segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Muito pouco, muito tarde

Um dia simbólico para as crianças, o dia em que, ao mesmo tempo, se travaram duas propostas, uma contra a vida, outra contra a maternidade e a paternidade.
É simbólico que a esquerda estremeça de críticas. Por um lado, acha mal que não se entreguem crianças ao tipo de casais que quer ver enaltecido (depois de considerar, em tempos, o casamento como uma forma de prostituição legal) e ao mesmo tempo critica o facto de já não ser fácil matar antes do nascimento essas mesmas crianças. Sim, porque ainda é entre casos de mães carenciadas que se dão a maioria de casos de entrega à adopção ou de aborto. 
Estamos em 2016 e ainda há a necessidade de abortar por falta de condições sociais, ainda há preconceitos contra a maternidade, a maternidade ainda é um empecilho na vida profissional e pessoal de uma mulher. Mas claro, a morte e a destruição serão a eterna solução dos revolucionários sonhadores.
Cavaco acabou num tom de valentia e brio um mandato que não cantou da mesma maneira todo o tempo. Para a nota de rodapé da história fica uma última resistência a um sintoma de degeneração social, a cultura da morte e da esterilidade.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Premonitório

Enfim, não querendo ser uma Cassandrinha, mas isto é tudo parte do canto de cisne da direita. Há uns meses atrás a coligação PàF não conseguiu sequer uma maioria absoluta e agora a direita jogou o seu último trunfo para a presidência. Foi preciso cozinhar durante uma década um comentador televisivo para que a direita arranjasse um candidato relevante. Agora, para daqui a dez anos, só temos Paulo Portas e Rui Rio.
Dois candidatos populares mas sem hipóteses claras de vencer.
Já a esquerda tem: José Sócrates, Francisco Louçã, Francisco Assis, Sampaio da Nóvoa, António Guterres, etc.
É o que dá ter uma direita de fracos contabilistas e não uma direita de bons políticos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Príncipes na República

Dos tempos dos debates entre Monarquia e República, era comum o lado republicano, depois das piadas batidas do sangue azul, da hemofilia e dos brasões, afirmar com os olhos em lágrimas e mãos tremelicantes que num regime republicano e democrático qualquer um, frisando o "qualquer um", independentemente de origem, raça ou sexo (e credo, desde que não seja "muito católico") podia ser o Chefe de Estado.
Não é possível lembrar-me de quantas vezes ouvi esta patranhada lambida. Mas lembro-me daqueles que conseguiram defendê-la sem vergonha na cara e com alguma desenvoltura. 
Estranhamente, na hora de apoiar o verdadeiro "qualquer um", o corriqueiro mas singular Tino de Rans, o mais popularucho dos candidatos, a personificação do "vox populi", o moderno Joanne do Auto do Ferry do Inferno - todos estes cruzados anti-elitistas desatam as cintas e aperaltam os lábios em adoração "fellática" de Sampaio da Nóvoa, um candidato que é professor universitário, que reúne o apoio da maioria da Maçonaria, da maioria da Academia e da maioria da classe política (basta ver o número de ex-Presidentes da República e de figuras de proa do Partido Socialista que o apoiam directamente). Ou seja, um candidato que é a imagem dura e bruta da Elite que nos governa, que nos influencia culturalmente, que dita o politicamente correcto.
Perante um Sancho Pança, cru e honesto, preferem um príncipe, ainda que um príncipe da República. 
Pois é - os brasões ainda lá estão, as endogamias também, só que em República, em vez de estarem à vista de todos, mascaram-se por detrás das instituições democráticas.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O Social em CDS

O Mota era um playboy sem princípios a quem os papás pagaram a faculdade privada, porque o menino era demasiado especial para estudar. Ele diz ainda a toda a gente que foi o seu primeiro investimento a longo prazo. É um especialista em conversa de marketeiro, cheio de feedbaks e bankings. Trabalha numa dessas Deloittes da vida, a ajudar as grandes empresas a escapar às responsabilidades sociais e aos impostos. Tudo em nome da livre iniciativa, da liberdade e do valente salário que lhe vale esta actividade de corsário e o prolongamento de uma vida que mais não é do que uma cópia fatela de um filme com o Hugh Grant. É um intelectual do liberalismo, como tal, nunca leu um livro na vida.
O Ribeiro era um tipo acanhado, já nos tempos da Escola, aqui em Ermesinde. Chegou a ser baterista, mas não dos que metem nojo. É "pica" na CP, tem uma filha e uma esposa que o adoram. Não se considera uma elite do novo pensamento, mas deu-me em 15 minutos uma tareia de Rousseau e Dostoiévski que ainda me doí. Enquanto fiscalizava os bilhetes de mais quatro pessoas.
Tem um horário de merda, um salário de merda e ainda tem de aturar com a nossa conversa de merda quando o seu sindicato faz greve, queixando-se que os cortes na CP afectam os trabalhadores e não os gestores lá metidos pelos partidos.
O Mota e o Ribeiro são a verdadeira alternativa dentro do CDS. Entre o Melo e a Cristas só há uma diferença de bocas a alimentar. A verdadeira escolha no CDS é pessoal, sim, mas a um nível ainda mais específico. Está na hora de o CDS ser um partido para gente como o Ribeiro e não para gente como o Mota.

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"(...) as leis não têm força contra os hábitos da nação; (...) só dos anos pode esperar-se o verdadeiro remédio, não se perdendo um instante em vigiar pela educação pública; porque, para mudar os costumes e os hábitos de uma nação, é necessário formar em certo modo uma nova geração, e inspirar-lhe novos princípios." - José Acúrsio das Neves