimento em países produtores de matérias-primas (como são os países das Antigas Colónias) para preferir os países produtores de bens industriais, a instabilidade política e social que esses países atravessaram nas últimas 4 décadas é motivo mais que revelador para perceber a forma pouco arrojada como os empresários portugueses investiram neles.

A crise política portuguesa é herdeira directa da desagregação do Império, desde 1820. A partir dela assistimos ao fim de um espaço económico propício ao comércio português (só recuperado, em parte, pelo Estado Novo).

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

No interesse do próprio princípio monárquico, isto é, da sua perfeita aplicação, não deve ser por enquanto implantada a monarquia. O país não está ainda preparado para a monarquia, porque a Monarquia a implantar, devendo ser uma modernização do antigo regime português, é a tal ponto diferente de tudo quanto a mentalidade média, educada nas ideias liberais e democráticas, tem estado habituada a pensar, que a instituição de um sistema desses – supondo mesmo que ele já existisse composto e estudado – provocaria um sentimento de estranheza, breve dando em resultado a revolta, pelo aproveitamento dessa estranheza pelas forças liberais, apoiadas no estrangeiro moralmente, e aproveitando-se dos erros, poucos ou muitos, que fatalmente os contra-revolucionários, uma vez no poder, haveriam de praticar.
Depois a implantação da monarquia, quer fosse a monarquia constitucional, tão má quase como a república, quer a outra monarquia, dava como resultado imediato o reaparecimento na cena política das velhas clientelas corruptas e gastas, a cuja acção dissolvente a própria queda da monarquia se deve.
Finalmente, para um regime novo, são precisos homens novos. Para a Monarquia Nova, começa por faltar o Rei; faltam os governantes, porque as clientelas antigas assaltariam de novo o poder, corruptas como sempre e mais ainda pelo seu exílio do poder; e faltam finalmente os próprios governados (como acima já se explicou).
Dá-se também o caso de a implantação da monarquia, qualquer que fosse, servir de estímulo ao revolucionarismo republicano, e manter portanto sempre aceso o foco de desordem. É preciso ver também que a implantação da monarquia não representaria um acto evolutivo, mas um acto revolucionário, pois quebrava a continuidade social.
O que é preciso, pois, é estabelecer uma fórmula de transição que sirva de declive natural para a monarquia futura, mas esteja em certa continuidade com o regime actual. Essa fórmula de transição, já tentada instintivamente por Sidónio Pais, é a república presidencialista, que, por ser república, não perde continuidade com o actual regime, e por restabelecer o poder pessoal começa já a introduzir um dos princípios fundamentais do regime futuro e da tradição portuguesa. A tradição não se reata: reconstrói-se.


Fernando Pessoa in Da República.

d'O Reaccionário

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Pânico

Este post do Samuel e a consequente gigantesca repercussão são o retrato fiel da incompatibilidade do espírito português com a democracia de massas.

Num país anglo-saxónico, a multidão extasiada pelo chamamento às armas do Samuel não redundaria por mais do que um "Yes We Can!" ou um "Ron Paul for 2012!".

Isso deve-se tanto ao carácter do britânico - o fanático do compromisso moderado, capaz de chegar a um acordo satisfatório entre ambas as partes com o Demónio e incapaz de não levar Deus a tribunal por um mínimo incumprimento burocrático da cláusula estipulada - como à ignorância do americano - para quem a decisão política, além de uma perspectiva utilitarista de todos os prismas ou outra falsamente puritana, não revela grandes oportunidades de escolha.

O Português, pelo contrário, já ultrapassou essa fase - aliás, mal chegou a entrar nela - e já se tornou o Átomo. Cada português é um partido político.

Os comentários dao Samuel revelam já uma longa lista de culpados pela situação:

os que não se manifestaram

a Igreja

o Estado Novo

o Norte

o Sul

o País

o Rei

o Buíça

o futebol

as telenovela

os socialistas

os que se manifestaram

os republicanos

o Rei

os que estão em casa

a Máfia

a Mafía

quem ganha dinheiro à custa do erário público

quem atravessa a ponte da Arrábida sem pagar

etc.

Entre os gritos desbragados desta louca Babilónia, há uns profetas que vão apelando a que cada Homem se torne um líder (será uma nação de Reis, cada um na sua Coutada Real, tendo por vassalos os cãezinhos de porcelana), quem veja no Rei a cura de todos os males (logo o rei constitucional, que já não é um rei que cura mas antes um magistrado hereditário sem poderes concretos) e até um pobre emigrante que, louvando a atitude do Samuel em se revoltar publicamente, é acusado - em nome da comunidade emigrante, se é que isso existe - de não se organizar.

É óbvio que nesta barafunda, nesta Babel em depressão, a opinião organizada - a opinião estúpida, irracional, anti-intelectual e sobre-simplificadora, OS PARTIDOS - é surda em terra de cegos, é Rainha entre baratas tontas.

Se os nossos génios literários se foram queixando, até aos nossos dias, desta nossa democracia, eu que não sou nem meio génio atrevo-me, para mal de meus pecados, a conceder-lhes a resposta que tanto queriam: toda esta cambada de forcados sem touro, de empresários sem funcionários, de tijolos sem argamassa, são o produto final da Democracia Liberal.

Tal como berrava a Comuna de Paris a plenos pulmões - que cada Homem fosse o personal king - finalmente chegámos ao paraíso da soberania atomizada.

Em Portugal, todos são reis e ninguém serve. Por recompensa deste nosso estado de pânico, somos todos escravos uns dos outros.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves